Ensinando Economia, Nível de atividade

G-K: Crescimento da produtividade e desemprego no curto prazo

Na teoria ecônomica, o modelo de Solow é um modelo do crescimento econômico no longo prazo que depende da força de trabalho (N), estoque de capital (K) e da produtividade do trabalho (A). Assim, temos o modelo de Solow como:

Y = f(K,NA)

Como o que nos interessa nessa discussão é o progresso da tecnologia (A) e não o estoque de capital (K), podemos simplificar o modelo para:

Y = NA

Assim, o produto é resultado apenas da força de trabalho (N) e cada trabalhador produz A unidades de produto. Aumentos em A representam progresso tecnológico.

Então, para analisar mudanças do progresso tecnológico na taxa de desemprego podemos reescrever o modelo de Solow como:

N=Y/A;  e sabemos que a taxa de desemprego (U) é igual a U = 1-N

Assim, observamos que há uma relação empírica positiva entre o progresso tecnológico, ou seja, um aumento da produtividade e a taxa de desemprego no curto prazo, pois quando há um aumento na produtividade (A) menos trabalhadores são necessários para produzir dado nível de produto. Com a queda no nível de emprego, seria razoável esperar uma queda no nível de demanda agregada e do nível de produto, mas na realidade não podemos fazer tal afirmação, já que o aumento na produtividade poderia vir investimentos massivos na economia, aumentando a demanda agregada ou pela implementação de novas tecnologias mais sofisticadas, diminuindo a demanda agregada.

O que a evidência empírica nos diz?

Analisando o gráfico acima  podemos perceber uma forte relação positiva entre a variação da produtividade no trabalho e o crescimento econômico. Além disso, os movimentos no crescimento econômico são maiores do que aumentos na produtividade.

A mudança na produtividade antecede a mudança no nível de emprego

Produtividade e Taxa Natural de Desemprego (Un)

De acordo com a teoria econômica, a taxa natural de desemprego é determinada pelo equilíbrio de duas relações: a de fixação de preços e a fixação de salários.

Para entender como a produtividade afeta o desemprego, e necessário portanto investigar o efeito de suas variações sobre essas relações.

Consideremos primero a fixação de preços:

Da equação Y=NA, depreende-se que cada trabalhador produz A unidades de produto. Se o salário nominal de produção for igual a W, o custo nominal de produção de uma unidade do produto será igual à (1/u) W = W/A. Considerando que as empresas fixam seus preços à uma determinada taxa ( 1+u), a equação de fixação de preços é dada por:

A fixação de salários por sua vez pode ser descrita como uma função do nível esperado de produtividade, do nível de preços esperado, do desemprego e de fatores institucionais.

Unindo as duas equações, chegamos ao salario real

W/P= A/(1+u)

Vê-se, por essa equação, que há uma relação diretamente proporcional entre produtividade e o salário real pago pelas empresas: quanto maior o nível de produtividade, menor o preço fixado pelas empresas dado o salário nominal e, portanto, maior o salário real.

Sob a condição que de que as expectativas estão corretas temos: Pe = P e Ae = A

De acordo com o gráfico, um aumento da produtividade desloca as curvas de fixação de salário e de fixação de preços na mesma proporção e, portanto, não exerce nenhum efeito sobre a taxa natural de desemprego.

É válido ressaltar que a evidência empírica mostra que muitas vezes esse equilíbrio se dá de uma maneira diferente. As empresas, por  terem mais informação sobre o processo produtivo do que os trabalhadores, compensam a economia do aumento da produtividade com um aumento da taxa de markup, para que seu lucro fique maior. Esse descompasso entre a percepção de um aumento de produtividade pelos dois agentes da economia resulta em um deslocamento da curva de fixação de preços pra cima, enquanto a curva de fixação de salários se mantém parada.

Referências:

https://ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/livros/livros/livro_produtividade_no_brasil

Macroeconomics – Oliver Blanchard

Grupo K – Macro 2019


14 comentários em “G-K: Crescimento da produtividade e desemprego no curto prazo”

  1. Como muito bem colocado pelo grupo, com a queda no nível de emprego, num contexto de progresso tecnológico e um aumento da produtividade, seria razoável esperar uma queda no nível de demanda agregada e do nível de produto. Contudo, como visto no gráfico, isso não se confirma, dada a forte relação positiva entre a variação da produtividade no trabalho e o crescimento econômico. Porém, ao observamos as variações no mesmo gráfico, observamos um comportamento curioso: no período de 1968 a 1973, a diferença entre Crescimento Econômico e Produtividade se torna bruta. Anteriormente e posteriormente a esse período, as duas curvas se mantinham próximas e, por isso, variaram a uma taxa próxima. O período de bruta diferença entre as curvas de que estamos falando é conhecido como “milagre” econômico brasileiro, dado o absurdo crescimento econômico visto.

    As hipóteses estudadas para explicar esse comportamento tão excepcional dividem-se em 3 linhas: a primeira enfatiza a importância da política econômica do período, com destaque para as políticas monetária e creditícia expansionistas e os incentivos às exportações; a segunda confere esse grande crescimento ao ambiente externo favorável, devido à grande expansão da economia internacional; e a terceira atribui às reformas fiscais/tributárias e financeira do período.

    O paper “Determinantes do “milagre” econômico brasileiro (1968-1973): uma análise empírica” de co-autoria de Fernando A. Veloso, André Villela e Fabio Giambiagi, analisou essas três hipóteses. E, por meio de uma metodologia de regressões de crescimento com dados de painel, concluiu que o ‘’milagre’’ se deve em maior parte à ultima linha citada, ou seja, às reformas associadas ao PAEG, Programa de Ação Econômica do Governo do Governo Castello Branco.
    Vale a pena a leitura do paper: http://ref.scielo.org/gbtmh8

  2. Um dos tópicos abordados pelo grupo é a relação entre produtividade e taxa de desemprego e salário real. Analisando o gráfico trazido, especificamente no período da década de 1990, podemos ver um crescimento das curvas de produtividade e crescimento após – dentre o espaço temporal descrito no gráfico – seu ponto de maior queda, durante toda a década de 1980, o qual poderia ser explicado pelo período de recessão, evidenciado por queda da taxa de crescimento, com variação em volume do PIB de 9,2 para -4,3, de 1980 para 1981. O período subsequente, de aumento do crescimento e da produtividade, tem essa característica haja vista a abertura comercial, série de privatizações e estabilidade da moeda. Com a abertura comercial houve um aumento da produtividade, e consequentemente uma diminuição nos custos de produção o que refletiu numa redução dos preços dos bens de consumo, a qual teve influência sobre o salário real.
    Pelo segundo gráfico, que mostra a dinâmica de comparação entre salários reais e taxa de desemprego, deveríamos pensar então que caindo os preços dos bens, ou seja, a linha horizontal da fixação de preços indo para baixo, a taxa equivalente de desemprego aumentaria. Foi o que aconteceu historicamente. Com a abertura econômica e políticas mais liberais sem uma base econômica forte – afinal o país vinha de um período de recessão no final da década de !980 – mesmo com diversos incentivos para a qualificação laboral, que seriam efetivos em caso de desemprego friccional, a taxa de desemprego aumentou.
    Uma análise mais detalhada do tema pode ser encontrada no paper abaixo: http://www.scielo.br/pdf/rec/v9n3/v9n3a02.pdf
    O Artigo publicado na revista abaixo também contém uma explicação para a taxa de desemprego evidenciado no período: http://www.revistas2.uepg.br/index.php/emancipacao/article/view/58/56

  3. Algo interessante no post, é que pela igualdade N = y/A teríamos que ter uma diminuição do emprego ao um dado aumento do progresso tecnológico. Mas, isso depende de muita mais coisas, em especial da velocidade de ajuste de expectativas dos agentes. Como dito no texto, os formadores de preços se ajustam mais rápidos, mas, geralmente, os formadores de salários se ajustam muito lentamente. Isso causa um efeito na taxa de desemprego, seja de aumento ou diminuição. Se há aumento de A e a A^e não sobe tal rapidamente, esse ajuste de A^e não será suficiente para retornar a taxa de desemprego natural de volta a original, tendo assim uma queda. Sobre os dados, devemos falar da alta taxa de crescimento que experimentamos entre década de 60 a início da década de 70. Foi a época da Ditadura Militar, tendo o Médici como presidente no período. Nesse governo, houve grandes desenvolvimentos industriais e de infraestrutura no Brasil, o que alavancou o nossa produção. Contudo, após 73 a taxa decai, pela grande inflação deixada pelo período.

  4. É interessantes vermos também os dados para o Brasil sobre a produtividade total dos fatores. Segundo um estudo do Insper houve um distanciamento da produtividade brasileira em comparação com a produtividade americana entre 1994 e 2016. Saindo de 69% em 1996 para 48% em 2014. Enquanto outros países emergentes conseguiram reverter a trajetória descendente de sua produtividade, o Brasil piorou consideravelmente nos últimos anos registrados pela pesquisa, piorando consideravelmente desde 2011. O presidente do Insper, Marcos Lisboa, comentou na apresentação do relatório: “A nossa capacidade de transformar trabalho em renda vem caindo há muito tempo. Não é problema de um ou dois governos, é problema do país há décadas. Mas desde 2011 esse problema vem se agravando muito. Ameaçamos uma recuperação da produtividade a partir de 2002 e 2003, mas a partir de 2010 fizemos alguma coisa muito errada que a nossa produtividade voltou a cair em relação ao resto do mundo”.
    Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/a-produtividade-no-brasil-e-pior-hoje-do-que-era-em-1994-entenda-por-que-9tllryugr6e6esi5gu8huum2d/

  5. Este é um assunto bastante interessante debatido há pelo menos 2 séculos. Como o aumento da produtividade afeta o emprego? Seria bastante interessante ver um gráfico de dispersão que tem em um eixo a variação da produtividade e a variação do desemprego, assim teríamos uma visão ainda mais empírica deste mecanismo. Do ponto de vista da história do pensamento econômico, certamente esta questão acalorou muitos debates entre homens das letras. Karl Marx, o célebre filósofo alertou sobre os perigos do acúmulo de capital e do aumento exacerbado da produtividade. Marx viveu em um momento em que as máquinas substituíam o emprego dos humanos, justamente por aquelas serem mais produtivas. Passamos por invasões e depredação coletiva de fábricas, negociações com sindicatos… depois de quase dois séculos, talvez tenhamos mais capacidade de avaliar os verdadeiros impactos de longo prazo da produtividade sobre o emprego. Parece que há um mecanismo lento de reajuste, realocação produtiva que mantém as coisas mais ou menos equilibradas. O ser humano parece sempre ser capaz de construir novas coisas pelas quais temos interesse. Afinal, o problema da escassez de bens básicos como alimentos e moradia foi resolvida em muitos países do mundo, desde a revolução industrial. A produção destes bens básicos envolve pouquíssimo emprego proporcionalmente ao passado. Mas surgiram novos mercados, outras novas demandas. Há uma espécie de natureza insaciável em nós que sempre cria novas demandas e um mecanismo espontâneo e orgânico que realoca os recursos que estão disponíveis para o lado da oferta. Talvez produtividade e desemprego sejam correlacionados no curto prazo… porém percebemos que no longo prazo esta conexão não é tão evidente.
    Gostaria de, para finalizar, chamar atenção para a curva de crescimento do PIB no Brasil depois do “milagre econômico da década de 70” tivemos uma abrupta queda da década seguinte. O quanto de fato as reformas dos governos militares produziram efeitos sustentáveis de longo prazo, relacionados a fatores reais? De fato houve uma expansão no capital físico, com a construção de rodovias, usinas… porém, de acordo com o paper citado pelo Artur Minussi, os verdadeiros efeitos para o crescimento foram muito mais metafísicos: a reformulação do sistema financeiro, uma tentativa de conter a inflação, atração de investimentos externos. Vale mencionar que os governos militares pouco sabiam sobre a importância da formação de capital humano para a prosperidade de um país.O Brasil passou pela típica modernização conservadora: construiu pontes, rodovias, transamazônicas… mas não conseguiu educar seu povo para criar soluções inteligentes… a eficiência vem da descentralização. Não adianta construir capital físico para O BRASIL. Esta mentalidade positivista nos atrasou.. precisamos educar as pessoas para que, aí sim, elas consigam fazer algo “pelo Brasil”. Até quando vamos ser macunaímas? Com um braços e peitorais peludos e fortes… mas com uma cabecinha de criança que só pensa em “brincar”? Muita Saúva, Pouca Saúde, os Males do Brasil São, como diria o profético poeta Mário.

  6. O post aborda as relações entre produtividade e o mercado de trabalho (emprego e desemprego).
    Dessa forma, segundo um estudo assinado pelas técnicas de Planejamento e Pesquisa do Instituto Fernanda De Negri e Carolina Andrade Silva, foi realizada uma análise detalhada do comportamento do mercado formal de trabalho brasileiro entre 2008 e 2013, mesmo periodo do gráfico ilustrado no post.
    Nesse estudo as autoras partem das evidências disponíveis de que o baixo crescimento da economia brasileira nos últimos anos não parece ter afetado significativamente o mercado de trabalho.
    Em suma, o baixo crescimento da atividade econômica nos anos de 2010 – 2013 não haviam apresentado impactos significativos sobre o mercado de trabalho.
    As hipóteses para explicar essa espécie de “imunidade” do mercado de trabalho ao baixo crescimento dos últimos anos são várias. A rigidez do mercado de trabalho pode levar ao surgimento de defasagens entre o fraco desempenho da economia e e o nível de emprego, uma vez que as empresas demoram a responder a essas mudanças e não demitem seus funcionários uma vez que substitu-los seria difícil e custoso. Outra hipótese comumente levantada para explicar a resistência da taxa de desemprego em um cenário adverso é o fato de que existem pessoas saindo do mercado de trabalho nos anos após 2008/2009. Dessa forma, mesmo com a redução na geração de empregos, a taxa de desemprego permanece estável porque menos pessoas estão procurando ocupação.
    Isso nos mostra que sendo o crescimento da atividade economica baixo, a produtividade também é baixa por conta da relação proporcional apresentada no post, mas esse fato não afeta de maneira significativa a taxa de desemprego por existir rigidez nas relações e portanto afeta as expectativas e as mudanças levam a impactos que demoram a aparecer.
    Além disso, as autoras concluiram que os empregos que mais cresceram nessa fase de pós crise mundial foram as de professores, especialmente professores do ensino fundamental, e as de profissionais de saúde. O que nos faz pensar que em períodos de dificuldades economicas há busca pela educação e saúde, aspectos que influenciam na eficiencia do tabalhador, buscando melhorar o A apresentado pelo post.

  7. Fiquei um pouco em duvida com uma parte do texto, onde é dito : “De acordo com o gráfico, um aumento da produtividade desloca as curvas de fixação de salário e de fixação de preços na mesma proporção e, portanto, não exerce nenhum efeito sobre a taxa natural de desemprego.” Mas no gráfico temos um un’ > un, semelhante ao caso em que demora um tempo para os trabalhadores ajustarem suas expectativas, e uma desaceleração do crescimento da produtividade leva a um aumento da taxa natural de desemprego momentaneamente.

  8. Podemos notar no gráfico que relaciona crescimento econômico e variação da produtividade no Brasil que em 1981-92 tivemos os piores índices do tipo, atingindo 1,4% de crescimento econômico e -0,6% de produtividade, num contexto que chamados de “Década Perdida” e ao que parece, estamos voltando á década de 1980 com uma produtividade persistentemente baixa saindo da 48a posição no ranking mundial da produtividade de 2006 para a 82a em 2016 e ainda em meio a crise, “as empresas acabam reduzindo a escala de operação, as instalações são subutilizadas e isso reduz a produtividade” segundo Robson Gonçalves ( economista e professor dos MBAs da FGV) para a Gazeta Online (https://www.gazetaonline.com.br/noticias/economia/2017/05/de-volta-aos-anos-80-produtividade-do-trabalho-estagnada-no-pais-1014055004.html)
    Temos que nos atentar as baixas taxas de inovação, a infraestrutura inadequada e o baixo grau de abertura da economia, de acordo com José Ronaldo Souza Júnior (diretor de macroeconomia do IPEA), também para o artigo supracitado.

  9. Como apresentado pelo livro-texto, mesmo que de forma simplificada, um crescimento econômico mais elevado é justificado pela acumulação de capital, pelo progresso tecnológico e por investimentos em variáveis relacionadas ao capital humano como: educacação e pesquisa e desenvolvimento. Variáveis entrelaçadas a um nível de Produtividade e Eficiência mais elevados. Também é importante ressaltar a Taxa de Poupança, pois apesar de não ter nenhum efeito sobre a Taxa de Crescimento do PIB per Capita, a Taxa de Poupança determina o nível de Produto por Trabalhador no Longo Prazo. Contudo, quando observamos os dados de certos países como a Coréia do Sul, é possível fazer uma conexão sobre a variação de suas respectivas variáveis do crescimento e o desenvolvimento vertiginoso deste país ao longo do tempo.
    De acordo com dados levantados pelo Banco Mundial. A Coréia do Sul possui uma Taxa de Poupança de aproximadamente 36%, valor acima das taxas de poupança dos EUA e Europa. Cerca de 7.1 pessoas por habitantes são pesquisadores que trabalham com Pesquisa e Desenvolvimento, sendo o quarto país do mundo com mais pesquisadores nessa área. A despesa como fração do PIB em pesquisa e desenvolvimento é de cerca de 4,2%, sendo a segunda maior do mundo, atrás apenas de Israel.
    Com base em poucos dados, ainda assim é possível ver que países que se destacam no mundo à respeito dessas variáveis, são aqueles que apresentam os maiores índices de PIB per Capita e IDH.
    Referências:
    https://data.worldbank.org/indicator/NY.GNS.ICTR.ZS?fbclid=IwAR0YgBaXA9KZ9yzLL8c5GMKtRD52oQkjeuHyFUu9kFdH4TJC8Z-IACB7d5M
    https://data.worldbank.org/indicator/SP.POP.SCIE.RD.P6?fbclid=IwAR2uXuvAapZuybphNRZXs4OBzhqB8l30clZ_hCZFKFV_Tmqj_RpBHRGPOE8&locations=KR&most_recent_value_desc=true
    https://data.worldbank.org/indicator/GB.XPD.RSDV.GD.ZS?fbclid=IwAR1p6uqLqQZxYo–J37P5WducDn8HwQxgFB8qSb8dj3sVJbEjOoSsXtFRjY&locations=KR&most_recent_value_desc=true

  10. Como apresentado pelo livro-texto, mesmo que de forma simplificada, o crescimento econômico pode ser definido como proveniente da acumulação de capital, do progresso tecnológico, e de variáveis relacionadas ao acúmulo do estoque de capital humano como: Investimento em Pesquisa e Desenvolvimento e educação, variáveis que estão entrelaçadas a níveis mais altos de Produtividade e Eficiência. Também é importante ressaltar a taxa de poupança, pois apesar de não ter nenhum efeito sobre a taxa de crescimento do produto por trabalhador efetivo no longo prazo, a taxa de poupança determina o nível de produto per capita no longo prazo.
    Contudo, quando observamos os dados de países como a Coréia do Sul, é possível estabalecer conexões entre os níveis de suas respectivas variáveis do crescimento com o crescimento vertiginoso deste país.
    De acordo com os dados levantados pelo Banco Mundial. A Coréia do Sul possui uma taxa de poupança de aproximadamente 36% do PIB, valor superior aos de EUA e Europa. O número de pesquisadores na área de pesquisa e desenvolvimento é em cerca de 4,2% do total da população, sendo o quarto país do mundo com maior número de pesquisadores que atuam nesta área. E por fim, a despesa com pesquisa em desenvolvimento como fração do PIB é em cerca de 4,23%, sendo o segundo país do mundo com maior direcionamento do PIB para esta área, estando apenas atrás de Israel.
    Contudo, mesmo com poucas variáveis, é possível percerber que os países que se destacam em relação aos demais nas variáveis do crescimento são aqueles que possuem maiores níveis de PIB per Capita e IDH.

    Referências:
    https://data.worldbank.org/indicator/NY.GNS.ICTR.ZS?fbclid=IwAR0YgBaXA9KZ9yzLL8c5GMKtRD52oQkjeuHyFUu9kFdH4TJC8Z-IACB7d5M&most_recent_value_desc=true
    https://data.worldbank.org/indicator/SP.POP.SCIE.RD.P6?fbclid=IwAR2uXuvAapZuybphNRZXs4OBzhqB8l30clZ_hCZFKFV_Tmqj_RpBHRGPOE8&locations=KR&most_recent_value_desc=true
    https://data.worldbank.org/indicator/GB.XPD.RSDV.GD.ZS?fbclid=IwAR1p6uqLqQZxYo–J37P5WducDn8HwQxgFB8qSb8dj3sVJbEjOoSsXtFRjY&locations=KR&most_recent_value_desc=true

  11. Como apresentado pelo livro-texto, mesmo que de forma simplificada, o crescimento econômico pode ser definido como proveniente da acumulação de capital, do progresso tecnológico, e de variáveis relacionadas ao acúmulo do estoque de capital humano como: Investimento em Pesquisa e Desenvolvimento e educação, variáveis que estão entrelaçadas a níveis mais altos de Produtividade e Eficiência. Também é importante ressaltar a taxa de poupança, pois apesar de não ter nenhum efeito sobre a taxa de crescimento do produto por trabalhador efetivo no longo prazo, a taxa de poupança determina o nível de produto per capita no longo prazo.
    Contudo, quando observamos os dados de países como a Coréia do Sul, é possível estabalecer conexões entre os níveis de suas respectivas variáveis do crescimento com o crescimento vertiginoso deste país.
    De acordo com os dados levantados pelo Banco Mundial. A Coréia do Sul possui uma taxa de poupança de aproximadamente 36% do PIB, valor superior aos de EUA e Europa. O número de pesquisadores na área de pesquisa e desenvolvimento é em cerca de 4,2% do total da população, sendo o quarto país do mundo com maior número de pesquisadores que atuam nesta área. E por fim, a despesa com pesquisa em desenvolvimento como fração do PIB é em cerca de 4,23%, sendo o segundo país do mundo com maior direcionamento do PIB para esta área, estando apenas atrás de Israel.
    Contudo, mesmo com poucas variáveis, é possível percerber que os países que se destacam em relação aos demais nas variáveis do crescimento são aqueles que possuem maiores níveis de PIB per Capita e IDH.

  12. Parabéns ao grupo pelo post!

    O modelo de Solow é um modelo neoclássico de crescimento. Enfatizando o que o grupo disse, segundo esse modelo, o crescimento econômico é determinado pela taxa de acumulação de fatores de produção (capital e trabalho) e pelo ritmo de crescimento da produtividade do trabalho (progresso tecnológico).

    Gostaria de fazer um pequeno adendo sobre a demanda agregada: A demanda agregada é importante apenas para explicar os desvios do PIB real com respeito a tendência de longo-prazo, ou seja, aquilo que os economistas chamam de “ciclo econômico”.

    Creio que poderíamos complementar ao que foi exposto com uma reflexão sobre as consequências que uma elevação do estoque de capital tem de imediato sob uma economia: Uma redução da produtividade marginal do capital e uma elevação da produtividade marginal do trabalho.

    Essas duas primeiras consequências me parecem bem razoáveis. No entanto, há uma outra, que me aparenta estar desconexa com a realidade. Segundo o modelo, a concorrência entre os donos dos fatores de produção faz com que os mesmos sejam remunerados de acordo com as suas produtividades marginais e, portanto, segue-se que a taxa de salário real iria aumentar (ao passo que a taxa de lucro iria se reduzir) se houvesse uma elevação da produtividade.

    Isso me soa minimamente estranho… Tendo a duvidar da premissa de que os salários apresentam uma correlação linear elevada com a produtividade ao ponto de as empresas diminuirem a sua taxa de lucratividade ao mesmo passo que o salário real do trabalhador aumenta.

    Quanto a isso, creio que o grupo pontuou bem que as evidências empíricas mostram que muitas vezes esse equilíbrio ocorre de uma maneira diferente.

  13. Gostaria de acrescentar a discussão outro ponto importante. Enquanto estamos aqui demonstrando como o aumento da produtividade afeta o emprego no curto prazo, temos uma questão bastante relevante: qual os impactos no longo prazo? Será que grandes diferenças entre o produto per capita de países desenvolvidos e de emergentes se dá majoritariamente por isso? No Gráfico 1 do artigo “O Brasil em Comparações Internacionais de Produtividade:
    Uma Análise Setorial”¹ podemos perceber uma relação positiva entre produtividade e produto per capita, o que converge com o que estudamos em aula e no livro-texto.
    Em média, a produtividade brasileira é cerca de 1/6 da estadunidense. Há certa argumentação que tal fato se deve a grande alocação brasileira para a agropecuária (17,4% da população ocupada está nesse setor, em comparação com 0,9% nos EUA), dado que a produtividade nesse setor tende a ser menor.
    Todavia, quando comparamos o setor de serviços, a produtividade brasileira ainda é menos de 1/5 da estadunidense. Se tivéssemos, em todos os setores, a mesma produtividade dos EUA, nossa produtividade aumentaria 430%, enquanto aumentaria 68% caso nossa alocação em diferentes setores fosse igual aos EUA.
    Isso pode se dar devido ao grande número de firmas ineficientes no país, em que há grande burocracia para abrir e fechar uma empresa. Portanto, medidas que aumentem a produtividade, apesar de, no curto prazo, terem efeitos no mercado de trabalho que dependem das expectativas dos trabalhadores (se o aumento de produtividade esperado for maior que o real, o desemprego sobe), no longo prazo, o aumento de produtividade é benéfico para a sociedade.

    ¹http://www.fgv.br/professor/epge/ferreira/ProdutividadeSetorialFinal.pdf

  14. O Brasil sempre investiu de forma inconstante e em quantidade insuficiente os recursos públicos federais e estaduais no desenvolvimento de ciência e tecnologia (com exceção do estado de São Paulo), o que sempre preocupou a comunidade científica e empresarial do país. Além disso, o setor empresarial também investiu e ainda continua investindo muito timidamente, ao contrário do que ocorreu nos modelos de países como a Coréia do Sul.

    Apesar disso, houve no Brasil um grande avanço científico nos últimos trinta anos. A iniciativa consistente para construir a competência científica, através do treinamento de pessoal qualificado dentro e fora do país, foi indiferente às oscilações político-econômicas, tanto em nível federal como estadual: hoje o Brasil responde por 1,3% dos artigos científicos publicados em revistas indexadas internacionais. Estabeleceu-se ainda no país uma forte estrutura de pós-graduação, responsável pela formação de cerca de 10 mil doutores por ano e que, em trinta anos, levou o Brasil a triplicar sua contribuição científica relativa no mundo.

    É sabido, contudo, que a produção científica não gera como conseqüência imediata a produção tecnológica, o que pode ser comprovado pelo reduzido número de patentes depositadas por universidades e institutos de pesquisa brasileiros no exterior (cerca de cem patentes por ano, ao passo que a Coréia chega a 2 mil patentes por ano). De fato, o desenvolvimento científico não gera automaticamente o desenvolvimento tecnológico com inovação. Inovação ocorre na empresa ou com a empresa. Há necessidade premente de alterar esse cenário, através de ações de políticas públicas bem planejadas, constantes e de longo prazo, realizadas em parceria com o setor privado industrial de modo a possibilitar o desenvolvimento tecnológico. A aprovação e a regulamentação da Lei de Inovação em 2005 estabeleceram regras para efetivar uma parceria produtiva entre os setores público e privado que pode beneficiar ambas as partes, com consequentes resultados positivos.

    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-33002007000200002

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