Inflação, Nível de atividade

G9-Eco: Inflação e desemprego no Brasil

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

“A relação desemprego e inflação é comumente explicada pela Curva de Phillips (CP), que descreve um efeito negativo entre as duas variáveis. Entretanto, pelos dados dos últimos anos, percebemos que o caso brasileiro não pode ser totalmente explicado por tal teoria.

A figura 1 apresenta a relação entre a inflação e o desemprego no Brasil a partir de 2012. Através dos dados, percebe-se que a relação negativa entre inflação e desemprego não esteve presente no período total abrangido pela série, mas ocorreu em alguns períodos, como entre Jul/12-Nov/12 e Fev/16-Mar/17. No entanto, a partir de Abril de 2017, as variáveis movimentam-se na mesma direção, com redução no nível de preços e na taxa de desemprego.

A CP desenvolvida inicialmente representava um gráfico de dispersão utilizando dados de salários nominais e taxa de desemprego. Em seguida, dados de inflação foram utilizados no lugar de salários nominais e a relação negativa apresentada entre inflação e desemprego se tornou conhecida como a curva de Phillips.

A figura 2 apresenta um gráfico de dispersão, relacionando a inflação com o desemprego com dados do Brasil a partir de 2012. Esse resultado é o mesmo encontrado por Mishkin para dados dos Estados Unidos a partir dos anos 1970, em que não se verifica relação clara entre essas variáveis.

A CP novo keynesiana é a mais utilizada atualmente em estudos sobre a inflação. Nesta versão da CP, os agentes possuem expectativas racionais e existem falhas de mercado que geram certa rigidez nominal. Assim, tem-se que a diminuição do desemprego aumenta o poder de barganha dos trabalhadores, que exigem salários nominais maiores, aumentando o custo de produção que são repassados aos preços. Neste caso, tem-se que o desemprego é negativamente relacionado com a inflação, sendo esta a CP de curto prazo.

No entanto, no longo prazo, o mercado de trabalho deve estar em equilíbrio, de modo que a relação negativa entre desemprego e inflação desaparece.

Sachsida, Ribeiro e Santos (2009) estimam três CPs: CPs para os estados do Rio de Janeiro e de de São Paulo e CP para o Brasil. Os autores usam dados trimestrais de 1995 a 2008 e levam em consideração a mudança de regime, para isso, utilizam um modelo de Markov-switching.

Como proxy para a inflação, utilizam o IPCA. Como proxy para o custo marginal da empresa, são utilizadas diversas variáveis de acordo com a disponibilidade dos dados em nível estadual e nacional, sendo elas: massa salarial, utilização da capacidade instalada da indústria, taxa de desemprego e hiato do produto.

Após o estudo, os autores encontram evidências de que os parâmetros não são lineares. Além disso, ao adotar um modelo de mudança de regime, a expectativa de inflação passa a ter um coeficiente maior do que a inflação passada, sendo o oposto do que se encontra nos estudos em que não há mudança de regime, o que indica que modelos lineares podem subestimar o efeito da expectativa de inflação. Constataram ainda que os resultados não são robustos a alterações nas proxies e especificações adotadas, de modo que a curva de Phillips não é uma boa explicação para a economia brasileira no período considerado.

Embora a CP ainda seja uma das mais importantes relações macroeconômicas, vários economistas, incluindo Larry Summers, da Universidade de Harvard, apontam que a relação se “quebrou”. Uma das teorias é que isso ocorreu devido à competição internacional, que dificulta o aumento do preço dos produtos e dos salários. Outra teoria é a de que os Bancos Centrais se tornaram mais críveis no controle dos preços, sendo eles menos sensíveis à ciclos econômicos. Independe do motivo, a CP atualmente não é considerada uma boa ferramenta para prever a inflação.

Referências”

https://goo.gl/zGozUR

http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_1429.pdf

MISHKIN, Frederic. The
Economics of Money, Banking and Financial Markets
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10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

Autores: Grupo F

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34 comentários em “G9-Eco: Inflação e desemprego no Brasil”

  1. Como foi lembrado pelo grupo e de acordo com as aulas teóricas e material disponível, a CP demonstra que a relação entre inflação e desemprego é negativa, ou seja, quando um deles aumenta, o outro cai. Entretanto, em períodos de estagnação de economias mais desenvolvidas, esse comportamento não foi observado. O que aconteceu é que a taxa de desemprego e a inflação tiveram comportamentos simultâneos. Por esse motivo, o economista Edmund Phelps, desenvolveu uma teoria chamada NAIRU (non-accelerating inflation rate of unemployment), que é a a taxa de desemprego associada a uma inflação estável. A teoria afirma basicamente que:

    I) Se o objetivo da autoridade monetária for a redução da inflação, então a taxa de desemprego deve se manter acima da NAIRU;
    II) Se a NAIRU for maior que a taxa de desemprego, pode-se esperar um aumento da inflação; e
    III) Se a NAIRU for igual à taxa de desemprego observada, a inflação deve permanecer a mesma, a não ser que ocorra um choque exógeno.

    Em um estudo para o caso brasileiro da NAIRU, é constatado uma tendência de queda da NAIRU de 2002 a 2015. Até 2010, o hiato do desemprego (taxa de desemprego observada menos a NAIRU) foi predominantemente positivo, o que condiz com a queda da inflação, mas tem sido predominantemente negativo no últimos anos, aumentando a inflação. De 2002 a 2008, mais especificadamente, a NAIRU foi muito menor que a taxa de desemprego, indicando uma situação de desaceleração inflacionária. Deduz-se então que o mercado de trabalho deveria estar mais direcionado à qualidade dos empregos e não à sua quantidado, além do dever em políticas expansionistas para o país. No período de 2009 à 2012, o hiato do desemprego apresentava um comportamento negativo, mas a taxa de desemprego encontrava-se dentro do limiar de confiança da NAIRU e, por isso, não pode-se afirmar que ambas sejam significativamente diferentes. Já nos de 2012 até 2015, a NAIRU foi muito maior que a taxa de desemprego, indicando altas pressões inflacionárias. Nesse caso, era esperado a adoção de políticas contracionistas para diminuir a inflação. No final do período analisado pelos autores Palma e Ferriera, a taxa de desemprego voltou para dentro do intervalo de confiança, e, assim, não puderam afirmar se NAIRU se diferenciava da taxa de desemprego.

    1. Li o mesmo artigo antes de ver o seu comentário e alguns apontamentos dos autores me chamaram atenção. Primeiro sobre a importância da NAIRU que é extremamente relevante para o direcionamento da política econômica. E segundo que, como apontam Andreza Aparecida Palma e Diego Ferreira em seu artigo, no caso brasileiro existem poucos estudos que buscam estimar a NAIRU e assim é difícil confiar nos resultados das pesquisas nesta área. Em seu trabalho os autores apontam para uma trajetória decrescente da NAIRU no período (2002-2015). A média da NAIRU estimada foi de 7.48%. Além disso, foi encontrado um hiato (taxa de desemprego observada menos a NAIRU) predominantemente positivo até 2010, fato consistente com a diminuição da inflação. “No período recente, o hiato tem sido predominantemente negativo, revelando pressões inflacionárias na economia brasileira. Ademais, realizamos o teste de especificação proposto por Chan (2016), que mostra a adequação da abordagem tempo-variante para a NAIRU no caso brasileiro no período.”
      E, por fim, em uma nota os autores mostram que Alves e Correa (2014) sugerem evidência de que a fraca relação entre inflação e desemprego reportada por muitos trabalhos, no caso do Brasil, pode ser devido à utilização de quantidades agregadas, que não levam em consideração as especificidades de diferentes setores.
      http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-41612017000100039#B16

      1. somente complementando os comentários acima. Isso acentua a importância da política fiscal, porque através de investimentos em inovação é possível realizar alterações no nível da NAIRU. Isto faz com que a taxa de inflação caminhe juntamente com o nível de desemprego.
        Em outras palavras, o alto nível de produtividade da economia pode auxiliar o controle da inflação mantendo conjuntamente menores índices de desemprego (Ribba, 2017).

        RIBBA, Antonio et al. What Drives US Inflation and Unemployment in the Long Run?. Economics Bulletin, v. 37, n. 2, p. 765-777, 2017. Disponível em .

  2. A questão da “quebra” da cruva de Phillips como o grupo citou realmente vem gerando muitos debates para os formuladores de política econômica. Um dos casos é, segundo Blanchard, quando existe deflação.
    Uma vez que os salários são indexados a inflação, no momento em que existe uma queda no nível geral de preços os trabalhadores não querem aceitar salários nominais mais baixos, fazendo com que a relação da Curva de Phillips “desapareça” e, apesar de ser um caso distante do Brasil, é uma aplicação importante no mundo de hoje que vemos muitos países desenvolvidos vivendo essa situação hoje.
    Em setembro, uma matéria do valor econômico evidenciou esse tipo de discussão sobre o aperto da política monetária americana que vivia um momento controverso com a relação da curva de Phillips, uma vez que o desemprego havia caído pela metade, enquanto a inflação pouco respondia. Uma explicação poderia estar nos longos lags da economia, mas os dados também precisavam ser acompanhados de perto para ver se a relação ainda se mantinha.

    http://www.valor.com.br/financas/5120826/analise-cpi-dos-eua-perto-da-meta-justifica-nova-alta-de-juro-do-fed

  3. Me recordo que durante os anos do governo Dilma, esta questão do tradeoff entre inflação e desemprego era diariamente noticiada e discutida nos jornais.Talvez por questões históricas , estas duas variáveis afetam e muito o humor e o nível de confiança dos brasileiros na economia.

    Citando alguns dados referentes a taxa de desemprego temos que entre 2013 e 2015 , o desemprego no Brasil ficou no patamar mais baixo(abaixo de 5%) , desde o inicio da serie histórica em 2002.Sabemos também que a taxa de inflação ficou durante vários anos acima do centro da meta de 4.5%, mesmo com a adoção do mecanismo de congelamento de preços administrados(energia, gasolina, transporte, etc).

    Talvez as estimativas para a curva de Philips no caso brasileiro não se adequem devido a interferência do governo nos preços relativos. È uma hipótese!.

    Também seria interessante analisar se neste período de desemprego em nível histórico baixo , houve efetivamente demanda por aumento salarial, usando o salario minimo como proxy.Se alguém achar algum trabalho poste aqui!

  4. Com a conclusão de que a Curva de Phillips não pode ser totalmente adotada e contextualizada para o caso brasileiro (relação “se quebrou”), procurei confirmar os dados e, inclusive, as políticas e ações que influenciaram a mudança dessas taxas. Nota-se, então, que realmente não existe uma perfeita relação negativa entre as variáveis inflação e desemprego ao longo da análise.
    Analisando os governos de Dilma e, consequentemente, Temer, medidas como incentivo à produção e manutenção dos preços mantiveram os índices de inflação e desemprego baixos no início do período (1º tri 2012-4º tri 2014), contudo, nessa época o crescimento econômico foi pouco significativo. No segundo período (1ºtri 2015 – 4º tri 2015), notamos um forte aumento no desemprego e inflação, acompanhados ainda pela alta do dólar, desarranjo das contas públicas e, com a anterior manutenção dos preços, acarreta a um choque e ao aumento da inflação. Com o já presenciado baixo crescimento econômico, a recessão se aprofundou e contribuiu para um aumento ainda mais substancial do quadro. Contudo, no último período (1º tri 2016 – 4º tri 2016) notamos uma queda expressiva na inflação, mas com um alto desemprego. No governo Temer, ocorrem melhoras no índice de confiança externa, mas o que não transforma a situação presenciada, continuando o país em crise. Com esse aumento do desemprego, temos o impacto na renda e consequente diminuição do consumo. Assim, os preços tendem-se a estabilizar-se e a inflação consegue retornar para a meta.

    Fonte: https://www.nexojornal.com.br/grafico/2017/02/06/A-infla%C3%A7%C3%A3o-e-o-desemprego-dos-per%C3%ADodos-Dilma-e-Temer

  5. Achei esclarecedor a explicação do grupo, principalmente pois foi uma surpresa a Curva de Phillips não explicar totalmente a situação no caso brasileiro. Após uma breve pesquisa sobre a situação atual do Brasil em relação às taxas de desemprego e inflação, achei que na última pesquisa realizada, a inflação teve um pequeno aumento de 0,14%, sendo a menor desde 1994. Ela está abaixo da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), meta essa de 4,5%. Podemos associar essa queda em parte à diminuição do volume de vendas no varejo em 8,7%. Logo, com um menor volume de vendas, a demanda irá cair, diminuindo naturalmente o nível de preços. A reportagem mostra que os níveis de desemprego se mantiveram altos, desde 2015. A explicação dada pela notícia é a conhecida Curva de Phillips. “Com o crescimento do desemprego, o nível de renda se reduz. Com menos renda circulando na economia, as empresas tendem a vender menos. Com as empresas vendendo menos, elas se veem obrigadas a reduzir preços. Em resumo… Alta do desemprego => Queda no consumo => Inflação menor.” Entretanto, conforme falado pelo grupo, não podemos adotar essa explicação como verdade absoluta.
    Após encontrar um estudo sobre a Curva de Phillips no caso brasileiro no período compreendido de 2002 a 2012, também não foi constatada a relação inversa entre a taxa de inflação e a taxa de desemprego, uma vez que o desemprego não influenciou significativamente a variação da inflação. Também foi constatada que a taxa de inflação teve relação positiva com a taxa de inflação esperada. No curto prazo, pôde-se verificar a relação inversa entre inflação e desemprego, mas sem relação estatisticamente forte para podermos dizer que a curva de Phillips explica a situação no cenário brasileiro. Pelo estudo, Friedman criticava a teoria, pois só seria possível observar tal resultado no curto prazo, pois havia assimetria de informação entre trabalhadores e empregadores, sem que houvesse ilusão monetária.
    Friedman verificou que quando o nível está abaixo do nível natural, a inflação não estará alta de forma fixa, mas continua aumentando. Logo, no caso de uma inflação crescente constantemente, o desemprego irá diminuir temporariamente e depois, no longo prazo, irá voltar à taxa natural, com o risco de uma inflação permanente na economia. Há muitos fatores que podem ter influência sobre essa relação, como políticas monetárias e políticas de estabilização de preços.
    Fontes:
    https://www.blogwilliamreis.com/single-post/2017/05/11/Infla%C3%A7%C3%A3o-e-desemprego-no-Brasil
    http://www.economiaetecnologia.ufpr.br/revista/Volume%209%20n%202/05%20VELOSO%20-%20A%20curva%20de%20Philips%20-%20uma%20analise%20economia%20de%202002%20a%202012.pdf
    https://nepom.wordpress.com/2014/03/03/embora-muito-util-curva-de-phillips-apresenta-limitacoes/

  6. Procurei conteúdos mais recentes e percebi que a estrutura teórica da Curva de Phillips ainda continua sendo utilizada para analisar a economia, utilizando obviamente métodos menos mirins que os nossos nesse processo de aprendizagem. O Santander publicou uma análise de conjuntura econômica brasileira – intitulado “Em Busca do Crescimento Perdido:
    Qual o Tamanho da Ociosidade na Economia Brasileira?” – que utiliza a Curva de Phillips para identificar onde estamos em relação ao nível de desemprego e pra onde iremos a partir dele, permeando a análise sobre o que se espera da taxa de juros daqui dois anos, bem como as interferências do Banco Central afim de controlar a inflação. A partir dos dados da PNAD, notou-se que a taxa de desemprego está acima da NAIRU (que foi estimada em torno de 9,5% de acordo com o modelo que eles utilizaram), e que, por consequência, “(…) se a taxa de desemprego corrente se situa acima da NAIRU, a inflação tende a cair”. (link, para download do texto completo: https://www.santander.com.br/br/o-santander/analise-economica/estudos-macro)
    Outra publicação interessante, foi a do site Análise Macro, que cria conteúdo para melhorar o ensino de macroeconomia no Brasil. Coincidentemente, eles postaram ontem um mini tutorial em R para que possamos pegar os dados de inflação mensal, do PIB mensal do IBRE/FGV e das expectativas de inflação mensal do boletim Focus. A partir disso, ele faz uma regressão para estimar a Curva de Phillips por meio de Mínimos Quadrados em Dois Estágios. O link pra quem quiser ler (e testar!): https://analisemacro.com.br/economia/macroeconometria/nivel-de-atividade-inflacao-e-curva-de-phillips/

  7. Pesquisando um pouco mais a fundo do porquê a Curva de Phillips quebrou, é difícil encontrar um consenso entre os economistas sobre o tema.
    James Forder (de Oxford) menciona que possivelmente foi atingido um limite do quanto o desemprego pode cair sem que haja um aumento da inflação. Já Gustavo Indart (da Universidade de Toronto) menciona que a maior inflação não resulta do crescimento do emprego pois os salários estão estagnados. Ranjit Dighe (da Universidade Estadual de New York) afirma que a relação não se dá devido ao menor poder das uniões de trabalhadores em países desenvolvidos para pressionar empregadores por maiores salários.
    Existem outras explicações comuns, ainda, como a de que a baixa inflação em países desenvolvidos vem do grande fluxo de importações de bens baratos (principalmente da China), o que impede que os preços internos do país importador subam (maior competitividade); ou a ascenção do e-commerce, que reduz custos fixos de produção (como por exemplo o estabelecimento de um local físico para venda de produtos) e, portanto, leva a um baratemento de bens. Essa última explicação ainda não é muito consistente, pois vendas por e-commerce ainda são responsáveis por apenas cerca de 2% das vendas de varejo.

  8. Gostaria de complementar a análise teórica que o grupo trouxe.

    Friedman e Phelps apontaram que os trabalhadores e as firmas se importavam com os salários reais e não com os nominais, pois são os salários reais que refletem o real poder de compra dos indivíduos. Dessa forma, quando os agentes esperam que os preços se elevem, eles irão desejar salários nominais maiores para que o seu poder de compra não diminua.
    O grupo também citou que, no longo prazo, a relação negativa entre inflação e desemprego desaparece. Nesse quesito, Friedman e Phelps trouxeram a análise de que, no longo prazo, a economia alcançaria um nível de desemprego que ocorreria se todos os preços e salários fossem flexíveis, chamando-o de “taxa natural de desemprego”; mesmo se a economia estiver com esta taxa, ainda haverá alguns indivíduos desempregados.

    Por fim, gostaria de contribuir com a análise que leva a Curva de Phillips e a Curva de Oferta Agregada se conectarem. A Curva de Phillips utilizada hoje em dia é a novo keynesiana e para traduzir esta curva para uma curva de oferta agregada de curto prazo, nós precisamos da Lei de Okun. Esta lei estabelece uma relação negativa entre o gap de desemprego (U – Un) e o gap do produto (Y – Yn), sendo ela negativa. Um ponto importante sobre essa relação é que ela não é linear: quando o gap de produto aumenta, o gap do desemprego diminui em menor proporção; isso se deve ao fato de que quando o produto se eleva, as firmas não aumentam o emprego proporcionalmente, mas fazem seus empregados trabalharem mais.

    Mesmo que a teoria da Curva de Phillips não consiga explicar todas as situações vistas na história, ela oferece um grande alicerce para nossas análises e, por isso, senti a necessidade de contribuir com o conteúdo abordado no livro-texto.

    Referência: Mishkin – The Economics of Money, Banking and Financial Markets.

  9. Pesquisando um pouco mais a fundo do porquê a Curva de Phillips quebrou, é difícil encontrar um consenso entre os economistas sobre o tema.
    James Forder (de Oxford) menciona que possivelmente foi atingido um limite do quanto o desemprego pode cair sem que haja um aumento da inflação. Já Gustavo Indart (da Universidade de Toronto) menciona que a maior inflação não resulta do crescimento do emprego pois os salários estão estagnados. Ranjit Dighe (da Universidade Estadual de New York) afirma que a relação não se dá devido ao menor poder das uniões de trabalhadores em países desenvolvidos para pressionar empregadores por maiores salários.
    Existem outras explicações comuns, ainda, como a de que a baixa inflação em países desenvolvidos vem do grande fluxo de importações de bens baratos (principalmente da China), o que impede que os preços internos do país importador subam (maior competitividade); ou a ascenção do e-commerce, que reduz custos fixos de produção (como por exemplo o estabelecimento de um local físico para venda de produtos) e, portanto, leva a um baratemento de bens. Essa última explicação ainda não é muito consistente, pois vendas por e-commerce ainda são responsáveis por apenas cerca de 2% das vendas de varejo.

    Fonte: http://business.financialpost.com/news/economy/the-phillips-curve-is-broken-heres-why-that-is-keeping-economists-up-at-night#comments-area

    1. Encontrei um texto bacana na internet a respeito da suposta quebra da Curva de Phillips. A evidência empírica é muito forte no sentido de rejeitar qualquer relação persistente e significativa entre as taxas de inflação e de desemprego nos dias de hoje. No entanto, o autor do texto que vou deixar aqui identifica uma relação que permanece válida (ao menos para o caso americano) e que remete ao trabalho original de William Phillips, datado da década de 50. O economista neozelandês estudou o nível de desemprego e a variação nos salários, encontrando uma relação inversa entre ambos. Ao considerar o salário como uma parte importante do custo (markup) das firmas e admitindo que variações do mesmo resultam em variações nos preços praticados, estabeleceu-se também uma relação inversa entre desemprego e inflação, constituindo-se assim o que chamamos hoje de Curva de Phillips. Se, por um lado, esta relação inversa não tem se verificado mais, o autor identifica que o mecanismo do poder de barganha dos trabalhadores ainda é funcional, manifestando-se em uma relação também inversa entre as duas variáveis que Phillips originalmente se propôs a estudar: taxa de desemprego e variação nos salários (medida aqui por um índice do FED que monitora os salários). O ajuste do gráfico de dispersão montado lembra muito o formato da C.P. que se aprende em aula, inclusive. De qualquer forma, devemos continuar sem um consenso sobre o porquê de os salários não mais implicarem em fonte significativa da variação dos preços.

      Link: https://mikeashton.wordpress.com/2017/09/05/the-phillips-curve-is-working-just-fine-thanks/

  10. Em períodos econômicos extremos de um país, a curva de Phillips pode não apresentar uma relação exatamente como a teoria original. Apesar da Curva de Philips no Brasil ter tido uma inclinação negativa, no período de 1980 a 1994 , esta inclinação foi bem menor, relatando uma relação negativa mais fraca entre as variáveis. Em maio de 1984, quando foi verificado o maior índice de desemprego do período em questão (9,32%), a variação da taxa de inflação em relação ao mês anterior foi de apenas –0,49%. Em abril de 1990, a variação da taxa de inflação alcançou o percentual de -66,87% e tendo para este mesmo mês uma taxa de desemprego de 5,17%. No Brasil, de 1994 a junho de 1999, o trade-off entre inflação de desemprego não foi identificado. Foi apresentada uma relação positiva entre as variáveis. Nem sempre quando a inflação aumentava, significava que o desemprego havia diminuído. Se observarmos a historia econômica do Brasil, é fácil ver uma tendência de alta inflação, onde mesmo com politicas de estabilização da mesma, ela permanecia alta.Ela foi melhor controlada apenas em 1994 com o Plano Real. Portanto, apesar da Curva de Phillips ser indispensável na análise da conjuntura de um país e na tomada de decisões sobre o que fazer com certas variáveis, cada país deve ter um certo cuidado na estimação de sua curva, e ter sempre em mente que, não é apenas o desemprego que influência a inflação e vice e versa. Existem outros fatores próprios de cada país, como políticas monetárias e políticas de estabilização de preços, dentre outras, que podem ter enorme influência sobre esta relação, devendo também ser levadas em consideração no trade-off entre inflação e desemprego.

    https://nepom.wordpress.com/2014/03/03/embora-muito-util-curva-de-phillips-apresenta-limitacoes/

  11. Trazendo o tema para aspectos mais atuais, vemos que no primeiro governo Dilma, medidas de estímulo à produção, desonerações e manutenção artificial de preços administrados (como conta de luz e preço da gasolina) mantêm os índices de inflação e desemprego baixos. Essas políticas não vêm acompanhadas de crescimento econômico significativo. No segundo trimestre de 2014 o país entra em recessão. Já para o segundo governo, podemos observar que ao longo de 2015 tanto a inflação quanto o desemprego aumentam de forma rápida e forte. O desarranjo das contas públicas, a alta do dólar e o choque da recuperação das tarifas dos preços administrados levam a aumento na inflação. A recessão tem continuidade e se aprofunda, impactando a taxa de desemprego. A conturbada situação política contribui para o agravamento do quadro, mas a inflação dá sinais de que parou de subir. Assim, é possível afirmar que o Brasil recentemente apresenta um cenário de estagflação (crescimento do desemprego e da inflação), o que contraria o cenário habitual trazido pela Curva de Phillips.

  12. A curva de Phillips é até hoje tema de discussão entre os economistas, tomado como veridica desde o premio Nobel vencido por Samuelson e Solow. Entretando, Friedman e Phelps contestam a teoria, explicando que esse dilema correspondia apenas no curto prazo, onde expansão monetária (juros baixos e crédito fácil) geram uma inesperada inflação, o emprego pode ser estimulado apenas se os salários aumentarem a uma taxa menor que o nivel de preços da economia, deixando a mão de obra relativamente mais barata.
    Entretanto, no Longo Prazo, quando há um ajuste das expectativas (como comentado no texto do grupo), há uma exigencia de reajuste salarial acima do nivel de preços, anulando o efeito positivo da inflação sobre os empregos. Friedman ressuscitou uma antiga teoria, que relaciona em ultima instancia o desemprego depende do ambiente politico e institucional, rotulado de desemprego institucinoal, podemos inclusive relacionar este desemprego com o caso brasileiro, onde o principal fator na crise atual é institucional.
    Para finalizar, Friedman, ao receber o Nobel de economia, sugere que deveríamos ingressar em uma terceira etapa da curva de Phillips, onde deve ser encorporado à teoria o processo político e explorado o elo positivo entre inflação e desemprego.
    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2556

  13. Em um mercado altamente globalizado onde a saúde econômica de cada pais depende, entre outras coisas, da saúde econômica dos países com o qual negocial, os aumentos acentuados dos preços do petróleo ocorridos na década de 70, estimulou economistas a melhorarem o modelo que possuíam para estimar a inflação. incorporou-se a CP então o termo “choque de preços”, que é responsável por explicar esses aumentos/reduções imprevisíveis dos níveis gerais de preços.
    A CP neo keynesiana citada no texto, alem do termo de choque de preços, incorpora também as expectativas racionais e falhas de mercado, sendo assim a forma mais completa que se tem da curva em questão. Nela o termo que representa a expectativa de inflação é substituído pela inflação do período anterior. Isso faz sentido porque em um modelo com expectativas racionais, os agentes não incorrem em erros sistemáticos, o que equivale a dizer que a melhor estimativa, ceteris paribus, que os agentes possuem sobre a inflação esperada, é justamente a inflação ocorrida no período anterior.
    As falhas de mercado por sua vez são responsáveis pela rigidez de preço, também mencionada, que garante a inclinação negativa e possibilitam o tradeoff entre inflação e desemprego no curto prazo.

    MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009

  14. Encontrei um outro artigo que relaciona a inflação com o desemprego no Brasil feito por Mário Jorge Cardoso de Mendonça; Adolfo Sachsida e Luis Alberto Toscano Medrano. A proxy principal utilizada pelo trabalho, assim como no texto do grupo, foi a taxa de variação do IPCA (INFIPCA). Além dela foram utilizadas outras proxies para a inflação (dois indicadores do núcleo da inflação e o IPC-FIPE) e também para sua expectativa (duas medidas de previsão de inflação presentes no relatório FOCUS do Banco Central do Brasil). Ele afirma que a expectativa futura de inflação tem relevância na dinâmica do processo inflacionário. Contudo, o peso das expectativas apresenta maior importância que a inflação passada para amostra que começa a partir de 2002, além de salientar que o desemprego tem impacto negativo sobre a inflação no curto prazo. Outro ponto levantado é de que o efeito de uma mudança do câmbio sobre a inflação, temos que novamente parece haver uma mudança estrutural no que tange ao efeito de um choque cambial sobre os preços. Novamente, para a amostra a partir de 2002, o efeito de um choque cambial é negativo. Isso implica dizer que uma desvalorização cambial ajuda a combater a inflação no caso brasileiro. Assim como o grupo dessa semana, o artigo chega a conclusão de que de maneira geral os resultados sugerem que, no período recente, a curva de Phillips tem dificuldades em representar a dinâmica inflacionária brasileira. Em particular, o efeito do custo marginal das empresas sobre a inflação depende da proxy adotada. Com relação ao desemprego, seu impacto de curto prazo sobre a inflação depende do conjunto de proxies adotadas. Entretanto, na maior parte dos casos onde as tais variáveis foram usadas, essa relação foi observada com efeito negativo tal como esperado. Já no longo prazo, esse efeito torna-se difícil de ser captado, dando a impressão de ser nulo ou pouco relevante na formação do processo inflacionário. De qualquer forma, em qualquer um dos casos, o efeito real da taxa de desemprego sobre a inflação é próximo de zero.

    Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-80502012000300006&script=sci_arttext&tlng=es#back4

  15. Muito interessante o trabalho, principalmente no aspecto de mostrar que atualmente, não sabemos se no futuro, a CP não é uma boa ferramenta para prever a inflação.
    Podemos notar que a partir de 2014, onde vemos que há inflação e desemprego crescentes, estabelece-se o “recente” fenômeno conhecido como estagflação, onde vemos uma recessão acompanhada de inflação contínua.
    Entretanto, no começo do ano de 2016 podemos ver a atuação ativa do BACEN na tentativa de controlar a inflação e nota-se a grande queda desta aliada ao crescimento da taxa de desemprego, mostrando que o trade-off, ainda que “as vezes”, ocorre.

    1. Contradizendo um pouco o período de 2014, podemos dizer que esse ano o trade-off enter desemprego e inflação realmente “aconteceu”. Enquanto a inflção atingiu valores pequenos, sendo que a inflação acumulada de 12 meses em abril foi a menor para este mês desde 94, a taxa de desemprego continua em alta, sendo 12,4% no trimestre encerrado em setembro. Ao compararmos os dados de desemprego no últmo ano, para observar um pouco as concequências dos esforços do Banco Central em manter a inflação em níveis baixos, vemos um aumento de 9,1% na taxa de desocupação do trimestre de agosto/2016 para o trimestre setempro/2017. Ao vermos o lado da inflação, ela caiu de 5,35% (valor anual) em janeiro deste ano para 2,7% em outubro.

      Dados: https://br.advfn.com/indicadores/ipca/2017
      http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2017-09/taxa-de-desemprego-fica-em-126-em-agosto

  16. Para reforçar a ideia de que a Curva de Phillips se “quebrou” e que hoje não se observa tão claramente essa relação negativa entre inflação e desemprego, trago uma notícia do Brasil, de 2015, quando a inflação e desemprego atingiram níveis recordes no nosso país. Além disso, nessa época o elevado nível de inflação se manteve mesmo com a franca deterioração do emprego no Brasil. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou a alta a 0,85 por cento em novembro daquele ano, e no acumulado em 12 meses chegou a dois dígitos, a 10,28 por cento, nível mais alto em 12 anos, o que destaca a dificuldade do Banco Central de conter a alta dos preços mesmo com a economia em recessão. A deterioração das contas públicas teria sido apontada como um dos principais fatores para manutenção da inflação em níveis elevados, apesar do aperto monetário promovido pelo Banco Central.

    https://exame.abril.com.br/economia/inflacao-e-desemprego-atingem-niveis-recordes-no-brasil/#

  17. O grupo não diferenciou as fases da curva de Phillips, acredito pelo total limitado de caracteres. Dessa forma, acho valido relembrar que a curva de Phillips passou por 3 fases. Na sua primeira fase, “a elaboração”, existia a ideia de erros sistemáticos e nesse momento teria surgido o trade-off entre inflação e desemprego. Diz-se erros sistemáticos pois os trabalhadores viviam uma ilusão salarial (ou ilusão monetária) e acreditavam na relação: aumento de salários nominais = aumento de salários reais = aumento de oferta de trabalho. Ou seja, os trabalhadores tinham expectativas estáticas sobre a inflação; inflação hoje = inflação ontem. A taxa de crescimento dos salários nominais dependia da taxa de desemprego e das mudanças deste.
    A segunda fase já é citada como aceleracionista, pois qualquer nível de expectativa de inflação será compatível com a taxa nominal, quando antecipada. Dessa forma o governo deve manter a taxa real de desemprego menor do que a nominal, o que promove a inflação não antecipada cada vez mais alta, visando superar a expectativa de inflação. As expectativas nesse quadro são ditas adaptativas (contribuição de Friedman), criada com a média ponderada das inflações passadas. Assim os agentes ajustam lentamente as expectativas ao observar os erros vindos das expectativas anteriores. Pode ser dito ainda sobre essa fase que ela apresenta a instabilidade da curva.
    Na terceira fase da curva de Philips a expectativa dos agentes muda novamente, passando para racionais, ou seja, utilizam toda informação disponível para formação das expectativas, além de não existir surpresas e serem endógenas. Aqui não há erros sistemáticos! Nessa fase a taxa de desemprego real passa a oscilar aleatoriamente em torno da taxa natural, o que faz com que políticas de gerenciamento da demanda agregada não leve mais à desvios da inflação em relação à expectativa desta. Isso ocasiona o colapso da curva de Phillips, que é a eliminação da relação inflação e taxa de juros no longo prazo e curto prazo. Ou seja, as flutuações serão como choques reais de longo prazo. E para reintroduzir o trade-off no curto prazo são considerados novos mecanismos de política econômica, como: rigidez de salários e preços e assimetria de informações. Dessa forma, os gestores de política monetária deverão seguir regras pois os agentes tomam decisões sobre salário e preço de acordo com o esperado da política.

  18. Pesquisando sobre a relação entre desemprego e inflação no Brasil, encontrei um artigo que estuda o relacionamento do desemprego, dos salários e da inflação no Brasil pós real. Segundo o estudo, de fato a curva de Philips não se faz válida no longo prazo, porem, a versão novo-keynesiana sim. Ou seja, o trade-off entre inflação e desemprego existe apenas no curto prazo. Um pedaço do artigo me chamou atenção. No estudo, os atures afirmam que o aumento da produtividade tem sido repassado integralmente para as empresas, ou seja, não houve aumento do salário real. Além disso, segundo eles, o aumento da produtividade tem gerado inflação, diferentemente do que diz a teoria econômica, que quando a produtividade aumenta, os preços tendem a cair e a inflação diminuir.

    file:///C:/Users/Renato/Downloads/9120-11242-1-PB.pdf

  19. Segundo texto de discussão do IPEA, escrito por Adolfo Sachsida, a relação entre inflação e emprego no Brasil foi testada por meio de hipóteses neokeynesianas, que podem ser explicadas da seguinte forma: os agentes não possuem racionalidade perfeita; a imperfeição na formação de expectativas pode ser determinante na inércia da inflação brasileira; a inflação possui componente inercial autônomo e as relações não lineares entre inflação e desemprego forneceram os melhores resultados para a economia nos últimos doze anos.
    De acordo com ele, essas hipóteses são confirmadas por testes econométricos, em que a curva de Phillips é estimada e a relação entre inflação e expectativas é verificada por um modelo de mudança de regime.
    De acordo com ele, alguns autores fizeram uso de proxies como IPCA para inflação e desemprego aberto, com base em dados do IBGE e concluíram que a curva de Phillips para o Brasil deve ser estimada levando-se em consideração algum tipo de não linearidade (os parâmetros encontrados para curva de Phillipis foram: inflação passada, inflação futura e hiato de desemprego).

    http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_1924.pdf

  20. Em Taylor, a O.A. é representada pela Curva de Phillips, indicando que a taxa de inflação aumenta quando existe um gap positivo do produto, ou seja, o produto está acima do potencial, causando pressões da demanda, sendo representada por uma curva horizontal, uma vez que a inflação muda de acordo com a posição do produto em relação ao produto potencial.
    Em Walsh, a CP é a própria O.A. do modelo, colocando a inflação em função da inflação esperada, do gap do produto e de um parâmetro que capture outros fatores que possam afetar a inflação. Já a D.A. funciona por meio da Regra de Política Monetária, colocando o Banco Central como agente que minimiza as flutuações do produto em torno do potencial de inflação e sua meta.
    Muito da análise moderna da inflação é baseada na curva de Phillips novokeynesiana, ou seja, em um modelo de fixação de preços com rigidez nominal que implica que a dinâmica inflacionária pode ser explicada pela evolução esperada dos custos marginais reais.

  21. Não somente a Curva de Phillips no caso brasileiro apresenta essa “quebra”. No caso americano, observa-se uma diminuição do desemprego desde 2010, com a inflação flutuando entre taxas de 1% e 2%. Uma das teorias sobre essa mudança leva em consideração o aumento da competitividade nos mercados estrangeiros e do grande fluxo de importações de produtos mais baratos. Juntamente a isso, observa-se uma diminuição do poder de barganha dos trabalhadores, o que torna os salários mais inflexíveis.
    Apesar das falhas da Curva de Phillips como ferramenta para prever a inflação, a maior parte do comitê do Fed não pretende descartá-la.

    https://www.economist.com/blogs/graphicdetail/2017/11/daily-chart

  22. Inicialmente, a ideia da Curva de Phillips era de mostrar que há uma correlação negativa entre desemprego e inflação.
    Ou seja, quando há um alto desemprego na economia, se aumentar o nível de preços, diminui-se este índice. No entanto, ao longo da história, algumas vezes foi visto que isso não é verdadeiro. No Brasil, atualmente, como é mostrado pelo grupo, ocorre também uma demonstração de que não é verdadeiro.
    Historicamente, vários pensadores buscaram essa relação inversa entre desemprego-nível de inflação salarial, entre eles Karl Marx e Irving Fisher. Esta correlação mostrou-se verdadeira nos EUA até a década de 70, quando houve os choques do petróleo a partir de 1973.
    Já nos anos 60, alguns economistas criticavam a CP, entre eles Friedman, que dizia que no longo prazo a economia tenderia à taxa normal de desemprego (independendo do nível de inflação).

    Fonte: https://goo.gl/SjMKYb

  23. De acordo com a empresa britânica Reuters, maior agência internacional de noticias do mundo, especialistas ouvidos afirmaram, no começo do ano, que o alto nível de desemprego no Brasil vai conter as pressões inflacionarias até 2019 mesmo com as expectativas dos agentes de uma recuperação econômica em um futuro recente, contribuindo para que a taxa de inflação brasileira permaneça em torno da meta estipulada pela autoridade monetária brasileira (permitindo a continuidade da queda do juros) .O principal meio pelo qual esse efeito irá se concretizar é pelo setor de serviços, cujo nível de preços está mais correlacionado com o poder aquisitivo da população em geral. Será possível observar níveis de desemprego acima de 13%, produzindo uma grande capacidade ociosa e, portanto, um nível de aquecimento econômico insuficiente de gerar qualquer pressão inflacionaria.
    Pode-se observar, então, que apesar dessa “quebra” da relação apresentada pela Curva de Phillips, ainda é possível observar que alguns ramos da economia são mais sensíveis que outros a essa relação, podendo ser observada ainda em alguns casos.

    https://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2017/02/13/desemprego-alto-segura-precos-e-ajuda-a-manter-inflacao-no-centro-da-meta.htm

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