Ensinando Economia

Experimento de Ilhas de Lucas – resultados

 

Realizamos o experimento fora do horário de aula, por conta do andamento do conteúdo, e por esse motivo definimos que essa atividade renderia uma nota adicional à segunda prova. Muitos se animaram, e a ideia era essa mesmo!!

Trabalhamos em grupos de 5 ou 4 e as regras para a atividade estavam claras:

“Prêmio: todos os grupos que realizarem corretamente todas as etapas receberão 0,5 ponto na prova P2 e os que responderem corretamente a pergunta sobre os resultados ao final do experimento, mais até 0,5 ponto!!”

Sendo a pergunta final a seguinte:

  • Considere os períodos em que você incorretamente estimou o nível de preços. Quantas horas você deveria ter trabalhado em cada um desses períodos se suas estimativas de nível de preços fossem corretas? Como as surpresas no nível de preços (isto é, as diferenças entre o nível de preços observado e o estimado) afetou sua decisão de trabalho e como isso afetaria o produto da sua ilha? E do conjunto de ilhas?

Preparar esse experimento deu um trabalho e tanto para mim e para o Gabriel, pois todos os salários nominais precisaram ser definidos a priori para manter a consistência interna do experimento e produzir o nível de preços verdadeiro adequado, que pudesse revelar os efeitos dos anúncios na formação das expectativas das ilhas. E eu os alertei: “Esse experimento não é para amadores, é necessário pensar e tomar decisão considerando o contexto descrito nas regras do experimento!!”.

Porém, qual não foi minha surpresa ao constatar que nenhum grupo realizou as contas adequadamente, e não é questão de aproximação, pois notem que as três primeiras rodadas deveriam produzir resultados exatos!! Se todos estivessem prestando atenção durante a realização do experimento e algum grupo tivesse cometido um erro que pudesse comprometer o cálculo do nível de preços verdadeiro (já que todas as ilhas visitaram seus vizinhos e coletaram os preços de seus produtos) qualquer um dos outros grupos poderia ter observado isso e reportado um possível problema. Durante o experimento, o que notei foi uma total falta de organização do trabalho dentro de cada grupo, sem divisão de trabalho e sem compromisso com seu próprio papel e o resultado disso para o grupo – era como a simples presença ali já garantisse meio ponto na nota da P2…

O resultado está aqui:

Preços observados e Notas- LUCAS

Nenhuma ilha realizou corretamente todas as etapas do experimento, portanto nenhuma recebeu o meio ponto “garantido” – tenham certeza: isso foi muito mais decepcionante para mim que para vocês… Observem que nem mesmo um possível erro de um grupo em reportar adequadamente o preço do seu produto pode ser o responsável por tais resultados, visto que para cada rodada há resultados dferentes entre os grupos.

Quanto à pergunta final, parabenizo à Ilha A que produziu uma resposta consistente com a estrutura econômica do experimento, DESCRITA nas regras!! Agradeço também aos que se esforçaram para realizar a atividade adequadamente, mesmo tendo dificuldades (de qualquer ordem, inclusive ler e seguir instruções).

É isso.

 

.

Política Monetária

ECEC O – Políticas macroprudenciais no Brasil

 

A recente crise internacional evidenciou a deficiência da estrutura regulatória do sistema financeiro brasileiro em vigência. Muitos economistas têm atribuído esse episódio à falta de medidas macroprudenciais à regulação do sistema financeiro. Enquanto a abordagem microprudencial visa evitar a quebra de instituições financeiras isoladamente, a abordagem macroprudencial pretende preservar o sistema financeiro como um todo.

As medidas macroprudenciais são políticas que tem por objetivo reduzir o risco sistêmico e assegurar a estabilidade do sistema financeiro contra choques externos. È normal em períodos de crescimento da economia, a diminuição do risco, os preços dos ativos sobem, o crédito aumenta  impulsionam as instituições. Já em épocas de crise, ocorre o oposto, em períodos de desaceleração econômica, surge um ciclo vicioso quando acontece desalavancagem do sistema financeiro,  queda nos preços dos ativos. Esses aspectos denominados de pró-cíclica é difundido pelo sistema financeiro pelo “mecanismo de aceleração financeira”. A princípio, uma alternativa para muar o cenário, são as medidas macroprudenciais, tornando empréstimos mais difíceis de serem efetuados em tempos de “boom econômico”, tentando prevenir desequilíbrios em momentos de desaceleração econômica.

Mudanças nas taxas de juros e medidas macroprudenciais atingem tanto a demanda e oferta adjuntas quanto as condições do sistema financeiro de maneira equivalente. Se por um lado, a política monetária atinge os preços dos ativos e os mercados financeiros de maneira geral, por outro, as medidas macroprudenciais podem surtir diversos efeitos macroeconômicos diversos, que se expandem ao buscar elevar ou recuar o ritmo do ciclo econômico, um exemplo é quando tais medidas implicam diretamente sobre a oferta de crédito.

Entretanto, essas duas medidas não são as melhores alternativas, de maneira geral são complementares, especialmente se existe grandes fluxos de entrada de capital que buscam a aumentar a vulnerabilidade do sistema financeiro. A política monetária pode ser brusca demais ao afetar a economia como um todo, mesmo representando um risco ou não à estabilidade econômica. Por exemplo, a necessidade de aumento de juros pode ser alto demais produzindo grande volatilidade na demanda agregada. Já medidas macroprudenciais podem ser direcionadas para um setor especifico que aparenta estar em risco mais evidente. Somado a isso, quando se muda as taxas de juros podem provocar um efeito nulo no aumento do crédito se as empresas conseguem pegar dinheiro à taxas menores no mercado internacional. Outro problema é o conflito gerado entre atingir a estabilidade financeira e macroeconômica por meio de política monetária. Por exemplo, as metas de inflação, se a expectativa da mesma esta de acordo com a meta, interferir na oscilação dos preços dos ativos para preservar a estabilidade financeira pode prejudicar a credibilidade do sistema de metas da inflação afetando todo o seu funcionamento.

Medidas Macroprudenciais não devem mudar os efeitos de política monetária, e, assim não podem ser usadas sozinhas para adaptar uma reação monetária desejada.

As chamadas medidas macroprudenciais, aplicadas pelo Banco Central do Brasil, entraram em cena pela primeira vez ainda no começo da crise econômica brasileira, entre 2008 e 2009. Esta servia como resposta à crise, onde o Banco injetava dinheiro para incentivar a economia. Como a função do Banco Central brasileiro é garantir a estabilidade monetária, diferentemente do Federe Reserve (Fed, o BC dos EUA), por exemplo, o qual deve se preocupar tanto com a estabilidade quanto com a taxa de desemprego, esta foi uma forma do governo fazer política de crescimento econômico.

Recentemente estas medidas voltaram à cena. Desta vez o BC aliviou regras do recolhimento do compulsório (fatia do dinheiro que os bancos, públicos ou privados, são obrigados a depositarem no BC para evitar empréstimos desproporcionais) e mudou fatores de ponderação de risco para o crédito ao varejo. Estas medidas têm por objetivo injetar 45 bilhões de reais na economia, o que equivaleria a 1,5% do atual estoque de crédito no país, que está em R$2,8 trilhões.

Tais mudanças, segundo o BC terão impacto imediato de 30 bilhões de reais em recursos na economia com uma mudança na regra dos depósitos compulsórios, trata-se de contribuição obrigatória que os bancos têm que fazer junto ao Banco Central. O valor é calculada baseado no volume de depósitos feitos à vista e à prazo nas instituições.

 REFERÊNCIAS

http://spotniks.com/banco-central-lanca-medidas-para-estimular-credito-e-injetar-r25-bilhoes-na-economia/

http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRKBN0FU15920140725.

UNZAL, F; Capital Flows and Financial Stability: Monetary Policy and Macroprudential Responses Framework, August, 2011.”

.

 

 

Política Monetária

ECO D – Políticas Macroprudenciais no Mundo

 

“A eclosão da crise de 2008 levantou o questionamento de muitos aspectos considerados, até então, importantes na formulação da política monetária. Acreditava-se que o objetivo principal dos Bancos Centrais fosse a estabilização de curto prazo das taxas de inflação – normalmente dois anos – fundamentada em um sistema de regras, que utilizava a taxa de juros de curto prazo como principal instrumento operacional. Atrelada à estabilização, a regulamentação do mercado financeiro era microfundamentada. Os microfundamentos são, basicamente, os elementos da economia agregada em termos de comportamentos de indivíduos e de entidades econômicas e suas interações. Como o mercado era regido por estes fundamentos, adotava-se um agente representativo em um mercado em concorrência perfeita como hipótese e considerava-se os aspectos de risco como exógenos, o que implicava na desconsideração da interdependência dos agentes.

Uma lição da crise, segundo Blanchard, é que desequilíbrios perigosos se formam, ainda que a economia mantenha a aparência de estabilidade. A inflação e o produto podem parecer estáveis, porém, crises setoriais levam a desequilíbrios com consequências graves sobre o bem estar da população. A crise de 2008 se formou em um momento considerado estável macroeconomicamente, contudo, seus efeitos foram diversos sobre a economia.

Neste contexto de críticas ao modelo vigente e de abalo à estabilidade, o uso de políticas macroprudenciais se valorizou. Estas políticas significam o uso de medidas de regulação e de supervisão do sistema financeiro que visam a estabilidade, tendo como foco o caráter sistêmico, e não individual, da economia. A abordagem tradicional – microfundamentada – não leva em consideração a interações entre as instituições financeiras dentro do mercado financeiro e do mesmo com a economia real. Sendo assim, as medidas macroprudenciais devem adicionar uma dimensão macrosistêmica ao modelo, considerando as interligações no setor financeiro e intensificando sua regulamentação. Vale ressaltar que, mesmo ganhando espaço durante a crise, esta abordagem existem desde a década de 1970.

As principais ferramentas de políticas macroprudenciais utilizadas em 49 países, segundo o um estudo do FMI, podem se encaixar em três principais grupos:

  • Ferramentas de crédito, como limites ao volume ou à expansão da taxa de crédito;
  • Ferramentas relacionadas a liquidez, como alterações nas taxas de reservas compulsórias e voluntárias;
  • Ferramentas de gerenciamento de fluxo de capital, a exemplo de restrições na distribuição de lucros.

Este estudo concluiu que o uso de medidas macroprudenciais nesses países foi efetivo para a redução do risco sistêmico.

O estudo realizado pelo FMI também sugere que mesmo levando em conta as circunstâncias específicas de cada país e independentemente do tamanho do setor financeiro ou taxa de câmbio os instrumentos podem ser considerados eficazes. Por exemplo, na China, as autoridades conseguiram diminuir crescimento do crédito e inflação dos preços mobiliários adotando uma série de passos em 2010 que incluíram medidas fiscais e monetárias. Já na Colômbia, as autoridades tomaram  medidas em 1999 para limitar o risco de inadimplência dos Bancos. As medidas parecem ter sido eficazes. Empréstimos não-cumpridos diminuíram e permaneceram baixos enquanto crédito ao setor privado recuperou-se após uma redução inicial.

De forma resumida, podemos analisar, conforme a tabela abaixo, as principais diferenças entre a abordagem microprudencial e macroprudencial:

Eco D 1

Referências:

https://www.imf.org/external/pubs/ft/sdn/2013/sdn1303.pdf

http://revistas.fee.tche.br/index.php/indicadores/article/viewFile/2726/3088

https://www.imf.org/external/pubs/ft/wp/2011/wp11238.pdf – IMF Working Paper. “Macroprudential Policy: What Instruments and How to Use Them?”’

.

 

Política Monetária

ECO L – Políticas Macroprudenciais

 

“O requerimento de capital contracíclico desempenha um papel macroprudencial cujo principal objetivo corresponde a proteger o sistema bancário de períodos de crescimento excessivo do crédito, os quais geralmente estão associados a períodos de elevado risco sistêmico.” 

Bank for International Settlements (2010)

 

Políticas macroprudenciais (ou macro-pru) são decisões administrativas dos Banco Centrais (BC) as quais tem efeitos diretos sobre o volume de crédito na economia, e vistam a prevenir pressões inflacionárias com potencial de risco sistêmico. Tradicionalmente existem três canais pelos quais se pode operacionalizar o combate à inflação: câmbio, taxa de juros e crédito. As medidas macro-pru tem como meta a contenção de demanda sem que para isto a Autoridade Monetária (AM) tenha que atuar necessariamente sobre a taxa de juros.

Conforme artigo publicado recentemente no The Wall Street Journal (WSJ), regulação macroprudencial é o mais novo modismo e se refere as políticas que elevam os requisitos para as instituições financeiras numa tentativa de controlar a concessão de empréstimos (Kupiec, P.H. – 28/09/2014).

Na prática, a contenção do crédito ocorre por meio da elevação dos compulsórios e pela maior rigidez na concessão de crédito por parte dos bancos comerciais, uma vez que estes terão de aumentar o nível de capital próprio nas operações de longo prazo. O efeito disto é o arrocho nas exigências para acesso ao crédito, alterações no “loan-to-value” (limites associados à renda do tomador). Assim como a elevação dos custos e aumento de juros específicos para determinados segmentos. Neste cenário, o público em geral passa a ter menos incentivos para tomar empréstimos, consequentemente a demanda por financiamentos cai, assim como os preços e a pressão inflacionária.

Portanto, as medidas macroprudenciais atuam sobre a regulação dos bancos de maneira a diminuir situações de desequilíbrios inerentes aos ciclo econômico. Esses ciclos apresentam duas tendências: em períodos de expansão os agentes tendem a aumentar sua exposição a riscos, enquanto que em períodos de recessão os indivíduos se tornam extremamente avessos ao risco.

Pelo mundo:

Austrália – Real Time Economics

O BC da Austrália está preocupado com a alta dos preços das casas, se mostrando inclinado a reprimir ainda mais os empréstimos hipotecários, ao contrário do que estão fazendo seus conterrâneos, países como Nova Zelândia, Canadá e Reino Unido.

(Glinn, J. – 26/09/2014)

EUA – WSJ

Desde a crise financeira de 2008, os reguladores bancários norte-americanos puseram em prática novas regras de supervisão que limitam a capacidade dos bancos para fazer determinados tipos de empréstimos, os chamados empréstimos-mercado-de alavancagem, para corporações de baixo rating e para hipotecas residenciais.

Israel – WSJ

Quando as taxas de juro de curto prazo são baixas e taxas de longo prazo são elevadas, os mutuários preferem usar a curto prazo, ou ainda, a dívida de taxa flutuante, para minimizar o pagamento de juros. E assim aconteceu em Israel, quando um surto de crescimento de empréstimos hipotecários foi alimentado por hipotecas com baixas taxas de juro de curto prazo. Quando os requisitos de capital (garantia) mais elevados e menores limites de empréstimos em relação ao valor não funcionou, o Banco de Israel reduziu o crescimento do crédito imobiliário, exigindo que os bancos amarrassem as taxas de hipoteca de taxa de juros de longo prazo.

(Kupiec, P.H. – 28/09/2014)

Links:

http://online.wsj.com/articles/paul-kupiec-when-central-bankers-become-central-planners-1411945265

http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2066656/entenda-melhor-que-sao-medidas-macroprudenciais-sua-atuacao-economia

http://blogs.wsj.com/economics/2014/09/16/australias-central-bank-holds-off-macroprudency/

.

 

Política Monetária

ECEC J – Políticas Macroprudenciais no Mundo

 

“Quando surgiu?

As políticas macroprudenciais surgiram na década de 1970, no contexto da Crise do Petróleo, que causou o aumento do preço do mesmo, afetando os empréstimos bancários e a estabilidade do sistema financeiro internacional. Com a Crise de 2007-2008, essas políticas ganharam maior espaço nas discussões econômicas, já que foi necessária a reforma do sistema de regulação financeira, enfatizando a relação entre a saúde dos bancos e os ciclos econômicos.

O que é?

Políticas Macroprudenciais são decisões administrativas do banco central, caracterizadas pela utilização de instrumentos de regulação, os quais buscam diminuir o risco sistêmico, através do canal de crédito.

Por meio delas, os bancos são obrigados a manter maior quantidade de reserva para cada empréstimo concedido, elevando essa exigência se o financiamento for de longo prazo. Essa medida faz com que os bancos concedam menos empréstimos, e consequentemente eleva a taxa de juros para os tomadores de empréstimos.

Sendo assim, as politicas macroprudenciais objetivam, em períodos de rápido crescimento do crédito, um sistema financeiro mais estável, já que além de enfraquecer o crescimento do crédito, causa uma redução dos preços dos ativos.

Quais os efeitos dessa política?

Os principais efeitos do emprego dessa política são: a redução da oferta de crédito, do consumo e da inflação. Alguns economistas acreditam que a politica macroprudencial é um bom instrumento para o controle da inflação. No entanto, apontam algumas falhas, como o fato de afetarem pouco as decisões de poupança e investimento, sua intensidade e o tempo de seu efeito ser incerto ou desconhecido, e por criarem distorções e ineficiências no mercado de crédito.

Exemplo internacional

Na Nova Zelândia, em maio de 2013, o Ministro de Finanças, Hon Bill English, e o governador do Reserve Bank, Graeme Wheeler, assinaram um Memorando de Entendimento em Política Macroprudencial (MOU). Esse memorando contém uma descrição dos mecanismos de governança para a aplicação dos instrumentos macroprudenciais. Esses instrumentos são:

  • the countercyclical capital buffer (CCB) ou reserva de capital contra cíclica, objetiva garantir que os bancos detenham reserva suficiente de capital para absorver perdas inesperadas, e assim não comprometer a concessão de crédito;
  • adjustments to the minimum core funding ratio (CFR)ou proporção de alavancagem de recursos mínima entre os bancos, que reduz o risco de transformação da maturidade, exigindo credores para financiar o seu equilíbrio usando uma parcela maior de financiamento estável.
  • sectoral capital requirements (SCR) ou requerimento de capital setorial, caracteriza-se como uma política, que requer reservas de capital, para empréstimos concedidos à setores da economia que apresentam alto crescimento;
  • temporary restrictions on high loan-to-value ratio (LVR) residential mortgage lending ou restrições temporárias sobre a proporção dívidas-valor elevada em empréstimos de hipotecas residenciais,  são utilizadas para estabelecer o equilíbrio no setor da habitação e podem assumir uma determinada proporção do valor do imóvel (LVR) ou também como uma restrição sobre a parcela de empréstimos (como uma proporção da carteira de crédito habitacional do credor ou de novos empréstimos).

Comparação com a Politica Monetária

Muitas pessoas confundem política macroprudencial com política monetária, porém, essas políticas não são substitutas e sim complementares. Enquanto, a política macroprudencial se encarrega apenas de estabilizar o sistema financeiro, a politica monetária é utilizada para ajustar os ciclos macroeconômicos.

Referências: http://www.rbnz.govt.nz/financial_stability/macro-prudential_policy/

http://blogdovinicius.folha.blog.uol.com.br/

http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2066656/entenda-melhor-que-sao-medidas-macroprudenciais-sua-atuacao-economia

.

 

Política Monetária

ECO O – Países que adotam o regime de metas de inflação

.

“Nos anos 90, um número crescente de países adotou o regime de metas de inflação, devido ao fracasso de outras estratégias de âncora nominal como taxa de câmbio ou as metas monetárias. A âncora cambial, como o caso do Brasil e outros países emergentes, é abandonada com a ocorrência das crises asiática em 1997 e russa em 1998, que provocaram queda no preço das commodities, e reduziram o crédito para obtenção de dólares no exterior, inviabilizando a sobrevalorização do câmbio.

O regime de metas de inflação, se baseia no compromisso da autoridade monetária em perseguir uma dada taxa de inflação ou fazer com que ela permaneça em uma banda. Para atingir seu objetivo, o regime possui cinco elementos principais:

  • O anúncio ao público de uma meta numérica da inflação para um ou mais horizontes de tempo;
  • Um compromisso institucional assumindo a estabilidade de preços como objetivo primordial da política monetária;
  • O uso de uma estratégia de informação em que algumas variáveis (não apenas agregados monetários e taxa e câmbio) sejam utilizados como parâmetros às decisões envolvendo os instrumentos de política;
  • O aumento da transparência das estratégias de política monetárias, por meio da comunicação ao público e aos mercados sobre os planos, objetivos e decisões da autoridade monetária;
  • O aumento da responsabilidade do Banco Central em atingir os alvos inflacionários pré-estabelecidos.

A implementação do regime de metas inflacionárias se diferencia entre os países quanto à escolha do horizonte temporal para a convergência da meta, quanto à adoção de uma meta pontual ou banda, o valor numérico para a inflação, a utilização de cláusulas de escape e a independência dos bancos centrais em perseguirem a meta.

Abaixo, a tabela 1 mostra a autonomia dos bancos centrais em diferentes países em sua conduta na política monetária – tema que foi muito discutido na postagem no Grupo K “Taxa de Juros de FED”; aqui a tabela exibe se o BC toma decisões independentemente ou em conjunto com o governo; se ele persegue apenas a meta de inflação ou metas múltiplas; se é livre pra utilizar todos os seus instrumentos; se há cláusulas de escape e se a autoridade do BC pode ser demitida em caso de má conduta sobre a política monetária.

 Eco O 1

 Na tabela 2, são exibidos o horizonte de compromisso e a escolha do índice de preços como referencial para o alcance da meta (índice cheio, como o IPCA; ou o núcleo da inflação, excluído os preços mais voláteis).

 eco O 2

 

 Países em desenvolvimento, onde a credibilidade da autoridade monetária é mais baixa, adotam políticas monetárias mais agressivas para atingimento da meta, elevando o custo dessa convergência através de altas taxas de juros, o que prejudica a atividade econômica.

Em países desenvolvidos, a adoção do regime de metas também provoca a mesma volatilidade na comparação com outros países desenvolvidos, mas o custo dessa convergência é menor.

A tabela abaixo dividida em 2 partes (países desenvolvidos e em desenvolvimento) , compara a volatilidade da taxa de inflação, Crescimento do PIB, câmbio, juros e desemprego entre dois grupos de países; que adotam e não adotam o regime metas de inflação.

eco O 3

Atualmente 27 países operam no regime pleno de metas de inflação. No começo deste artigo foram apresentados cinco elementos chave para que o regime de metas de inflação atinja seu objetivo, sendo um destes elementos, o aumento do grau de transparência das estratégias de política monetária. Abaixo segue uma tabela  descritiva quanto a responsabilidade e transparência de cada país no que tange a condução do regime de metas de inflação.

 eco O 4

 

 Links:

http://www.economiaetecnologia.ufpr.br/XI_ANPEC-Sul/artigos_pdf/a3/ANPEC-Sul-A3-02-adocao_do_regime_de_meta.pdf

http://www.usp.br/prolam/downloads/2005_2_1.pdf

http://www.bankofengland.co.uk/education/Documents/ccbs/handbooks/pdf/ccbshb29.pdf

 .

 

Política Monetária

ECEC G – Países que adotam Metas de Inflação

.

“Nos anos 1990, como podemos ver no gráfico abaixo, um número crescente de países implementou o regime de metas de inflação. Esse regime propõe uma meta de crescimento para algum índice de inflação, que é anunciada no início de determinado período. A meta é estabelecida pelo governo e deve ser perseguida pelo banco central. A disciplina e a transparência requeridas sugerem alguma espécie de âncora nominal para a política monetária.

ECEC G 1 

Abaixo, uma breve descrição da adoção e resultados desse regime em alguns países:

 1) Nova Zelândia

O país foi o primeiro a adotar o regime de metas de inflação como âncora para a política monetária, que foi antecedida de uma reforma econômica abrangente que adotou o câmbio flutuante, desregulou e abriu a economia.    

A reforma no arranjo institucional do banco central da Nova Zelândia ocorreu após um longo, e bem-sucedido, período de desinflação. Desde 1985, o BC – sem autonomia legal, mas com independência de fato – operou uma política monetária desinflacionaria, que trouxe a inflação de 16%, em 1985, para 7%, em 1989.

A nova Lei do Banco Central estabeleceu como sua missão a implementação de uma política monetária com vistas a atingir e manter a estabilidade de preços, mas remeteu a formalização dos detalhes operacionais para um acordo público entre Tesouro e Banco Central: o Acordo para a Política de Metas no qual é acertada uma definição precisa da meta de inflação, compatível com a obtenção da estabilidade de preços.

A Lei de 1989 não estabelece o regime de metas, somente o respeito ao princípio da estabilidade de preços. Na prática, o que se observa, por meio dos sucessivos PTAs, é um processo contínuo, no qual as alterações são movimentos visando ao aperfeiçoamento do regime de metas de inflação. O PTA é, portanto, o veículo por meio do qual o objetivo genérico da estabilidade de preços ganha um contorno preciso com metas numéricas, prazos, cláusulas de escape e mecanismos institucionais internos de revisão.

 2) Chile

Chile é um exemplo bem-sucedido de adoção de regime de metas de inflação em um país emergente.  Apresentava taxas de inflação anuais superiores a 15% quando adotou seu regime de metas para inflação. A primeira meta estabelecida pelo Chile, em 1991, era um intervalo de 15,0% a 20,0% para a inflação acumulada em 12 meses. Esta meta foi diminuída gradualmente e os intervalos foram estreitados de 5 pontos porcentuais de diferença entre os limites superior e inferior da banda para 2 pontos porcentuais. Entre 1995 e 2000, a meta tornou-se pontual, sem abandonar a tendência de queda. Todo o processo de convergência para uma inflação estável foi realizado em aproximadamente 10 anos, desde 1991.

É importante ressaltar que o sucesso da meta de inflação não pode ser atribuído unicamente às ações do banco central chileno: políticas de apoio, tais como ausência de grandes déficits fiscais e de regulação rigorosa e supervisão do setor financeiro têm sido cruciais para seu sucesso.

 3) Brasil

O regime de metas de inflação foi implementado em meados de 1999, no que diz respeito à escolha das metas, dos intervalos de variação e do índice que mediria a inflação, e em que pesem os grandes desvios observados em relação às metas inicialmente traçadas em alguns anos, notadamente em 2002 e 2003, de um modo geral a iniciativa foi bem-sucedida, seja porque ela permitiu enfrentar situações adversas – como as desvalorizações de 1999 e 2002 – com custos moderados em termos da evolução do produto e da própria inflação –, seja porque, levando em conta a meta de 2006 – de 4,5% – a expectativa de mercado – muito próxima disso – sinaliza que a autoridade monetária goza de confiança, uma vez que a inflação esperada não difere substancialmente da meta estabelecida.

Atualmente o COPOM trabalha com o conceito de meta ajustada, em que, à meta preestabelecida pelo CMN, adicionam-se os impactos inerciais da inflação do ano anterior e o efeito primário dos choques de preços administrados por contrato e os preços monitorados.”

.

Política Monetária

ECO C – Países que adotaram Metas de Inflação

.

“O primeiro país a adotar o regime de metas de inflação foi a Nova Zelândia, em 1990, seguida do Canadá em 1991 e do Reino Unido, em 1992. Atualmente são 23 os países que adotaram oficialmente o regime de metas de inflação (RMI). Além dos 3 já citados, temos: Austrália, Chile, Israel, Suécia, Espanha, México, República Tcheca, África do Sul, Tailândia, Islândia, Hungria, Noruega, Peru, Filipinas, Turquia, Coréia do Sul, Brasil, Colômbia, Polônia e Finlândia.

Países com regime de metas de inflação

 eco C 1

Fonte: Gjedren (2005, p.2).

 

 Nova Zelândia

A pioneira Nova Zelândia em 1990 concedeu maior autonomia ao banco central e o incumbiu de manter a estabilidade dos preços no longo prazo. Definiu-se que o ministro das finanças e o presidente do banco central deveriam estipular e tornar públicas as recém-criadas metas para a inflação. O acordo inicial previa uma inflação entre 3-5% que foi se adaptando até 1-3%. A nova política havia conseguido conter a inflação, mas a um custo de profunda recessão e aumento do desemprego. Depois de contida a inflação, o país voltou a crescer e o desemprego tem voltado a crescer significativamente.

 eco C 2

 Canadá

O Canadá, um ano após a Nova Zelândia, também adota formalmente o regime de metas de inflação e possui uma trajetória similar na qual obteve sucesso em conter a inflação, mas com o custo de recessão e desemprego que se elevou mais de 10% de 1991 a 1994.

Reino Unido

Antes mesmo da adoção do novo regime, em 1992, a inflação do Reino Unido já estava baixa (4% no momento da adoção), o que facilitou a manutenção de uma inflação baixa em torno de uma meta. O crescimento do país foi forte durante o período e a taxa de desemprego diminuiu.

Chile

O Chile é o primeiro país emergente a adotar o RMI, embora o tenha feito informalmente, em 1990, aliado a um regime de bandas cambiais e reformas para manter o equilíbrio fiscal. Sinalizando para o mercado políticas mais contracionistas, obteve sucesso em conter a inflação e o regime foi oficialmente adotado no ano de 1999.

México

Durante a década de 90, o México estabilizou sua inflação através da taxa de câmbio, sistema este financiado por uma acumulação de crescente déficit em conta corrente que resultou na crise de 1994. Adotando assim o RMI em 1999, e com uma forte política restritiva, conseguiu conter a inflação abaixo dos 5%, mas para tal obteve uma média de crescimento de 2,1%.

Brasil

O Brasil, com a necessidade de uma âncora nominal, anuncia apenas em 1999 a adesão ao regime de metas de inflação, designando o COPOM (Comitê de Politica Monetária) como responsável por fixar as metas para a inflação, e ao Banco Central do Brasil a responsabilidade de manter estas metas. O COPOM tem de tornar públicas as atas de suas reuniões e também para aumentar a transparência para o público, institucionaliza-se o Relatório de Inflação Trimestral. O Banco Central tem autonomia no controle do instrumento e utiliza da taxa de juros Selic como tal para propiciar o ajuste. Desde a adoção do RMI, a estabilização dos preços se fez mais presente na última década, sendo que as metas não foram cumpridas apenas entre 2001-2003, período de choques inesperados. Desde então, as metas têm sido cumpridas, sendo que atualmente a meta é de 4,5%, admitindo-se uma banda de variação de 2%.

 eco C 3

 Deixamos como sugestão de leitura complementar ao tema uma notícia recente que retrata como Banco Central utiliza a Selic para conter a inflação, buscando atingir a meta. Também sugerimos o link para “Cursos USP – Economia Monetária”, que contém vídeo-aulas sobre o regime de metas de inflação.

http://www.valor.com.br/financas/3756542/copom-foi-mais-corajoso-do-que-se-esperava-diz-professor-da-fea-usp

http://univesptv.cmais.com.br/economia-monetaria/o-regime-de-metas-de-inflacao

 Referências:

Mishkin, F. S.; The economics of money, banking, and financial markets; 10ª edition.

http://www.anpec.org.br/sul/2013/submissao/files_I/i6-eb186994c091a5a9f713522b1ab47d56.docx

Material de Apoio sobre Âncoras Nominais e  Metas de Inflação; Prof. Dra. Roseli da Silva.”

.

Política Monetária

ECEC E – Outros exemplos de Âncora Nominal

 

Âncoras nominais são definidas como restrições sobre a moeda doméstica que se impõem sobre a política monetária de modo a fixar o nível de preços a um valor específico. Ela pode contribuir para acelerar a queda da inflação além de reduzir os custos sociais da política anti-inflacionária. Possuem o propósito de evitar que o banco central atue de forma errática ou irresponsável que levaria a condições que resultariam em inflação e algumas consequências prejudiciais.

Existem 3 tipos de âncora nominal: regime cambial, metas de inflação e meta monetária. O primeiro regime já foi abordado no Post anterior, e por isso esse Post foca nos dois outros tipos.

O regime de metas monetárias ocorre quando se fixa o estoque de moeda ou definem-se regras rígidas de expansão dos agregados monetários, elas só funcionam se existir confiança nas informações transmitidas da condução da política monetária (caso elas consigam guiar as expectativas inflacionarias do público), se for criado algum mecanismo de responsabilidade para eliminar desvios da meta monetária e por fim, se a taxa de câmbio for flexível não podendo existir dominância fiscal.

Temos como exemplo empírico de meta monetária o caso dos Estados Unidos 1979-82. O FED adotou, em resposta aos altos índices de inflação, novos procedimentos operacionais que possibilitavam o maior controle sobre a oferta monetária e ao comprometimento em cumprir as metas de expansão monetária. O resultado dessa nova política foi a alta da taxa de juros que levou a recessão econômica e a uma apreciação cambial. Tamanho controle monetário e a forte apreciação cambial teve como consequência simultaneamente a queda da inflação e um alto índice de desemprego caracterizando a pior recessão da economia americana desde a Grande Depressão. Em 1982, aliado a uma política fiscal mais tolerante o FED adotou uma política monetária mais expansiva, abandonando seus compromissos com as metas monetárias, o que possibilitou a recuperação da economia americana juntamente com uma taxa de inflação descendente como é possível observar no gráfico abaixo.

 ecec e 1

Metas de inflação podem ser definidas pelo anúncio oficial de uma banda para a flutuação das taxas de inflação e reconhecimento de que o principal objetivo da política monetária deve ser uma taxa de inflação baixa e estável. Dessa forma ela tem como princípio a neutralidade da moeda no longo prazo, além de ser assumido que as metas inflacionárias aumentam a comunicação com o público sobre os planos e objetivos das autoridades monetárias, e por conseguinte acabam gerando o aumento da responsabilidade do banco central. O funcionamento dessas metas depende de alguns elementos como por exemplo: anuncio público para a inflação, compromisso público da política monetária para a estabilidade de preços, dentre outros.

No caso do regime de metas de inflação podemos utilizar como exemplo a Nova Zelândia. Em 1989, sendo a pioneira nesse tipo de regime, esse país determinou a estabilidade de preços via fixação de metas econômicas. A figura a seguir mostra a queda e a maior estabilidade da inflação quando o regime passou a ser utilizado:

ecec e 2

Os bons resultados obtidos com a utilização dessa âncora na Nova Zelândia deve-se ao grande desejo de transparência pelo banco central. Nesse país, se houver um desvio de 25% da taxa de inflação anunciada o presidente do banco central poderá ser demitido por justa causa.

Referencias:

http://www.unifae.br/publicacoes/pdf/revista_da_fae/fae_v6_n1/01_miguel.pdf

https://professorgilmar.files.wordpress.com/2009/12/conceito-2-ancoras-nominais-e-metas-de-inflacao-no-brasil.pdf

http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/70/000065119.pdf?sequence=1

http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/70/000065119.pdf?sequence=1

http://www.cepea.esalq.usp.br/pdf/Cepea_monografia_Fabiana.pdf

 

.

 

 

Política Monetária

ECO I – Outras âncoras nominais – exemplos práticos

 

Âncoras nominais são, basicamente, restrições que se impõem sobre a política monetária de modo a “amarrar” o nível de preços a um valor específico, com o propósito de evitar que o banco central atue de forma errática ou irresponsável, condições estas que poderiam levar à inflação e a todas as consequências danosas que ela gera.

Podem assumir a forma de restrições na quantidade, como na limitação do papel-moeda em circulação, ou de restrições no preço de algum bem, como o ouro ou dólar. Os cinco tipos de âncoras nominais mais comuns são:

  • Taxa de câmbio;
  • Agregados monetários;
  • Inflação (via regime de metas inflacionárias);
  • PIB nominal;
  • E a estratégia conhecida como just do it, na qual não há uma âncora explícita

A âncora cambial já foi tratada pelos grupos ECO F e ECEC C, além das discussões geradas, portanto iremos tratar das outras formas de âncoras mais utilizadas atualmente.

 Agregados monetários como âncoras nominais

O funcionamento básico dessa estratégia traduz a crença monetarista de que a melhor maneira de conduzir a política monetária e, portanto, evitar a inflação, se dá através de uma taxa de crescimento constante do agregado monetário escolhido. Entretanto, como exposto em Bernanke et al. (1999), quase sempre os bancos centrais se desviam das taxas de crescimento monetário por eles próprios estabelecidas, de forma a poder responder apropriadamente a choques que desestabilizam a economia. As experiências do Canadá, do Reino Unido e dos EUA com o regime de metas monetárias durante os anos 70, permitindo overshootings e undershootings das metas propostas, estão entre as evidências mais claras deste tipo de comportamento (CANUTO, 1999 e MISHKIN, 1999).

A principal economia que faz uso desse tipo de âncora nominal é a Alemanha, um dos países com maior rigidez no controle da inflação e que conta com inflação acumulada em 2014 em 0,848 %.

Inflação como âncora nominal

De maneira bastante simplificada, pode-se dizer que o apelo teórico das metas de inflação reside no fato de que, na medida em que o banco central anuncie metas para a inflação e seja efetivamente capaz de mantê-las dentro destas metas, começa ele a desfrutar de credibilidade perante a opinião pública.

O Brasil passou a fazer uso dessa âncora nominal como parte fundamental de seu tripé macroeconômico, política econômica que associa metas inflacionárias, superávits primários e câmbio flutuante.

PIB nominal como âncora nominal

Esta estratégia é bastante similar ao regime de metas inflacionárias e consiste no estabelecimento de uma taxa de crescimento para o PIB nominal, após o que deve haver um comprometimento da autoridade monetária em atingir esta meta. Sendo a inflação o fator que concilia o PIB nominal e o PIB real.

Just do it – política monetária sem âncoras nominais

Apesar de não conter uma meta explícita, este sistema apresenta uma estratégia bastante coerente para a condução da política monetária, porque demanda que o banco central esteja sempre atento às surpresas que o futuro pode reservar (forward-looking) e esteja apto a enfrentá-las antecipadamente (pre-emptive monetary police).

O caso mais conhecido de sucesso na condução da política monetária sem âncoras nominais são, sem dúvida, os EUA, onde durante os anos 90, mesmo com baixo desemprego e alto índice de atividade da economia, foi possível manter o processo inflacionário sobre controle.

Dicas de leitura e referências:

CANUTO, O. Regimes de política monetária em economias abertas. Campinas: Unicamp, 1999

(http://www.eco.unicamp.br/docprod/downarq.php?id=1722&tp=a)

SALOMÃO, M. As âncoras nominais e o combate à inflação. Curitiba: Revista FAE, v.6, n.1, p.1-14. 2003

(http://www.unifae.br/publicacoes/pdf/revista_da_fae/fae_v6_n1/01_miguel.pdf)”