Ensinando Economia, Nível de atividade

G-E: Componentes do dispêndio doméstico brasileiro

O cálculo do PIB inclui apenas bens e serviços finais, ou seja, o serviço intermediário é descontado para evitar dupla contagem. Isso significa, por exemplo, que para calcular a produção de pães não é contabilizado o consumo da farinha utilizada no preparo, uma vez que seu valor já estará embutido no valor do pãozinho.

O cálculo do PIB, no Brasil, é feito sob três dimensões: produção, demanda e renda. Assim, explicitamos neste post a ótica da demanda, em que o PIB corresponde à despesa interna total do país, que inclui a despesa das famílias em bens de consumo, as despesas do Governo em bens de consumo, a despesa das empresas com investimento em bens de capital (mais as variações de estoque) e as despesas relacionadas às exportações líquidas (exportação – importação). Frente a vários conceitos, explicaremos a seguir o que eles significam.

O consumo consiste nos bens e serviços adquiridos pelas famílias, ou seja, é onde as pessoas gastam seu dinheiro. Ele pode ser dividido em 3 componentes. Sendo eles os bens não duráveis (alimentos e vestuário), os bens duráveis (como automóveis e eletrodomésticos) e os serviços (trabalhos realizados por empresas ou indivíduos destinados aos consumidores, como, por exemplo, uma consulta médica ou um corte de cabelo).

Já o investimento é o gasto das empresas em capital fixo, isto é, com maquinário, fábricas, etc. e em estoques, que são a parcela dos bens produzidos que não foram vendidos em um determinado momento. O investimento é idêntico à poupança, isto é, o dinheiro que os agentes da economia (famílias, empresas, governo e setor externo) deixam de gastar em um determinado momento se tornam o dinheiro que as empresas usam para realizar seus investimentos, por meio da ação do sistema bancário.

Além disso, temos os gastos do governo, os quais se referem aos bens e serviços adquiridos pelos governos federal, estadual e municipal. Esses bens podem variar de aviões a suprimentos de escritório. Já os serviços incluem os prestados pelos funcionários públicos.

As exportações líquidas são obtidas por meio da diferença entre exportações e importações. As importações são as compras de bens e serviços estrangeiros pelos consumidores, pelas empresas e pelo governo. Já as exportações, são as compras de bens e serviços do país por estrangeiros.

Temos que em determinados momentos a produção e a venda dos bens não são equivalentes. Pode ser que não seja vendido tudo aquilo que foi produzido (acumulação de estoque), com resultado positivo. Ou o contrário, que a venda ultrapasse a produção (queda de estoque), com resultado negativo. Dessa forma, haverá uma variação nos estoques, que consiste exatamente dessa diferença entre bens que foram produzidos e bens que foram vendidos em um dado período de tempo.

A seguir, temos a composição do PIB brasileiro em 2004, 2008 e 2016.

O consumo das famílias tem forte peso no PIB brasileiro, correspondendo em torno de 60% do total. Ou seja, mais da metade do que é produzido no Brasil depende da demanda das famílias. A demanda das famílias é o componente mais importante do bolo. É ele que sustenta o crescimento do setor de serviços, o principal segmento do PIB pelo lado da oferta.

O investimento é um item essencial para a recuperação da economia. Podemos notar a variação do investimento na tabela apresentada acima, a qual teve uma significativa queda do ano de 2008 para o ano de 2016.

Os gastos do governo giram em torno de uma média de 20%, nos anos apresentados. Assim, para ter uma visão mais significativa, é preciso analisar se houve uma política fiscal expansionista (redução de tributos e aumento dos gastos) ou contracionista (conter as finanças do governo a fim de melhorar as contas públicas).

As exportações líquidas tiveram uma queda do ano 2004 para os demais anos apresentados. Significando um aumento percentual das importações em relação às exportações. Já o investimento em estoques corresponde a uma pequena parcela do PIB girando em torno de 0,5 a 1%.

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https://ww2.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/contasnacionais/2008/defaulttabzip.shtm. Acesso em: 24 mai. 2019.

https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv47747.pdf. Acesso em: 24 mai. 2019.

https://www.ibge.gov.br/estatisticas-novoportal/economicas/contas-nacionais/9052-sistema-de-contas-nacionais-brasil.html?=&t=resultados. Acesso em: 24 mai. 2019.

https://br.advfn.com/indicadores/pib/calculo. Acesso em: 24 mai. 2019.

BLANCHARD, Oliver. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.

GRUPO E – Macro 2019

15 comentários em “G-E: Componentes do dispêndio doméstico brasileiro”

  1. Parabéns pelo texto, que abrangeu a esquematização das contas nacionais do Brasil de forma simples, direta e efetiva. Como frisado, o consumo das famílias tem grande importância para o PIB brasileiro, isso por conta da renda e da taxa de juros, que provavelmente não cobre o custo de oportunidade pois o consumo é alto, em torno de 60% ou até mesmo a falta do ensino financeiro à maioria das pessoas e uma cultura consumista e imediatista no Brasil – de acordo com o artigo do O Globo: https://oglobo.globo.com/economia/negocios/quando-se-trata-de-educacao-financeira-brasil-fica-mal-na-foto-20385966 – que impede a valorização da poupança e dos investimentos como ferramentas que podem ser de extrema importância para uma maior segurança financeira no futuro, preferindo “gastar hoje” ao invés de “receber amanhã” com mais o rendimento das taxas de juros.

  2. Parabéns ao grupo responsável pelo texto! Como dito, temos que em determinados momentos a produção e a venda dos bens não são equivalentes em uma economia. Um caso interessante de acumulação de estoque ocorreu no Convênio de Taubaté, um plano feito ,no início do século XX, entre os governos de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro e os grandes cafeicultores destes estados. Os governos de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro compravam a produção de café dos produtores, fazendo e gerenciando estoques reguladores do produto. Quando a procura por café no mercado internacional era menor do que a oferta, para manter os preços altos, os governos queimavam estoques do produto, gerando prejuízos aos cofres públicos. Foi evitada uma forte crise no setor, fato que poderia prejudicar toda economia nacional, ao preço de gerar um forte aumento da dívida dos estados com bancos estrangeiros. Interessante notar que, como explicitado no texto, o investimento é um item essencial para a recuperação da economia. Nesse caso, houve uma grande diminuição dos recursos dos estados de MG, SP e RJ para investir, o que agravou ainda mais a situação econômica e dificultou a recuperação.

  3. Primeiramente parabéns ao grupo, creio que o assunto abortado é um ótimo complemento para a matéria aprendida dentro da sala de aula. No cálculo do dispêndio doméstico, temos a relação direta entre consumo, gastos governamentais e investimento (na economia aberta, acrescentamos as exportações líquidas), com a produção, como explicado. No post, vocês pontuam e até demonstram na tabela a queda referente aos anos em que o país sofreu alguma crise, seja econômica ou política. Encontrei uma notícia que traz alguns exemplos práticos do impacto negativo no consumo e no investimento das famílias e das empresas e, principalmente, sobre uma politica fiscal expansionista empregada pelo governo para incentivar uma reação positiva após a crise:
    http://g1.globo.com/economia/seu-dinheiro/noticia/2011/09/entenda-como-crise-de-2008-influenciou-vida-dos-brasileiros.html

  4. Primeiramente, parabéns aos colegas pelo texto. Gostaria de apresentar um dado mostrando a volatilidade da relação Investimento/PIB em diferentes momentos. Após a crise de 2008, o investimento caiu de 20,69% do PIB para 16,51% , uma queda de 20,2%. Já de 2009 para 2010, o investimento subiu 16,59%, para 19,25% do PIB. Enquanto isso, o consumo em 2008 foi 58,94% do PIB, subindo para 61,74% (alta de 4,75%), diminuindo para 60,57% do produto em 2010 (queda de 1,93%).
    Podemos, portanto, observar o quão volátil é o investimento, flutuando muito mais que o consumo durante o ciclo econômico. Isso ocorre porque, quando há expectativas negativas, o cenário não é apropriado para os investimentos produtivos.
    Dados disponíveis em: http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/3529/9/cc12_serieshistoricas.xls

  5. Sabemos a briga que é no dia a dia das notícias entre jornalistas, economistas e pseudo especialistas sobre a porcentagem dos gastos do governo no PIB e sua verdadeira eficiência escondida em números agregados e multiplicadores; mas quanto à porcentagem de investimento: há algum consenso sobre a porcentagem ótima de investimentos para que uma economia possa sempre estar em crescimento? Em algum momento, mesmo com alto investimento, é possível q o consumo barre o crescimento do produto nacional?
    Novamente, aceito textos, artigos ou notícias relacionadas, caso possam me auxiliar.

    1. Isis, números agregados e multiplicadores não têm nada a ver com a discussão sobre eficiência dos gastos públicos. Suas perguntas são interessantes, mas não são o tema do post. Este tipo de discussão está presente em crescimento econômico, que você aprenderá em Teoria Macroeconômica III!

  6. Primeiramente, parabéns à todos envolvidos pelo texto.
    Utilizando os conhecimentos adquiridos do post, da última semana, e calculando o PIB real dos anos de 2004, 2008 e 2016, como ano base 2016, nota-se que o PIB não cresceu apenas nominalmente, ficando evidente que houve um crescimento real do país. Além disso, concluímos que o aumento no bolo do consumo das famílias na agregação do PIB não é incomum, pelo menos é o que é mostrado pelo modelo Keynesiano, no qual o aumento do consumo e do produto são proporcionais. Se o consumo aumenta, o produto também acaba aumentando. Isso é percebido no ano de 2016, comparando com o ano de 2008, ocorreu aumentou em em 33.06% em valores absolutos reais.

  7. Primeiramente, parabéns ao grupo pela maneira como explicaram e desenvolveram a atividade proposta, está tudo claro e coeso.
    Uma possível curiosidade sobre o dispêndio doméstico seria a relação entre mudanças na distribuição de renda e seus impactos na propensão marginal a consumir para a economia como um todo, o que explica, em outros termos, como alterações na distribuição de renda podem impactar no próprio nível de renda. Estratos mais elevados de renda real são possivelmente a causa principal pela queda da propensão marginal a consumir, uma vez que é de se esperar que maiores níveis de renda estejam relacionados com proporções menores destinadas ao consumo.

  8. O grupo apresentou de maneira muito clara e objetiva quais são os componentes do dispêndio doméstico, representando o PIB sob a ótica da demanda. Parabéns!
    A partir de um aprofundamento maior sobre um desses componentes, o investimento, é interessante ressaltarmos a diferença entre o investimento não residencial e o investimento residencial, uma vez que eles são mencionados na tabela da composição do PIB do Brasil.
    O primeiro representa a compra de novas instalações ou novas máquinas (de turbinas a computadores) pelas empresas, enquanto o segundo caracteriza a compra de novas casas ou apartamentos pelas pessoas. A soma do investimento residencial e do investimento não residencial totaliza o investimento por si só, que é igual a 938 bilhões de reais em 2016.

  9. Parabéns aos colegas pelo texto.
    Podemos ver claramente com estes dados, que mesmo nos dias de hoje, com tanto acesso a informações, os investimentos são deixados de lado. Algumas famílias realmente não conseguem destinar uma parcela de suas rendas para algo diferente do consumo, mas também existem diversos casos em que as pessoas descartam a possibilidade de melhorar suas situações financeiras futuras por uma aversão enorme a riscos (muitas das vezes por não conseguirem mensurá-los), ou por não compreenderem o impacto de conseguir poupar.

  10. (comentando de novo porque o anterior não está aqui)
    Sabemos a briga que é no dia a dia das notícias entre jornalistas, economistas e pseudo especialistas sobre a porcentagem dos gastos do governo no PIB e sua verdadeira eficiência escondida em números agregados e multiplicadores; mas quanto à porcentagem de investimento: há algum consenso sobre a porcentagem ótima de investimentos para que uma economia possa sempre estar em crescimento?
    Novamente, aceito textos, artigos ou notícias relacionadas, caso possam me auxiliar.

  11. Pra começar, parabéns aos envolvidos. Seguindo, trago uma análise individual que pode fazer refletir: discorrendo sobre alertas de crise econômica, devo dizer que a análise de crescimento do PIB Bruto passa uma falsa sensação. O que quero dizer é que embora estejamos em uma crise desde 2011 com baixas taxas de crescimento do produto (idem https://exame.abril.com.br/economia/5-graficos-para-entender-a-recessao-que-virou-depressao/), embora os dados do gráfico do post seja real, cujo mostra que crescemos em questão bruta, não mostra essa queda da taxa de crescimento que estamos enfrentando. Outro ponto, agora ajudando a clarear o tema, devemos levar em consideração que o Investimento, além de definições, é um sinalizador. Ele sinaliza qual a nossa reputação para recebermos novos investimentos, se os empresários estão confiantes, permitindo analisar o cenário do país no longo prazo. Exemplo de 2015 que tendo a pior queda (18,5%) em relação ao trimestre de 2014 na história já refletia na nossa crise atual.

  12. Parabéns ao grupo pela didática!

    Ao observar o percentual do PIB referente ao gasto do Governo (em torno de 20% como o grupo pontuou), lembrei de um tópico relacionado ao assunto, bem polêmico, que tem estado em debate atualmente no Brasil e que afeta diretamente a estrutura de gastos do governo brasileiro: Reforma da Previdência.

    Achei um infográfico¹ bem interessante do sistema do Senado Federal para acompanhamento da execução orçamentária de 2016. O infográfico apontou que o segundo maior gasto do governo brasileiro foi a previdência social, que exigiu dos cofres públicos um valor próximo de 572 bilhões de reais, estando apenas atrás da dívida pública, que nesse ano estava em torno de 1,35 trilhão.

    Sem a reforma da previdência, o Ministério do Planejamento calcula que os gastos do INSS com aposentadoria e benefícios representará 58% dos gastos primários em 2022. Hoje esse percentual está em torno de 47%. O interessante é observar a relação que a dívida pública mantém com a reforma da previdência e como isso gera um efeito cascata nefasto sobre as contas públicas do governo, deterioração da atividade econômica e inflação. ²

    Tudo isso me leva a conclusão de quão necessário e difícil é repensar a estrutura de gastos do Governo. Além de uma análise econômica é preciso analisar social e politicamente o que a sociedade espera da burocracia estatal.

    Fontes: https://d335luupugsy2.cloudfront.net/cms%2Ffiles%2F16076%2F1480945140gastos-governo-federal-infografico-politize-2016.pdf ¹

    https://g1.globo.com/economia/noticia/sem-reforma-da-previdencia-o-que-acontece-com-a-economia.ghtml²

  13. Congratulações. O trabalho foi bastante preciso em mostrar os elementos que formam o dispêndio doméstico.
    A primeira frase do texto é “O cálculo do PIB inclui apenas bens e serviços finais (…)”, e isto me leva a uma reflexão: Suponha que o país A e o país B tenham o mesmo Produto, porém no país B estes produtos trocam de mão muito mais vezes, vamos supor que a população tenha aderido fortemente aos aplicativos de venda de usados como OLX, Mercado Livre, etc., e no país A as pessoas tem aqueles “quartinhos da bagunça”, onde se localizam diversos bens que poderiam girar.
    O PIB não faz esta diferença, será que há algum índice que a faz?
    Afinal de contas, o país B me parece mais próspero, com uma economia mais dinâmica. Pois, quanto mais aperfeiçoado é o mercado, mais dinâmico ele será, as curvas se moverão mais bem azeitadas, à moda dos clássicos. Talvez essa seja uma variável semelhante ao “v” na equação da Teoria Quantitativa da Moeda, porém ao invés de tratar da velocidade da moeda, trate da velocidade dos bens. Lembrando que este raciocínio é mais aplicável a bens duráveis, sendo pouco aplicável a não-duráveis e nada aplicado a serviços, já que estes não podem ser estocados. Vamos pensar nisto.

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