Mercados Financeiros

Do Mercado Financeiro, Bolsa de Valores e Ações.

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Autores: Grupo 4 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

“O Mercado Financeiro torna possível o comércio de mercadorias, câmbio e valores mobiliários, permitindo a angariação de capital, transferência de risco e o comércio internacional. Exerce, portanto, um papel primordial no entendimento da economia. Ele é composto pelo Banco Central do Brasil, que executa as normas do Conselho Monetário Nacional, Comissão de Valores Mobiliários e Instituições Financeiras, nas quais encontramos as bolsas de valores, sendo a B3 – Brasil, Bolsa, Balcão: resultado da fusão da BM&FBOVESPA e a prestadora de serviços financeiros Cetip- a única do Brasil.

A bolsa de valores organiza as negociações de ações e títulos em um ambiente seguro, garantindo que o investidor ou a empresa recebam o dinheiro que decorreu do encontro das empresas que abriram capital com os investidores. Sua segurança e eficiência decorre da existência da CBLB (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia), uma empresa com fins lucrativos, filiada à B3 e responsável pela tutela das ações e títulos privados no mercado financeiro.

As ações estão divididas em dois grupos gerais: as ações ordinárias e as ações preferenciais. Todas são nominativas, o que significa que seu detentor é identificado nos livros de registro da empresa. As Ordinárias Nominativas (ON) são aquelas que possibilitam ao acionista, além do lucro, o direito de voto nas assembleias. Esses tipos de ações geralmente são menos procurados que as Preferenciais Nominativas (PN) – as quais visam somente ao lucro- são dificilmente negociadas por seus donos e, logo, possuem menor liquidez.

É fundamental salientar a importância das corretoras, que exercem o papel fundamental de intermediar as negociações entre os compradores, os vendedores e a bolsa no mercado primário. Pode-se presumir (incorretamente) que o intervalo entre as operações do mercado primário e secundário é grande; porém, a ferramenta denominada Home Broker torna possível que grande parte das negociações ocorram de forma automática e independentes da mesa de operações. A rapidez e eficiência tornam possível o processo de alavancagem, empregado nas operações de mercado futuro (operações de curto prazo) ou nas de day trade (vão até o encerramento do pregão do mesmo dia).

Embora os rendimentos obtidos na bolsa sejam formidáveis, ainda é muito pequena a parcela de brasileiros que investem em ações. Isso se deve, em parte, à insegurança por não entender e conhecer os mecanismos do mercado financeiro. Por isso, grande parte do volume de transações da Bovespa é negociado por investidores estrangeiros. Há uma tendência, porém, para que isso mude. A BM&FBOVESPA divulgou em 2016 números que expressam a participação de pessoas físicas investindo. A quantidade de investidores, que em 2002 era de 85.249 pessoas, passou a ser quase 560.000 pessoas. Um crescimento de mais de 6x.

Expressões como “a bolsa fechou em alta” ou “houve queda na bolsa” estão relacionadas ao Ibovespa, um indicador de desempenho médio em tempo real das cotações de ações e “pacotes de ações” das companhias de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações brasileiro – como Bradesco, Itaú Unibanco, Vale e Ambev. O índice considera instantaneamente os preços de todos os negócios efetuados no mercado à vista (lote padrão) envolvendo as ações que compõem a carteira de ativos deste indicador.

Ao analisar o livro de ofertas de compra, percebe-se que existem ofertas a diferentes preços, uma vez que investidores querem comprar a preços distintos. Neste caso, a oferta que traz o preço mais alto aparecerá em primeiro lugar, no topo da lista, e o valor de uma ação é determinado pelo preço do último negócio fechado: se vale 10 reais, isso quer dizer que a última negociação foi feita por esse valor.

Ao conduzir o encontro dos poupadores e dos investidores, então, o mercado de ações incentiva a geração de poupança de longo prazo, a qual tem importância incontestável no processo de crescimento sustentado da economia e no aumento da saúde financeira das empresas.”

Referências: http://www.lomecard.com.br/como-funciona-a-bolsa-de-valores-aprenda-a-investir/

http://www.infomoney.com.br/

https://www.bcb.gov.br/pt-br/#!/home

https://app.tororadar.com.br/universidade/#/cursos/

http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/index.htm

http://br.advfn.com/indice/ifix

 

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Câmbio, Mercados Financeiros, Política Monetária

H-ECO: Volatilidade nas taxas de câmbio no Brasil e na américa latina: teoria e prática

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A teoria

Sabemos que a taxa de câmbio nominal no curto prazo responde à paridade de juros descoberta, sendo esta uma consequência da livre mobilidade de capitais no qual os agentes podem alocar seus recursos entre os diversos ativos internacionais e os ativos domésticos. Para alocar os recursos em algum ativo estrangeiro, é necessário fazer a conversão de moeda doméstica para a estrangeira em questão; esta demanda por moeda estrangeira vai ser satisfeita por uma oferta de moeda estrangeira, sendo formado neste mercado o preço da moeda externa em relação à interna. Ou seja, na alocação de recursos entre ativos domésticos e estrangeiros, os agentes alterarão suas demandas relativas por moedas interna e externa, e isso fatalmente alterará a taxa de câmbio vigente (sendo, portanto, um determinante para sua volatilidade), tudo isso em um regime de câmbio flexível, é claro.

A relação de paridade de juros abaixo foi retirada a partir do livro de Macroeconomia de Blanchard (2011); it é a taxa de juros doméstica; it* é a taxa de juros externa. A taxa de câmbio está definida em termos da moeda estrangeira.

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A prática

No Brasil, em 1994, com a implementação do Plano Real foi preciso ter o câmbio como âncora nominal da nova moeda. Em teoria isso seria um regime de cambio fixo; na prática foi um crawling-peg com pequenas desvalorizações . O Banco Central brasileiro enfrentou expectativas de desvalorização nas crises do México (1994), da Ásia (1997), da Rússia (1998) e no Brasil (1999), sendo que um pouco após esta última mudou-se o regime para um câmbio flutuante. Os momentos de crise são bem flagrados no movimento ascendente do câmbio brasileiro observado no gráfico abaixo a partir de 1994.

A crise da Argentina tem uma forte relação com a inflação durante a década de 90, período em que o país passa a adotar o currency board como regime cambial na tentativa de conter a inflação. Isto explica a estabilidade da taxa de câmbio neste país até 2001, já que neste regime a oferta de moeda doméstica é determinada pela disponibilidade de moeda estrangeira, sendo ambas trocadas a uma taxa fixa.      

Cunha & Gala (2006) relatam que a partir da crise da Ásia em 1997 houve uma significativa queda na oferta de financiamento externo para  economias emergentes, afetando a economia chilena à medida que os países asiáticos respondiam por um terço das exportações e o preço do cobre sofreu forte queda. A grande saída de capitais para países desenvolvidos, que se iniciou em 1997, intensificou-se em 1998 e 1999 com a crise na Rússia e no Brasil. O efeito sobre o regime de bandas cambiais foi a depreciação da taxa nominal, conforme se observa no gráfico abaixo.

A crise do México ocorre em 1994 com uma desvalorização do peso mediante instabilidade política, afetando o câmbio em outros países na América Latina, entre eles o Brasil, no denominado ‘’efeito Tequila’’, tal como relatado por Mishkin. Percebe-se um movimento ascendente do câmbio mexicano a partir de 1994 no gráfico abaixo.

Assim, vê-se como a taxa de câmbio nominal nos países emergentes são muito suscetíveis a crises externas, sendo este um aspecto em comum nestes países. Um exemplo recente é a crise financeira de 2007/2008, no qual houve fuga de capitais no período mais acentuado da crise, refletindo em um aumento da taxa de câmbio (medido em termos da moeda doméstica) devido à queda da demanda por ativos domésticos. No gráfico abaixo vê-se claramente o aumento do câmbio em todos os países em 2008.

 

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Referências

BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 5ª edição. São Paulo: Ed. Pearson, 2011

http://eesp.fgv.br/sites/eesp.fgv.br/files/310.pdf (Cunha & Gala, 2006)

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.”

 

Câmbio, Mercados Financeiros, Política Monetária

H-Ecec: Volatilidade da taxa de câmbio nominal

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“A alta volatilidade das taxas de câmbios surpreende muitas pessoas. Há cerca de 30 anos, os economistas geralmente acreditavam que as taxas de câmbio formadas pelo mercado não estariam sujeitas a altas flutuações nos seus valores. Todavia, experiências recentes provaram o contrário. É possível observar dados que comprovam que as taxas de câmbio durante a década de 90 do século passado e início desse século têm sido muito voláteis.”

A abordagem do mercado de ativos para a determinação da taxa de câmbio, esboçada no capítulo 17 do Mishkin, nos dá uma explicação da volatilidade das taxas de câmbio. Como a apreciação esperada da moeda doméstica afeta o retorno esperado dos ativos domésticos, as expectativas sobre o nível de preço, inflação, barreiras comerciais, produtividade, importação, exportação e a oferta de moeda desempenham funções importantes na determinação da taxa de câmbio.

Quando as expectativas sobre qualquer uma dessas variáveis mudam, e elas mudam com frequência, o modelo apresentado por Mishkin indica que o retorno esperado dos ativos domésticos e, por consequência, a taxa de câmbio, será imediatamente afetada.

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A volatilidade da taxa de câmbio também se vincula com a volatilidade de outras variáveis. Um viés é atribuído em relação à instabilidade da taxa de juros de economias emergentes, uma vez que esses países incorrem em escolher se devem manter grande a variabilidade na taxa de câmbio ou na política monetária por meio da taxa de juros. Nesta perspectiva, embora se permita certo grau de variação em ambas, os governos preferem manter a taxa de câmbio mais estável, o que culmina na permissão da variabilidade da taxa de juros para que isso seja garantido (CALVO; REINHART, 2000).

No caso dos BRICS, embora seja possível delinear semelhanças nos países, inclusive enquadra-los como economias emergentes, os regimes cambiais adotados por eles são diferentes. A China administra o câmbio de forma a manter quase fixa sua moeda frente a uma cesta internacional de moedas. O Brasil, Rússia, Índia e África do Sul, por sua vez, são caracterizados por operarem regimes de câmbio flutuante.

A figura abaixo evidencia a evolução da taxa de câmbio nos BRICS à luz da recente crise financeira mundial, permitindo destacar sinais de diferentes graus de intervenção nas taxas de câmbio destes países.

 

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Dos países que adotam o regime de câmbio flutuante, observa-se valorização da moeda doméstica em relação ao dólar até meados de 2008, quando um movimento de desvalorização tomou forma e manteve-se até o início de 2009. Posteriormente, as taxas de câmbio destes países voltaram a registrar valorização, ao passo que na China, onde o regime cambial é administrado, houve tendência de lenta valorização do câmbio até julho de 2008. Destaca-se no caso da moeda chinesa que houve pouca alteração significativa, o que pode ser justificado pela política de compra de dólares.

Após o final de 2008, percebe-se que as moedas de cada país do grupo sofreram desvalorização, enquanto a China sofre baixa valorização, destoando do padrão dos demais BRICS. A moeda brasileira registrou grande impacto da crise, considerando o movimento súbito mais intenso entre os BRICS, seguido pela África do Sul e a Rússia. Desta forma, destaca-se menor “turbulência” no caso da China e da Índia, em que se registram movimentos mais suaves na resposta da taxa de câmbio. Por um lado, a baixa volatilidade da taxa de câmbio da China não surpreende devido ao regime de câmbio administrado, mas, por outro lado, o fato da Índia conduzir uma taxa de câmbio flutuante e ainda registrar estabilidade similar ao da China, embora em sentido de valorização opostas, ganha destaque.

A administração da taxa de câmbio na China tem sido possível, portanto, tanto pelo enorme volume de reservas internacionais, quanto da existência de controles na entrada e saída na conta de capitais, sobretudo através de proibições e limites quantitativos (PAULA, 2005).

REFERÊNCIAS:

  1. MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets – 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.
  2. ESTUDO PÓS-KEYNESIANO DO COMPORTAMENTO RECENTE DA TAXA DE CÂMBIO NOS BRICS Leandro Vieira Lima Araújo Lívia Carolina Machado Melo Luana Naves Ferreira Silva.(https://s3.amazonaws.com/acadex.articles/Articles/56dc40a45c68c1e60f634dfe-fileIdentified.pdf)
  3. Calvo, Guillermo A. and Reinhart, Carmen M. Fear of Floating. NATIONAL BUREAU OF ECONOMIC RESEARCH, 2000. (http://www.nber.org/papers/w7993.pdf)”
Câmbio, Mercados Financeiros

G-Eco: Sobre a Paridade do Poder de Compra (PPC) e sua validade no Brasil

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O conceito de Paridade do Poder de Compra (PPC) consiste em comparar efetivamente uma quantidade de produtos que possa ser comprada em diferentes moedas, sendo estas convertidas a uma (e em comparações internacionais esta costuma ser o dólar), chegando, assim, a elucidar de modo comparativo, o poder de compra de cada moeda. Parece um conceito distante de qualquer realidade, mas há um exame de comparação realizado anualmente pela revista The Economist chamado Índice Big Mac que nos auxilia a entender este conceito: tal índice compara as quantidades necessárias de moeda em diferentes países para a aquisição do lanche padrão no McDonalds.

            Através da análise internacional da PPC podemos chegar a uma aproximação maior do custo de vida dos diversos países. A crítica existente a este conceito ocorre por dois motivos: 1) as chamadas “cestas de produtos” não são uniformes entre os países e 2) as flutuações não ocorrem em níveis uniformes (ambos geram dificuldade em se realizar uma adequada comparação).

            A PPC não é um conceito direto e fechado – “é válida ou não” –, pois divide-se em duas vertentes: a versão absoluta afirma que um bem deve ter o mesmo preço em dois países caso os preços estejam sendo expressados em uma mesma moeda, enquanto a versão relativa sinaliza que a razão de preços existente para um mesmo bem em países diferentes deve ser constante ao longo do tempo (CASSEL, 1922).

            Uma vez que a PPC se relaciona à taxa de câmbio, é notável o efeito de valorização ou desvalorização cambial sobre nosso poder de compra: quando da valorização de nossa moeda, temos um aumento do poder de compra – e o contrário também é verdadeiro, ceteris paribus. Ilustrativamente: desde o início dos anos 2000, temos, então, uma redução no poder de compra quando da eleição de Lula em 2002 (quando o dólar chegou a ultrapassar R$4,00), um aumento considerável durante o segundo mandato de Lula (entre 2007 e 2010, com o dólar a menos de R$2,00) e, mais recentemente, uma queda do poder de compra entre o final de 2014 e o primeiro trimestre de 2016 (dólar de R$2,30 para R$ 4,15).

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 Cambio X Paridade entre Abr. 2000 e Out. 2014

             Seria válida a PPC no caso brasileiro? Alguns estudos discutem este caso através de métodos econométricos e chegam ao entendimento de que isso não possa ser confirmado (ao menos na forma absoluta de PPC):

             Freixo & Barbosa (2004) aplicam o modelo não linear auto regressivo com transição suavizada (STAR) à taxa de câmbio brasileira entre 1959 e 2004, logo após apresentarem um levantamento da literatura sobre PPC; a tese de que a PPC seria válida para o caso brasileiro é rejeitada justificando-se que a partir da análise realizada o que se encontra é que a taxa de câmbio brasileira apresenta comportamento “explosivo” quando próxima da paridade e “estacionário” quando o equilíbrio de longo prazo se encontra distante;

 Palaia & Holland (2010) também desenvolvem um levantamento de literatura e uma série de testes econométricos, chegando ao entendimento da não validade absoluta do conceito de PPC.

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                            Valor do dólar e taxas de juros, 1973-2008

Através do gráfico acima podemos acompanhar como a taxa de câmbio efetiva está muito mais alinhada com a taxa de juros reais do que com a taxa de juros nominais.  Assim, podemos verificar que nem sempre uma alteração na taxa de juros gera efeitos na taxa de câmbio, isso devido ao componente de expectativa de inflação embutido na taxa de juros nominal pela equação de Fisher.

Cabe ressaltar no gráfico que na crise financeira de 2007-2008 houve um descasamento entre as taxas de câmbio e a taxa de juros real, pois enquanto o FED reduzia a taxa de juros, os Bancos Centrais ao redor do mundo não pensaram ser necessária tal redução, cenário esse que se reverte depois, pois a crise começa a aprofundar seus efeitos no resto do mundo.

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Referências:

https://economia.terra.com.br/operacoes-cambiais/pessoa-fisica/entenda-como-e-calculada-a-paridade-de-poder-de-compra,05b62ebe54082410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

http://www.economist.com/content/big-mac-index

“Cassel, Gustav. 1922. Money and foreign Exchange after 1914. New York, Macmillan”

http://www.infomoney.com.br/blogs/investimentos-bem-pensados/post/3818331/quanto-alta-dolar-afetou-nosso-poder-compra

http://www.anpec.org.br/revista/vol5/vol5n3p75_116.pdf

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-80502010000100001

MISHKIN, F. S. The Foreign Exchange Market, Cap. 17 In: The Economics of Money, Banking and Financial Markets. Cambridge: Pearson Publishing, 2010.

MISHKIN, F. S. The Foreign Exchange Market, Cap. 17 In: The Economics of Money, Banking and Financial Markets. Cambridge: Pearson Publishing, 2012.

 

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Crise 2007-2008, Mercados Financeiros, Política Monetária

F-ECO: O que são e como funcionam as Políticas Macroprudenciais?

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“Políticas macroprudenciais são medidas que visam fortalecer o sistema financeiro, reduzindo o risco tipicamente procíclico do mesmo. Esse comportamento ocorre porque em períodos de expansão econômica, há incentivos para demasiada expansão do crédito, elevando o risco das operações. Seu objetivo final é suavizar o risco no tempo, ao conter expansões de crédito em períodos de boom e assegurando a liquidez em períodos de contração.

Os instrumentos podem ser separados em dois grupos: os de dimensão temporal, que buscam conter a prociclicidade do risco, e os de dimensão cross-section, onde objetiva-se controlar esse risco em um dado momento, considerando a contribuição de cada instituição financeira para tal. Dentro do primeiro grupo são utilizados os seguintes instrumentos:

  • Provisão de perdas para devedores duvidosos, de forma que o risco de empréstimos seja minimizado;
  • Requerimentos mínimos de capital, utilizados de forma anticíclica, para que eles sejam mais elevados em períodos de expansão e mais baixos em períodos de contração, elevando e reduzindo o fluxo de crédito de acordo com a conjuntura;
  • Recolhimentos compulsórios: Instrumento capaz de influenciar a capacidade de empréstimo dos bancos. Também deve ser utilizado de forma anticíclica.
  • Loan-to-value ratio: Razão entre o valor dos ativos emprestados e o colateral. A razão tende a diminuir nas fases de expansão e aumentar nas fases de contração. A regulamentação teria como objetivo tornar a avaliação do colateral menos sensível ao preço do ativo;
  • Descasamento de moedas: Evitar o descasamento de moedas tem o intuito de fortalecer o sistema financeiro, principalmente para países com moeda internacionalmente fraca, uma vez que o endividamento externo é procíclico.

Em relação ao segundo grupo, destacam-se medidas para regular o capital dos bancos, com enfoque nas operações de ativos e passivos das instituições.

Políticas Macroprudenciais no caso brasileiro

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No caso do Brasil, observa-se a utilização de políticas macroprudenciais no período imediatamente anterior à eclosão da crise. Naquele período, ainda de expansão econômica, o Banco Central aumentou os recolhimentos compulsórios devido a aceleração das operações de crédito, buscando impedir seu crescimento desenfreado. Ao mesmo tempo, a taxa básica de juros manteve-se elevada, como forma de controlar as pressões inflacionárias.

Com a deflagração da crise, o recolhimento compulsório mais uma vez foi utilizado como ferramenta para manter a saúde do mercado financeiro. Dessa vez, percebe-se o processo de queda do mesmo, com o intuito de resguardar a liquidez dos bancos no cenário de crise. Paralelamente, a SELIC começa uma trajetória de queda.

Em um terceiro momento, no começo de 2010, o Banco Central do Brasil considera que o sistema financeiro está seguro e portanto, mantendo a lógica de uma política macroprudencial anticíclica, os recolhimentos compulsórios voltam a aumentar e a SELIC também começa um movimento de elevação.

Assim, podemos ver que a relação entre políticas macroprudenciais e política monetária no caso brasileiro é de fato complementar, uma vez que ambas foram utilizadas de forma conjunta para, ao mesmo tempo, manter a inflação sob controle, através das taxas de juros, e manter o sistema financeiro protegido do risco, na medida do possível, por meio da movimentação do recolhimento compulsório.

A crise ensinou que o uso de um único instrumento de regulação é insuficiente, forçando a política monetária a olhar para outros aspectos e, assim, surge o papel da medida macroprudencial, que afeta o canal de crédito.

 

Bibliografia:

INFOMONEY. Entenda melhor o que são medidas macroprudenciais e sua atuação na economia. Disponível em: <http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2066656/entenda-melhor-que-sao-medidas-macroprudenciais-sua-atuacao-economia>. Acesso em: 19 set. 2016.

MISHKIN, F. S. The Conduct of Monetary Policy: Strategies and Tactics, In: The Economics of Money, Banking and Financial Markets. Cambridge: Pearson Publishing, 2012. p. 399

OLIVEIRA, G.C.; ROLIM, L.; BLIKSTAD, N. Regime de metas para a inflação e medidas macroprudenciais: uma análise à luz da experiência brasileira recente (2008-2013). Revista Pesquisa & Debate, São Paulo, v.27, n.1, p. 27, mar. 2016.”

 

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Mercados Financeiros, Política Monetária

D-Ecec: FED e Banco Central Brasileiro: Uma comparação entre suas estruturas e ferramentas de Políticas Monetárias

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Segundo Mishkin, a estrutura do FED tem a seguinte composição:

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  • Board of Governors – BoG: Composto por 7 diretores aprovados pelo senado, sendo todos sendo membros FOMC. Indicam 3 diretores para cada FRB que não tenham ligação com o sistema bancário. É responsável por definir a taxa de redesconto e a taxa de reservas compulsórias.
  • Federal reserve banks – FRBs (12 unidades): Pareceria público-privada, sendo a parte privada bancos comerciais que compram ações dos FRBs. São responsáveis pela emissão de moeda e pela coleta de informações que orientam as políticas monetárias. A participação privada indica 6 diretores para cada FRB, sendo 3 banqueiros e 3 do setor de bens e serviços.
  • Federal Open market Committee – FOMC: Composto pelos 7 Governors e por 5 diretores dos FRBs. O presidente do BoG é também presidente do FOMC. É órgão responsável pelas decisões quanto a operações de open market.

Atribuição de atividades no sistema financeiro do Banco Central Brasileiro:

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  • Conselho Monetário Nacional (CMN) é o órgão superior do Sistema Financeiro Nacional e tem a responsabilidade de formular as políticas monetárias e de crédito, objetivando a estabilidade da moeda e o desenvolvimento econômico e social do País.
  • Comissão Técnica da Moeda e do Crédito (Comoc) atua como órgão de assessoramento técnico na formulação das políticas monetárias e do crédito do País.
  • Banco Central do Brasil é o principal executor das orientações do Conselho Monetário Nacional, dentre suas funções estão:

                   → realizar operações de redesconto e empréstimo às instituições financeiras;

                   → receber recolhimentos compulsórios e voluntários das instituições financeiras;

                   → efetuar operações de compra e venda de títulos públicos.

  • Comitê de Política Monetária (Copom) Tem objetivo de estabelecer as diretrizes da política monetária e de definir a taxa de juros, esta é fixada na reunião do Copom é a meta para a Taxa Selic (taxa média dos financiamentos diários, com lastro em títulos federais, apurados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia)

 

Comparando ferramentas de políticas monetárias (Bacen x FED)

 

  • Taxa de redesconto – Enquanto nos EUA é um Instrumento de Pol.Monetária importante, no caso brasileiro isso não acontece. O Sistema Pagamentos Brasileiro possibilita que os desequilíbrios bancários sejam sanados entre os próprios bancos através de títulos de curtíssimo prazo (1 dia) chamados Certificados de Depósito Interbancário (CDIs). Atualmente, a taxa de redesconto determinada pelo FED está fixada em 1%. Já no caso brasileiro, a taxa de redesconto é baseada na taxa básica de juros (Selic) mais 1%.
  • Reservas Compulsórias: Fazendo um comparativo sobre a taxa de depósitos compulsórios à vista, temos uma discrepância nas apresentada pelo BACEN e pelo FED. Enquanto o primeiro obriga bancos comerciais e outras instituições financeiras a depositarem 45% de suas captações em depósito à vista, o FED, por lei, cobra uma taxa que pode variar de 7% à 22%, permanecendo normalmente perto dos 10%.
  • Open market: Ambos FED e BCB operam com títulos pós (Treasury Inflation Protected Bonds; NTN-B)  e pré-fixados (Treasury Bonds; LTN e NTN-F). As operações podem ser de caráter temporário, com compromisso de recompra visando ajustar a oferta de moeda no curto prazo, ou permanente, visando ajustes em resposta a movimentos econômicos de longo prazo.

Sistemas de metas de inflação:

Desde 1995 o Brasil utiliza o sistema de metas de inflação com bandas cambiais (Houston, we have a problem!!) para buscar a manutenção das taxas de inflação em níveis baixos. Após a definição da meta CMN,, o Banco Central brasileiro possui total responsabilidade e independência operacional para conduzir a política monetária e atingir a meta;

Já nos EUA, o FED adotou a política de meta de inflação após o ano de 2012, visando, além do controle de preços, que a economia retorne ao nível natural de desemprego.”
Referências:

http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/568/1163.pdf?sequence=2&isAllowed=y

https://www.newyorkfed.org/medialibrary/media/markets/omo/omo2015-pdf.pdf

http://www.bcb.gov.br/pre/composicao/composicao.asp

http://www.bcb.gov.br/htms/copom/a-hist.asp

http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus/faq%2012-dep%C3%B3sitos%20compuls%C3%B3rios.pdf

http://www.fgv.br/professor/fholanda/Arquivo/Sistfin.pdf

https://www.federalreserve.gov/monetarypolicy/fomc.htm

MISHKIN, F. “Economics of Money, Banking and Financial Markets, 10th Edition.”

 

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Crise 2007-2008, Mercados Financeiros

D-ECO: Shadow Banking

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“O que é o Shadow Banking?

De acordo com o Financial Stability Board (FSB) – órgão internacional que monitora o sistema financeiro global – “Shadow Banking” (SB) é definido como um sistema de intermediação de crédito que envolve atividades e entidades fora do sistema bancário tradicional, que realizam operações bancárias sem estarem sujeitas às mesmas regulações dos bancos comerciais, como um sistema bancário paralelo.

O termo foi utilizado pela primeira vez pelo economista e ex-diretor da PIMCO, Paul McCulley, no ano de 2007. O surgimento do SB é atribuído: tanto à relativa falta de canais de financiamento para pequenas e médias empresas – que passaram a buscar alternativas em intermediadoras de créditos não sujeitas às rigorosas regulamentações – quanto à busca por parte dos bancos comerciais por atividades com retornos mais elevados.

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legenda: “O surgimento do shadow banking”,

fonte: Google Imagens]

Se por um lado, essas entidades aumentam a eficiência do sistema financeiro –  complementando e concorrendo com o sistema bancário tradicional, ampliando a oferta de crédito e provendo fontes alternativas de investimentos – por outro lado, aumentam o risco sistêmico, uma vez que não estão sujeitas aos mecanismos de regulação e supervisão, como: normas específicas, operações de redesconto, seguros de depósitos e linhas de empréstimos com os bancos centrais.

Desse modo, tornam-se muito vulneráveis, tanto em relação a uma “corrida dos bancos”, quanto a desequilíbrios patrimoniais, deixando o mercado sujeito a crises como a de 07/08.

 

O Shadow Banking no Brasil

De acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira, publicado em 2015 pelo Banco Central do Brasil, no caso brasileiro, fazem parte do sistema de SB, entidades como: fundos de investimentos, veículos estruturados ou estruturas de securitização (fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC), certificados de recebíveis imobiliários (CRI), certificados de recebíveis do agronegócio (CRA)), fundos de investimento imobiliário (FII), intermediários de mercado e companhias financeiras.

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legenda: “Crescimento: Shadow Banking vs Sistema Bancário Tradicional”,

fonte: Relatório de Estabilidade 2015, BCB

 E em relação ao sistema norte-americano, ainda são somados: as agências quase públicas (Fannie Mae e Freddie Mac), os bancos regionais de crédito hipotecário (sem acesso às políticas de redesconto), as seguradoras e os fundos de pensão.

Veja na tabela a seguir a estimativa ampla da participação das entidades que compunham o sistema de SB brasileiro:

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legenda: “O tamanho do SB Brasileiro”,

fonte: Relatório de Estabilidade 2015, BCB

O Shadow Banking na Crise

No mercado americano, indivíduos estavam pegando empréstimos com instituições do sistema bancário paralelo, e dando seus imóveis como garantia; sendo assim, o valor dos empréstimos a receber no ativo do banco que emprestou o recurso, estava diretamente ligado ao valor dos imóveis-garantia.

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legenda: “Ativos baseados em hipotecas”

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legenda: “Total de ativos relacionados a hipotecas nos EUA, por tipo de instituição financeira”

Quando ocorreu o crash no mercado imobiliário, os bancos perceberam que os valores dos imóveis hipotecados estavam abaixo dos valores devidos às instituições financeiras, fato que levou muitos agentes à inadimplência.

Enquanto o valor dos ativos dos agentes do sistema bancário paralelo começou a reduzir, e seus passivos a aumentar (devido às taxas pós-fixadas nos empréstimos), houve redução do Patrimônio Líquido dessas entidades, tornando as suas obrigações insustentáveis e as instituições ilíquidas, devido à falta de acesso às linhas de crédito especial do banco central.

Devido ao pânico financeiro, o risco de seleção adversa e o risco moral aumentaram, reduzindo o nível de empréstimos que os bancos comerciais realizaram, e consequentemente, reduzindo o crescimento da atividade econômica.

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legenda: “Novas emissões de valores mobiliários garantidos por ativos, nos três meses anteriores”

Para prevenir crises como essa, foram criadas um conjunto de medidas pelo Fórum de Estabilidade Financeira em 2010, conhecidas como Acordo de Basiléia III, visando aumentar a solidez do sistema financeiro através de:

  • Aumento das reservas de capital dos bancos ponderadas pelo risco
  • Novas regras sobre o grau de alavancagem
  • Novos Sistemas de monitoramento e gestão de riscos
  • Novos instrumentos de governança corporativa” 

 

Referências

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-33002008000300002

http://www.bcb.gov.br/htms/estabilidade/2015_03/refC6P_1.pdf

https://www.febraban.org.br/7Rof7SWg6qmyvwJcFwF7I0aSDf9jyV/sitefebraban/Auditorio%202%2030.09%20%2011%2030%20%20Shadow%20Banking%20-%20Rodrigo%20Lara%20Pinto%20Coelho%20-%20ok%20site.pdf

http://www.bis.org/ifc/events/6ifcconf/jacksonmatilainen.pdf

http://www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2013/06/basics.htm

http://www.imf.org/external/pubs/ft/wp/2014/wp1410.pdf

http://www.fsb.org/wp-content/uploads/global-shadow-banking-monitoring-report-2015.pdf

https://www.pimco.com/insights/economic-and-market-commentary/global-central-bank-focus/the-shadow-banking-system-and-hyman-minskys-economic-journey

https://www.newyorkfed.org/medialibrary/media/research/epr/95v01n2/9507edwa.pdf

 

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Mercados Financeiros

C-ECO: Problema de agência e concentração do mercado interbancário

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Principais problemas de agência enfrentados pelos mercados de capitais brasileiro

É característico do mercado de capitais moderno a relação dos direitos de propriedade e de controle de uma companhia. Muitas vezes, a propriedade da empresa, pulverizada entre vários acionistas, apresenta um grande descolamento da capacidade de comando das diretrizes e objetivos. Isto faz com que diretores e acionistas menores apresentem objetivos distintos quanto ao futuro da companhia, caracterizando um dos problemas de agência do mercado de capitais brasileiro, o dilema do agente-principal.

c-eco-imagem1

É constatado que existe certo grau de expropriação de benefícios privados do acionista minoritário em prol do acionista majoritário. Parte desta expropriação decorre da formação da estrutura de capital no Brasil, com divisão de papeis em dois grandes grupos de ações: ordinárias, ligadas ao direito de decisão, permitindo o voto; preferenciais, que priorizam o direito sobre o cash-flow.

Observando as sete maiores firmas em valor de mercado com ações transacionadas na bolsa, vemos uma grande concentração das ações ordinárias.

c-eco-imagem2

Com a concentração de blocos de ações em que os diretores sejam os donos da companhia, há incentivo à eficiência e maximização do lucro, que é uma boa sinalização ao mercado. Porém, quando o gestor com plenos poderes gere a empresa de acordo com seus interesses, temos de fato o descolamento de objetivos entre controlador e investidor. É neste contexto que se insere o dilema do agente-principal: a assimetria de informação entre as partes torna o mercado ineficiente.

O Brasil possui recursos que visam mitigar o gap de informação, porém, notamos pouca utilização destes em relação a omissão e falta de padronização das informações, sobretudo sobre os negócios das empresas, que induz os investidores a erros nos valores de mercado.

Os problemas de agência, em especial aqueles no contexto da assimetria de informação, são grandes entraves para o desenvolvimento de um mercado eficiente de longo prazo que seja responsável pelo investimento produtivo do país.

Concentração do mercado interbancário brasileiro e o impacto disso sobre a redução dos custos de transação

Com o início do Plano Real, em 1994, o Banco Central adota uma nova legislação e supervisão bancária, reduzindo o  número de bancos, devido à uma série de fusões, incorporações e liquidações ocorridas. Começando, assim, a apresentar tendências de aumento de concentração.

É possível analisar o índice de concentração bancária através do índice de Herfindahl-Hirschman (HH), que considera todos os bancos que fazem parte da amostra e atribui maior peso àqueles que possuem maior representatividade, sendo considerado, assim, um indicador consistente para a análise da concentração de mercado.

c-eco-imagem3

O gráfico a seguir representa a evolução do índice HH do Brasil de 2004 a 2014.

c-eco-imagem4

A elevação bancária a partir de 2007 ocorreu pois, com o objetivo de aumentar seus ganhos de escala e poder de mercado, visando competir no mercado internacional, os grandes bancos no mercado nacional realizaram uma série de fusões e aquisições. Além disso, o aumento das restrições à entrada de novos concorrentes em função da existência de economias de escala, técnicas operacionais complexas e investimentos em tecnologia também aumentam o grau de concentração.

Segundo Mishkin (2012), sabemos que há dois fatores que reduzem os custos de transação por investidor: 1) economias de escala, pois o custo fixo é dissolvido entre as transações; 2) alto grau de especialização, pois permite maior eficiência do uso e desenvolvimento de técnicas que visam reduzir os custos de transação e tornar serviços de maior liquidez mais acessíveis ao público. Assim, é possível concluir que a elevação da concentração bancária brasileira alavancou ganhos de escala, reduzindo os custos de transação e aumentando a competitividade e eficiência dos maiores bancos.

Referências

Aldrighi, Dante Mendes; Neto, Roberto M. “Estrutura de propriedade e de controle das empresas de capital aberto no Brasil.” Revista de Economia Política 25.2 (2005): 115-137.

Barbosa, Roberto Rodrigues. “Análise da concentração do setor bancário brasileiro entre os anos de 2004 e 2014.” (2015).

MISHKIN, F. “Economics of Money, Banking and Financial Markets, 10th Edition.”

 

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Mercados Financeiros

C-Ecec: PRINCIPAIS FONTES DE FUNDOS EXTERNOS DAS EMPRESAS BRASILEIRAS NÃO-FINANCEIRAS

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A estrutura do sistema financeiro comunica a alocação de recursos entre agentes na economia. Assim, Frederic S. Mishkin apresenta 8 fatos estilizados sobre a estrutura financeira pelo mundo que nos ajudam a responder o seguinte questionamento: “Quais são as principais fontes de fundos externos das empresas brasileiras não-financeiras?”, destacaremos 3 fatos:

  1. Ações não são a fonte mais importante de recurso externo de financiamento para empresas;
  2. A emissão de título de dívidas e valores mobiliários não é a primeira opção em que as empresas financiam suas operações;
  3. Intermediários financeiros, particularmente bancos, são as mais importantes fontes de recursos externos usados para financiar ativos.

O autor apresenta dados do artigo de Hackethal e Schmidt (2004) que exemplificam de forma empírica esses fatos, mostrando e comparando os dados – coletados junto aos Bancos Centrais dos respectivos países – da fonte de recursos externos para empresas não financeiras nos Estados Unidos, Alemanha, Japão e Canadá. O resultado do estudo pode ser verificado a seguir:

C-Ecec-Gráfico 1

Ao elaborar uma análise para empresas brasileiras foi preciso buscar outra fonte de informação, uma vez que o Banco Central disponibiliza a maioria dos dados desse gênero sob a ótica dos investidores.

Um levantamento realizado pelo Banco Mundial através da Enterprise Surveys construiu uma amostra sobre as fontes externas de financiamento de empresas do setor privado de vários países. A amostra coletada para o Brasil em 2009, apresentadas no Gráfico 2, foi feita com 1802 empresas em sua maioria de médio porte compreendendo diversos setores, como: alimentício, têxtil, vestuário, químico e produtos químicos, maquinários e equipamentos, mobília, manufatura, varejo, TI e serviços de TI e outros serviços.

C-Ecec-Gráfico 2

Verifica-se que 92% dos recursos externos no Brasil são provenientes de intermediários financeiros (bancos e fornecedores de crédito), assim nos dando algumas evidências de que o fato estilizado apontado por Mishkin, que indica que intermediários financeiros são a fonte externa mais importante usados para financiar ativos pode também ser observado no mercado brasileiro. O fato sobre o mercado de títulos não ser a primeira opção de fundos externos de financiamento não pode ser observado empiricamente uma vez que não existem dados dessa variável. De forma geral, percebe-se uma convergência dos dados do estudo em relação à teoria, porém é importante ressaltar que a amostra utilizada é bastante restrita para análises e definições.

É válido lembrar que as metodologias da Enterprise Surveys e apresentada pelo Mishikin diferem. Além disso, enquanto os dados do artigo apresentados no livro são resultado de uma média do período de 1970-2000, a pesquisa do Banco Mundial, apresenta dados apenas do ano de 2009. Outra observação importante é a falta de informação sobre a porcentagem referente a fonte de recursos provenientes do mercado de títulos. Dessa forma, dificultando a comparação entre os dados encontrados para o Brasil e os apresentados pelo livro.

Uma fonte de recursos em destaque na economia brasileira é o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES.  Ainda que as instituições financeiras tenham um papel de destaque no fornecimento de crédito para financiar os investimentos das empresas na economia, estas encontravam dificuldade para obter opções de financiamento de investimento produtivo no longo prazo. Os motivos abrangem o alto risco, baixo retorno e incertezas. Nesse cenário o papel do BNDES teve grande destaque, sendo sua principal função apoiar projetos de investimentos que contribuam para o crescimento do país, concedendo empréstimos de longo prazo com taxas de juros mais competitivas que as taxas de mercado.    Nos últimos cinco anos realizou um desembolso médio de aproximadamente 163 bilhões de reais destinados a financiamentos de pequenas, médias e grandes empresas. (COUTO e TRITIM, 2012).

 

REFERÊNCIAS

http://www.akb.org.br/upload/011020121854415026_Ana%20Cristina%20Lima%20Couto.pdf

http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=254463  

http://www.enterprisesurveys.org/data/exploreeconomies/2009/brazil

 

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Mercados Financeiros

B-ECO: Estimativas de Retorno Esperado para Ação Preferencial e Ordinária

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“A partir da teoria desenvolvida no Capítulo 7 de Mishkin, podemos discutir a formação dos preços de ações que pagam dividendos. Mais especificamente, utilizando as equações presentes no Capítulo, podemos analisar o caso (i) de uma ação retida por apenas um período (que receberá, portanto, o pagamento de somente um dividendo); o caso (ii) de uma ação que pague dividendos durante um período maior que um, mas que não seja demasiado longo; e, por fim, o caso (iii) de ações que pagam dividendos durante um período longo de tempo:b-EQ1Note que: a equação (iii) é a equação (ii) com seu último termo subtraído, dado que para períodos longos tal termo tende a zero.

Sabendo que as duas últimas equações acima requerem a computação do valor presente de um fluxo de dividendos por vezes muito grande, pode-se assumir que exista uma taxa constante de crescimento de dividendos, uma vez que as empresas se esforçam para aumentar os dividendos a uma taxa constante a cada ano. Essa abordagem, conhecida como Modelo de Crescimento de Gordon, está representada pela equação (iv) abaixo:

b-EQ2

  • Aplicação – Ação Preferencial do Bradesco (BBDC4)

Para tal ação, que paga dividendos, delimitamos um espaço de tempo para nossa análise (2010 a 2012).

Dentro desse período delimitado, a média da Cotação dos Preços foi P0 = R$ 17,62; a taxa média de crescimento dos dividendos foi igual a ; e o valor médio pago em dividendos foi igual R$

Dessa maneira, plotamos os valores mencionados na equação (v) e obtemos o seguinte resultado:

b-EQ4

  • Aplicação – Ação Ordinária do Bradesco (BBDC3)

Para calcular a estimativa do retorno esperado da ação sem dividendos foi utilizado o modelo CAPM (Capital Asset Pricing Model). Primeiro obtivemos o histórico dos retornos do ativo livre de risco (CDI) e do índice de mercado (Ibovespa) para os anos de 2010, 2011 e 2012. Depois, foi calculado o retorno médio para o período todo da ação, do mercado e do CDI. Para o calculo do Beta da ação foi feito o calculo da variância dos retornos do Ibovespa e a covariância entre o Ibovespa e a ação.

b-EQ5

Em vias de completar o modelo é preciso calcular o retorno ativo da ação (Alfa), o alfa é a diferença entre o retorno esperado pelo CAPM e o retorno realmente aferido, de forma que retorno esperado da ação é dado pela equação:

b-EQ6

Os resultados foram, para a data de 2010 a 2012:

Com isso é possível extrair uma hipótese de retorno esperado com base no CAPM e no intercepto Alfa:

Re = 9,9139% + 5,9928% +0,845414144*(-0,6294% -9,9139%) = 6,99326%

  • Discussão – Hipótese de Mercado Eficiênte

A HME baseia-se no pressuposto de que os preços dos títulos nos mercados financeiros refletem plenamente todas as informas disponíveis, ou seja, são definidos a partir da decisão de agentes que não desperdiçam informações.

Pode-se representar a formação dos preços dos ativos segundo a equação: Pt+1 = Pt +et.

Segundo a equação, os preços seguem um processo denominado Random Walk, em que o preço hoje é função do último preço observado e de um componente aleatório (e), denominado ruído branco. Temos que e é um ruído branco se: 

b-EQ7

  • Ilustração Gráfica da Discussão sobre a HME – BBDC4

Para os dados dos ativos utilizados no trabalho, temos os gráficos das cotações e dos resíduos da ação BBDC4:

B-ECO-GRÁFICO1

A inspeção visual de uma série raramente permite distingui-la como de tendência estocástica ou tendência determinística, faremos o teste de Dickey-Fuller Aumentado para a verificação de existência de raízes unitárias na ação BBDC4.

B-ECO-GRÁFICO 2

Todos os valores críticos apresentados a 10, 5, 1% são maiores, em módulo, que o valor de 0,18. Portanto, não se rejeita a hipótese nula de que a série possui uma raiz unitária e comporta-se como “Randon Walk”.

 

REFERÊNCIAS

da SILVEIRA BUENO, R.D.L. Fundamentos Estatísticos. In: Econometria de séries temporais.

da SILVEIRA BUENO, R.D.L. Processos não Estacionários. In: Econometria de séries temporais.

MISHKIN, F. The Stock Market, the Theory of Rational Expectations, and the Efficient Market Hypothesis. In: MISHIKIN, F. Economics of Money, Banking and Financial Markets, 10th Edition.” 

 

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