Ensinando Economia, Nível de atividade

G_C: Medindo a Economia

Em uma economia em que todas as pessoas produzem apenas maçãs, seria muito fácil medir a produção, certo? Seria só contar o número de maçãs produzidas. Mas sabemos que a realidade não é tão simples. Nela produz-se bens e serviços como maçãs, carros, passagens aéreas, aulas de economia, e vários outros. Mas como somamos bens tão distintos? Usamos um fator comum entre todos: os preços. Todos os produtos negociados numa economia são medidos em termos monetários. Assim, para medir a produção, multiplicamos a quantidade de cada produto final pelo seu preço relativo.

Olhando pelo lado da produção, o PIB – Produto Interno Bruto – é a forma de medir em um período, no sistema contábil do país, o produto agregado, isto é, o valor de bens e serviços finais produzidos numa economia. Dessa forma, os bens intermediários – utilizados e consumidos durante a produção – não devem ser contabilizados. Consideremos duas empresas. A empresa A produz maçãs. Já a empresa B as compra e fabrica deliciosas tortas de maçã. A partir do conceito acima, quais valores deveriam ser medidos sob essa ótica do PIB? A resposta certa seria apenas o valor relativo as tortas de maçã, visto que a fruta in natura é utilizada no processo e subtraindo o bem intermediário da produção final obtemos o valor adicionado, cuja soma incorre no PIB.

Outro jeito de olhar o PIB é sob a ótica da renda. Seguindo o exemplo anterior, não se pode esquecer da mão de obra e capital empregados na produção de maçãs e de tortas. Esses fatores de produção devem ser remunerados. A essa remuneração damos o nome de renda do trabalho (salário pago à mão de obra) e renda do capital (juros, lucros e aluguéis). A soma desses valores, acrescidos dos impostos indiretos – parte da renda disponibilizada ao governo – compõe o PIB.

Uma terceira forma de composição é através da demanda agregada, dada pelo consumo das famílias, investimento das firmas, gastos do governo e, em uma economia aberta, pelas exportações líquidas do mercado externo.

Existem duas formas de se expressar a quantidade de bens e serviços produzidos em um país em um dado período e iremos descobrir qual pode representar melhor a capacidade da economia em suprir as necessidades da população.

A priori, falaremos sobre o PIB nominal – calculado no Brasil pelo IBGE – que é a soma das multiplicações dos preços dos bens finais e a quantidade produzida no ano em questão; as duas variáveis podem fazer o produto aumentar, pois tanto os preços – sujeitos a inflação, que pode ser exorbitante, dependendo do contexto – quanto a produção, tendem a aumentar. Observe o exemplo:

Comparando os resultados, pode-se perceber que esse tipo de cálculo não é tão eficiente para evidenciar o real crescimento da economia, pois pode ser distorcido pelas variações de preços. Agora, veremos que o PIB real é a somatória das multiplicações dos preços constantes (escolhe-se um ano base para fixar o preço em todos os anos) e a quantidade produzida de cada bem. Calculando o PIB real usando os mesmos dados do exemplo citado anteriormente, tomando 2010* como ano base:

*Em 2010, note que o PIB nominal é igual ao real.

Ademais, podemos perceber a diferença entre as duas formas no caso brasileiro: no terceiro trimestre de 1998, o PIB nominal cresceu em 7.726 milhões, mas a taxa de crescimento do PIB real foi negativa, em -1,43%. Tal taxa é vista no gráfico do PIB real:

Acima temos a comparação em termos de PIB real e PIB nominal do Brasil desde 1997. No primeiro gráfico, usamos os valores trimestrais. Podemos ver certos solavancos nesse gráfico. Isso se dá devido a sazonalidade da atividade econômica (sempre há maior atividade no último trimestre). Já no segundo gráfico, esses solavancos não ocorrem, pois mede o PIB no acumulado dos últimos quatro trimestres. Em ambos, o trimestre base foi o último de 2018. A variação do PIB real de um período para outro é considerada o crescimento econômico daquele intervalo de tempo. No gráfico a seguir representamos o caso brasileiro desde 1997:

Referências:

MANKIW, N. Gregory. Introdução à economia. São Paulo: Cengage Learning, 2016.

GALA, Paulo. A história dos 100 anos de PIB no Brasil. [S. l.], 30 jan. 2019. Disponível em: http://www.paulogala.com.br/100-anos-de-pib-no-brasil/. Acesso em: 11 mar. 2019.

IPEA. Produto interno bruto (PIB) nominal. [S. l.], 1 mar. 2019. Disponível em: http://www.ipeadata.gov.br/exibeserie.aspx?serid=38415. Acesso em: 11 mar. 2019.

IPEA.Produto interno bruto (PIB) real. [S. l.], 1 mar. 2019. Disponível em: http://www.ipeadata.gov.br/exibeserie.aspx?serid=38414. Acesso em: 11 mar. 2019.

ADVFN. Cálculo do PIB.[S. l.]. Disponível em: https://br.advfn.com/indicadores/pib/calculo. Acesso em: 11 mar. 2019.

ADVFN. PIB real.[S. l.], 13 mar. 2019. Disponível em: https://br.advfn.com/indicadores/pib/pib-real. Acesso em: 11 mar. 2019.

BLANCHARD, Oliver. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.

GRUPO C – Macro 2019

25 comentários em “G_C: Medindo a Economia”

  1. Primeiramente parabéns, meus amigos!
    Bom, acho que esse não era o intuito do texto mas me surgiram algumas questões aqui que achei relevante comentar pois podem ser dúvidas de outros.
    Entendemos o quê o PIB mede, como são feitos seus cálculos e tudo mais, mas sinto falta (não só no texto mas na maioria das aulas da graduação) que as pessoas pulam direto para o WHAT e HOW esquecem do WHY, ou seja, em quais situações, além de ver o crescimento do país, podemos nos utilizar do PIB para fazer análises mais aprofundadas. Como explorar todos os dados ao máximo, entendem oq eu digo? Se vocês, alguém da sala ou mesmo a Profª Roseli puderem responder ou passar alguma bibliografia que ajude seria muito legal 🙂

    1. O PIB é uma medida de crescimento econômico, de riqueza e produção e é utilizado como indicador de bem-estar econômico de um país e pode influenciar as tomadas de decisões por parte do governo e das firmas (para contratar, investir ou formar estoques) entretanto, algumas pessoas acreditam que ele não é o suficiente pois pode ser exagerado ou avaliar mal – como dito pelo Artur Minussi, Caio de Lucca, Mateus de Barros, Lucca Socci, Hédras e pela Paola Vieira Guedes – ou seja, dizem que o PIB é distorcido e podem haver outros indicadores que podem representar a situação de progresso com maior veracidade.Recomendo essa notícia do “O Globo” e do “NEXO”, que falam mais sobre o uso do PIB, citam alguns indicadores diferentes e os problemas que o PIB pode apresentar e o que ele não abrange, conforme os argumentos utilizados pelos seus críticos:
      https://oglobo.globo.com/economia/pib-uma-medida-de-riqueza-ou-de-bem-estar-14532765
      https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/01/06/Quais-os-argumentos-de-quem-diz-que-o-PIB-n%C3%A3o-mede-a-riqueza-de-um-pa%C3%ADs

      1. Obrigada, amiga. Acho que muitos comentários tenderam para essa interpretação, que não me parece errada, mas dados não mentem, o problema talvez esteja na maneira como se interpretam os valores, pois muitas vezes é tendencioso e gera muitas expectativas pela importância dada ao método.
        Como bem dito na reportagem “Os políticos veneram o PIB quando as coisas estão indo bem, e o abominam que a situação se inverte”; daí já percebemos que há também grande falha conceitual.
        Seja o PIB um índice, não podemos deixar de nos adaptar à informação buscada e analisar outras variáveis, principalmente também pelas novas riquezas que nos circundam nos dias de hoje, como a riqueza das informações e a escassez de recursos naturais.

  2. Olá, esse foi um bom post, porém para o cálculo do PIB real é preciso saber o deflator do PIB então eu gostaria de saber como se calcula o deflator do PIB e qual a sua diferença com o índice de preços ao consumidor?

    1. Obrigada pelo comentário, Carlos
      Bom, o deflator do PIB deve ser calculado como a razão entre o PIB nominal e o PIB real, multiplicada por 100, assim, ele acaba refletindo somente no nível de preços. Isso acontece porque no cálculo, se considerarmos que em uma economia a quantidade de produtos aumente com o tempo enquanto seus preços se mantenham constantes, ambos os PIBs – nominal e real – aumentarão e manterão o deflator constante. Já se invertermos e as quantidades produzidas se manterem constantes enquanto o preço aumenta, haverá um crescimento apenas do PIB nominal, o que consequentemente aumenta o deflator. Então, partindo do princípio de que o deflator do PIB é a relação entre PIB nominal e PIB real, que foram diferenciados no post, conseguimos então estabelecer algumas diferenças entre o deflator e o índice de preços ao consumidor. Uma primeira diferença é que o deflator reflete os preços de todos os bens e serviços produzidos internamente enquanto que o índice de preços ao consumidor reflete apenas a parcela dos bens comprados. A segunda diferença é relativa a como os preços são vistos, ou seja, enquanto o deflator compara preços correntes dos produtos com os preços referentes ao mesmo período de um ano base, o IPC compara os preços de uma cesta fixa com o preço da mesma cesta do ano base. Mas essa ultima diferença não é expressiva quando todos os preços se alteram proporcionalmente.
      Essa diferenciação pode ser melhor explicada no livro do Nicholas Gregory Mankiw, Introdução à Economia.

      1. Obrigado pelo comentário, Carlos.
        Complementando o comentário da minha amiga Carolina, podemos também realizar o procedimento da seguinte maneira. Pegamos o índice de preços ao consumidor acumulado na data-base, dividimos pelo mesmo valor na data observada, e, em seguida, multiplicamos pelo PIB nominal. Por exemplo, para calcular o PIB real do quarto trimestre 2017 a valores do final de 2018, pegamos o IPCA acumulado até dezembro de 2018 (5100,61) e dividimos pelo IPCA acumulado até dezembro de 2017 (4916,46), multiplicando pelo PIB nominal do semestre em questão (1.703.986 milhões). Assim, chegamos ao valor de (R$1.767.810 milhões).
        Todavia, esse método gera resultados apenas aproximados, já que o IPCA mede a inflação baseada em uma cesta de bens fixa, enquanto o deflator do PIB observa mais rapidamente a mudança das preferências, pois, se o preço relativo de um bem ou serviço sobe, tende-se a consumir menos dele, o que não é captado pelo IPCA.
        Mais sobre isso é discutido no artigo “O mistério do deflator e do IPCA”, de Fernando Dantas, publicado no Estadão:
        https://economia.estadao.com.br/blogs/fernando-dantas/o-misterio-do-deflator-e-do-ipca/

  3. É interessante notar que o PIB real, mesmo nos privando das distorções provocadas pelas variações de preços, ainda não é uma boa medida de saúde econômica de uma nação. Por convenção, o PIB real é usado em geral como um indicador do bem-estar de um país, mas ele é simplesmente o valor de mercado de todos os bens e serviços produzidos em um dado período. Na aferição do PIB, é incluída a compra de todos os bens e serviços legalmente produzidos, ou seja, não são incluídos bens e serviços produzidos e consumidos em casa, ou mesmo produtos ilícitos. Além disso, o PIB também não contempla a questão da desigualdade social. Desse modo, apesar de ser uma medida muito usada para mensurar a saúde econômica de um país, deve-se enfatizar que é extremamente limitada.

    1. Ficamos muito gratos pelo comentário, Artur
      Como você muito bem pontuou, além dos diversos problemas da mensuração do PIB em si, também há os problemas sobre ele medir apenas o produto, e não como ele é distribuído pela população. Um bom complementar a isso é o Índice de Gini, que varia de 0 a 1 e mede a desigualdade da distribuição de renda na população (1 é o maior grau de desigualdade de renda e, 0, o menor)
      Além isso, o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) usa os indicadores de educação (alfabetização e taxa de matrícula), longevidade (esperança de vida ao nascer) e renda (PIB per capita), variando também de 0 a 1.

  4. A comparação do PIB per capita entre países ricos e pobres pode se tornar difícil visto que cada país possui sua própria moeda. No entanto, a utilização da taxa de câmbio para obter-se tal principio de comparabilidade pode ser um problema, visto que, as taxas de câmbio podem sofres inúmeras variações, principalmente em momentos de crise econômica. Além disso, em economias menos desenvolvidas os preços dos bens básicos são bem menores do que nos Estados Unidos, por exemplo. O método da paridade do poder de compra pode auxiliar na obtenção de análises mais significativas dado que os números do PPC são obtidos utilizando-se um conjunto de preços comum para todos os países e também é uma forma de deflator do PIB, mesmo assim vale ressaltar que a diferença entre os números da PPC e os números baseados em taxas de câmbios correntes é muito grande, todavia, é uma diferença menor do que quando utilizamos as taxas de câmbios correntes.
    Contudo, é necessário mensurar e entender como o efeito da utilização de diferentes deflatores para o PIB pode causar quando se trata o PIB como uma medida de bem-estar.

  5. Lendo os comentários acima fiquei curiosa sobre a informalidade que temos no Brasil e o impacto de não contabiliza-la no PIB. Segundo uma notícia com base nos dados do IBGE a informalidade cresce em nosso país. Em 2016 35,6 milhões de pessoas trabalhavam sem carteira assinada, já em 2017 haviam 37,3 milhões de pessoas nessa situação, ou seja 1,7 milhão a mais do que em 2016. Esse número representa 40,8% de toda a população ocupada (que exerce alguma atividade remunerada) no país. Isso mostra que esses números não são desprezíveis e causam distorções significativas no PIB. Além disso pesquisando sobre o assunto também pude notar que não há uma definição exata para o que é a informalidade, quem dira para mensura-la.
    O que me faz refletir e voltar ao questionamento da Isis, o quanto essa medida é realmente válida? É relevante utilizarmos dela sendo que existem tantas situações não contabilizadas? Em quais situações ou em quais análises? Como poderiamos melhorar essas questões?

    1. Muito obrigada pelo comentário, Paola.
      Infelizmente, e o que está sendo ponderado em vários comentários, o PIB pode por vezes não representar um retrato fiel da realidade do país. No entanto, como ele ainda é amplamente usado, é extremamente necessário fazer essas ressalvas sobre o que o PIB efetivamente está contemplando e o que ele deixa de medir.
      Creio que para termos uma melhor visão dos fatos, podemos usar, juntamente com o PIB, outros medidores conhecidos, como o Índice de Gini e IDH, e também um índice relativamente novo, chamado Índice de Economia Subterrânea (IES) que tenta medir o que seria a informalidade, que como você disse, e nós concordamos é, de fato, de difícil mensuração.
      Deixei aqui uma matéria do ETCO (Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial) que explica melhor sobre o IES:
      https://www.etco.org.br/publicacoes/estudos-pesquisas/entenda-o-indice-de-economia-subterranea/

  6. Podemos notar que entre tantas formas de medir o produto de uma economia, temos a mensuração do PIB Real como a mais “próxima” da realidade. Todavia, tal proximidade limita-se a diversas barreiras no contexto social de mercado. Como dito por alguns colegas, esse cálculo deixa de lado diversas atividades informais, as quais poderiam atribuir uma mudança significativa no PIB.
    Nesse sentido, o que me causa um maior estranhamento é pensar se, realmente, o PIB mensura o bem-estar de um país por meio do seu cálculo (“somatória das multiplicações dos preços constantes (escolhe-se um ano base para fixar o preço em todos os anos) e a quantidade produzida de cada bem”).
    Para pensarmos sobre, podemos imaginar uma pessoa que mora perto do seu trabalho; assim, ela tem o privilégio de andar até ele (isso não é registrado na contabilidade da economia). Agora, imagine que essa pessoa passou a morar longe, usa condução, passa inúmeras horas no trânsito. Então, o PIB irá aumentar, pois essa pessoa irá ter que pagar por combustível, pela depreciação do veículo e pelo serviço que está sendo prestado; além de ter um possível gasto com uma terapia após várias horas no trânsito. Assim, chegamos a conclusão que a vida desse indivíduo piorou e o PIB aumentou, contrariando uma das supostas funções do PIB.
    Portanto, gostaria do posicionamento de vocês em relação ao exemplo exposto.

    1. Dizer que o aumento do PIB reflete, efetivamente, uma melhora no bem-estar da sociedade, pode não ser tão justo. Na verdade, quando foi idealizado ele realmente tinha esse intuito, mas com a Segunda Guerra Mundial, o foco do indicador passou a ser não mais o bem-estar, mas a atividade econômica, o quanto era necessário produzir para poder sobrar de financiamento para a guerra.
      O seu exemplo exposto mostra que essa “queda” na qualidade de vida do cidadão seria mensurada no PIB em detrimento das 37,3 milhões de pessoas que produziram no trabalho informal, como foi trazido pelo colega Mateus de Barros, algo que não representaria fielmente a realidade do país.
      Aqui embaixo eu encontrei uma outra notícia que se relaciona com o exemplo apresentado no que tange ao PIB não diferenciar o que seria uma “boa atividade econômica” de uma “não tão boa” como o “gastar com a gasolina para ir ao trabalho em locais mais distantes”:
      https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/08/23/por-que-economistas-dizem-que-o-pib-nao-e-boa-medida-de-bem-estar-incluindo-seu-criador.ghtml

  7. Primeiramente, parabéns pela postagem!
    Por mais que o PIB real seja considerado a forma mais ‘próxima’ de mensurar a realidade do país, como já citado por um colega anteriormente, ainda assim, não abrange de fato a realidade econômica da nação. Ademais, enfatizando o comentário da Paola Vieira Guedes sobre o mercado informal no Brasil, observa-se uma grande lacuna encontrada na compilação de dados da conta PIB real. Segundo o PNAD (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios), no segundo trimestre de 2018 cerca de 37,3 milhões de pessoas trabalhavam informalmente, ou seja, uma grande parcela da população brasileira. Além disso, segundo dados do índice de Economia Subterrânea (IES) e divulgado pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), no período de 12 meses a economia informal movimentou cerca de R$1,173 trilhão, o equivalente de 16,9% do PIB brasileiro. Dessa forma, a não contabilização desse segmento da economia causara uma grande dificuldade de mensurar a realidade econômica do país.
    Link com gráfico do avanço da economia informal:
    https://i0.wp.com/www.saobentoemfoco.com.br/wp-content/uploads/2018/12/111111AAAA.png?resize=696%2C486&ssl=1

  8. Primeiramente, parabéns aos membros do grupo pelo texto.
    Gostaria de trazer na discussão, a dificuldade de se prever o PIB, nos últimos 5 anos(com exceção de 2017), tivemos uma expectativa inicial do PIB bem maior do que o PIB final, e um dos grandes fatores disso é por conta da maneira de se calcular o PIB, alguns dos modelos de cálculo já estão deteriorados e isso causa essa imprecisão, outro fator é que as pessoas são otimistas quanto ao futuro e isso no final das contas não é exato, porque ninguém sabe o futuro.
    Um grande exemplo é da crise de 2008. Antes da falência do banco Lehman Brothers os analistas previam que a economia norte americana cresceria… já sabemos que não foi bem assim.
    Com isso, o PIB pode ser considerado o melhor medidor para saber sobre a economia de um país, mas prevê-lo não necessariamente vai de acordo com o que encontraremos. Pois uma economia é movida por pessoas e mercados, e nenhum nem outro são 100% previsíveis.

    Mostra as expectativas do PIB e sua comparação com o mensurado pelo IBGE nos últimos anos:
    https://images.infomoney.com.br/uploads/mercados/focus_previs%C3%B5es.jpg?1552490536452

    PS: Também é possível de observar esses dados da expectativa do PIB de 2019 no relatório Focus do Banco Central publicado na última segunda-feira:
    https://www.bcb.gov.br/publicacoes/focus

  9. Em primeiro lugar, gostaria de parabenizar o grupo pelo post que esclareceu a diferença entre o PIB nominal e real, evidenciando as implicações em se demonstrar o real crescimento da economia.
    Durante a leitura e interpretação dos gráficos, no entanto, confesso que tive um pouco de dificuldade de compreender como o grupo obteve o resultado de que “no terceiro trimestre de 1998, o PIB nominal cresceu em 7.726 milhões”, esse crescimento foi em relação a qual ano e a qual valor? Se alguém pudesse me ajudar a entender, eu agradeceria 🙂
    Além disso, fiquei curiosa para saber quais seriam os motivos que tornaram o PIB real praticamente igual ao PIB nominal do Brasil no período de 2018, conforme demonstrado pelo primeiro e segundo gráfico do texto. Pesquisei informações e acontecimentos que fossem relevantes nesse ano, mas não encontrei nada que me ajudasse a entender. Alguém teria alguma sugestão?

  10. Parabéns pela postagem.
    Algumas pessoas ainda tem a visão de que o PIB real por si só é uma forma eficiente de expressar a realidade de um país, muitas vezes sem levar em conta que diversos fatores influenciam para ele ter correlação com outros indicadores de qualidade de vida. Além dos números não serem precisos por conta de atividades informais e outros tópicos comentados pelos nossos colegas de classe, muitas vezes esquecemos quantas horas de lazer estão sendo sacrificadas para se obter um pequeno aumento de renda, ou até mesmo como essa renda esta distribuída. Mas quando levamos em conta que os outros países que também utilizam este indicador não contabilizam essas situações, em minha opinião, é o que faz com que esse “erro” de mensuração por todos consiga expressar algo próximo a realidade.

  11. Lembro que na primeira aula a professora Roseli comentou a relação entre crescimento do PIB e inflação, fiquei curioso e acredito ser uma relação interessante plotar os dados de inflação e os de PIB de todos esses anos analisados e poder ver como eles se reagem. Sabem se eles de fato se relacionam diretamente?
    Além disso, achei legal que mesmo com crescimento maiores e menores em alguns períodos, a média de crescimento se mantenha relativamente estável, como pode ser observado no segundo gráfico de PIB nominal vs real trimestrais.
    Mais uma coisinha, não entendi exatamente a forma de calcular esses dois gráficos, o primeiro contém somente os valores do último trimestre e o segundo os valores de todos os trimestres somados?

    1. Muito obrigado pelo comentário, Victor
      Segundo o modelo clássico, a quantidade de moeda na economia não afeta fatores reais, como o PIB real, aumentando apenas o nível geral de preços e, portanto, o PIB nominal. Já segundo o modelo keynesiano, há interação entre fatores reais e nominais, sendo a moeda mais que um meio de troca (em introdução à economia, fomos apresentados ao tradeoff entre inflação e desemprego, que nada mais é que outra maneira de olhar a relação entre inflação e PIB no curto prazo). Estudaremos isso mais claramente no modelo IS-LM (que apresenta produto e taxa de juros como variáveis endogenas), na próxima semana.
      Sobre os gráficos, o primeiro contém os valores de PIB nominal e PIB reais semestrais. Perceba que sempre, do último trimestre um ano para o primeiro do ano seguinte, há uma queda do produto, devido à sazonalidade da atividade econômica. Tentamos retirar essa sazonalidade no segundo gráfico, realizando a soma dos produtos nos últimos quatro períodos, ou seja, um ano. Por exemplo, em 2017T4, somamos os PIB’s reais (podemos somar esses valores por já estarem em termos reais) dos períodos 2017T1, 2017T2, 2017T3, 2017T4. Para o período de 2018T1, retiramos da soma 2017T1 e colocamos 2018T (2017T2 + 2017T3 + 2017T4 + 2018T1). Como retiramos o primeiro trimestre de um ano e colocamos o primeiro trimestre de outro, não ocorrem efeitos sazonais.

  12. De início, parabéns ao grupo. Adiante, quero agregar e clarear a definição de produto agregado e de valor adicionado trazendo a ideia de 2 empresas, das quais uma produz bens intermediários e a outra os utiliza, que se tornam em apenas 1 empresa. Aqui, a ideia é justificar as definições observando que as empresas como uma só entregam o mesmo valor do PIB. Vamos assumir que a empresa 1 é uma madeireira e a 2 uma montadora de cadeiras de madeiras. A empresa 1 tem receita mensal de $300, paga aos trabalhadores $150 e lucra $150. A empresa 2, afere a receita da venda das cadeiras em $550, paga a madeira comprada à empresa ($300), paga aos trabalhadores $100 e tem lucro de $150. Pela definição, retirando os valores dos bens intermediários (na definição de valor agregado) e valores adicionados (na definição de valor adicionado) tem-se da Empresa 1 fica em $300 pois não os tem. Já, a empresa 2 tem $550 – $300(madeiras para produção) = $250. Então, PIB = $300+$250 = $550. Agora, se dada junção das empresas veja que os salários aos trabalhadores seriam $150+$100 = $250 e lucros $150 + $150 = $300. Como é uma empresa o valor adicionado/valor agregado seria = $250 + $300 = $550. Trazendo o mesmo valor, por isso as tais definições. Outro ponto que queria discutir envolve a eficiência do PIB. Visando que o Produto deve mensurar a qualidade, a lucratividade, a profundidade, a amplitude, as melhorias e os avanços dos bens e serviços produzidos, ele falha nisso. Pois, é isso o que realmente importa para uma economia. Para exemplo, podemos considerar um navio esplendoroso e caríssimo que é colocado ao mar, mas ninguém o utiliza. É deixado a beira do mar e não gera nenhuma variação no bem estar da sociedade, contudo é colocado como bem final no valor do PIB. É uma conta que não bate.

  13. Parabéns aos membros do grupo pelo ótimo texto. Como já mencionado pelos meus colegas, o PIB por diversos fatores tem sido insuficiente para medir o bem-estar de um país. Mas como definir um substituto para o PIB? Recentemente, alguns economistas têm discutido sobre os caminhos para a substituição do indicador. A proposta mais aceita considera a contabilidade nacional centrada na renda e no consumo e não mais na produção, incorporação de avaliações subjetivas e indicadores físicos para medir sustentabilidade. Recomendo a leitura das notícias:

    https://jornal.usp.br/atualidades/pib-devera-ser-substituido-por-indicadores-de-renda-e-consumo/
    https://www.weforum.org/agenda/2016/04/what-is-gdp-and-how-are-we-misusing-it/

  14. Parabéns ao grupo pelo texto elaborado!

    Venho aqui fazer um balanço entre a insuficiência do PIB como indicador do bem estar social (que em certa medida já foi exposto pelos colegas), e o porquê de ainda o utilizarmos apesar de todas as suas limitações.

    Para esboçar a crítica sobre esse indicador, acredito que a frase do ex senador americano Robert Kennedy, em 1968, sintetiza bem a dúvida de sua validade:

    “… O produto interno bruto não leva em consideração a saúde de nossas crianças, a qualidade de sua educação ou a felicidade de suas brincadeiras. Não inclui a beleza de nossa poesia nem a solidez de nossos casamentos, a inteligência do nosso debate público ou a integridade dos funcionários públicos. Não mede nem nossa coragem, nem nossa sabedoria, nem nossa devoção ao país. Em resumo, mede tudo, exceto aquilo que faz a vida valer a pena…”¹

    No entanto, como aponta N Gregory Mankiw, em seu livro “Introdução a Economia”, o PIB no geral mantém um certo nível de correlação com conforto e qualidade de vida:

    “… o PIB não mede a saúde das crianças, mas países com PIBs maiores podem arcar com o custo de um melhor atendimento de saúde para suas crianças. O PIB não mede a qualidade da educação, mas países com PIBs maiores podem ter sistemas educacionais melhores…”²

    Creio que a conclusão a que se chega é que há uma série de outras coisas que contribuem para uma boa vida mas que não estão abrangidas por esse indicador. E que há também uma série de tantas outras coisas (não necessariamente boas) que ele também não capta. É um indicador e, portanto, seu foco de análise é restrito e limitado.

    Para concluir: O PIB é um parâmetro utilizado internacionalmente pelas grandes economias. Um dos motivos é pela sua praticidade. Não é possível também exigirmos todas as informações macroeconômicas que precisamos, levando-se em consideração uma unica métrica.

    No entanto, ainda sim é importante e válido utilizá-lo como parâmetro de referência e em conjunto com outros indicadores para que se possa obter dados para uma análise econômica mais acurada, como por exemplo: indicadores de desigualdade e concentração de riqueza.

    Referências:
    ¹ Introdução a Economia. N Gregory Mankiw.
    ² Introdução a Economia. N Gregory Mankiw.

  15. Gostei bastante de como o grupo trouxe a explicação sobre o PIB e seus cálculos. Assim como achei interessante também o quando esse texto suscitou comentários referentes ao fato de que o PIB não mede tudo. E esse pensamento me levantou a duas questões: como era calculado a “riqueza” antes da década de 40, pensando que o PIB foi criado em 1937 (me corrijam se eu estiver errada), assim também, como pretendemos , como “mundo” calcula-lo daqui para frente, levando em consideração que nossas demandas como sociedade estão mudando.
    Para a primeira questão, devo dizer, que foi bem difícil achar um resposta dentro da academia que “batesse o martelo” para mim. No geral, percebi que a falta de informações, o fato de muitos países ainda estarem em fase de delimitação de seus territórios, uma visão menos globalizada e mesmo o desenvolvimento mais profundo da disciplina economia estão entre os fatores para o fato de não achar um resposta satisfatória. Mas, encontrei um artigo bem interessante, que levantou vários dados para fazer um cálculo aproximado de como foi nosso PIB real e PIB nominal entre 1820 e 2012. Vale a pena lê-lo porque os autores colocam o passo-a-passo de uma maneira bem didática e ainda levantam a questão dos ciclos econômicos que nosso país passou nesse período.
    Artigo: https://revistas.ufpr.br/economia/article/viewFile/31283/22683
    Em relação a outra pergunta que me fiz, sobre como pretendemos calcular o PIB, encontrei o Sistema de Contas Econômicas Ambientais (SEEA, na sigla em inglês), criado pela ONU em 2012 que visa calcular os estoques de recursos naturais que cada economia tem e sua variação. A partir dessa ideia, em 2017, foi aprovado no Brasil o cálculo do PIB Verde (PIV), que será feito pelo IBGE, mas que ainda não tem dados por estar na fase de discussões públicas sobre como será feito e quais variáveis serão utilizadas. Penso que vale muito ler o texto da ONU sobre o SEEA por ser um dos rumos que, invariavelmente, as nações seguirão no futuro para o cálculo do PIB, afinal, em algum momento, o desgaste ambiental diminuirá o crescimento econômico de todos, em maior ou menor grau.
    SEEA: https://unstats.un.org/unsd/envaccounting/seeaRev/CF_trans/SEEA_CF_Final_pr.pdf
    PIB Verde: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/17329-pib-verde-patrimonio-ecologico-do-brasil-sera-calculado-pelo-ibge

  16. Primeiramente, gostaria de parabenizar o grupo pelo excelente trabalho. Como já foi ressaltado pelos meus colegas aqui, o PIB é um indicador que nos diz algo sobre a economia do país, mas falha em detalhar de maneira mais satisfatória a real situação de uma nação. Um exemplo muito claro disso é o nosso país, que possui um PIB de 2,056 trilhões de USD (dado de 2017 do banco mundial), ainda falha em disponibilizar o básico às pessoas. Um dos piores sistemas educacionais, péssima segurança e um sistema de saúde que, muitas vezes, obriga aqueles que não possuem condições de pagar por um sistema privado a ficarem em longas filas de espera, são apenas três de muitos grandes problemas que nosso país enfrenta. Isso considerando que tivemos ,em 2017, uma carga tributária de aproximadamente 32,4% do PIB (dados do G1). Fazendo uma conta relativamente rápida, percebemos que o total pago em impostos foi de 0,666144 trilhões de USD. Ou seja, apesar de uma carga tributária alta, um PIB relativamente grande, nosso país ainda apresenta sérios problemas que passam despercebidos, quando se releva apenas esse dado econômico.

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