G6-Eco: Taxa de Câmbio nominal e suas relações com comércio e fluxos de capitais

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

“A taxa de câmbio é comumente considerada uma das variáveis mais importantes no relacionamento entre uma economia aberta e seus parceiros comerciais. As políticas cambiais possuem efeitos sobre as transações comerciais e, com isso, possuem impacto no ciclo de negócios e no crescimento econômico como um todo.

A taxa de câmbio difere-se em termos nominais e reais. A taxa de câmbio nominal indica o preço do ativo financeiro, enquanto que a taxa de câmbio real indica o preço relativo entre duas moedas – o que permite medir a competitividade relativa entre os dois países em questão. Além disso, a taxa de câmbio nominal pode ser definida de duas formas: ela pode representar o preço da moeda doméstica (E´=US$/R$), ou o preço da moeda estrangeira (E=R$/US$).

Consequência das Flutuações Cambiais nas Contas Externas

Considere o “método” do preço da moeda estrangeira e suponha uma valorização cambial. Precisamos, agora, de menos reais para comprar a mesma quantidade de produtos estrangeiros, ou seja, as importações se tornam “mais baratas”. Assim, há um aumento na demanda de produtos importados, o que aumenta as importações. Ao mesmo tempo, as exportações ficam “mais caras”, pois há um aumento no preço dos produtos nacionais em termos de moeda estrangeira; com isso, pode ocorrer uma redução da demanda externa por produtos nacionais, o que leva a uma queda nas exportações –a elasticidade do produto influencia nessa circunstância. Portanto, a valorização cambial incentiva as importações e prejudica as exportações, enquanto que a desvalorização cambial tem uma consequência oposta.

Situação do Brasil

Muitas nações enfrentam problemas inflacionários e baseiam suas políticas cambiais no regime de câmbio fixo, caso do Brasil em meados da década de 1990. Neste regime, a taxa de câmbio não foi estabelecida no mercado de divisas e o governo impôs à sociedade a taxa de câmbio que, segundo os objetivos de sua política econômica, era a mais adequada para o país (paridade cambial de R$ 1,00 x US$ 1,00). Com isso, as exportações se reduziram fortemente e as importações cresceram de forma rápida, gerando um o acúmulo de déficits comerciais na Balança Comercial. 

Contudo, após a crise cambial de 1999, resultado entre outros fatores da elevada vulnerabilidade externa do país, o Brasil adotou um novo modelo de política econômica: regime de câmbio flutuante, sistema de metas de inflação e geração de constantes superávits primário. Nesse novo modelo, as taxas são estabelecidas em mercado e flutua em função da oferta e demanda de divisas; as taxas de juros são menores do que as observadas no período anterior, apesar de ainda continuarem altas; além disso, pode-se observar uma grande volatilidade na taxa de câmbio.

Figura 1: Contas do balanço de pagamentos (1999-2014) em milhões de dólares

 

A partir de 2000, mesmo com a forte desvalorização do real, nota-se que tanto as importações quanto as exportações aumentaram, resultado de uma maior abertura do Brasil.

Já em relação ao saldo líquido da conta financeira brasileira, vemos uma grande entrada de investimento estrangeiro, devido a fatores exógenos, que ajudou a valorizar o real. Essa valorização, entretanto, não afetou as exportações como “se esperava”. Percebe-se que a conta financeira compensou o saldo negativo das transações correntes.

Figura 2: Evolução da balança comercial e da taxa de câmbio nominal – 2000 a 2014 – Milhões de Dólares e R$/US$.

 

A forte valorização do real a partir de 2003 não teve um resultado determinante no saldo exportações. O que pode explicar essa situação, divergente da teoria, é o crescimento da renda dos outros países, especialmente da China que entrou na OMC em 2001 e era um grande demandante das commodities brasileiras. Além disso, houve um crescimento de empresas brasileiras exportadoras que tomaram proveito da situação e aumentaram a produção.”

Referências bibliográficas:

goo.gl/HBDYpm

goo.gl/CU1QuM

goo.gl/QfVkq3

goo.gl/P6Yp2d

goo.gl/DreBFB

goo.gl/TQif1t

goo.gl/TQif1t

Autores: Grupo H Turma de Economia

 

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Publicado por

Roseli Silva

Possui graduação em Economia pela Universidade de São Paulo (1993) e doutorado em Teoria Econômica pela Universidade de São Paulo (2003). Como bolsista da Fundación Carolina, visitou a Universidade Carlos III de Madrid (2009) e foi Visiting Scholar do Program for Economic Research de Columbia University, entre 2011 e 2012, com financiamento Fapesp – em ambas as oportunidades desenvolveu estudos de pós-doutoramento na área de macroeconometria. Atualmente é Professora Doutora da Universidade de São Paulo – Ribeirão Preto – Departamento de Economia. Realiza atividades de ensino e pesquisa em Macroeconometria, Economia Monetária e Financeira, atuando principalmente nos seguintes temas: regimes monetário e fiscal, mercados financeiros e finanças públicas, dedicando-se também ao estudo e implementação de inovações didáticas para o ensino de economia.

46 respostas para ‘G6-Eco: Taxa de Câmbio nominal e suas relações com comércio e fluxos de capitais

  1. Tenho muito interesse em regimes cambiais, assim achei o trabalho muito esclarecer e instrutivo, especialmente o exercício feito com as flutuações cambiais. A volatilidade cambial está atrelada às expectativas nas variáveis que afetam o câmbio no geral. Assim, cada nova notícia que aparece na mídia irá alterar as expectativas nas taxas de câmbio. Algo que gostaria de ressaltar é que os modelos mais antigos focavam em mercados de bens, ao invés de mercados de ativos, não focando nas mudanças das expectativas e assim, não conseguiam prever possíveis mudanças.
    Após pesquisar um pouco mais sobre o regime cambial adotado pelo Brasil, conforme falado pelo grupo, o Brasil adota o câmbio flutuante, sistema de metas de inflação e utiliza a taxa de juros para a inflação. Assim, a taxa de juros não pode ser determinada com o objetivo de influenciar a taxa de câmbio. A partir de 1999, o Banco Central começou a controlar esporadicamente o valor da moeda de dólares, isso venda e compra, para diminuir a volatilidade no mercado. E então em 2006, o Banco Central executou uma intervenção no câmbio, até então feita através de swaps cambiais (venda futura de dólares, reduzindo a pressão da alta da moeda). Após isso, o dólar começou a cair, isso ainda antes de intervir de fato. Podemos conectar esse resultado rápido e direto às expectativas das pessoas.
    As operações swap, utilizadas pelo Banco Central são contratos de troca de risco, o banco central oferece um contrato de venda de dólares, com uma data de encerramento já definida, porém não entrega a moeda. O investidor aceita pagar uma taxa de juros sobre esse valor e recebe a variação do dólares, servindo como uma proteção àqueles que tem dívida em moeda estrangeira.

    Fontes:
    Livro texto utilizado em aula
    http://g1.globo.com/economia/mercados/noticia/2016/06/como-funciona-o-cambio-no-brasil.html
    http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/09/entenda-o-que-e-swap-cambial-leilao-de-linha-e-venda-direta-de-dolares.html

  2. Uma coisa interessante a se pontuar quando se fala em taxa de cambio, é a bem sucedida implantação em 1999 do tripe macroeconômico,como apontado no texto : regime de câmbio flutuante, sistema de metas de inflação e geração de constantes superávits primário. Tal reforma foi extremamente importante pois criou condições para que o Brasil aproveitasse a janela de oportunidade criada pelas ótimas condições do mercado internacional no começo dos anos 2000.Principalmente devido a emergência da China , como grande demandante de commodities brasileiras.A demanda interna brasileira pode crescer sem criar surtos inflacionários, dinamizando a economia(setor de serviços apresentou grande expansão).No entanto , uma critica feita pela ala dos economistas alinhados a teoria desenvolvimentista é que a apreciação cambial do período acelerou a desindustrialização do país. O crescimento econômico brasileiro entre 2003-2010 deve-se em parte a boa condução da politica monetária/fiscal ( obtenção de superávits primários , o qual gera queda da relação divida/PIB) o que permitiu controle da inflação , juros reais em queda,viabilizando maior nível de investimentos.

  3. Quando analisamos o cambio no Brasil, consequentemente pensamos no Plano Real e na sua politica de manter o cambio fixo no meado doa anos 90. Esse cambio fixo serviu como a ancora nominal da economia para conter o processo inflacionário. Geralmente pensamos no tripe macroeconômico para a estabilidade do preço, mas a fixação do cambio também tem importantes resultados para a estabilização da inflação. Uma é em razão da entrada de produtos importados, que sofreram redução de preço graças a valorização do real, e das matérias primas usadas para fabricação de diversos produtos nacionais reduzindo o custo de produção de alguns setores. A outra foi afetando as expectativas dos agentes pela melhora da credibilidade das politicas implementadas, mudando, consequentemente, as expectativas inflacionárias.
    No entanto é importante ressaltar que quando adotada essa politica, bem como o grupo mencionou, o deficit da balança comercial cresce, além de essa ancora tornar a oferta de moeda endógena, deixando ineficaz a implementação de politicas monetárias quando se considera mobilidade perfeita de capitais.

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1294

    1. A taxa de câmbio adotada pelo Brasil é flutuante, ou seja, o valor do câmbio é definido pela oferta e demanda da moeda no mercado. Porém, ainda assim, o Banco Central pode fazer intervenções no mercado de câmbio. Pesquisando um pouco mais sobre o câmbio no Brasil, acho interessante destacar as diversas formar que o Banco Central tem de interferir no mercado de câmbio, como venda direta, leilão de linha e oferta de swaps cambiais, operações que equivalem à venda de dólares no mercado futuro, que foi utilizada pelo Bacen em 2012.

      Na notícia abaixo, temos bem esquematizado e explicado os regimes cambiais no Brasil desde o Plano Real: câmbio fixo, logo que o real foi adotado no Brasil e o dólar foi fixado em R$1, Regime de Banda Cambial a partir de 1995, onde o Banco Central estabelecia uma banda limitando o crescimento e a queda do câmbio e por fim, a partir de 1999 até os dias atuais, o regime que o autor chama de câmbio flutuante “sujo”, que se trata exatamente do que falamos acima, o câmbio flutua livremente, porém com algumas intervenções do Bacen. Nesse momento, o câmbio o valor do dólar em relação ao real deixa de ser a principal forma de controle inflacionário.

      Ainda, numa segunda notícia, temos um economista que defende que o tripé macroeconômico brasileiro vem trabalhando de forma diferente, e diz ainda que o câmbio perdeu muito a sua liquidez desde a introdução do IOF. Ele reforça e diz que o câmbio no Brasil pode flutuar, “desde que pertinho de dois reais, e assim deve continuar até onde a vista alcança ou quando o Banco Central mudar de ideia”, onde podemos notar a defesa de ideia de câmbio flutuante “sujo” e não câmbio flutuante “puro”.

      http://g1.globo.com/economia/mercados/noticia/2016/06/como-funciona-o-cambio-no-brasil.html

      http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,ainda-existe-o-tripe-macroeconomico-imp-,958700

      1. Roseli, por alguma razão não consegui responder embaixo do seu comentário, vou comentar aqui em cima então.

        Da teoria estudada em sala, sabemos que, tomando o preço da moeda estrangeira E=R$/US$, uma valorização cambial leva a uma maior atratividade das importações, que ficam mais baratas, e uma menor atratividade das exportações, que se tornam mais caras – levando em conta a elasticidade do produto.

        Uma das desvantagens do câmbio fixo é a pressão inflacionária que pode ser causada pelo mesmo, uma vez que o Bacen pode ter que emitir moeda para manter o câmbio no preço definido. Em meio a um processo de inflação e caso a moeda nacional (do Brasil) esteja muito valorizada pode haver prejuízo para as empresas exportadoras. Isso porque, com o dólar mais barato, os produtos importados ficam mais atrativos, e os produtos nacionais podem não sobreviver a concorrência.

        O regime de bandas cambiais, por sua vez, foi um método de controle da inflação. Desvalorizando a moeda nacional, o governo força os produtores internos a baixar os preços de seus produtos para competir com os produtos importados, contendo assim a inflação. Porém isso prejudica as empresas exportadoras, que por sua vez também são obrigadas a abaixar seus preços para fazer frente aos produtos internacionais.

        Por fim, entre as vantagens do câmbio flutuante estão a flexibilidade e adaptação dos preços da economia às condições de mercado, considerando os cenários externo e interno e também a menor fragilidade das reservas internacionais em dólar do país. No entanto, temos uma imprevisibilidade maior, com contratos de negócios sujeitos às oscilações da moeda. Com o regime de câmbio flutuante “sujo”, o governo pode interferir quando achar que a taxa de câmbio está alta demais ou baixa demais, através dos métodos apresentados na notícia, o que faz com que o governo tenha “uma maior controle”, de certa forma, sobre as oscilações no comércio e no fluxo de capitais causado por mudanças nas taxas de câmbio.

  4. A matéria abaixo demonstra um impacto importante da taxa de câmbio. A apreciação cambial favorece a importação de bens de capital, o que pode estimular o investimento interno. No entanto, outro efeito da apreciação cambial é a queda nos preços e nas margens de lucro, o que impede a realização de investimentos produtivos devido aos lucros reduzidos. Em geral, o efeito líquido não gera aumento nos investimentos quando ocorrem apreciações cambiais. Pelo contrário, a importação de bens de capital podem substituir bens de capital produzidos no mercado doméstico, prejudicando ainda mais a produtividade local.
    Apreciações cambiais podem ainda fazer com que a mão de obra permaneça em atividades com baixa produtividade e salários artificialmente elevados, prejudicando a dinâmica da economia.

    Link: https://www.cartacapital.com.br/economia/a-importancia-da-taxa-de-cambio

      1. Sendo a taxa de câmbio definida como (E= US$/1R$), a valorização cambial torna bens importados mais baratos e produtos externos se tornam menos competitivos no mercado internacional.
        O comentário anterior trata dessa ligação. A valorização cambial, ao tornar importações mais baratas, favorece ao mesmo tento a importação de bens de capital (que podem contribuir para o investimento produtivo e aumentar o produto nacional), como a importação de bens de consumo. Além disso, ao importar bens de capital, pode haver uma “substituição” dos bens de capital produzidos no próprio país por bens de capital produzidos no exterior, desestimulando a produção nacional.
        O texto para discussão abaixo apresenta algumas ideias interessantes sobre o tema. O principal tema apresentado é que a taxa de câmbio pode afetar as contas externas através de dois mecanismos:
        1) Efeito nos preços relativos: desvalorização cambial aumenta a competitividade e, portanto, aumenta a demanda por produtos domésticos em detrimento de produtos internacionais. No entanto, esse efeito depende das elasticidades das exportações e importações em relação aos preços, isto é, quão sensível as exportações e importações são em relação a alterações nos preços causadas por alterações cambiais. Grande parte dos modelos teóricos considera somente esse efeito.
        2) Efeito sobre a absorção: alterações cambiais alteram níveis de preços, que alteram o estoque de moeda dos agentes, que alteram seus gastos de modo a manter o estoque de moeda que desejam.
        O efeito sobre a absorção é um efeito interno decorrente do efeito nos preços relativos iniciais. Atualmente, tem-se o enfoque dado ao efeito nos preços relativos, devido aos modelos desenvolvidos para estudo desse tema.
        Tem-se que o câmbio altera os preços relativos e, por isso, altera importações e exportações, e por isso altera fluxos de comércio.
        Além disso, o câmbio também pode afetar fluxos de capitais, pois segundo a teoria da paridade de juros descoberta, a expectativa de apreciação do câmbio é um dos fatores que determina se o investimento será feito em ativos denominados em moeda doméstico ou se será feito em ativos denominados em moeda internacional. Além da taxa de juros que pode ser obtida em cada mercado, o que acontece com a taxa de câmbio é um dos mais importantes fatores de decisão de onde será aplicado o investimento financeiro.

        Link: http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_1967.pdf

  5. Lendo o trabalho realizado pelo grupo fiquei interessado na parte que diz que que houve uma grande entrada de investimento estrangeiro devido a fatores exógenos. Então fui pesquisar quais seriam esse fatores exógenos, seguem alguns a seguir;
    Um fator importante seria à escala desse mercado, que estimularia as empresas a pensarem “no longo prazo” no que diz respeito ao Brasil.
    Outro fator seria a mobilidade social que aconteceu no Brasil apos o ano de 2002 onde a classe c aumentou seu consumo em grande quantidade.
    Um fator seria o planejamento, pois parte desses investimentos foi planejada anos atrás, quando o crescimento brasileiro ainda empolgava.

    Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/11/141112_investimentos_ru
    http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/06/1891220-estrangeiro-aumenta-participacao-em-investimentos-feitos-no-brasil.shtml

  6. Analisando a questão da consequência de uma flutuação cambial assim como exposta pelo grupo, onde pode ocorrer tanto uma valorização ou uma desvalorização, é importante notar o aspecto de como se encontraria as exportações liquidas (Exp-Imp). O financiamento de um possível déficit (valorização cambial) pode ser conduzido através da utilização de reservas cambiais, empréstimos, investimentos externos ou em portfólio. Ainda, seria possível vender ativos públicos. Ainda, os governos podem recorrer a empréstimos junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), onde submetem-se a medidas que na maioria das vezes conduzem a economia à recessão.
    Dessa forma, saldo da conta comercial: quando o país começar a importar mais que exportar, irá gerar um déficit comercial. Este déficit deve ser coberto para que as contas externas do país, descritas no Balanço de Pagamentos, sejam fechadas, ou seja, o fluxo do BP (capitais e transações correntes) deverá ser igual a 0. Vale observar que, em um regime de taxas de câmbio flutuante (como atualmente no Brasil) o déficit comercial não deve ocorrer. Com esse tipo de câmbio, a tendência é de um “equilíbrio automático” da Balança Comercial.

    Fonte: https://www.dieese.org.br/notatecnica/2006/notatec24cambio.pdf

      1. A intenção era ressaltar que existe uma tendencia maior de que o déficit comercial não ocorra. Se o dólar se desvaloriza (vale dizer, o real se valoriza), as importações aumentam e as exportações diminuem. Com o crescimento das importações, a demanda por dólares aumenta. De outro lado, o decréscimo das exportações reduz a oferta de dólares no mercado. O resultado desses dois movimentos contrários, é o aumento da cotação (do câmbio) do dólar, tornado-o mais caro, reduzindo, dessa forma, a demanda por produtos importados, reconduzindo o câmbio ao equilíbrio.

  7. Pesquisando um pouco mais sobre o câmbio fixo no brasil em 1994, temos que:
    O Plano Real foi adotado em meio a um cenário de descontrole da inflação, e o câmbio foi utilizado pelo governo como uma ferramenta para tentar controlar a alta desorganizada de preços. Quando o Plano Real foi criado, em 1º de julho de 1994, R$ 1 valia exatamente US$ 1. Mas para manter o dólar no valor estipulado pelo governo, não é suficiente uma decisão: o Banco Central tinha que atuar no mercado utilizando as reservas internacionais em dólar do país. Na prática, significava que o BC era obrigado a vender e comprar dólares pelo valor em reais que ele estipulou, em qualquer quantidade e a qualquer momento.
    A vantagem desse tipo de regime é a previsibilidade do câmbio e dos contratos de negócios. Em contrapartida, pode haver pressão inflacionária, já que o BC eventualmente precisa emitir uma quantidade maior de moeda nacional para “defender” a taxa de câmbio que ele mesmo estipulou. Com mais dinheiro em circulação, ele perde o valor e daí surge o efeito da inflação. Pode haver ainda prejuízo para as empresas exportadoras se a moeda nacional estiver muito valorizada e o país, em meio a uma inflação crescente. Isso porque, com o dólar baixo, os produtos importados ficam mais atrativos para os consumidores, e o produtor nacional pode não sobreviver à concorrência.

    http://g1.globo.com/economia/mercados/noticia/2016/06/como-funciona-o-cambio-no-brasil.html

      1. Como mencionado pelo grupo Muitas nações enfrentam problemas inflacionários e baseiam suas políticas cambiais no regime de câmbio fixo, caso do Brasil em meados da década de 1990. Assim pelo comentário acima procurei contextualizar este período onde o câmbio foi utilizado pelo governo como uma ferramenta para tentar controlar a alta desorganizada de preços.
        Já em relação a adoção do cambio flutuante temos que , em meio a uma crise cambial e com as reservas em dólares do Brasil esvaziadas, em janeiro de 1999 , o Banco Central deixou que o mercado interbancário defina a taxa de câmbio
        Na prática, isso era uma permissão para que os bancos comprem e vendam dólares entre si, sem o intermédio ou intervenção do BC. O valor do dólar em relação ao real deixou de ser a principal forma de controle inflacionário e seu valor passou a oscilar de acordo com a oferta e a demanda do mercado.
        O BC mesmo com câmbio flutuante, pode intervir no mercado caso do valor do dólar em relação ao real chegue a um patamar que, por algum motivo, seja considerado muito alto ou muito baixo.
        Alguns especialistas citam entre as vantagens do câmbio flutuante a flexibilidade e adaptação dos preços da economia às condições de mercado
        Outro aspecto é a menor fragilidade das reservas internacionais em dólar do país. No entanto, entre os pontos negativos está uma imprevisibilidade maior, com contratos de negócios sujeitos às oscilações da moeda.

  8. Pesquisando um pouco sobre a taxa de câmbio e e os efeitos sobre a a balança comercial brasileira encontrei um interessante artigo, onde o autor detalha o caso brasileiro no período de 2003-2006 (governo Lula), no artigo o autor corrige os valores dos saldos da balança comercial pelo IPCA, índice oficial do governo.
    o autor também esclarece algumas consequencias da apreciação da taxa de câmbio para a economia do país, que no caso, estimula a importação e desestimula a exportação. Assim, o aumento das importações se dá através da queda do preço relativo de produtos e insumos, criando assim oportunidade maiores de investimentos para empresas se modernizarem e aumentarem sua produtividade, logo, há um impacto positivo nas taxas de inflação, já que produtos externos tornam-se mais atrativos, reduzindo a demanda interna.
    O autor destaca também o outro lado da moeda, no caso, a queda das exportações, já que os produtos nacionais tornam-se relativamente mais caro, tornando-se menos atraente aos estrangeiros, isto faz com que os produtores que necessitam destes insumos importados e vendem para o mercado interno, transferem este aumento de custo para seus produtos, pois sabem que com o câmbio depreciado não terão concorrência de produtos estrangeiros.
    http://intranet.viannajr.edu.br/revista/eco/doc/010/cambio.pdf

      1. Boa noite Roseli,
        Conforme o texto retrata as relações com comercio e a influencia do câmbio, neste sentido a monografia que encontrei detalha os efeitos na balança comercial no primeiro período Lula, nesta monografia o autor detalha os aspectos da taxa de cambio nominal, real e efetiva, e finaliza com sua influencia na balança comercial (fluxo de capitais), incluindo os efeitos na economia brasileira da época, por estes motivos achei interessante, pois além de explicar basicamente o tema do grupo que conta com com a taxa de cambio e suas relações expande para a economia brasileira, destacando assim sua importancia.
        Caso considere que seja necessário responder mais destinado ao post do grupo, por favor me avise que estarei me adequando já no proximo post.

        Obrigado,

  9. Interessante demonstrar a relação entre a taxa de câmbio e saldo da balança comercial. Com os dados do Sistema de Expectativas do Banco Central, elaborei um gráfico mostrando essa relação, considerando as expectativas até 2021.
    Considerando que a taxa de câmbio seja o preço da moeda doméstica (como estudado em aula), podemos obervar uma intrigante relação positiva entre o câmbio e o saldo comercial, divergindo da teoria aprendida.
    O esperado seria que, com a desvalorização da moeda doméstica, o Brasil ganharia competitividade e perderia poder de compra de produtos externos. Assim, com a queda no câmbio esperada, deveríamos experar também um aumento no saldo (aumento das exportações, queda de importações), porém, ocorre exatamente o contrário disso.
    Em 2003, como mencionado no post, ocorreu algo semelhante, que pôde ser explicado pela entrada da China na OMC, aumentando a demanda externa de produtos brasileiros. Agora, o que poderia explicar essa relação positiva das expectativas do câmbio e saldo comercial?
    Gráfico mencionado no comentário: https://puu.sh/xVIIS/cdd794274e.png

  10. Pesquisando sobre o tema trabalhado pelo grupo, encontrei muitos pontos interessantes (alguns já citados) sobre as mudanças que ocorreram no Brasil após adoção do regime de cambio flutuante.
    Um primeiro ponto é o contexto externo, onde a adoção do novo regime enfrentou momentos adversos na economia, alguns negativos como a crise da argentina em 2001, atentado terrorista de 2002 e a crise de 2008-2009. Por outro lado, havia um ambiente externo muito favorável entre 2003 e 2007, principalmente ao crescimento chines;
    Em relação ao real, esse apresentou um valor que variou entre $1,32 e $3,96 (até 2009), onde tanto o a taxa nominal quanto a taxa real efetiva oscilaram bastante;
    um outro ponto interessante é em relação ao rating soberano do país, que na adoção do regime era de B+ e após 10 anos de cambio flutuante, o rating soberano subiu para BBB-, com grau de investimento.

    Fonte:
    http://www.bcb.gov.br/Pec/ApPron/Apres/10AnosDeCambioFlutuantevf.pdf
    http://www.valor.com.br/financas/988098/sp-eleva-perspectiva-do-rating-do-brasil-para-positiva/

  11. Com o caso brasileiro como inspiração, fiquei curiosa e fui buscar informações como e em qual situação o Regime de Câmbio Flutuante ganhou força. Sendo assim, encontrei que, em 1970, grandes economias abandonaram o Regime de Câmbio Fixo quando o sistema de Bretton Woods chegou ao fim, o qual, além de determinar o dólar norte-americano como a referência das demais moedas, estabeleceu que todos os países fixassem ou atrelassem suas moedas à essa moeda escolhida. A quebra do sistema de Bretton Woods e o abandono do câmbio fixo ocorreu porque tal sistema exigia que os países mantivessem políticas econômicas semelhantes, assim como suas taxas de inflação e de juros, e esse cenário tinha impacto significativo, e muitas vezes negativo, na balança comercial e de pagamento de um país. Sendo assim, tais economias passaram a adotar o sistema de câmbio flexível.
    Nesse contexto, já foi possível observar os benefícios da adoção do novo sistema no final dos anos 70, quando os países superaram de forma mais tranquila fases comerciais e financeiras ruins com as duas crises do petróleo que ocorreu na época.

  12. Trazendo um case aplicado à relação entre a taxa nominal de câmbio, comércio e fluxo de capitais no contexto de implantação e desenvolvimento do Plano Real, temos que o ano de 1996 começou com grandes pressões, principalmente por parte do setor exportador, no sentido de uma desvalorização da taxa de câmbio. O saldo da balança comercial de 1995 já registrava, pela primeira vez desde 1980, um déficit anual de US$ 3,2 bilhões. Com isso, duas medidas foram adotadas, sendo uma a oficialização do sistema de bandas cambiais com o mecanismo de intrabandas e a outra a discussão e aprovação da Lei Kandir, a qual isentava as exportações de produtos básicos e semi-processados do pagamento do ICMS. Com a divulgação periódica das novas bandas largas, o Banco Central objetivava orientar o mercado sobre qual seria o máximo de desvalorização nominal do câmbio durante o ano. Além disso, quebrou-se o compromisso formal do governo de manter a paridade máxima do dólar em relação ao real em 1:1, como tinha sido firmando no início do Plano Real. Com o sistema oficializado de bandas largas e minibandas, a desvalorização nominal do câmbio ao longo de 1996 foi à taxa média mensal de 0,54% no primeiro semestre e a 0,57% durante o segundo semestre. Para efeito de comparação, a taxa média mensal de inflação brasileira (medida pelo IGP-DI) no primeiro semestre deste ano foi de 1,06% e no segundo semestre foi de 0,43%, enquanto a taxa norte-americana foi de 0,34 e 0,21% (medida pelo IPC), respectivamente. Portanto, a partir do 2º semestre de 1996 a taxa de correção nominal do câmbio ultrapassou o diferencial entre a inflação doméstica e a externa,
    de modo a ocorrer a recuperação do valor real da taxa de câmbio no Brasil.

  13. Um dos métodos mais interessantes e ilustrativos sobre a avaliação de uma moeda em relação à outra, que se baseia na Paridade do Poder de Compra é o Índice Big Mac.
    A ideia da PPP é de que as taxas de câmbio, no longo prazo, avançem à uma taxa que igualaria os preços de uma mesma cesta de bens e serviços em dois países.
    No nosso caso, o de hambúrgueres Big Mac, partimos do princípio que os procedimentos operacionais do Mcdonald’s são os mesmos em todos os países. Portanto, o Big Mac sendo um lanche idêntico em qualquer país que seja produzido, permite uma avaliação razoável, sob a PPP, da diferença de valor de uma moeda em relação à outra.
    Em exemplo, se o preço de um Big Mac dos Estados Unidos hoje for maior que o preço do Big Mac no Brasil, ambos comparados em dólares, entendemos que o real está subavaliado em relação ao dólar.
    Para curiosidade, segue o Big Mac Index:
    http://www.economist.com/content/big-mac-index

      1. Minha intenção era fazer uma ilustração de um conceito teórico exposto pelo grupo. Segundo o texto do grupo apresentado, “a taxa de câmbio nominal indica o preço do ativo financeiro, enquanto que a taxa de câmbio real indica o preço relativo entre duas moedas – o que permite medir a competitividade relativa entre os dois países em questão.”. O meu comentário, portanto, buscou ilustrar um conceito que envolve diretamente a taxa de câmbio real.
        No meu entendimento, a PPP (conteúdo dado em sala), embora não diretamente correlacionada com todos os componentes do texto formulado pelo grupo, mas apenas de uma parte, é uma informação complementar interessante e que, ao ser exemplificada, poderia facilitar o entendimento por parte dos demais alunos.

  14. Recentemente o Valor Econômico postou uma notícia muito interessante sobre a valorização dos ativos brasileiros relativamente aos ativos de outros países.
    É interessante porque conseguimos ver a discussão em torno das variáveis que fazem parte da teoria vista em sala de aula na determinação do câmbio de curto prazo, como os determinantes da demanda por ativos domésticos, a forte influência da taxa de juros estrangeira na determinação do câmbio. No artigo, a conjuntura econômica brasileira em virtude de acontecimentos em outros países, mostra uma trajetória de valorização da nossa moeda doméstica, que segundo o BNP Paribas, é a moeda com maior capacidade de apreciação na América Latina.
    Ele explica que “(…) A diferença a favor do Brasil hoje é a percepção de que o país caminha para resolver desequilíbrios econômicos. Apesar de ruídos do lado político e da demora no retorno das negociações sobre a reforma da Previdência, o país já aprovou medidas importantes – como o teto de gastos e a Taxa de Longo Prazo (TLP). Além disso, o país tem dado sinais consistentes de que está deixando para trás a recessão, ajudada pela queda dos custos de financiamento. A taxa básica de juros da economia, a Selic, está em 8,25% ao ano, mas poderá cair abaixo de 7% no ano que vem, segundo previsões mais otimistas do mercado.”
    O artigo discute também sobre um modelo do banco francês, que diz qual seria a taxa de câmbio que sustentaria o déficit de conta corrente no longo prazo (R$ 2,89 por dólar), mas não consegui encontrar qual modelo seria esse, afim de que pudesse trazer algo de mais recente na teoria econômica.
    Link: http://www.valor.com.br/financas/5152374/ativos-do-brasil-se-destacam-e-sao-opcao-entre-emergentes

  15. Trazendo um caso mais histórico que eu estava estudando essa semana para outra matéria, que vi que foi abordado, de certa forma, pelo grupo no tópico “Consequência das Flutuações Cambiais nas Contas Externas”, na qual o grupo fala que uma valorização cambial diminuiria as exportações do produto (por elevar o seu preço para a moeda estrangeira), MAS essa diminuição DEPENDE de sua elasticidade (“…a elasticidade do produto influencia nessa circunstância…”). Este caso, lembrou-me, então do contrário: Uma politica de desvalorização cambial para aumentar as exportações.
    É o que o Brasil fez muito para exportar mais café no começo do século XX. Após o fim da Primeira Guerra Mundial até 1924, em uma política de câmbio flexível, houve uma política de desvalorização do Café para que se elevassem as exportações. A política monetária à época era ativa e houve aumento na oferta de moeda. No entanto, como encontrei em um material de estudo para a ANPEC: “É importante considerar a característica do produto no mercado internacional da época: o café apresentava uma demanda com baixa elasticidade-preço, ou seja, um preço menor não era traduzido num aumento da demanda, reduzindo significativamente as receitas obtidas na comercialização do produto em períodos de expansão da oferta”. Ou seja, por conta da elasticidade-preço, nem sempre compensava abaixar o preço (ou desvalorizar o câmbio).
    Também achei um material que fala do “Efeito da desvalorização cambial na oferta, no preço de insumos e na relação entre os fatores na cultura do café”, mostrando o modelo e suas implicações, também vale leitura.
    As fontes utilizadas foram:
    https://pt.scribd.com/document/338823389/Questoes-ANPEC-Econ-Brasileira-docx
    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-20032005000300002

  16. O periódico do IPEA confirma algumas informações relevantes sobre o tema. De acordo com ele, uma mudança na taxa de câmbio pode afetar o desempenho do comércio exterior por duas vias principais: o efeito via preços relativos (alteração da taxa real de câmbio, que influencia as decisões de oferta e demanda na economia em geral, e as decisões sobre importações e exportações em particular), e o efeito direto na absorção, que opera principalmente através do chamado efeito real de estoque (reação dos agentes à modificação de seu estoque real de moeda, que os leva a modificar seus gastos) para restabelecer o estoque real de moeda que desejam manter.
    O efeito da alteração cambial no saldo comercial, depende da sensibilidade dos volumes de exportação e importação a alterações nos preços relativos. Assim, os modelos tradicionais têm como proposição central alguma condição de estabilidade envolvendo as elasticidades-preço das exportações e importações. O surgimento a partir da década de 1980, de modelos dinâmicos que analisam a conta corrente em uma estrutura de otimização intertemporal significou uma retomada da ênfase sobre os efeitos dos preços relativos, retomando o exame dos impactos da alteração nos termos de troca e de mudanças no preço relativo de não comercializáveis sobre as transações correntes.
    O material todo é bastante interessante:
    http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/3128/1/TD_1967.pdf

  17. Procurei informações sobre o período anterior, referente ao ano de 1999, para compreender os fatos citados no texto. No Artigo abaixo o autor cita que neste período teria ocorrido uma crise de confiança no mercado, desencadeada pela Rússia, relativo a credibilidade dos países emergentes e isso teria levado à fuga de capitais do Brasil. Aparentemente este fato, dentre outros, teria estimulado a troca do regime de câmbio estabelecido. O autor também discute o insuficiente ajuste fiscal brasileiro que atrapalhou mudanças na política monetária, no crédito e no valor da moeda brasileira (segundo matéria do portal Valor – a moeda desvalorizou 32,4% em relação ao dólar e o impacto da taxa de cambio sobre os preços é inflacionário, segundo relatório de inflação em 1999 do BC). E diz que o grande fluxo de capitais neste cenário levou à esterilização parcial e assim ao aumento de custos fiscais para o governo. O regime de câmbio fixo se apoiava, segundo boletim do BC, no temor de que qualquer desvalorização fosse anulada pela inflação. A manutenção do regime acarretou na queda da quantidade de divisas, fruto da venda e aumento da taxa de juros. A escolha pelo regime flutuante daria liberdade para a condução de políticas econômicas visando o equilíbrio interno.
    O Relatório de Inflação de dezembro de 1999 também fala sobre a valorização da taxa real de câmbio, causada pelo aumento nos preços dos bens domésticos comparado ao dos bens internacionais. Assim, poderiam prever que os preços dos bens internacionais cresceriam mais rápido que os domésticos (movimento inverso ao visto no início do Plano Real) com a mudança do regime cambial visando o equilíbrio/correção.
    http://www.anpec.org.br/encontro2003/artigos/C11.pdf
    http://www.bcb.gov.br/htms/relinf/port/1999/12/ri199912b7p.pdf

      1. Quando li a publicação me perguntei de imediato qual seria o empurrão final para troca de regime. Dessa forma comentei fatos relacionados ao contexto e realmente não dei devida importância aos dados apresentados pelo grupo. Sobre a relação que fizeram sobre exportação/importação e fluxo de capitais, tinha notado que a primeira vez que as exportações se encontram menores do que importações ocorreu no ano de 2014. E neste ano, encontrei uma pequena influência do câmbio no preço do petróleo que gerou aumento de importação da matéria e redução da exportação de outros produtos negociados para países em meio à crise (como Argentina). O dólar no final de 2014 era comercializado por R$ 2,659 e o BC mantinha seu programa de intervenções visando segurar sua alta. Em 2015 houve recuperação que levou à queda das importações levado pelo aumento do valor do dólar, o que ocasionou saldo positivo de US$19,70 bilhões no saldo comercial. No final deste ano o dólar chegava ao valor de R$ 3,80 segundo histórico diário do economia UOL.

        http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/01/1725612-por-crise-balanca-comercial-tem-superavit-de-us-197-bilhoes-em-2015.shtml
        http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2015-12/queda-das-importacoes-beneficia-balanca-comercial
        http://www.bcb.gov.br/htms/relinf/port/2014/12/ri201412P.pdf
        https://economia.uol.com.br/cotacoes/cambio/dolar-comercial-estados-unidos/?historico

  18. Achei que o texto do grupo poderia ter falado mais a respeito da relação do câmbio com o fluxo de capitais. A teoria macro hoje leva em consideração a (elevada) mobilidade de capitais como determinante no comportamento das taxas de câmbio no curto prazo. Teorias como a Paridade de Juros Descoberta (PJD) relacionam a rentabilidade de ativos domésticos (representada pela taxa de juros doméstica) à rentabilidade de ativos estrangeiros (taxa de juros no exterior, notadamente a do FED), concluindo que os retornos esperados de se investir aqui ou lá fora devem ser os mesmos, para um risco dado envolvido em cada uma das opções. Diferenças nas expectativas de retorno explicariam, portanto, fluxos de capitais indo para países onde o retorno, a uma determinada taxa de câmbio, é maior. No fim das contas, a arbitragem faz com que estes fluxos levem o mercado de moeda estrangeira a um equilíbrio que torne os agentes indiferentes às duas estratégias de investimento, ou seja, a taxa de câmbio sofre uma variação. Na figura 1 do texto, é possível ver claramente como a conta de capitais está intimamente associada ao resultado do balanço, à oferta de divisas no Brasil.

  19. Dando um maior destaque para as relações comerciais do Brasil, achei uma matéria interessante que mostra a posição mundial do Brasil na exportação e importação de produtos, segundo o site, em 2016, o Brasil exportou US$ 182 Bilhões, tornando-se o 21º maior exportador do mundo. As exportações mais recentes são liderados por Soja, que representam 10,4% das exportações totais do Brasil, seguido pelo Minério de Ferro, que respondem por 7,19%. Já em relação as importações, no mesmo ano, o Brasil importou US$ 135 Bilhões, tornando-se o 26º maior importador do mundo, as importações mais recentes são lideradas por Petrolíferos refinados, que representam 5,38% das importações totais de do Brasil, seguido pelo Peças de veículos, que respondem por 3,56%. Dentre os maiores parceiros comerciais do Brasil temos a China, os Estados Unidos, Argentina, Holanda e Alemanha. Interessante notar que, pelo método da moeda estrangeira, dentre esses parceiros comerciais o real é mais forte do que a moeda chinesa e argentina, frente as demais moedas o real é mais fraco.
    http://atlas.media.mit.edu/pt/profile/country/bra/

      1. Dentro do tema do grupo está a taxa de câmbio nominal e suas relações com comércio. O grupo aponta que “a valorização cambial incentiva as importações e prejudica as exportações, enquanto que a desvalorização cambial tem uma consequência oposta”. Por isso considerei interessante complementar o assunto apontando que dentre os principais destinos de exportação dos produtos brasileiros encontramos dois países em que a moeda nacional é mais fraca do que o real, China e Argentina. A China sendo o país que mais importa produtos brasileiros ($35,1 Bilhões) possui uma taxa cambial desvalorizada, com R$1 é possível comprar 2,08 Yuan. Assim, apesar de o grupo afirmar que a valorização cambial ser prejudicial para as exportações, podemos ver que possivelmente há outros fatores que devem ser considerados, pois mesmo que a China possua uma moeda mais fraca ela é a economia que mais importa produtos brasileiros, segundo o site que indiquei. A argentina aparece como o terceiro país para o qual o Brasil mais exporta. Talvez a proximidade entre os países ou acordos comerciais tenham influência sobre esses resultados.

  20. O post me despertou a curiosidade da eficácia do regime de câmbio fixo atualmente, que, como dito pelo grupo, ocorre em nações com problemas inflacionários.
    Encontrei uma interessante matéria da Exame, do ano passado, que cita países com mercados negros que prosperam com a escassez de dólares, vendendo à taxas muito maiores que as oficiais.
    https://exame.abril.com.br/mercados/em-paises-de-cambio-fixo-dolar-chega-a-custar-ate-136-mais/

  21. Conforme colocado pelo grupo, a importância da taxa de câmbio é evidenciada na relação entre os parceiros comerciais de uma economia aberta, influenciando desde o nível de preços de um país até o fluxo de investimentos e capitais, impactando assim o ciclo de negócios e o crescimento econômico como um todo.
    Neste ponto, podemos entender os recentes pronunciamentos do Presidente do BCB, Ilan Goldfajn, quem entende que “com a recuperação da economia brasileira, a baixa inflação e as reduzidas taxas de juros no país”, existe um cenário para uma menor volatilidade das taxas de cambio, fator este que “tem afetado o Brasil e […] tem gerado mais exportações”.
    Levando em consideração os fluxos de investimento, temos ainda que os ativos brasileiros, vem chamando a atenção de investidores externos em comparação com os outros emergentes”. Os artigos mais recentes chamam a atenção para a recomendação de grandes instituições financeiras para os investimentos em “reais” frente ao “peso mexicano”, sendo que para o BNP Paribas, o real é a moeda com maior potencial de apreciação na América Latina.
    Fontes:
    http://www.valor.com.br/financas/5155116/pib-potencial-do-brasil-pode-ser-menor-que-4-estima-ilan
    http://www.valor.com.br/financas/5152374/ativos-do-brasil-se-destacam-e-sao-opcao-entre-emergentes

  22. Diante da análise feita pelo grupo entre as variáveis que compõem o balanço de pagamentos e as taxas de câmbio nominal e real podemos concluir que as respostas do balanço de pagamentos às oscilações cambias são de difícil previsão, tendo em vista o efeito dominante das outras variáveis, como renda externa por exemplo, no desempenho do balanço de pagamentos brasileiro nos últimos anos.

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