Crise 2007-2008, Mercados Financeiros, Política Monetária

F-ECO: O que são e como funcionam as Políticas Macroprudenciais?

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“Políticas macroprudenciais são medidas que visam fortalecer o sistema financeiro, reduzindo o risco tipicamente procíclico do mesmo. Esse comportamento ocorre porque em períodos de expansão econômica, há incentivos para demasiada expansão do crédito, elevando o risco das operações. Seu objetivo final é suavizar o risco no tempo, ao conter expansões de crédito em períodos de boom e assegurando a liquidez em períodos de contração.

Os instrumentos podem ser separados em dois grupos: os de dimensão temporal, que buscam conter a prociclicidade do risco, e os de dimensão cross-section, onde objetiva-se controlar esse risco em um dado momento, considerando a contribuição de cada instituição financeira para tal. Dentro do primeiro grupo são utilizados os seguintes instrumentos:

  • Provisão de perdas para devedores duvidosos, de forma que o risco de empréstimos seja minimizado;
  • Requerimentos mínimos de capital, utilizados de forma anticíclica, para que eles sejam mais elevados em períodos de expansão e mais baixos em períodos de contração, elevando e reduzindo o fluxo de crédito de acordo com a conjuntura;
  • Recolhimentos compulsórios: Instrumento capaz de influenciar a capacidade de empréstimo dos bancos. Também deve ser utilizado de forma anticíclica.
  • Loan-to-value ratio: Razão entre o valor dos ativos emprestados e o colateral. A razão tende a diminuir nas fases de expansão e aumentar nas fases de contração. A regulamentação teria como objetivo tornar a avaliação do colateral menos sensível ao preço do ativo;
  • Descasamento de moedas: Evitar o descasamento de moedas tem o intuito de fortalecer o sistema financeiro, principalmente para países com moeda internacionalmente fraca, uma vez que o endividamento externo é procíclico.

Em relação ao segundo grupo, destacam-se medidas para regular o capital dos bancos, com enfoque nas operações de ativos e passivos das instituições.

Políticas Macroprudenciais no caso brasileiro

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No caso do Brasil, observa-se a utilização de políticas macroprudenciais no período imediatamente anterior à eclosão da crise. Naquele período, ainda de expansão econômica, o Banco Central aumentou os recolhimentos compulsórios devido a aceleração das operações de crédito, buscando impedir seu crescimento desenfreado. Ao mesmo tempo, a taxa básica de juros manteve-se elevada, como forma de controlar as pressões inflacionárias.

Com a deflagração da crise, o recolhimento compulsório mais uma vez foi utilizado como ferramenta para manter a saúde do mercado financeiro. Dessa vez, percebe-se o processo de queda do mesmo, com o intuito de resguardar a liquidez dos bancos no cenário de crise. Paralelamente, a SELIC começa uma trajetória de queda.

Em um terceiro momento, no começo de 2010, o Banco Central do Brasil considera que o sistema financeiro está seguro e portanto, mantendo a lógica de uma política macroprudencial anticíclica, os recolhimentos compulsórios voltam a aumentar e a SELIC também começa um movimento de elevação.

Assim, podemos ver que a relação entre políticas macroprudenciais e política monetária no caso brasileiro é de fato complementar, uma vez que ambas foram utilizadas de forma conjunta para, ao mesmo tempo, manter a inflação sob controle, através das taxas de juros, e manter o sistema financeiro protegido do risco, na medida do possível, por meio da movimentação do recolhimento compulsório.

A crise ensinou que o uso de um único instrumento de regulação é insuficiente, forçando a política monetária a olhar para outros aspectos e, assim, surge o papel da medida macroprudencial, que afeta o canal de crédito.

 

Bibliografia:

INFOMONEY. Entenda melhor o que são medidas macroprudenciais e sua atuação na economia. Disponível em: <http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2066656/entenda-melhor-que-sao-medidas-macroprudenciais-sua-atuacao-economia>. Acesso em: 19 set. 2016.

MISHKIN, F. S. The Conduct of Monetary Policy: Strategies and Tactics, In: The Economics of Money, Banking and Financial Markets. Cambridge: Pearson Publishing, 2012. p. 399

OLIVEIRA, G.C.; ROLIM, L.; BLIKSTAD, N. Regime de metas para a inflação e medidas macroprudenciais: uma análise à luz da experiência brasileira recente (2008-2013). Revista Pesquisa & Debate, São Paulo, v.27, n.1, p. 27, mar. 2016.”

 

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Inflação, Política Monetária

E-Ecec: A busca da estabilidade e o regime de metas de inflação: lições do caso brasileiro

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“Buscando reverter as expectativas e restabelecer a credibilidade da política monetária devido à mudança de regime cambial em janeiro de 1999 – depois de um período de estabelecimento de uma âncora nominal baseada no câmbio (1995-1998), o BCB reconheceu a urgência de uma âncora nominal para a economia por meio do regime de metas de inflação, ou inflation targeting (IT). Em 21 de junho desse ano, o país aderiu formalmente a esse sistema com o decreto 3.088. Nove dias depois, a Resolução 2.615 definiu o índice de preços e as metas para 1999 e para os próximos dois anos.

No regime de metas de inflação, a autoridade monetária anuncia publicamente metas para a inflação futura, isto é, adota uma atitude forward-looking, com ações de comprometimento com a meta estabelecida. Entre os elementos fundamentais do IT, são apontados por Mishkin:

  1. anúncio público de metas numéricas de médio prazo para a inflação;
  2. comprometimento institucional com a estabilidade de preços;
  3. a atuação da autoridade monetária deve ser pautada na transparência e comunicação;
  4. mecanismos de monitoramento da atuação da autoridade monetária.

Para analisar a implementação das metas de inflação é relevante considerar aspectos como o índice de preços, largura da banda de variação, horizonte da meta, cláusulas de escape e prestação de contas em caso de descumprimento. No Brasil, bem como na maior parte dos países que adotam IT, foi escolhido um Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), tendo como horizonte da meta o período de 12 meses.

A Figura 1 mostra a flutuação do IPCA e da expectativa de inflação Focus, bem como o intervalo de tolerância praticado em cada período:

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Desde sua adoção, a inflação efetiva ultrapassou o intervalo de tolerância em 2001, 2002, 2003 e 2015, como mostrado detalhadamente na Figura 2. Toda vez que as metas estabelecidas pelo CMN não são cumpridas, cartas públicas do Presidente do BCB são enviadas para o Ministro da Fazenda explicando os motivos do descumprimento e as medidas para atingir o que foi inicialmente proposto.

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O contato com o público não é uma exclusividade dos Bancos Centrais que adotam o regime de metas de inflação. Porém, as autoridades monetárias que o adotam tomam um passo a frente ao publicarem documentos como os Inflation Reports. Esses esforços decorrem do que é apontado por Mishkin quanto a questão da transparência ser um elemento fundamental para o IT. Em 2002, a carta do presidente do BCB revela que o descumprimento da meta foi explicado pelo cenário internacional e pelo efeito da forte depreciação do real sobre os preços de 2001, tônica que persiste na carta de 2003. No ano seguinte, a persistência da inflação e da deterioração das expectativas impediram o cumprimento da meta nos limites estabelecidos.

Em 2016, o fator preponderante foi a intensidade inesperada do ajuste dos “preços administrados” em relação aos “preços livres” e dos preços domésticos em relação aos internacionais. Como ações previstas para convergir à meta, a carta ressaltou a importância de se manter vigilante aos ajustes de preços relativos de forma a ancorar as expectativas novamente.

Por fim, como aponta Minella e outros (2002), o regime de metas de inflação passou a ser um importante mecanismo coordenador de expectativas, de forma geral, orientando o processo de formação de preços. Os movimentos de política monetária passam a ser mais previsíveis ao mercado no médio prazo e as expectativas de inflação podem ser formadas com mais eficiência. A partir do momento em que a política monetária constroi credibilidade, os reajustes de preços tendem a ser próximos à meta. Uma consequência, verificada na experiência brasileira, refere-se à redução do grau de persistência da inflação.

 

Referências

BOGDANSKI, Joel; TOMBINI, Alexandre A.; WERLANG, Sergio R. da C. Implementing inflation targeting in Brazil. Banco Central do Brasil. Working Paper, n. 1, 2000. Dsiponível em: <https://www.bcb.gov.br/pec/wps/ingl/wps01.pdf&gt;

MISHKIN, Frederic S. The economics of money, banking, and financial markets. Pearson education, 2013.

MINELLA, André et al. Inflation targeting in Brazil: lessons and challenges. Banco Central do Brasil Working Paper, n. 53, 2002. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/pec/wps/ingl/wps53.pdf&gt;

MINELLA, André et al. Inflation targeting in Brazil: constructing credibility under exchange rate volatility. Journal of international Money and Finance, v. 22, n. 7, p. 1015-1040, 2003. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pec/wps/ingl/wps77.pdf

SILVA, R. Estabilidade Econômica e metas de inflação: uma avaliação do caso brasileiro. Tese (Doutorado), FEA/USP, São Paulo, 2002.

 

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Política Monetária

E-ECO: Uma comparação entre os instrumentos de política monetária no Brasil e nos EUA

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Introdução

Sabemos que existem 3 principais instrumentos que afetam a política monetária, são elas:

  • Reservas compulsórias
  • Taxas de redesconto
  • Operações no open Market

Os objetivos nos EUA e Brasil no que diz respeito ao manuseio dos instrumentos monetários são os mesmos, mas os meios para consegui-los são distintos.

Caso Brasileiro

A gestão de política monetária do Brasil geralmente se da em open Market e reservas compulsórias. A taxa de redesconto de liquidez não é utilizada no Brasil, pois temos um sistema de pagamentos muito avançado em questão de tecnologia. Pois os fluxos de caixa são feitos em tempo real. Com este sistema, os riscos de liquidez passam a ser dos bancos comerciais e não do banco central, sendo assim, os bancos comerciais são obrigados a assumir esses riscos e terminar o dia sem estarem no “vermelho”. O banco central não remunera as reservas dos bancos comercias junto a ele como acontece nos EUA, impossibilitando (ops!!) assim a formação de um mercado de reserva.

Comparação com o caso americano:

A política monetária dos EUA é condensada nas reservas compulsórias e voluntárias. Isso ocorre porque o FED paga aos bancos comerciais uma taxa para as reservas guardadas junto a ele, criando assim um mercado de reservas nos EUA.

Como todo mercado existe também uma taxa (iff – interested federal funds). Como as reservas dos bancos americanos são lastreadas em títulos públicos, esta taxa do banco central americano vem da formação dos mercados de títulos. Com este esboço podemos apresentar a curva de oferta de reserva deste mercado como a somatória das reservas não emprestáveis (MBn – nonborrowed monetary base), que são as operações de open Market e as reservas emprestáveis (BR – borrowed reserves), que consiste nas compulsórias e voluntárias, que, para serem retiradas do FED, devem pagar uma taxa de redesconto. A formação da demanda neste mercado consiste na atuação dos bancos comerciais.

­­­Relação dos Depósitos Compulsórios com o Multiplicador Monetário

Depósitos compulsórios são instrumentos de política monetária e de preservação da estabilidade e a Solidez do Sistema Financeiro Nacional e influenciam o multiplicador monetário, ampliando ou reduzindo o volume de recursos que os bancos podem transformar em crédito para a economia e, dessa forma, controlam a expansão dos agregados monetários.

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Figura 1 – Depósitos Compulsórios Brasil 09.2006 à 09.2015

Como visto anteriormente, o depósito compulsório possui uma relação inversa com o multiplicador monetário, pois quanto maior os depósitos compulsórios, menos recursos os bancos terão para emprestar e menor será o multiplicador monetário.

Utilização dos compulsórios na crise internacional de 2008

Nos países mais expostos aos papéis lastreados em hipotecas subprime do mercado imobiliário norte-americano houve uma rápida deterioração dos indicadores de solvência dos bancos e motivou a adoção de medidas emergenciais de contenção da crise. Entretanto no Brasil, as medidas adotadas foram para atenuar os efeitos da crise sobre o sistema bancário doméstico para compensar a diminuição da liquidez nos mercados financeiros. O confortável volume de depósitos compulsórios possibilitou ao BCB injetar liquidez no sistema bancário e contribuiu para normalização das condições de crédito. Houve uma liberação seletiva de recursos que deveriam ser direcionados a aquisição de ativos ou realização de depósitos de/em bancos pequenos e médios. Os recursos foram liberados para aplicação em instituições com Patrimônio de Referência de até R$7 bilhões que não fizessem parte dos conglomerados dos aplicadores. Para evitar a concentração, cada banco poderia aplicar somente 20% de tais recursos em uma mesma instituição. Essas medidas ocasionaram uma redução do montante agregado recolhido, de pouco mais de R$ 250 bilhões para cerca de R$ 180 bilhões.

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Fiugra 2 – Evolução do Recolhimento Compulsório 03.2008 à 03.2016

Referencias Bibliográficas:

https://www3.bcb.gov.br/sgspub/localizarseries/localizarSeries.do?method=prepararTelaLocalizarSeries

http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus/faq%2012-depósitos%20compulsórios.pdf

https://www.federalreserve.gov/monetarypolicy/fomc.htm

MISHKIN, F. “Economics of Money, Banking and Financial Markets, 10th Edition.”

Notas de Aula

 

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Mercados Financeiros, Política Monetária

D-Ecec: FED e Banco Central Brasileiro: Uma comparação entre suas estruturas e ferramentas de Políticas Monetárias

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Segundo Mishkin, a estrutura do FED tem a seguinte composição:

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  • Board of Governors – BoG: Composto por 7 diretores aprovados pelo senado, sendo todos sendo membros FOMC. Indicam 3 diretores para cada FRB que não tenham ligação com o sistema bancário. É responsável por definir a taxa de redesconto e a taxa de reservas compulsórias.
  • Federal reserve banks – FRBs (12 unidades): Pareceria público-privada, sendo a parte privada bancos comerciais que compram ações dos FRBs. São responsáveis pela emissão de moeda e pela coleta de informações que orientam as políticas monetárias. A participação privada indica 6 diretores para cada FRB, sendo 3 banqueiros e 3 do setor de bens e serviços.
  • Federal Open market Committee – FOMC: Composto pelos 7 Governors e por 5 diretores dos FRBs. O presidente do BoG é também presidente do FOMC. É órgão responsável pelas decisões quanto a operações de open market.

Atribuição de atividades no sistema financeiro do Banco Central Brasileiro:

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  • Conselho Monetário Nacional (CMN) é o órgão superior do Sistema Financeiro Nacional e tem a responsabilidade de formular as políticas monetárias e de crédito, objetivando a estabilidade da moeda e o desenvolvimento econômico e social do País.
  • Comissão Técnica da Moeda e do Crédito (Comoc) atua como órgão de assessoramento técnico na formulação das políticas monetárias e do crédito do País.
  • Banco Central do Brasil é o principal executor das orientações do Conselho Monetário Nacional, dentre suas funções estão:

                   → realizar operações de redesconto e empréstimo às instituições financeiras;

                   → receber recolhimentos compulsórios e voluntários das instituições financeiras;

                   → efetuar operações de compra e venda de títulos públicos.

  • Comitê de Política Monetária (Copom) Tem objetivo de estabelecer as diretrizes da política monetária e de definir a taxa de juros, esta é fixada na reunião do Copom é a meta para a Taxa Selic (taxa média dos financiamentos diários, com lastro em títulos federais, apurados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia)

 

Comparando ferramentas de políticas monetárias (Bacen x FED)

 

  • Taxa de redesconto – Enquanto nos EUA é um Instrumento de Pol.Monetária importante, no caso brasileiro isso não acontece. O Sistema Pagamentos Brasileiro possibilita que os desequilíbrios bancários sejam sanados entre os próprios bancos através de títulos de curtíssimo prazo (1 dia) chamados Certificados de Depósito Interbancário (CDIs). Atualmente, a taxa de redesconto determinada pelo FED está fixada em 1%. Já no caso brasileiro, a taxa de redesconto é baseada na taxa básica de juros (Selic) mais 1%.
  • Reservas Compulsórias: Fazendo um comparativo sobre a taxa de depósitos compulsórios à vista, temos uma discrepância nas apresentada pelo BACEN e pelo FED. Enquanto o primeiro obriga bancos comerciais e outras instituições financeiras a depositarem 45% de suas captações em depósito à vista, o FED, por lei, cobra uma taxa que pode variar de 7% à 22%, permanecendo normalmente perto dos 10%.
  • Open market: Ambos FED e BCB operam com títulos pós (Treasury Inflation Protected Bonds; NTN-B)  e pré-fixados (Treasury Bonds; LTN e NTN-F). As operações podem ser de caráter temporário, com compromisso de recompra visando ajustar a oferta de moeda no curto prazo, ou permanente, visando ajustes em resposta a movimentos econômicos de longo prazo.

Sistemas de metas de inflação:

Desde 1995 o Brasil utiliza o sistema de metas de inflação com bandas cambiais (Houston, we have a problem!!) para buscar a manutenção das taxas de inflação em níveis baixos. Após a definição da meta CMN,, o Banco Central brasileiro possui total responsabilidade e independência operacional para conduzir a política monetária e atingir a meta;

Já nos EUA, o FED adotou a política de meta de inflação após o ano de 2012, visando, além do controle de preços, que a economia retorne ao nível natural de desemprego.”
Referências:

http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/568/1163.pdf?sequence=2&isAllowed=y

https://www.newyorkfed.org/medialibrary/media/markets/omo/omo2015-pdf.pdf

http://www.bcb.gov.br/pre/composicao/composicao.asp

http://www.bcb.gov.br/htms/copom/a-hist.asp

http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus/faq%2012-dep%C3%B3sitos%20compuls%C3%B3rios.pdf

http://www.fgv.br/professor/fholanda/Arquivo/Sistfin.pdf

https://www.federalreserve.gov/monetarypolicy/fomc.htm

MISHKIN, F. “Economics of Money, Banking and Financial Markets, 10th Edition.”

 

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Nível de atividade, Política Monetária

A-ECO: O que esperar do comportamento da taxa de juros nos ciclos econômicos?

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A teoria monetária nos diz que a taxa de juros de uma economia é formada assim como qualquer outro “preço”: em um mercado, o mercado de títulos. Onde as escolhas dos agentes são definidas segundo a Teoria do Portfolio, para ativos de curto prazo e em condições de concorrência. A demanda por títulos, de acordo com estas hipóteses é dada pela riqueza dos agentes, retorno dos títulos em relação aos ativos reais, risco relativo e liquidez dos títulos, sendo negativamente inclinada. Já a oferta de títulos é positivamente inclinada e dada em função da necessidade de financiamento do Setor Público (que é o maior tomador de recursos das economias, portanto o maior ofertante de títulos), da lucratividade esperada do investimento produtivo (ou Eficiência Marginal do Capital) e da inflação esperada. A taxa de juros é dada pelo inverso do preço de equilíbrio neste mercado, ou seja, quando o preço de equilíbrio dos títulos diminui, a taxa de juros deverá aumentar.

Durante períodos de expansão econômica, a riqueza dos agentes aumenta permitindo-os demandar mais títulos, mas é plausível imaginar também um aumento da lucratividade do investimento real, fazendo com que mais títulos sejam ofertados e tornando este efeito ambíguo. Seu reflexo no preço de equilíbrio (portanto na taxa de juros) depende da sensibilidade das duas curvas, que pode ser estimada para cada país ou economia. No caso empírico dos Estados Unidos, e também do Canadá, o crescimento ou queda do produto está positivamente correlacionado à taxa de juros.

No caso brasileiro, esta relação não se confirma. A taxa de juros brasileira, assim como a de outros mercados emergentes, é muito volátil, contra cíclica (durante uma expansão do PIB a taxa deve diminuir), positivamente correlacionada às exportações líquidas e lidera o ciclo, conforme os dados em Neumeyer & Perri (2005). Em Kanczuk (2004), os resultados encontrados concluem que a taxa de juros brasileira é principalmente afetada por fatores domésticos como as mudanças na política fiscal do governo.

No artigo The Role of Interest Rates in the Brazilian Business Cycles (2011), o economista Nelson F. Souza-Sobrinho, testa dados trimestrais do período do quarto trimestre de 1994 ao primeiro trimestre de 2010, encontrando regularidades empíricas similares a estas para o Brasil. Neste trabalho, a taxa real de juros brasileira é caracterizada como o a taxa internacional de juros livre de risco multiplicada pelo prêmio de risco brasileiro (quanto maior o risco do país maior o seu prêmio de risco). Nesta primeira figura, temos o movimento da taxa de juros brasileira e do produto em relação aos desvios de sua tendência, onde os períodos de crise correspondem às áreas sombreadas.

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Nesta segunda, podemos observar a relação entre as exportações líquidas e a taxa de juros, também em desvios da tendência.

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Já a terceira figura ilustra uma correlação cruzada, entre produto e taxa real de juros com os dados empíricos entre Brasil e Canadá (uma economia que sabemos ter uma taxa de juros que se comporta de maneira pró-cíclica). O formato em U da curva para o Brasil sugere que é taxa de juros que desencadeia o ciclo. Estas diferentes estruturas de correlação estão associadas a fatores diversos, talvez a autoridade monetária canadense dê mais importância à estabilização do produto enquanto o BC brasileiro se preocupa mais com a estabilização de desvios da inflação esperada da tendência.

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Porém, o trabalho afirma que os números brasileiros das correlações mais recentes entre produto e exportações líquidas, e produto e taxa de juros são menores do que os de outras economias emergentes, nos colocando em alguns aspectos próximos a outras economias relativamente maduras, em decorrência dos profundos avanços estruturais nos últimos vinte anos. O comportamento das nossas variáveis econômicas nos ciclos de negócios indica um meio termo entre o de economias emergentes e economias desenvolvidas.” 

Fontes:

Obs: Todos os gráficos não autorais presentes em Souza-Sobrinho (2011).

Dados do PIB Brasileiro – IBGE
http://seriesestatisticas.ibge.gov.br/series.aspx?vcodigo=ST12

Dados da Taxa Selic – Banco Central do Brasil (em Ipeadata)
http://www.ipeadata.gov.br/ExibeSerie.aspx?serid=38402

Frederic S.Mishkin, Apostolos Serletis (2011). The economics of money, banking and financial markets (4th Canadian Edition), The Behaviour of Interest Rates (p. 82-113). Toronto, Ontario: Pearson Canada.

Neumeyer, P. & Perri, F. (2005). Business cycles in emerging economies: The role of interest rates. Journal

of Monetary Economics, 52(2):345–380.

Kanczuk, F. (2004). Real interest rates and Brazilian business cycles. Review of Economics Dynamics,

7(2):436–455.

Nelson F. Souza-Sobrinho (2011). The Role of Interest Rates in the Brazilian Business Cycles. Revista Brasileira de Economia 65(3):315–336. http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rbe/article/view/3064/2262

 

 

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Inflação, Mercados Financeiros, Política Monetária

A-Ecec: O CURIOSO CASO DAS TAXAS DE JUROS BRASILEIRAS

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” A taxa de juros nominal, aquela prometida como remuneração pelo empréstimo de recursos, pode ser fragmentada em duas partes: a taxa de juros real – que resultará na variação do poder de compra – e a taxa de inflação esperada. Nesse sentido, para uma dada taxa de juros nominal, é preciso ter em mente que a taxa de juros real será afetada por variações na expectativa de inflação. Por exemplo, se o indivíduo deseja ter um incremento em seu poder de compra de 1% no ano seguinte, e acredita que haverá um aumento de 5% no nível geral de preços, ele abrirá mão de seu consumo presente somente se lhe for garantido um juros nominal de pelo menos 6%.

No mais, a relação positiva entre taxa de juros nominal e inflação esperada é reforçada pela análise de oferta e demanda no mercado de títulos, em que um aumento na expectativa de inflação incentiva os emissores de títulos a ofertar mais. Isso ocorre porque o custo real da dívida será menor na ótica desses agentes, uma vez que eles continuarão remunerando aqueles que lhe emprestaram recursos a uma mesma taxa nominal, mas o nível geral de preços de toda a economia aumentou. Simultaneamente, os compradores reagem diminuindo sua demanda por títulos, já que sua remuneração caiu. Em suma, uma elevação na expectativa de inflação gera, no longo prazo, um aumento na taxa nominal de juros. Esse fenômeno é chamado de Efeito Fisher, em homenagem ao economista norteamericano Irving Fisher (1867-1947), o primeiro a formular teoria econômica relacionando as variáveis taxa de juros e inflação esperada.

De fato, como mostra o gráfico da Figura 1: “Expected Inflation and Interest Rates (Three-Month Treasury Bills), 1953-2011”, que ilustra o Efeito Fisher para o caso estadounidense, as variáveis expectativa de inflação e taxa nominal de juros aparentam ser positivamente relacionadas.

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Contudo, para o caso brasileiro, os dados de taxa de juros nominal e expectativa de inflação, coletados no IPEAdata, para o período de 2010 a 2016 não apresentam a mesma relação, como pode ser observado no gráfico superior da Figura 2: “Inflação Esperada, Taxa de Juros e Déficit Público, 2010-2016”.

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Fica evidente que há um descasamento entre o comportamento da taxa de inflação esperada e a taxa nominal de juros. Em meados de 2011 a 2013, quando há uma constância na inflação esperada, há também uma queda na taxa SELIC – taxa básica de juros brasileira. Isso resulta, em síntese, numa diminuição na taxa real de juros do período. Em seguida, é possível observar, de 2013 a 2016, um contínuo crescimento na inflação esperada e um aumento na taxa de juros nominal. Essa distância entre as curvas resulta numa reversão da taxa de juros real frente ao período passado, que dessa vez se eleva.

Por fim, de acordo com Moreira (2006), uma possível explicação para o descasamento entre a taxa de juros nominal e a expectativa de inflação é a evolução da dívida pública em relação ao PIB. O governo brasileiro pode escolher se financiar emitindo títulos públicos, aumentando assim a oferta de títulos e, consequentemente, as taxas de juros nominal. Assim, está representada no gráfico inferior da Figura 2 a razão dívida-PIB brasileira. Esta dívida considera apenas aquela contraída pela emissão de títulos, que são títulos atrelados à própria SELIC. Observa-se que, de 2011 a 2014, a razão dívida/PIB diminui e a taxa de juros se aproxima da expectativa de inflação. Já de 2014 a 2016, a dívida/PIB aumenta e a taxa de juros se distancia da expectativa de inflação. Logo, o caso brasileiro se difere daquele demonstrado no livro texto de Mishkin (2013) e uma possível explicação para esse fenômeno é o aumento da oferta de títulos pelo governo brasileiro.

REFERÊNCIAS
MISHKIN, Frederic S. The economics of money, banking, and financial markets. Pearson education, 2013.

 

MOREIRA, Edison M. O regime de metas de inflação, a taxa de juros e a relação dívidda pública/PIB. Indicadores Econômicos FEE, v. 34, n. 2, p. 13-20, 2006. “

 

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Inflação, Política Monetária

Inflação e taxas de juros: desempenhos comparados

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8-I Gif 18-I Imagem 1“Brasil: A inflação de 2015, medida pelo IPCA em 10,67% foi superior aos 6,41% observados em 2014. Nos dois grandes grupos de preços que compõem o IPCA, os preços livres e os preços administrados, a inflação encerrou o ano de 2015 em 8,51% (6,72% em 2014) e 18,07% (5,32% em 2014), respectivamente. Parte dessa elevação dos preços administrados ocorreu em consequência ao ajuste das tarifas de energia elétrica e da gasolina.

A evolução dos preços de alimentos, importante fonte de choques de oferta, foi outro fator determinante da inflação 2015. O segmento alimentação e bebidas, como um todo, apresentou inflação acumulada de 12,01% em 2015, com contribuição de 2,9 p.p. no IPCA. Fatores climáticos impediram que esses preços seguissem o padrão sazonal normalmente observado, o que contribuiu significativamente para a elevação do IPCA em 2015.

Emergentes – o caso indiano e russo: Nos últimos quatro anos, a Índia apresentou queda em sua taxa de Inflação: de 10,9% em 2013, para 6,4% em 2014 e um desempenho de 5,9% em 2015. Em 2016, os dados indicados pelo governo indiano mostravam que houve desaceleração do índice de inflação, chegando a 4,83% no mês de março, contribuídas com a queda de 5,1% no preço de alimentos e combustível. Em contra partida, a Rússia teve uma variação de 7,7% em sua taxa de inflação de 2014 para 2015, sendo o aumento do preço de alimentos um dos principais vilões deste aumento, aliados com a desvalorização do rublo frente ao dólar e o euro.

8-I Imagem 2Desenvolvidos: Contando com taxas controladas e baixas, quando não negativas, ambos os países seguem uma tendência entre os desenvolvidos. Com queda na taxa de desemprego, o Fed reduziu a estimativa para a inflação nos EUA de 1,6% para 1,2%, o que influenciou a manutenção do juros em seus patamares atuais. O Japão, ainda sem se recuperar da ‘’década perdida’’ nos anos 90, tem mantido sua inflação próxima do 0%, comumente apresentando quadros de deflação. Foi estipulada uma meta de inflação na casa dos 2% para esse ano, mas, com deflação em março, o Banco Central se viu obrigado a intervir, buscando taxas de juros negativas.

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Brasil: Segundo o relatório Focus divulgado pelo Banco Central, a mediana das estimativas para a Selic ao fim deste ano caiu de 14,25% para 13,75%. Para o fim de 2017, permaneceu em 12,50%. Essa perspectiva de queda de juro pode responder à revisão para o dólar no fim de 2016, que saiu de R$ 4,15 para R$ 4. Um real menos desvalorizado tende a dar alivio para a inflação.

8-I Imagem 3Emergentes – o caso indiano e russo: Em se tratando de taxa de juros, a Índia apresentou taxas que equivaliam em média a 8% entre 2014 e 2015, com sensível queda no último semestre deste último ano. O Banco Central indiano anunciou em abril deste ano um corte para 6,5%, sendo esta a menor taxa de juros desde 2011 e promete novos cortes com sua política monetária expansionista. Com os riscos de alta inflação, a Rússia sofre com a taxa de juros em crescimento desde 2014, alcançando o pico de quase 17% no final de 2014. No último mês, o Banco Central russo fechou a taxa básica de juros em 11%.

Desenvolvidos: Na média dos desenvolvidos em geral, EUA e Japão possuem baixas taxas de juros. A estabilidade econômica dos países mais ricos permite que taxas baixíssimas sejam praticadas, sendo que geralmente estes países possuem uma inflação controlada e igualmente baixas. Os EUA recentemente mantiveram sua taxa de juros entre 0,25% e 0,5%, após um aumento de 0,25% no ano passado das taxas que desde 2006 beiravam 0%. O Japão, por outro lado, estipulou uma taxa de juros negativa (-0,1%) como meta, visando reanimar o mercado e movimentar a economia em um cenário de deflação. Economistas como P. Krugman defendem a tese de que o país se encontra em uma situação de armadilha da liquidez.

8-I Gif 4

 

Fontes:

http://goo.gl/0Egep6

http://goo.gl/UDTLjd

http://goo.gl/wqFriS

http://goo.gl/pfchyC

http://goo.gl/1IYTOV

http://goo.gl/P45gdx

http://goo.gl/8b877a

http://goo.gl/HxxJF8

http://goo.gl/Af4cz3 ” 

 

AUTORES: GRUPO I – Macro I

 

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Mercados Financeiros, Política Monetária

Taxas de juros nominais e reais brasileiras – Conceitos e evolução recente

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“As taxas de juros são definidas como a remuneração do capital em casos de empréstimo, portanto o custo do dinheiro no mercado. Desse modo, é um ganho para quem empresta dinheiro e uma despesa para quem toma emprestado.

Essas taxas são estabelecidas com base em várias modalidades de títulos e empréstimos, que se relacionam por apresentarem os mesmos aspectos básicos: risco, liquidez e prazo. No primeiro caso, assumimos que existe para quem empresta o risco de inadimplência, assim, o risco induz a taxa de juros da operação, de modo que quanto maior o risco maior a taxa de juros exigida para a concretização do acordo. No segundo caso, podemos dizer que quanto maior a liquidez do título, ou seja maior a facilidade desse título virar moeda, menor será sua taxa de juros. Por fim, quanto maior o prazo de maturidade dos títulos maior a taxa de juros, uma vez que quanto mais distante a maturidade do ativo, mais incertezas existem relacionadas a ele, e, sendo assim, sua remuneração deverá ser maior.

Conceitualmente, as taxas de juros são diferenciadas em duas categorias: reais ou nominais. As taxas de juros nominais são utilizadas para, além dos aspectos descritos acima, descrever também a inflação do período. Por outro lado, as taxas de juros reais desconsideram a inflação, de modo que podemos calculá-las pela Equação de Fisher, na qual: Taxa de juros reais (r) = taxas de juros nominais (i) – inflação (π)

No Brasil, a média ponderada das taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras é denominada Taxa SELIC, essa taxa é a que determina as demais taxas praticadas no mercado, sendo considerada a taxa básica de juros da economia brasileira. Desse modo, temos que a SELIC é uma taxa nominal. A definição da meta da taxa de juros depende da meta da taxa de inflação definida pelo CMN. Com a meta da taxa de inflação estabelecida, o Copom define a meta da taxa de juros que ajusta a inflação atual à meta estipulada. Definidas as metas o Banco Central atua no mercado de títulos públicos a fim de manter a taxa de juros próxima à meta definida pelo Copom.

Além da SELIC existem várias outras taxas de juros no Brasil, como a Taxa Referencial de juros (TR) criada no plano Collor II, com o intuito de ser uma taxa básica referencial dos juros a serem praticados no mês iniciado. A Taxa Básica Financeira (TBF) criada para alongar o perfil das aplicações em títulos com uma taxa de juros remuneratórios maior que a TR. A Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) que estimula investimentos nos setores de infraestrutura e consumo, sendo válida para empréstimos de longo prazo, entre outras. Podemos ter uma ideia da evolução recente dessas taxas pelo gráfico abaixo:

7-L Taxas de juros BR - Copia

Retomando os conceitos dos primeiros parágrafos, temos duas maneiras de calcular a taxa de juros real da economia brasileira. Isso ocorre, pois, o índice de inflação utilizado, no caso o IPCA, pode ser obtido de duas formas, conhecidas como Ex-Ante e Ex-Post. A primeira utiliza as estimativas das taxas de inflação, baseadas em suposições feitas em períodos anteriores, enquanto a segunda utiliza dados já conhecidos, por terem ocorrido no passado. Assim, a partir da taxa SELIC chegamos à duas taxas reais, como podemos ver no gráfico a seguir:

7-L Taxas reais e nominais - Copia

Atualmente no Brasil, tem-se analisado uma tendência por parte do Banco Central de não atuar no sentindo de reduzir a taxa de juros tão cedo, sobretudo em decorrência dos riscos de um aumento da inflação. No relatório Focus divulgado no dia 04 de abril de 2016, a mediana das estimativas para a Selic ao final do ano variou de 14,75% para 13,75%. Permanecendo em 12,75% para o final de 2017. Tal queda pode vir como uma resposta a expectativa de queda no preço do Dólar no fim de 2016. Vale a pena acrescentar que hoje o Brasil se encontra com a terceira maior taxa de juros nominais do mundo, perdendo apenas para Argentina e Venezuela que possuem respectivamente taxas de 35,43% a.a. e 19,54% a.a., e com a maior taxa de juros reais do mundo
Fontes:
https://centraldefavoritos.wordpress.com/2014/03/02/formacao-da-taxa-de-juros/

http://www.seuconsultorfinanceiro.com.br/inteligenciaFinanceira.php?secao=73&parametro=224

http://moneyou.com.br/wp-content/uploads/2016/04/rankingdejurosreais260416.pdf

http://www.bcb.gov.br/Pec/Copom/Port/taxaSelic.asp#notas

http://www.foregon.com/conteudo/Glossario.aspx

https://www3.bcb.gov.br/sgspub/localizarseries/localizarSeries.do?method=prepararTelaLocalizarSeries

http://jlpsmatos.blogspot.com.br/2013/12/formacao-da-taxa-de-juros.html “

 

AUTORIA: Grupo L

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Mercados Financeiros, Nível de atividade, Política Fiscal, Política Monetária

Vai uma derivada aí?

 

Em classe, estamos usando uma estrutura matemática linear para representar o modelo IS-LM. Deixo aqui uma versão, com todas as derivadas de estática comparativa, inclusive para os casos clássico e armadilha da liquidez. Gostaram??? 😉

IS-LM Estaticas Comparativas 1

IS-LM Estaticas Comparativas 2

Assim ninguém vai poder culpar a matemática por um eventual resultado não muito satisfatório na prova… Mas, claro, isso não irá acontecer!!!

 

PS. O post da atividade da semana é o que está abaixo, viu?

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Inflação, Política Monetária

Grupo I – Inflação e Taxa de juros nos RICS

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O RICS é um grupo de países formado por Rússia, Índia, China e África do Sul. Cujos órgãos responsáveis por realizar políticas monetárias são, respectivamente, Central Bank of Russia (CBR), Reserve Bank of India (RBI), People’s Bank of China (PBC) e South African Reserve Bank (SARB). Realizam políticas monetárias alterando a oferta de moeda, visando alterar a taxa de juros, e, assim, manter a inflação sob controle e evitar grandes flutuações do produto da economia. Geralmente, realizam políticas monetárias através de instrumentos como práticas de open market, mudanças nas taxas de redesconto de liquidez, alterações no coeficiente de reservas compulsórias e outros métodos.

Avaliando cada país:

Rússia: Durante a década de 1990, foi dissolvida a URSS, portanto, a Rússia passava por uma transição de uma economia planificada para uma economia de mercado. Essa transição gerou uma instabilidade política no país, que causou a crise financeira russa de 1998. Assim, os altos índices de inflação observados em 2000 e 2001 são, ainda, reflexos dessa crise. As taxas de juros também se mantiveram altas, numa tentativa de reduzir a inflação. A partir de 2002, o país obtém maior estabilidade política, permitindo que seus níveis de inflação caíssem. Hoje, a Rússia enfrenta novamente uma instabilidade política provocada pela crise ucraniana, o país tem sofrido sanções econômicas por parte dos países ocidentais e tem ocorrido grandes desvalorizações do Rublo, o que gera o risco de um aumento da inflação. http://www.dcomercio.com.br/categoria/opiniao/a_desvalorizacao_do_rublo

Índia: Analisando os gráficos, notam-se taxas de juros predominantemente altas, visando controlar a crescente inflação observada, causada pelo elevado crescimento do produto no período. Um dos desafios do RBI hoje é manter a inflação sob controle sem prejudicar o crescimento do país. Em março desse ano o RBI chegou a realizar políticas para diminuir os juros em 0,25%, já que a inflação cresceu menos que o esperado. http://www.economist.com/blogs/freeexchange/2015/03/indias-monetary-policy

China: Ao analisar a taxa de juros e inflação da China, é importante ressaltar que o país ainda vive um processo de transição de uma economia planificada para uma economia de mercado. Seu mercado financeiro ainda apresenta problemas e sofre uma grande regulamentação por parte do governo. Percebe-se claramente que quando há uma alta da inflação, há um decorrente aumento das taxas de juros para controlá-la. Dentre os países analisados, é o que possui menores taxas de inflação. Porém, o governo Chinês é muitas vezes acusado de manter os preços artificialmente baixos e de ser uma instituição pouco transparente. Devido a isso, seus dados macroeconômicos são considerados pouco confiáveis. http://mundorama.net/2014/09/04/o-setor-financeiro-na-china-por-paulo-duarte/

África do Sul: O SARB, diferentemente dos outros países analisados, adota um regime de metas de inflação. Sendo as políticas monetárias realizadas para mantê-la dentro da meta. Contudo, essas metas de inflação possuem certa flexibilidade, o próprio SARB afirma adotar um regime de metas de inflação flexível. Assim é aceito que ela fique acima da meta num primeiro momento, devido a mudanças na conjuntura macroeconômica, entretanto, o SARB deve estabelecer em quanto tempo a inflação deve voltar para meta e é responsável por atingir esse resultado no tempo determinado.  A partir de 2009, a meta de inflação foi estabelecida entre 3% e 6%. Pode se observar que em alguns anos a meta não foi cumprida. 

I - Inflação RICS

I - Juros Nominal RICS

Destacam-se nos gráficos os impactos da crise de 2008 sobre as taxas de juros dos países componentes do RICS. Eles sofreram menos com a crise quando comparados com os países desenvolvidos. Isso ocorreu, em parte, devido a uma menor sofisticação e maior regulamentação de seus mercados financeiros. Apesar disso, não deixaram de realizar políticas para combater a crise, como exemplo, aumentar a liquidez na economia, causando a queda da taxa de juros observada no gráfico no ano de 2009.

Fontes: http://www.worldbank.org/

              https://www.resbank.co.za/Pages/default.aspx

              http://www.cbr.ru/eng/statistics/?Prtid=idkp_br

              http://www.pbc.gov.cn/publish/english/957/index.html

              https://www.rbi.org.in/

              http://www.ictsd.org/bridges-news/pontes/news/a-rea%C3%A7%C3%A3o-dos-bric-%C3%A0-crise-econ%C3%B4mica

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