Política Fiscal

Grupo M – Política Fiscal contracíclica – Brasil e EUA

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A teoria keynesiana, introduzida na década de 1930, defendia políticas governamentais para controlar, ou ao menos, reduzir o tempo de impacto de crises da demanda agregada. Diferentemente dos clássicos que defendiam a não interferência do governo na economia, pois segundo sua teoria, a economia se ajustaria sozinha com o tempo (a mão invisível do mercado ajustaria as variáveis e retornaria o produto ao seu equilíbrio).

A política anticíclica busca tirar o país de seu ciclo econômico, seja de baixo crescimento ou extremo crescimento. No baixo crescimento, o governo deverá intervir com o aumento da demanda agregada. Quando em um período de crescimento exacerbado, acima do produto potencial, o governo deverá intervir criando políticas restritivas a fim de reduzir o produto para que se aproxime do produto potencial.

Faz-se importante ressaltar que a necessidade de um governo criar política anticíclica restritiva, a fim de reduzir o produto no curto prazo, é a necessidade de controlar a inflação, pois se a demanda for muito superior à oferta agregada, o produto real não crescerá, mas somente a inflação. Por isto o governo entra com uma redução na oferta de moeda ou no orçamento fiscal.

Brasil

Após a crise de 2008, o Brasil tomou como política anticíclica o aumento vertiginoso dos gastos públicos; porém para alguns economistas, a política durou por tempo demais, causando inflação no momento presente. Com a política fiscal expansionista, a demanda agregada aumentou, porém a oferta agregada não acompanhou na mesma proporção, e hoje vemos a crise de baixo crescimento e alta inflação.

Atualmente o Brasil está com um produto acima do seu produto potencial, isto se deve ao estado de estagflação e baixo desemprego. A fim de controlar o ciclo, e voltar ao produto potencial (e consequentemente a taxas de inflação menores) o governo federal está fazendo uma política restritiva fiscal, ou seja, aumento dos impostos e redução dos gastos do governo, no curto prazo.

A partir de 2015, o ministério da fazenda inicia um projeto para a redução do orçamento dos ministérios públicos (ver tabela 1.1) em cerca de quase R$70 bilhões. Ainda estão em aprovação outras medidas restritivas como a redução de gastos assistencialistas como o seguro desemprego, abono salarial, etc. Com estas últimas medidas o governo espera uma redução de R$18 bilhões.

Além da redução dos gastos do governo, o executivo brasileiro aumentou os impostos, como a volta da CIDE, o aumento do Pis/Cofins no combustível e do IOF para operações financeiras.

EUA

Quanto à política fiscal, os EUA, logo após a eleição de Obama, este entra com um projeto de saúde para os mais pobres e idosos, e também com um aumento nos gastos militares, para a guerra no Iraque; as duas políticas tanto a de saúde pública quanto a militar foram importantes para a recuperação americana, porém em 2013 houve uma grave crise politica entre democratas e republicanos devido ao teto da dívida ianque. O teto da dívida foi aumentado com o compromisso de redução dos gastos do governo ao longo do tempo.

A tabela 1.1 retirada do site www.g1.com.br mostra o orçamento previsto para o ano de 2015 e como ficou após o corte do orçamento.

M - Tabela 1.1

No gráfico 1.2, temos um gráfico (Ano; % do PIB) que demonstra o crescimento e depois a redução do orçamento do governo ao longo do período de 2008 a 2015.

M - Gráfico 1.2

 

Bibliografia:

http://pt.tradingeconomics.com

 http://www.vinciapogeo.com.br

http://g1.globo.com

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ECO E – Abenomics: política monetária recente no Japão

 

“Abeconomics é o termo utilizado para se referir ao plano keynesiano do primeiro ministro japonês Shinzo Abe para dar vida nova a economia japonesa. Esse plano possui uma abordagem em três frentes: políticas monetárias, fiscais e estruturais. O objetivo principal do plano é impulsionar o crescimento anual do PIB e elevar a inflação para 2% ao ano. Podemos analisar a partir dos gráficos abaixo a situação da economia japonesa desde Jan/2000. Podemos ver claramente que o Japão sofre nos últimos anos com uma deflação persistente, um crescimento do PIB que não passa de 2% ao ano e um constante aumento na relação Dívida/PIB.

 eco e 1

 eco e 2

 eco e 3

O plano inclui um pacote de estímulo de 210 bilhões de dólares, dos quais 116 bilhões seriam investidos em infraestrutura através dos gastos do governo. O BOJ (Banco do Japão) também dobrou a meta de inflação para 2% ao ano e o governo planeja criar 600 mil postos de trabalho em dois anos, além da implantação de cortes de impostos corporativos e aumento da força de trabalho para sustentar as reformas de longo prazo.

Para atingir a meta de 2% de inflação ao ano, o BOJ se comprometeu a adquirir títulos da dívida pública japonesa de curto prazo em um plano de compra de ativos, com início em 2014.

O primeiro ministro japonês também ordenou um pacote de estímulos de curto prazo de quase 100 bilhões de dólares em janeiro de 2013, destinado a projetos de infraestrutura como pontes, túneis e estradas resistentes a terremotos. Cerca de 1/3 do mesmo é destinado a estímulos de investimento privado e a promoção de geração de energia limpa.

Como tais políticas afetam a economia?

Com a flexibilização da política monetária, Abe espera reduzir as taxas de câmbio para incentivar as exportações e que gere, consequentemente, um aumento no lucro das empresas resultando em salários mais elevados. O impulso fiscal tem como objetivo estimular o crescimento no curto prazo, através de um aumento no consumo do governo e obras públicas de investimento. 

Os Riscos

Os críticos apontam para os principais riscos na execução das políticas, incluindo a hiperinflação e o possível colapso do Iene, bem como a possibilidade de que o plano de Abe pode fazer muito pouco para reverter a deflação profundamente enraizada. Outra crítica forte é sobre a relação Dívida/PIB (demonstrada no gráfico 3), que já passa de 200%.

A Realidade

A economia japonesa diminuiu o ritmo no segundo quarto do ano de 2014. De acordo com informações divulgadas em 8 de setembro, o crescimento nacional diminuiu 1,8% no período entre Abril e Junho desse ano. A queda mais acentuada nos últimos anos.

Ao mesmo tempo, os dados indicaram o declínio de mais 5% no investimento, renovando as preocupações sobre o futuro japonês. De acordo com economistas, a razão para esse crescimento negativo é a decisão do governo de aumentar a taxa cobrada sobre o consumo, que levou os consumidores, numa tentativa de pagar menos impostos, à adiantaram seu consumo para o primeiro quarto do ano, motivo por qual a venda de carros e outros bens no primeiro quarto do ano atingiram marcas extraordinárias. Contudo esse surto no consumo foi revertido no segundo quarto do ano.

Concluindo

Essa súbita contração naturalmente cria um sombra sobre a credibilidade do chamado Abenomics. O economista Marcel Thieliant, expert na economia japonesa diz que o governo japonês está tentando estabilizar as finanças públicas enquanto tenta manter o crescimento econômico, e que tal equilíbrio é de difícil conciliação, apesar de o economista dizer que a política Abenomics, está na direção correta.”

http://www.dw.de/abenomics-gains-distorted-by-consumption-tax-say-analysts/a-17911039

http://www.japantimes.co.jp/opinion/2014/09/14/commentary/world-commentary/next-consumption-tax-raise-painting-abe-corner/#.VBYMvV6ipfQ

http://www.cfr.org/japan/abenomics-japanese-economy/p30383

 

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ECEC L – Abenomics: política monetária recente no Japão

 

“O termo “Abenomics” refere-se às políticas econômicas aplicadas no Japão desde o final de 2012. É a junção de “Abe” que vem do nome do primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, responsável pela implementação dessas políticas, com economia (economics).

A Abenomics é dividida em três flechas: estímulo fiscal, afrouxamento monetário e reformas estruturais. O objetivo é fazer o país sair de duas décadas de deflação, que começaram desde o estouro da bolha de preços de ativos japoneses no início dos anos 90, através da desvalorização do iene decorrente de uma inflação proposital.

Duas semanas após assumir o cargo, Abe anunciou uma meta de inflação de 2% ao ano, para tanto, a impressão de moeda e os gastos do governo permanecerão em expansão. A euforia dos investidores na Bolsa de Tóquio favoreceu a desvalorização do iene entre 30% e 40% com relação ao dólar e ao euro, alcançando taxas de câmbio pré-crise, o que propiciou um grande aumento dos lucros dos grandes grupos exportadores do país. Em maio de 2013, o índice Nikkei escalou mais de 70% e recuperou o nível alcançado antes da quebra. Isso representou um bom estímulo ao consumo privado, que compõe 60% do Produto Interno Bruto (PIB) japonês.

A leve alta de preços dos últimos meses parece afastar o ciclo deflacionário que a economia japonesa sofreu nos últimos anos, e o PIB dá a impressão de ter retomado o caminho do crescimento. O crescimento do PIB japonês neste ano deve ser de 1,8% (estimativa mais recente), pouco acima do que o FMI projetava em outubro do ano passado (1,2%).

No entanto, os alicerces sobre os quais se sustentaram até agora esse avanço econômico são os que ressaltam dúvidas em torno do “Abenomics”. Porque as atuações do banco central devem perder a eficiência, os preços de ativos podem, novamente, entrar em território de bolha e a inflação pode rapidamente passar a ser um problema. Além disso, há pouca perspectiva de resolução do maior problema do Japão no longo prazo: a demografia. Com o crescente envelhecimento da população, é difícil imaginar quem vai sustentar o estado de bem-estar social e continuar servindo a dívida pública.

Sem contar que o Japão dificilmente voltará a ter um saldo comercial positivo até que Abe e seu governo não resolvam a situação energética do país, que viu aumentada sua dependência dos hidrocarbonetos que importa após o acidente em Fukushima, por causa do qual paralisou todos os seus reatores atômicos.

É por isso que o primeiro ministro visa buscar um maior envolvimento do setor privado para que este ciclo de alta de preços, de consumo e, definitivamente, de crescimento econômico, se torne mais sustentável.

Em resumo, os primeiros resultados da “Abenomics” chamam atenção para o poder da política monetária no curto prazo, sobretudo nos preços de ativos. Isso, porém, apenas adia o confronto com a possibilidade de estagnação estrutural.

Referências

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ECO N – Abenomics, vale a pena arriscar?

 

“Abenomics é o nome dado a uma série de medidas econômicas introduzidas pelo primeiro ministro do Japão, Shinzo Abe, que tenta recuperar a economia que se encontrava estancada desde os eventos de 2011, o terremoto e o tsunami, que devastaram e agravaram ainda mais a contração econômica enfrentada pelo país.

A meta é sair da deflação que o país se encontra ao fixar metas de inflação anuais de 2%, ou seja, o governo provocará uma inflação intencional desvalorizando sua moeda. Para isso, foi estabelecida uma política que consiste em três pilares: uma política monetária ousada, uma política fiscal flexível e a expansão do investimento privado, o que abrirá mais a economia e aumentará o intercâmbio comercial.

Abe assumiu o cargo em dezembro de 2012, e já em fevereiro o Iene atingiu grande desvalorização, a bolsa disparou, e as exportações e consumo também se elevaram, porém o investimento privado ainda não atingiu o patamar esperado para acabar com a deflação.É justamente na terceira medida, investimento privado, que está a chave para o crescimento rápido e estável da economia japonesa, porém as restrições governamentais, alta burocracia e impostos, são obstáculos para tornar o mercado flexível e competitivo em âmbito internacional. Para contornar essa situação, Abe criou novos órgãos para ajudar na reforma administrativa, e vem acompanhando comitivas de empresários em diversos países na intenção de realizar investimentos externos.

As medidas tomadas pelo primeiro ministro são consideradas por muitos, como “um gigantesco experimento em política monetária” como disse Greg Ip, da “Economist” e geram grandes discussões sobre sua eficácia.  Também podemos compará-la com a política econômica brasileira, denominada “Dilmanomics” pela Folha de S. Paulo, que faz uma analogia entre ambas, apesar das diferenças estruturais e passadas dos dois países.

Um exemplo é em relação ao Banco Central, onde no Brasil existem várias críticas a respeito do suposto rompimento da independência desse órgão, que teria se tornado um aliado da política econômica pró-crescimento, abandonando o papel de guardião da moeda; enquanto no Japão, o primeiro ministro não teve nenhum receio em anunciar uma “mudança de regime” ao instalar um presidente para o Banco do Japão que pretende inundar o mercado de dinheiro para elevar a inflação. A questão é que como o Japão viveu um período de profunda deflação, a medida para se obter o crescimento econômico não é absurda como seria se ocorresse no Brasil, que já possui inflação elevada. Porém não é esse o ponto, a análise se faz na utilização do Banco Central como um instrumento de política econômica , realizando as metas impostas pelo governo.

Outra comparação está presente num anúncio feito pelo presidente sobre um pacote de estímulo à economia, de bilhões de reais, dos quais grande parte virá do governo japonês, o que implica em uma forte e inquestionável intervenção governamental. Se por outro lado, o Brasil estivesse passando pelo mesmo momento econômico japonês e adotasse essa medida, a reação no país seria contrária, de gritaria e revoltas a respeito das intervenções do governo.

Portanto, a questão é: por que os japoneses podem experimentar e os brasileiros não?

Outro ponto interessante para se debater, é a independência do Banco Central, de grande discussão nas propostas dos candidatos à presidência.

 Para quem tiver interesse seguem links com os dados específicos do processo no Japão, e com matérias em revistas internacionais que abrangem diferentes pontos de vista:

 

http://blogs.xl.pt/massamonetaria/abenomics-vai-salvar-o-jap227o/

http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2014/08/13/interna_internacional,557949/forte-queda-do-pib-japones-pressiona-o-metodo-abenomics.shtml

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Cultura Econômica, Ensinando Economia, Nível de atividade, Política Fiscal, Política Monetária

Palestra DSGE na Semana MAN

 

Participei da 10a. Semana da Matemática aplicada a Negócios (MAN) na tarde de hoje, falando um pouquinho sobre os modelos dinâmicos estocásticos de equilíbrio geral (DSGE – Dynamic Stochastic General Equilibrium) para os estudantes do curso. A ideia foi mostrar um caminho de aplicações possíveis para os instrumentos que estudam ao longo do curso e motivá-los a estudar ainda mais matemática estatística!!

Segue a apresentação. Críticas e sugestões são bem-vindas!

 

 

Cultura Econômica, Ensinando Economia, Inflação, Mercados Financeiros, Nível de atividade, Política Fiscal, Política Monetária

III Encontro Nacional dos Blogueiros de Economia

Mais uma vez, meu amigos Cristiano Costa e Cláudio Shikida organizam o evento com empenho e competência, e teremos mais um Enbeco!! Tenho certeza de que será muito  bem-sucedido, tanto quanto as versões anteriores! A programção está ótima e ocorrerá em Vitória dessa vez. Todos estão convidados e as inscrições devem ser realizadas aqui.

III-ENBECO

Bom evento a todos!

Política Fiscal

Carga tributária

 

Tema recorrente no debate econômico nacional, nosso sistema tributário ganhou recentemente um detalhado e atualizado estudo, financiado pelo Banco Interamericado de Desenvolvimento e realizado por  José R. Afonso, Julia M. Morais e Kleber P. Castro, intitulado “Avaliação da estrutura e desempenho do sistema tributário Brasileiro – Livro branco da tributação brasileira“. 

Para instigar a leitura desse importante estudo, reporto dele dois gráficos que falam por si:

Carga 2010 Carga-IDHBoa leitura a todos!

 

Cultura Econômica, Mercados Financeiros, Política Fiscal

O II Enbeco

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No ultimo dia 09 de março, encontramo-nos em Belo Horizonte, no Ibmec, para a realização do II Encontro Brasileiro de Blogueiros de Economia (Enbeco), organizado por Claudio Shikida e Cristiano Costa. No primeiro painel do evento, participaram os colegas Angelo Fasolo (The Duke of Hazard), Celso Toledo e Fabio Kanczuk (A Consciência de três Liberais), Drunkeynesian (Anônimo, mas não mais para os participantes do encontro!), que falaram sobre a crise do euro e o caso da Grécia, e concordaram que, após o ajuste da dívida grega, acabou a crise do euro, mas sem uninanimidade sobre a saída ou não da Grécia da zona do euro.

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No segundo painel, participamos eu, Thomas Kang (Oikomania) e Claudio Shikida. O tema era o uso dos blogs na sala de aula, eu iniciei o painel contando um pouco da minha experiência em usar o blog como repositório de textos sobre temas de macroeconomia e finanças, mas também como estratégia didática, com atividades que envolvem a participação ativa dos estudantes, conectadas a atividades em sala de aula e, obviamente, com avaliação e nota. Os colegas do painel contaram um pouco da história de seus respectivos blogs, mas sem um foco muito específico no tema. Num momento em que a internet ja vem revolucionando a educação, esse é um tema que não atrai os colegas professores de economia, aqui no nosso mundo – a maior parte vai mesmo na linha do “chalk and talk”… (veja esse post).

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O último painel contou com a participação de Cristiano Costa, Felipe Salto (Blog do Felipe Salto) e Fernando Meneguin (Brasil, Economia e Governo), tratando do tema fiscal, com a entusiasmada atuação do Cristiano, tentando chamar a atenção da platéia para o absurdo que é nossa estrutura tributária.

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Foi um encontro bastante divertido e informal, muito bem organizado, e que rendeu bons debates de idéias e, mais importante, a oportunidade para o público de conhecer um pouco mais das contribuições da blogosfera para a disseminação de informações e análises técnicas ou normativas sobre temas de economia.

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Obrigada a todos, patrocinadores, participantes e painelistas, e principalmente, ao Cláudio e ao Cristiano, pela organização do evento! 

Experiências no pós-doc, Mercados Financeiros, Política Fiscal

European Safe Bonds: uma solução viável?

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A crise da dívida na zona do Euro tem sido um dos principais assuntos na mídia internacional nos últimos meses. Não vou ficar chovendo no molhado, aqui. Mas, assistindo a um painel sobre o assunto promovido pelo Program for Economic Research de Columbia Economics, há cerca de duas semanas, que teve como participantes Richard Clarida (columbia Economics), Ricardo Reis (Columbia Economics) e Charles Calomiris (Columbia Business School), algumas perspectivas interessantes sobre o assunto foram debatidas, dentre elas a proposta de criação dos European Safe Bonds (ESBies), defendida por Ricardo Reis.

Clarida foi o primeiro a falar e se posicionou muito contrariamente às “exigências absurdas” da Alemanha para que Grécia, Espanha, Itália e Irlanda absorvam, por meio de seus governos, as dívidas de seus bancos a fim de evitar uma crise bancária sem precedentes, que se espalharia como fogo pelo sistema bancário europeu, uma vez que alemães e franceses são os principais detentores de tais dívidas.

Calomiris (ele é muito bem-humorado e distribuiu um instigante texto de 9 páginas que pode ser encontrado aqui) argumenta que a saída para a Grécia é mesmo o calote e a reestruturação da sua dívida, para o quê necessita, sim, deixar a zona do euro. Em sua avaliação, os países em crise apresentam três distintos problemas que requerem diferentes respostas de política econômica: 1) sobre-endividamento; 2) elevados déficits acompanhados de sobre-endividamento; e 3) perda de competitividade; – a Grécia conjuga os três, por isso requer tratamento emergencial. E Portugal vai no mesmo caminho… Já Irlanda e Espanha parecem não estar em rota de insolvência fiscal, principalmente se não absorverem as dívidas externas de seus bancos locais. E para ele, a Itália poderia resolver rapidamente o problema de sustentabilidade da dívida (sobre esse assunto, veja esse post) se cortasse gastos fiscais, mas isso parece pouco provável pois está politicamente quebrada. O final de seu texto não é muito animador: os governos preferem postergar medidas impopulares e o resultado provável será uma sequência caótica de medidas emergenciais e ad hoc, pouco coordenadas, tomadas em resposta às corridas aos bancos na Grécia ou em outro lugar, conforme depositantes desconfiem da conversibilidade de seus depósitos.

Ricardo Reis apresenta uma saída interessante e baseada nos mercados financeiros no lugar dos governos, propondo a criação de um ativo seguro para a e zona do euro, os ESBies. Essa proposta se consolidou a partir dos estudos e discussões de um grupo de economistas europeus (macroeconomistas e economistas financeiros)  que se reuniu no grupo denominado Euro-nomics e que tem como objetivos “systematically identify the weaknesses of the Eurozone design that have caused this crisis and propose remedies to end it”, nas palavras do próprio. O argumento principal para a proposta é que o mercado de dívidas soberanas da eurozona é fragmentado, e vem sendo tratado na última década como se todas as dívidas tivessem o mesmo grau de risco, o que, de certa forma, propiciou o fácil e crescente endividamento dos países que hoje se mostram insustentáveis. Além disso, tal fragmentação não propicia que os títulos europeus façam face aos títulos do tesouro americano, que, assim, ganham espaço como referência global de ativo livre de risco. A operacionalização da proposta exigiria a criação de uma nova instituição européia, a European Debt Agency(EDA), que desmembraria o portfólio das dívidas soberanas dos países membros em duas partes, os ESBies propriamente, que funcionaria como ativo livre de risco, e um “título junior” (junior claim??) que absorveria as possíveis perdas do conjunto de títulos, podendo servir como meio de investimento ou especulação de curto prazo.

A proposta é ousada e requer todo um esforço de institucionalização complexo, mas não impossível, em minha opinião. Porém, quanto mais a eurozona se afundar no prognóstico de Calomiris, mais difícil e custosa será a implementação de tal proposta. 

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Desemprego nos Estados Unidos

 

Há alguns dias, Paul Krugman (o verdadeiro, claro, e não aquele meu ex-aluno reprovado por falta!!), em sua coluna no New York Times reforçou mais uma vez o coro (pequeno, é certo) das vozes que tentam trazer o combate ao desemprego para o centro do debate político nos Estados Unidos, novamente. Chamou de o “erro de 2010” o estímulo pequeno e por um período curto realizado em 2009 pelo governo americano, insuficiente para sustentar a rota de retomada pós-crise financeira. Ainda no início de 2010, continua ele, era possível notar que os efeitos do estímulo já estavam desaparecendo e, ainda assim, o debate político encabeçado pela direita e apoiado por muitos experts se voltava para a necessidade de controlar o déficit fiscal, considerado, então, o inimigo público n° 1.

A taxa de desemprego americana voltou a patamares do início da década de oitenta, anos de forte recessão como efeito da política monetária contracionista da década anterior que objetivou debelar o processo inflacionário (a estagflação da década de setenta). Porém, a recuperação foi relativamente rápida. O gráfico abaixo ilustra o comportamento da taxa de desemprego americana até o momento:

Em 2009, o desemprego alcançou 9,3% da força de trabalho e 9,6% em 2010. As estimativas do Fundo Monetário para os anos seguintes (8,5% e 7,7% para 2011 e 2012, respectivamente) não são nada animadoras e prenunciam um custo social muito mais elevado para a sociedade que muitos parecem não querer enxergar. 

Para abafar as possíveis vozes em favor de políticas eficientes contra o desemprego, talentos são execrados do centro de comando da economia americana. Peter Diamond desabafa, também no New York Times, que, para os Republicanos, “um prêmio Nobel não é suficiente“. Afinal, segundo um senador republicano ““Does Dr. Diamond have any experience in conducting monetary policy? No,” he said in March. “His academic work has been on pensions and labor market theory.” “.

Ignorância ou má-fé? Ou ambas? 

Concordo com P. Diamond:

“In reality, we need more spending on some programs and less spending on others, and we need more good regulations and fewer bad ones.

Analytical expertise is needed to accomplish this, to make government more effective and efficient. Skilled analytical thinking should not be drowned out by mistaken, ideologically driven views that more is always better or less is always better.

O debate político americano parece equivocado e em defesa dos rentiers (mais uma pitada de Krugman aqui). E mesmo numa cidade dinâmica como New York os efeitos são visíveis: em geral homens, aparentemente na faixa etária dos 45-55 anos, desempregados e com seus “cartazes-história” pedem ajuda nas ruas, nos metros, e, envergonhados, desculpam-se por precisar fazer isso. Triste e preocupante.