Ensinando Economia, Inflação, Nível de atividade

G-B: O caso brasileiro da Curva de Phillips

Os últimos posts publicados trataram de dois assuntos sendo eles, respectivamente: Mercado de Trabalho e Inflação. Após compreender os significados das diferentes classificações da população no mercado de trabalho e entender os diferentes índices de inflação, iremos analisar a relação entre desemprego e inflação para o caso brasileiro.

Em 1958, A. W. Phillips formulou um diagrama que representava a taxa de inflação com relação à taxa de desemprego no Reino Unido anualmente de 1861 a 1957. O diagrama evidenciou uma relação negativa entre inflação e desemprego. Quando o desemprego era baixo, a inflação era alta; quando o desemprego estava alto, a inflação estava baixa.

A Curva de Phillips funciona da seguinte maneira: dado o nível esperado de preços — que os trabalhadores simplesmente tomam como o nível de preços do ano anterior (isso será importante mais à frente) — o desemprego mais baixo leva a um salário nominal maior. Um salário nominal mais elevado leva a um nível de preços mais alto. Juntando essas etapas, o desemprego mais baixo leva a um nível de preços mais alto neste ano em relação ao nível de preços no ano anterior, ou seja, a uma inflação maior. Esse mecanismo pode ser chamado de espiral de preços e salários, uma expressão que representa bem o mecanismo:

Assim, a corrida entre preços e salários resulta em uma inflação contínua de salários e preços.

A curva de Phillips tornou-se fundamental para o pensamento macroeconômico e para a política macroeconômica. Ela implica em diferentes combinações que países poderiam escolher de desemprego e inflação. Um país poderia alcançar um desemprego baixo se estivesse disposto a tolerar uma inflação mais alta, ou poderia atingir a estabilidade do nível de preços — inflação zero — se estivesse disposto a tolerar um desemprego mais alto.

Um exemplo em que a curva ocorre é nos Estados Unidos de 1948 a 1969, em que a diminuição contínua da taxa de desemprego esteve associada a um aumento contínuo da taxa de inflação:

Observando o caso brasileiro:

Primeiro, levando em consideração apenas o período de hiperinflação:

Agora, apenas o período de estabilidade da inflação, após o Plano Real.

Ao final, juntando os dois períodos:

Analisando os gráficos elaborados, não há a ocorrência de uma Curva de Phillips para o caso brasileiro. Vamos entender o porquê e como o papel das expectativas se relaciona:

Nos períodos da hiperinflação, a persistência da inflação levou os trabalhadores e as empresas a reavaliarem como formavam suas expectativas. Havia grande incerteza sobre a inflação, impedindo que os trabalhadores conseguissem criar expectativas sobre a inflação futura, para que pudessem negociar os novos salários.

Como a inflação era consistentemente positiva, ano após ano, as pessoas ao formarem suas expectativas, começaram a levar em conta a presença e a persistência da inflação. Essa mudança de como se formavam as expectativas modificou a natureza da relação entre desemprego e inflação.

Outro fator que dificultou fortemente a definição das expectativas futuras foram as trocas de moeda, que ocorreram em vários momentos como uma tentativa de solução para a alta inflação.

Existe também a Curva de Philips Modificada, nela é possível de se notar a relação que ocorre entre um aumento ou diminuição da inflação entre os anos; para um desemprego baixo, a variação da inflação é positiva e para um desemprego alto, a variação da inflação é negativa. Podemos notar isso com o exemplo dos EUA, a partir da década de 1970:

Analisando o caso Brasileiro nos períodos de hiperinflação, estabilidade da inflação e ambos períodos:

No nosso país é possível notar que essa relação não é muito perceptível. Existe uma relação negativa entre a variação da inflação e o desemprego médio. Porém, tal relação não ocorre tão claramente, dados os motivos já citados. Levando em conta os 30 anos analisados é notável que, no nosso caso, a inflação não varia proporcionalmente ao desemprego.

Referências:

http://www.ipeadata.gov.br/Default.aspx acesso em 06 de maio de 2019

https://ww2.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme/default.shtm acesso em 06 de maio de 2019

BLANCHARD, Oliver. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.

Grupo B – Macro 2019

Ensinando Economia, Inflação, Nível de atividade

G-H: Inflação: Principais Indicadores

A inflação é uma elevação sustentada do nível geral de preços da economia e a taxa de inflação é a taxa à qual o nível de preços aumenta. Dessa maneira, a fim de verificar o comportamento geral dos preços, as tendências do mercado, as diferenças entre cada região do país e de auxiliar a formulação de políticas econômicas, foram criados os índices de inflação. Cada índice mede a variação dos preços de uma lista específica de produtos (cesta) ou serviços, como alimentos, moradia, transporte, educação, entre outros. Como boa parte das negociações econômicas são baseadas em contratos, observar as variações nos principais indicadores pode evitar futuras situações financeiras desagradáveis, como a perda do potencial de compra.

Estes índices são calculados por várias instituições, dentre elas temos Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE). Os principais índices utilizados no Brasil são:

IGP (Índice Geral de Preços):

-Instituto responsável: FGV – Fundação Getúlio Vargas;
-O que é medido: variação de preços através de uma média ponderada de três índices: INCC (10%), IPA (60%) e IPC (30%);
-INCC (Índice Nacional de Preços da Construção Civil): mede a variação de preços na construção civil como, por exemplo, mão de obra, materiais de construção e serviços e é utilizado em financiamentos diretos de construtoras;
-IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo): mensura a variação de preços de produtos industriais e agrícolas dos atacadistas ao varejo, sendo calculado para três intervalos diferentes (M, DI e 10);
-IPC (Índice de Preço ao Consumidor): mede o aumento de preços no varejo para famílias com renda mensal entre 1 e 33 salários mínimos, os dados utilizados são referentes a sete capitais;
-Características: muito usado em contratos de longo prazo como, por exemplo, reajuste de aluguéis.

IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo):

-Instituto responsável: IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística;
-O que é medido: a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal entre 1 e 40 salários mínimos;
-Características: utiliza dados das 11 principais regiões metropolitanas do país.


Mas por que existem tantos índices de inflação?

Há vários índices que mostram o quanto os preços sobem ou descem em determinados períodos além dos demonstrados acima, como o IPC-S, IGP-M, IGP-DI, entre outros. Cada índice aponta uma inflação “diferente”: isso acontece porque a alta de preços não atinge todo mundo da mesma forma. Quem tem carro, por exemplo, vai sentir mais no bolso a alta da gasolina; quem come mais carne vai sentir mais se esse produto subir.

Assim, os diferentes índices usam, no cálculo, faixas de renda diferentes, regiões diferentes, itens diferentes e até períodos diferentes. Isso contribuiu também para tornar mais segura a medição, já que há fontes diferentes calculando a inflação.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br):

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central – Brasil (IBC-Br), divulgado desde março de 2010, tem como objetivo mensurar a evolução contemporânea da atividade econômica do país e contribuir para a elaboração de estratégia de política monetária. Trata-se de indicador de periodicidade mensal, que incorpora variáveis consideradas como proxies para desempenho dos setores da economia. Por se tratar de indicador agregado de atividade, a taxa de crescimento do IBC-Br é frequentemente comparada à do Produto Interno Bruto (PIB).


Fontes Utilizadas:
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9256-indice-nacional-de-precos-ao-consumidor-amplo.html?=&t=o-que-e
https://sidra.ibge.gov.br/tabela/1419#/n1/all/n7/all/n6/all/v/63,69,2265/p/all/c315/7169,7170,7445,7486,7558,7625,7660,7712,7766,7786/d/v63%202,v69%202,v2265%202/l/v,c315,t+p/resultado
IBC-BR: htps://www.bcb.gov.br/conteudo/relatorioinflacao/EstudosEspeciais/Metodologia_ibc-br_pib_estudos_especiais.pdf
http://dados.gov.br/dataset/24363-indice-de-atividade-economica-do-banco-central-ibc-br?fbclid=IwAR0_X3grqnfueB0HfW8d40AALg6QXygmaDbHEkFYxf891pvC18zRrQT-Jbs
https://blog.guiabolso.com.br/2014/12/15/quais-os-principais-indices-de-inflacao/
https://fiis.com.br/indices-de-inflacao/
http://g1.globo.com/economia/inflacao-como-e-medida/platb/
https://www3.bcb.gov.br/sgspub/consultarvalores/consultarValoresSeries.do?method=getPagina

Grupo H – Macro 2019

Ensinando Economia, Nível de atividade

G-J: Mercado de Trabalho: Conceitos e Indicadores

Saber os significados das diferentes classificações da população no mercado de trabalho é um pouco complicado, não é? Não! É bem simples, vem comigo:

    Vamos começar pelos seguintes conceitos: ocupados e desocupados. A população ocupada (PO) é a parte da população que trabalha ou pelo menos tem trabalho, mas não exerce no momento (período de férias). Há várias subdivisões dessa parcela: empregados trabalhadores por conta própria, empregadores e não remunerados. Segundo o IBGE, eles são definidos da seguinte forma:  

    – Empregados: aquelas pessoas que trabalham para um empregador ou mais, cumprindo uma jornada de trabalho, recebendo em contrapartida uma remuneração em dinheiro ou outra forma de pagamento (moradia, alimentação, vestuário, etc.).

    – Trabalhadores por Conta Própria: aquelas pessoas que exploram uma atividade econômica ou exercem uma profissão ou ofício, sem empregados.

    – Empregadores: aquelas pessoas que exploram uma atividade econômica ou exercem uma profissão ou ofício, com auxílio de um ou mais empregados.

    – Não Remunerados: aquelas pessoas que exercem uma ocupação econômica, sem remuneração, pelo menos 15 horas na semana, em ajuda a membro da unidade domiciliar em sua atividade econômica, ou em ajuda a instituições religiosas, beneficentes ou de cooperativismo, ou, ainda, como aprendiz ou estagiário.

As desocupadas (PD) são aquelas pessoas que não tem trabalho e estão à procura de um, procurando em jornais e/ou sites de emprego. Mais interessante, a junção das populações ocupada e desocupada formam a população economicamente ativa (PEA). Por lei, apenas são considerados nessa partição pessoas a partir dos 14 anos de idade com condições para exercer algum trabalho. O contrário dessa é a população não economicamente ativa (PNEA), que podemos incluir quem não possui idade, interesse ou condições de exercer algum trabalho, por exemplo pessoas deficientes que são incapazes de exercer qualquer atividade para sua sobrevivência. Outro termo relevante é a população em idade ativa que leva em consideração apenas pessoas de 14 anos ou mais, isto é, a soma de PEA e PNEA. A partir dessas definições podemos temos o seguinte fluxograma:

Agora, vamos falar sobre um dos indicadores de mercado. Em especial, focaremos em taxa de desocupação. A taxa de desocupação é a relação entre quantidade de desocupados e a população economicamente ativa multiplicado em dado período multiplicado por 100, algebricamente temos: (PD/PEA) * 100.  

Vamos ver o gráfico desse indicador no Brasil de 2012 a 2019:

Pelo gráfico, notamos que as taxas de desocupação até o 1° trimestre de 2015 varia entre 6% e 8% que, em termos macroeconômicos relativamente aos anos subsequentes, indicam uma estabilidade econômica. Em diante, há aumentos sucessivos até o segundo trimestre de 2017 levando a taxa para o intervalo de 12% a 14%, considerada extremamente alta em relação aos anos anteriores, que se perdura até atualmente indicando grande recessão e instabilidade econômica.

Quando um país tem sua economia relativamente estagnada, o crescimento da produção se mantém baixo e, com isso, a necessidade de contratar mais funcionários também não cresce. Assim, a proporção de pessoas desempregadas que estão na procura de emprego por pouco tempo é pequena se comparada á quantidade de pessoas que permanecem desempregadas.

No gráfico, temos a proporção de desempregados que procuram emprego por menos de 1 mês (Calculo deste dado)

Neste, a proporção média entre os trabalhadores desempregados que procuram emprego por menos de 1 mês é de 12,31%. Ou seja, praticamente 88% dos trabalhadores permanecem sem emprego por mais de 1 mês. Isso mostra como a situação está ruim quando se trata do desemprego, que influencia diretamente a produção. Essas pessoas fazem parte da força potencial de trabalho, mas estão sem produzir. Este fato também piora, no geral, a produção e as futuras contratações, reforçando este ciclo.

Bibliografia:

Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD Contínua Fevereiro 2019. Disponível em: <https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/9171-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios-continua-mensal.html?=&t=resultados>. Acesso em: 27 de abril de 2019

Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD Contínua Séries Históricas. Disponível em: <https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/17270-pnad-continua.html?edicao=17274&t=series-historicas>. Acesso em: 27 de abril de 2019

Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua trimestral . Pessoas de 14 anos ou mais de idade, desocupadas na semana de referência, por tempo de procura de trabalho. Disponível em: <https://sidra.ibge.gov.br/tabela/1616#resultado> Acesso em: 27 de abril de 2019

Blanchard, Olivier. Macroeconomia; tradução: Cláudia Martins, Mônica Rosemberg; revisão técnica: Eliezer Martins Diniz. 4ª ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.

Grupo J – Macro 2019

Ensinando Economia, Nível de atividade

G-E: Componentes do dispêndio doméstico brasileiro

O cálculo do PIB inclui apenas bens e serviços finais, ou seja, o serviço intermediário é descontado para evitar dupla contagem. Isso significa, por exemplo, que para calcular a produção de pães não é contabilizado o consumo da farinha utilizada no preparo, uma vez que seu valor já estará embutido no valor do pãozinho.

O cálculo do PIB, no Brasil, é feito sob três dimensões: produção, demanda e renda. Assim, explicitamos neste post a ótica da demanda, em que o PIB corresponde à despesa interna total do país, que inclui a despesa das famílias em bens de consumo, as despesas do Governo em bens de consumo, a despesa das empresas com investimento em bens de capital (mais as variações de estoque) e as despesas relacionadas às exportações líquidas (exportação – importação). Frente a vários conceitos, explicaremos a seguir o que eles significam.

O consumo consiste nos bens e serviços adquiridos pelas famílias, ou seja, é onde as pessoas gastam seu dinheiro. Ele pode ser dividido em 3 componentes. Sendo eles os bens não duráveis (alimentos e vestuário), os bens duráveis (como automóveis e eletrodomésticos) e os serviços (trabalhos realizados por empresas ou indivíduos destinados aos consumidores, como, por exemplo, uma consulta médica ou um corte de cabelo).

Já o investimento é o gasto das empresas em capital fixo, isto é, com maquinário, fábricas, etc. e em estoques, que são a parcela dos bens produzidos que não foram vendidos em um determinado momento. O investimento é idêntico à poupança, isto é, o dinheiro que os agentes da economia (famílias, empresas, governo e setor externo) deixam de gastar em um determinado momento se tornam o dinheiro que as empresas usam para realizar seus investimentos, por meio da ação do sistema bancário.

Além disso, temos os gastos do governo, os quais se referem aos bens e serviços adquiridos pelos governos federal, estadual e municipal. Esses bens podem variar de aviões a suprimentos de escritório. Já os serviços incluem os prestados pelos funcionários públicos.

As exportações líquidas são obtidas por meio da diferença entre exportações e importações. As importações são as compras de bens e serviços estrangeiros pelos consumidores, pelas empresas e pelo governo. Já as exportações, são as compras de bens e serviços do país por estrangeiros.

Temos que em determinados momentos a produção e a venda dos bens não são equivalentes. Pode ser que não seja vendido tudo aquilo que foi produzido (acumulação de estoque), com resultado positivo. Ou o contrário, que a venda ultrapasse a produção (queda de estoque), com resultado negativo. Dessa forma, haverá uma variação nos estoques, que consiste exatamente dessa diferença entre bens que foram produzidos e bens que foram vendidos em um dado período de tempo.

A seguir, temos a composição do PIB brasileiro em 2004, 2008 e 2016.

O consumo das famílias tem forte peso no PIB brasileiro, correspondendo em torno de 60% do total. Ou seja, mais da metade do que é produzido no Brasil depende da demanda das famílias. A demanda das famílias é o componente mais importante do bolo. É ele que sustenta o crescimento do setor de serviços, o principal segmento do PIB pelo lado da oferta.

O investimento é um item essencial para a recuperação da economia. Podemos notar a variação do investimento na tabela apresentada acima, a qual teve uma significativa queda do ano de 2008 para o ano de 2016.

Os gastos do governo giram em torno de uma média de 20%, nos anos apresentados. Assim, para ter uma visão mais significativa, é preciso analisar se houve uma política fiscal expansionista (redução de tributos e aumento dos gastos) ou contracionista (conter as finanças do governo a fim de melhorar as contas públicas).

As exportações líquidas tiveram uma queda do ano 2004 para os demais anos apresentados. Significando um aumento percentual das importações em relação às exportações. Já o investimento em estoques corresponde a uma pequena parcela do PIB girando em torno de 0,5 a 1%.

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https://ww2.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/contasnacionais/2008/defaulttabzip.shtm. Acesso em: 24 mai. 2019.

https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv47747.pdf. Acesso em: 24 mai. 2019.

https://www.ibge.gov.br/estatisticas-novoportal/economicas/contas-nacionais/9052-sistema-de-contas-nacionais-brasil.html?=&t=resultados. Acesso em: 24 mai. 2019.

https://br.advfn.com/indicadores/pib/calculo. Acesso em: 24 mai. 2019.

BLANCHARD, Oliver. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.

GRUPO E – Macro 2019

Ensinando Economia, Nível de atividade

G_C: Medindo a Economia

Em uma economia em que todas as pessoas produzem apenas maçãs, seria muito fácil medir a produção, certo? Seria só contar o número de maçãs produzidas. Mas sabemos que a realidade não é tão simples. Nela produz-se bens e serviços como maçãs, carros, passagens aéreas, aulas de economia, e vários outros. Mas como somamos bens tão distintos? Usamos um fator comum entre todos: os preços. Todos os produtos negociados numa economia são medidos em termos monetários. Assim, para medir a produção, multiplicamos a quantidade de cada produto final pelo seu preço relativo.

Olhando pelo lado da produção, o PIB – Produto Interno Bruto – é a forma de medir em um período, no sistema contábil do país, o produto agregado, isto é, o valor de bens e serviços finais produzidos numa economia. Dessa forma, os bens intermediários – utilizados e consumidos durante a produção – não devem ser contabilizados. Consideremos duas empresas. A empresa A produz maçãs. Já a empresa B as compra e fabrica deliciosas tortas de maçã. A partir do conceito acima, quais valores deveriam ser medidos sob essa ótica do PIB? A resposta certa seria apenas o valor relativo as tortas de maçã, visto que a fruta in natura é utilizada no processo e subtraindo o bem intermediário da produção final obtemos o valor adicionado, cuja soma incorre no PIB.

Outro jeito de olhar o PIB é sob a ótica da renda. Seguindo o exemplo anterior, não se pode esquecer da mão de obra e capital empregados na produção de maçãs e de tortas. Esses fatores de produção devem ser remunerados. A essa remuneração damos o nome de renda do trabalho (salário pago à mão de obra) e renda do capital (juros, lucros e aluguéis). A soma desses valores, acrescidos dos impostos indiretos – parte da renda disponibilizada ao governo – compõe o PIB.

Uma terceira forma de composição é através da demanda agregada, dada pelo consumo das famílias, investimento das firmas, gastos do governo e, em uma economia aberta, pelas exportações líquidas do mercado externo.

Existem duas formas de se expressar a quantidade de bens e serviços produzidos em um país em um dado período e iremos descobrir qual pode representar melhor a capacidade da economia em suprir as necessidades da população.

A priori, falaremos sobre o PIB nominal – calculado no Brasil pelo IBGE – que é a soma das multiplicações dos preços dos bens finais e a quantidade produzida no ano em questão; as duas variáveis podem fazer o produto aumentar, pois tanto os preços – sujeitos a inflação, que pode ser exorbitante, dependendo do contexto – quanto a produção, tendem a aumentar. Observe o exemplo:

Comparando os resultados, pode-se perceber que esse tipo de cálculo não é tão eficiente para evidenciar o real crescimento da economia, pois pode ser distorcido pelas variações de preços. Agora, veremos que o PIB real é a somatória das multiplicações dos preços constantes (escolhe-se um ano base para fixar o preço em todos os anos) e a quantidade produzida de cada bem. Calculando o PIB real usando os mesmos dados do exemplo citado anteriormente, tomando 2010* como ano base:

*Em 2010, note que o PIB nominal é igual ao real.

Ademais, podemos perceber a diferença entre as duas formas no caso brasileiro: no terceiro trimestre de 1998, o PIB nominal cresceu em 7.726 milhões, mas a taxa de crescimento do PIB real foi negativa, em -1,43%. Tal taxa é vista no gráfico do PIB real:

Acima temos a comparação em termos de PIB real e PIB nominal do Brasil desde 1997. No primeiro gráfico, usamos os valores trimestrais. Podemos ver certos solavancos nesse gráfico. Isso se dá devido a sazonalidade da atividade econômica (sempre há maior atividade no último trimestre). Já no segundo gráfico, esses solavancos não ocorrem, pois mede o PIB no acumulado dos últimos quatro trimestres. Em ambos, o trimestre base foi o último de 2018. A variação do PIB real de um período para outro é considerada o crescimento econômico daquele intervalo de tempo. No gráfico a seguir representamos o caso brasileiro desde 1997:

Referências:

MANKIW, N. Gregory. Introdução à economia. São Paulo: Cengage Learning, 2016.

GALA, Paulo. A história dos 100 anos de PIB no Brasil. [S. l.], 30 jan. 2019. Disponível em: http://www.paulogala.com.br/100-anos-de-pib-no-brasil/. Acesso em: 11 mar. 2019.

IPEA. Produto interno bruto (PIB) nominal. [S. l.], 1 mar. 2019. Disponível em: http://www.ipeadata.gov.br/exibeserie.aspx?serid=38415. Acesso em: 11 mar. 2019.

IPEA.Produto interno bruto (PIB) real. [S. l.], 1 mar. 2019. Disponível em: http://www.ipeadata.gov.br/exibeserie.aspx?serid=38414. Acesso em: 11 mar. 2019.

ADVFN. Cálculo do PIB.[S. l.]. Disponível em: https://br.advfn.com/indicadores/pib/calculo. Acesso em: 11 mar. 2019.

ADVFN. PIB real.[S. l.], 13 mar. 2019. Disponível em: https://br.advfn.com/indicadores/pib/pib-real. Acesso em: 11 mar. 2019.

BLANCHARD, Oliver. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.

GRUPO C – Macro 2019

Inflação, Mercados Financeiros, Nível de atividade, Política Monetária

K11-Eco: Economia brasileira: principais choques e respostas de política monetária

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

Ao analisar a conjuntura macro brasileira, nota-se um movimento de recuperação pós-biênio recessivo de 2015-16. O panorama estável nas principais economias do mundo deve persistir, enquanto o mercado interno apresenta reação em estágio inicial, com choques de oferta levando a inflação menor e expectativas convergindo para o centro da meta já em 2018.

No âmbito externo, há perspectiva de expansão da atividade econômica global. O crescimento nas economias avançadas – EUA, Japão, UE e Reino Unido – registrou aceleração no 2º trim. de 2017, repetindo o momento positivo vivido pelos países desenvolvidos nos últimos 5 trimestres. A China, maior parceira comercial do Brasil, manteve um ritmo de crescimento sólido, na casa dos 7%. Em termos de política monetária, há uma tendência de manutenção da condução expansionista, sobretudo no Japão. Nos EUA, a probabilidade de um aumento das fed funds vem caindo após ter beirado os 70% em Junho, estabilizando-se em torno dos 30%, reduzindo a possibilidade de que uma política restritiva por parte do ocasione saída de capitais capaz de refletir em variação do câmbio.

A recente trajetória dos principais indicadores de atividade econômica mostra sinais de recuperação gradual da atividade econômica. O cenário básico do Copom para a inflação envolve fatores de risco em ambas direções. Por um lado, a combinação de possíveis efeitos secundários do choque favorável nos preços de alimentos e da inflação de bens industriais em níveis correntes baixos e da possível propagação, por mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação corrente pode levar à queda da inflação. Por outro lado, uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação. O desempenho da safra agrícola teve efeitos expressivos sobre a atividade econômica. A dinâmica favorável dos preços de alimentos desde o 4º trim. de 2016 constituiu importante componente do processo de redução da inflação e surpresa desinflacionária, com impacto também favorável no PIB.

Os choques que propiciam um momento de expansão na economia brasileira, com aumento do PIB e queda na Inflação, exigem que o Banco Central utilize seus instrumentos de Política Monetária para garantir a estabilidade de preços. Além das respostas endógenas que o Banco Central já efetua – operando a política monetária para agilizar ajustes nos mercados financeiros – espera-se que do Banco Central uma postura ativista, que atue de forma a garantir que a inflação permaneça dentro da meta. Como as condições econômicas têm pressionado por inflação menor, espera-se que o Banco Central opere políticas monetárias expansionistas, com taxas de juros menores que a taxa de juros estrutural, incentivando o investimento produtivo e garantindo maior produto, com consequente aumento do nível de preços através dos ajustes no mercado de trabalho, garantindo que a inflação se mantenha na meta. Essa análise corrobora com a conduta adotada pelo Copom, que em reunião de Setembro anunciou diminuição da SELIC, deixando claro que sua conduta está sujeita as expectativas de inflação e a dinâmica econômica futura.

Pelos indicadores econômicos, podemos ver que a economia está caminhando para a estabilização e retomada da atividade produtiva. Devido à expectativa de crescimento menor da inflação, o relatório Focus de novembro mostra que o IPCA está em 3,09% e 4,04% para o próximo ano, mantendo-se estável e ainda dentro da meta de 4,5%. Já o câmbio, a tendência é que a moeda doméstica se deprecie (em relação ao dólar) de R$3,20 para R$3,30 ao final de cada período. A Selic tem a tendência de cair, a projeção para 7% até o final do ano, incentivando consumo e produção, a média é 6,88% em 2018, com previsão de finalizar em 7%; espera-se que o PIB aumente de 0,73% para 2,50%, devido ao maior crescimento da produção industrial e estabilidade do investimento no país e aliado ao avanço no primeiro trimestre.

 

Referências:” 

Valor Econômico – “Mercado corta projeção para inflação e taxa Selic, aponta Focus” (https://goo.gl/uEcWMB)

Focus – Relatório de Mercado 10/11/2017 (https://goo.gl/iEZUcE)

Relatório de Inflação – Setembro de 2017, Banco Central (https://goo.gl/o1GQkP)

Notas da 210ª Reunião do Comitê de Política Monetária (https://goo.gl/CJJ6Gd)

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10ª Edição.

 

Autores: Grupo K – Alunos de Economia Monetária

 

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Inflação, Nível de atividade

G9-Eco: Inflação e desemprego no Brasil

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

“A relação desemprego e inflação é comumente explicada pela Curva de Phillips (CP), que descreve um efeito negativo entre as duas variáveis. Entretanto, pelos dados dos últimos anos, percebemos que o caso brasileiro não pode ser totalmente explicado por tal teoria.

A figura 1 apresenta a relação entre a inflação e o desemprego no Brasil a partir de 2012. Através dos dados, percebe-se que a relação negativa entre inflação e desemprego não esteve presente no período total abrangido pela série, mas ocorreu em alguns períodos, como entre Jul/12-Nov/12 e Fev/16-Mar/17. No entanto, a partir de Abril de 2017, as variáveis movimentam-se na mesma direção, com redução no nível de preços e na taxa de desemprego.

A CP desenvolvida inicialmente representava um gráfico de dispersão utilizando dados de salários nominais e taxa de desemprego. Em seguida, dados de inflação foram utilizados no lugar de salários nominais e a relação negativa apresentada entre inflação e desemprego se tornou conhecida como a curva de Phillips.

A figura 2 apresenta um gráfico de dispersão, relacionando a inflação com o desemprego com dados do Brasil a partir de 2012. Esse resultado é o mesmo encontrado por Mishkin para dados dos Estados Unidos a partir dos anos 1970, em que não se verifica relação clara entre essas variáveis.

A CP novo keynesiana é a mais utilizada atualmente em estudos sobre a inflação. Nesta versão da CP, os agentes possuem expectativas racionais e existem falhas de mercado que geram certa rigidez nominal. Assim, tem-se que a diminuição do desemprego aumenta o poder de barganha dos trabalhadores, que exigem salários nominais maiores, aumentando o custo de produção que são repassados aos preços. Neste caso, tem-se que o desemprego é negativamente relacionado com a inflação, sendo esta a CP de curto prazo.

No entanto, no longo prazo, o mercado de trabalho deve estar em equilíbrio, de modo que a relação negativa entre desemprego e inflação desaparece.

Sachsida, Ribeiro e Santos (2009) estimam três CPs: CPs para os estados do Rio de Janeiro e de de São Paulo e CP para o Brasil. Os autores usam dados trimestrais de 1995 a 2008 e levam em consideração a mudança de regime, para isso, utilizam um modelo de Markov-switching.

Como proxy para a inflação, utilizam o IPCA. Como proxy para o custo marginal da empresa, são utilizadas diversas variáveis de acordo com a disponibilidade dos dados em nível estadual e nacional, sendo elas: massa salarial, utilização da capacidade instalada da indústria, taxa de desemprego e hiato do produto.

Após o estudo, os autores encontram evidências de que os parâmetros não são lineares. Além disso, ao adotar um modelo de mudança de regime, a expectativa de inflação passa a ter um coeficiente maior do que a inflação passada, sendo o oposto do que se encontra nos estudos em que não há mudança de regime, o que indica que modelos lineares podem subestimar o efeito da expectativa de inflação. Constataram ainda que os resultados não são robustos a alterações nas proxies e especificações adotadas, de modo que a curva de Phillips não é uma boa explicação para a economia brasileira no período considerado.

Embora a CP ainda seja uma das mais importantes relações macroeconômicas, vários economistas, incluindo Larry Summers, da Universidade de Harvard, apontam que a relação se “quebrou”. Uma das teorias é que isso ocorreu devido à competição internacional, que dificulta o aumento do preço dos produtos e dos salários. Outra teoria é a de que os Bancos Centrais se tornaram mais críveis no controle dos preços, sendo eles menos sensíveis à ciclos econômicos. Independe do motivo, a CP atualmente não é considerada uma boa ferramenta para prever a inflação.

Referências”

https://goo.gl/zGozUR

http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_1429.pdf

MISHKIN, Frederic. The
Economics of Money, Banking and Financial Markets
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10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

Autores: Grupo F

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Mercados Financeiros, Nível de atividade, Política Monetária

Política monetária brasileira via Regra de Taylor simples

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

“O Brasil viveu, na década de 90, um de seus mais intensos períodos de crise, marcado por taxas de inflação extremamente altas e elevada instabilidade econômica. A introdução do Plano Real em meados dessa década levou a um processo de estabilização dos preços e acarretou em um período póstumo marcado pela retomada da prosperidade econômica. Para estipular diretrizes para a política monetária brasileira, foi criado nesse período o Comitê de Política Monetária (Copom). As reuniões realizadas por esse Comitê estabelecem a taxa de juros desejada no momento, traçando estratégias para atingi-las. Em 1999, ainda, para atingir maior estabilidade de preços, foi adotado o sistema de metas de inflação, ancorando a moeda nacional às expectativas de inflação divulgadas com credibilidade pelo Banco Central.

O Federal Reserve Bank (FED), responsável pela condução da política monetária dos Estados Unidos da América, leva em conta, segundo Frederic Mishkin, a Regra de Taylor. Essa regra afirma que a taxa de juros nominal de um país deve ser escolhida a partir da seguinte equação:

taxa nominal = taxa de inflação + taxa de juros real de equilíbrio da economia + 0,5. (gap de inflação) + 0,5. (gap do produto)

(1) gap da inflação: diferença da inflação corrente e a meta da inflação da economia.

(2) gap do produto: diferença entre renda corrente e o nível de renda natural da economia.

Pode-se, então, concluir que as autoridades monetárias devem elevar a taxa de juros em maior proporção que o aumento da taxa de inflação.

Para verificar se o COPOM leva em conta fatidicamente a Regra de Taylor na determinação da taxa de juros nominal Selic, utilizamos um gráfico da taxa de juros Selic Regra de Taylor calculada em comparação com a taxa de juros Selic observada. Para isso assumimos o seguinte (FONTE????):

  1. Como taxa de juros real de equilíbrio foi usada uma média calculada no valor de 5%¹.
  2. Os valores das metas de inflação foram encontrados no próprio site do Banco Central (COPOM).
  3. Para calculo das taxas de inflação foi utilizado o IPCA acumulado de 12 meses.
  4. O desvio do produto potencial pode ser estimado em bases como o IBC – BR ao ser comparado com uma tendência linear do próprio (média de desvio da tendência) (A fonte de onde copiaram o gráfico diz que simplesmente não consideraram o gap do produto…)

 

FONTE:  http://terracoeconomico.com.br/a-regra-de-taylor-e-clara

A partir da análise do gráfico acima, pode-se perceber que há corriqueiros desvios da Regra de Taylor na determinação da taxa de juros nominal Selic por parte do COPOM (É isso que o gráfico mostra?). No período entre 2012 e 2014 pode-se observar uma das maiores discrepâncias entre as variáveis.

(Obs: A proposta era pegar os dados e fazer as contas, não copiar sem citar a fonte. O gráfico enviado pelo grupo foi produzido por http://terracoeconomico.com.br/a-regra-de-taylor-e-clara – apenas colocar o link nas referências não deixa claro que o exercício não foi feito pelo grupo. Eu que coloquei a fonte no post do grupo para evitar plágio no blog. :-/ )

 

Referências:

Taylor, John B. (1993), “Discretion versus Policy Rules in Practice”, CarnegieRochester Conference Series on Public Policy, 39:195-214.

A Taxa de Juros Natural e a Regra de Taylor no Brasil: 2003–2015 Fernando de Holanda Barbosa* Felipe Diogo Camêlo† Igor Custodio João‡

In Republican Attacks on the Fed, Experts See a Shift By BINYAMIN APPELBAUMAPRIL 7, 2015 New York Timer

In Republican Attacks on the Fed, Experts See a Shift By BINYAMIN APPELBAUMAPRIL 7, 2015 New York Timer

http://www.bcb.gov.br/Pec/metas/TabelaMetaseResultados.pdf

https://www.bcb.gov.br/glossario.asp?Definicao=1455&idioma=P&idpai=GLOSSARIO

http://terracoeconomico.com.br/a-regra-de-taylor-e-clara

https://www3.bcb.gov.br/sgspub/consultarvalores/consultarValoresSeries.do?method=trocarGrafico

http://www.scielo.br/pdf/rbe/v70n4/0034-7140-rbe-70-04-0399.pdf

 

Autores: Grupo I

Nível de atividade

Crescimento econômico x Flutuação macroeconômica

 

Autores: Grupo 13 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

As flutuações econômicas são caracterizadas por variações de curto/médio prazo, onde há a comparação da economia com o ano ou período anterior. Já o crescimento econômico se dá em longo prazo, onde se observam as comparações em uma escala mais ampla. Segundo Blanchard(4°ediçao) :“Nossas percepções sobre o desempenho da economia frequentemente são dominados pelas flutuações anuais a atividade econômica . Uma recessão leva ao pessimismo, e uma expansão leva ao otimismo. Mas, quando olhamos para trás e examinamos a atividade economia em períodos mais longos, digamos, no decorrer de muitas décadas, o cenário muda. As flutuações desaparecem. O crescimento, o aumento continuo do produto agregado ao longo do tempo se torna o fator dominante”.

Sobre o crescimento do Brasil:

Um fator que cada vez mais vem se tornando importante na determinação do crescimento econômico, no Brasil, é a produtividade. Esta, quando utilizada como medida geral denomina-se produtividade total dos fatores ou PTF, a qual retrata o crescimento de um produto por efeito da melhoria de sua elaboração, ou seja, através de avanços na tecnologia e aperfeiçoamento de gestão ou insumos de melhor qualidade, entre outros fatores. Pela teoria da produtividade total dos fatores podemos dizer que o produto de um país é criado pela cooperação entre os estoques de capital físico e de capital humano. Considerando como capital físico as estruturas utilizadas na produção de bens e serviços como máquinas equipamentos edifícios, etc, e o capital humano a capacidade de produção da força de trabalho sobre o tempo de estudo. Se observarmos duas economias que têm a mesma quantidade de capital físico e de capital humano, se uma dessas economias possuir o PIB maior do que a outra, consideramos que essa foi mais eficiente no uso de seu estoque de capital, portanto é mais produtiva. Ser mais produtivo, portanto, significa fazer mais produtos a partir de uma dada disponibilidade de capital humano e físico disponível na economia.

Resumidamente podemos citar que o crescimento do produto se deve a 4 fatores: aumento do estoque de capital físico, aumento da força de trabalho disponível, aumento do número médio de anos de estudos dos trabalhadores e o aumento da produtividade.

Recentemente a economia brasileira passou por grandes mudanças na sua estrutura produtiva. A indústria começou a ser um setor mais dinâmico, e a exportação se diversificou. Entretanto, a trajetória de crescimento do Brasil está relativamente inferior a dos demais países da América Latina com estrutura produtiva semelhante e também inferior à taxa de crescimento mundial.

 

Entre 1981 e 1990, a produtividade por trabalhador caiu 2% em média por ano. De 1991 a 2000, subiu 1,6% anualmente na mesma medida. O dado continuou positivo entre 2001 e 2010, mas o ritmo caiu para 1,2% ao ano. Entre 2011 e 2016, voltou a cair, agora com taxa média de 1,1% por ano. Tudo isso em contraste com o período anterior, entre 1950 e 1980, quando a produtividade do trabalho cresceu a uma média anual de 3,5%.Naquelas décadas, foi esse o principal fator responsável pelo crescimento expressivo da renda per capitado país (3,9% por ano, em média)”. O baixo crescimento da produtividade do brasileiro se deve por alguns fatores como, por exemplo:

Educação

Mesmo com o combate ao analfabetismo e o avanço de escolaridade da população o Brasil não viu reflexo disso em seus índices de produtividade, podemos ligar a fatores como, por exemplo, a questão da qualidade da educação (em 2014 40% dos universitários eram considerados analfabetos funcionais).

Tecnologia

“Em geral, associa-se a ideia de aumento de produtividade com o progresso tecnológico no âmbito da produção industrial. De fato, a criação de máquinas mais eficientes permite que se gere mais produção industrial a partir de uma mesma dotação de capital. Os países mais atrasados tiram proveito dos avanços tecnológicos dos países mais desenvolvidos, adaptando as tecnologias criadas por esses países sem incorrer nos custos de pesquisa e desenvolvimento, o que gera uma tendência à convergência na produtividade dos menos desenvolvidos com os países da fronteira tecnológica” Mesmo assim muitas vezes é caro importar maquinas e equipamentos, e os níveis de investimento nessa área são relativamente baixos e ainda falta incentivo publico a estimulo de inovação

Burocracia

A complexa burocracia brasileira e as deficiências de infraestrutura também têm um efeito importante sobre a produtividade das empresas. “É só notarmos a quantidade de pessoas que as empresas precisam empregar para conseguir pagar (processar) seus impostos – chegam a centenas de funcionários em grandes companhias como a Petrobrás. São pessoas que não trabalham na atividade-fim da empresa e, portanto, não ajudam a aumentar a produção”. O excesso de burocracia também favorece a manutenção das taxas altas de informalidade da economia – que pressionam o PIB e os índices de produtividade do país no geral.”

 

http://exame.abril.com.br/economia/produtividade-brasileira-nao-cresce-desde-1980-diz-estudo/

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/05/140519_produtividade_porque_ru

http://www.brasil-economia-governo.org.br/2012/10/01/o-que-e-produtividade-e-como-conseguir-seu-incremento/

https://www.insper.edu.br/wp-content/uploads/2014/09/Evolucao-Produtividade-Brasil.pdf

http://brasilemsintese.ibge.gov.br/industria/produtividade.html

Blanchard 4° edição.

http://seriesestatisticas.ibge.gov.br/series.aspx?vcodigo=ECE370

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Nível de atividade

O Cenário da Desigualdade, Pobreza e Desemprego no Brasil

 

Autores: Grupo 12 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

A desigualdade no Brasil decorre de nosso contexto histórico. Tanta disparidade vem principalmente das políticas fiscais injustas, dos baixos salários e da dificuldade da população em acessar os serviços básicos oferecidos pelo Estado, como a educação. Esta desigualdade traz consequências negativas para a economia, como o aumento da violência, do desemprego e da pobreza.

Para discutirmos tal tema, precisamos realizar uma retrospectiva histórica e analisar a política econômica  adotada por cada governo, para que vejamos o impacto no mercado e na vida dos agentes. Partindo do Plano Collor, implantado em 1991/92 e baseado inteiramente em uma política monetária rigorosa e em restrições fiscais, vemos que a adoção de tais medidas gerou uma contração da demanda, afetando negativamente a capacidade das empresas de impor margens de lucro e o poder de barganha dos trabalhadores. Consequentemente, houve um aumento no desemprego. Com isso, as experiências de política econômica caminharam para o insucesso e os preços continuaram se elevando, aumentando a instabilidade.

A essa realidade, seguiu-se o Plano Real. O Governo, planejando a curto prazo, buscou um trade-off entre inflação e desemprego. Pela curva de Phillips, dada a rigidez dos preços e salários da economia, apesar de os agentes serem possuidores de expectativas racionais, faz-se necessário um período para ajustar as expectativas. Com isso, o governo consegue diminuir a inflação e aumentar o desemprego. Entretanto, a longo prazo, a nova estabilidade econômica permite a implementação e sofisticação de programas sociais.

Isto pôde ser observado a partir de 2003, no primeiro governo Lula, que foi marcado por atitudes mais conservadoras como a elevação da taxa de desemprego a patamares de 13% ao ano. Devido ao desaquecimento da economia,  houve, já no segundo mandato, uma flexibilização das políticas adotadas, levando ao crescimento da economia e, consequentemente, à queda do desemprego, da pobreza e da desigualdade social, além da ascensão dos programas sociais.

Chegamos então ao governo Dilma, que mudou políticas econômicas (congelando preços e abaixando taxas de juros), gerando em seus últimos anos um aumento da taxa de desemprego, da desigualdade social e da taxa de pobreza.

Depois de todo esse percurso, chegamos à conjuntura atual, onde o pais corre o risco de retroceder nos avanços dos períodos anteriores, chegando a um desemprego de 13, 7% no primeiro trimestre de 2017, algo nunca visto nos últimos 25 anos. Dada a crise política que assola Brasil, acentua-se crise econômica que vem de 2008. Visto que antes a informalidade era maior, os demandantes de trabalho repassavam as perdas na produção e vendas oferecendo salários mais baixos, enquanto atualmente, num regime de trabalho mais formal, a demissão é a saída encontrada.

Este cenário acentua a pobreza, pois quem sofre os impactos são as camadas sociais mais baixas, ou seja, quem possui menos acesso a recursos acaba sendo mais prejudicado, e aqueles que já tinham pouco passam a ter menos ainda. Isso fez com que  o Brasil caísse 19 posições no ranking do Índice de Gini, tornando-se o décimo país mais desigual do mundo.

 

Fontes :

https://roselisilva.files.wordpress.com/2017/06/7c196-giniindex-grafico1.png

http://www.ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/TDs/td_0468.pdf

http://g1.globo.com/economia/noticia/desemprego-fica-em-137-no-1-trimestre-de-2017.ghtml

https://brasilfatosedados.files.wordpress.com/2010/09/1-5gc12.png?w=640&h=304

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/06/1890238-destruicao-de-emprego-na-atual-recessao-e-a-mais-forte-em-25-anos.shtml

http://alertasocial.com.br/?p=1704

https://oglobo.globo.com/economia/com-crise-desigualdade-no-pais-aumenta-pela-primeira-vez-em-22-anos-21061992

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