Política

Qualidade do ensino público

Esses dias, um dos meus sobrinhos que estuda jornalismo na Unesp, o Fernando Martins (do Blog do FM) trouxe a questão: a proposta de reformulação do ensino médio condensando as 13 disciplinas atuais em 4 áreas de conhecimentos, com foco na multidisciplinaridade; e perguntou a opinião dos professores da família. Eu, Orlando, professor de artes, Tati, professsora de português e inglês e Geraldo Luis, professor de educação física – todos funcionários públicos. Sempre que conversamos sobre educação, após os almoços de domingo, eu me aproximo mais desse universo do qual participei como estudante e hoje tenho esses três sobrinhos lidando diariamente com essa dura realidade… Quando eu reclamo das minhas condições atuais, sempre ouço o coro “ah, tia… e você está no topo da pirâmide!!” – verdade, me calo e ouço.

Eu não sei se no meu tempo o ensino público era melhor mesmo ou não – parece coisa de velhota saudosista “ah, no meu tempo…”. Talvez fosse, mas também era mais elitista: muitas crianças e jovens estavam fora da escola. As que estavam na escola, precisam mostrar bom desempenho para serem aprovadas e avançarem no processo de aprendizagem. As que avançavam e chegavam a tentar uma vaga na concorridíssima universidade pública, como eu, descobriam que uma parte considerável do conteúdo cobrado no vestibular não tinha feito parte do sua formação – aí era hora de correr atrás e aprender melhor tudo que já tinham ouvido falar e desvendar mais um tanto de conteúdos totalmente novos, contando com o material de cursinhos e com o humor duvidoso dos professores dos mesmos… Alguns poucos superavam essas e outras dificuldades e alcançavam a meta: uma vaga na universidade pública, tantos outros tombavam pelo caminho e caiam no mercado de trabalho sem uma profissão definida.

Os últimos vinte anos foram palco do processo de universalização dos ensinos fundamental e médio, praticamente todas as crianças e jovens em idade escolar estão na escola. Os mecanismos de aprovação automática deram conta da evasão que assolava o sistema. Parece-me aceitável que a universalização seja acompanhada de alguma perda inicial de qualidade, mas não é nada aceitável que leve ao fundo do poço em que nos encontramos hoje – faltaram planejamento e investimento que sustentassem e melhorassem os níveis de excelência do processo.

Passo a palavra para os professores que vivem essa realidade e reproduzo aqui nosso papo no facebook:

Roseli Silva: Eu gosto da idéia de multidisciplinaridade, mas… tenho receio de que seja mais um caminho sem volta para a piora da qualidade do ensino, seja por falta de metodologia efetiva, por falta de preparação adequada do corpo docente, por falta de estrutura (espaço físico, laboratórios adequados…)… medo!!!

Tati Eustáquio: Confesso que não sei mais o que pensar, de hora em hora o governo vem com grandes ideias para tentar melhorar o caos do ensino público, alunos e professores não passam de ratos de laboratório nesta história toda.A ideia é bonita no papel, mas como será na prática?Concordo com a Rô, há detalhes que precisam ser discutidos e planejados o que acaba não acontecendo…lançam a ideia e nós que temos que nos virar para que dê certo, infelizmente.

Fernando Martins: Não adianta nada o plano de ensino se os professores são mal pagos, alunos não tem apoio e a estrutura da escola não existe…

Orlando Perdichizzi: Hoje fala-se muito sobre “estimular o aluno”. Todo e qualquer mal resultado obtido em avaliações externas como o Ideb e o Saresp, a culpa recai sobre quem? Ao professores, logicamente. Além dos motivos citados pelos nobres colegas acima, como falta de estrutura por exemplo (salas com 50 alunos presentes, em contraste com 20 nas escolas particulares); há uma questão que julgo de extrema importância: o papel dos pais na vida acadêmica de seus filhos. O Art.246 do Código Penal fala do crime por “abandono intelectual”; onde o responsável é punido por não prover instrução básica ao filho (mandá-lo para a escola). Penso que deveria ir além disso. Deveria haver punição ao pai que não acompanhasse e estimulasse, realmente, o seu filho. Só para exemplificar e já finalizar: o aluno passa 5 horas na escola, e o restante do dia consumido pelo ócio. E não falo do ócio criativo. Fica “largado” pelas ruas, fumando seu narguile; ou ouvindo seu instrutivo funk deitado em sua cama. Eu sinto muito, mas quando a mãe de um aluno de 11 anos me diz: “não sei o que fazer com meu filho, ele só quer rua”; a mudança ou não na grade curricular não faz muito sentido!!!

…e ZÉFINI, TÁ NA BOCA DO BRASÍ!!! (Beltoldo Brecha)

Orlando Perdichizzi: E digo mais… todas as últimas mudanças impostas pelo governo, têm como principal objetivo o corte de gastos. Posso citar a divisão da classe em categorias (F,O,L,V), com contratos precarizados. O contrato é finalizado antes de 1 ano para não serem pagos férias e 13º; na saúde: exclusão do professor do servidor público estadual e inclusão no INSS, entre outros… Todos os ingressantes (não concursados) que vieram pra rede após 2007 entram nessas categorias.

Vocês devem ter visto propagandas onde se fala sobre os professores auxiliares (2 professores por sala). Eu pergunto: porque não se abrem mais salas, diminuindo o número de alunos por sala? Porque é mais barato colocar um auxiliar, pagando menos, e dividindo uma sala de 50 cabeças.
Quanto ao ensino médio, há algum tempo há boatos sobre planos do governo: tercerizar os cursos técnicos e deixar os regulares como cursos não presenciais. Ou seja, menos aulas, menos professores, menos gastos. Não há nada concreto sobre isso, mas onde há fumaça há fogo…
Sem contar os salários. Somos os profissionais com curso superior completo menos remunarados: R$1500,00 por 40 horas semanais…”
Bem… nem precisa falar mais nada… Como diz o Orland, ZÉFINI!!!
.
Nível de atividade, Política, Política Fiscal, Política Monetária

Desemprego nos Estados Unidos

 

Há alguns dias, Paul Krugman (o verdadeiro, claro, e não aquele meu ex-aluno reprovado por falta!!), em sua coluna no New York Times reforçou mais uma vez o coro (pequeno, é certo) das vozes que tentam trazer o combate ao desemprego para o centro do debate político nos Estados Unidos, novamente. Chamou de o “erro de 2010” o estímulo pequeno e por um período curto realizado em 2009 pelo governo americano, insuficiente para sustentar a rota de retomada pós-crise financeira. Ainda no início de 2010, continua ele, era possível notar que os efeitos do estímulo já estavam desaparecendo e, ainda assim, o debate político encabeçado pela direita e apoiado por muitos experts se voltava para a necessidade de controlar o déficit fiscal, considerado, então, o inimigo público n° 1.

A taxa de desemprego americana voltou a patamares do início da década de oitenta, anos de forte recessão como efeito da política monetária contracionista da década anterior que objetivou debelar o processo inflacionário (a estagflação da década de setenta). Porém, a recuperação foi relativamente rápida. O gráfico abaixo ilustra o comportamento da taxa de desemprego americana até o momento:

Em 2009, o desemprego alcançou 9,3% da força de trabalho e 9,6% em 2010. As estimativas do Fundo Monetário para os anos seguintes (8,5% e 7,7% para 2011 e 2012, respectivamente) não são nada animadoras e prenunciam um custo social muito mais elevado para a sociedade que muitos parecem não querer enxergar. 

Para abafar as possíveis vozes em favor de políticas eficientes contra o desemprego, talentos são execrados do centro de comando da economia americana. Peter Diamond desabafa, também no New York Times, que, para os Republicanos, “um prêmio Nobel não é suficiente“. Afinal, segundo um senador republicano ““Does Dr. Diamond have any experience in conducting monetary policy? No,” he said in March. “His academic work has been on pensions and labor market theory.” “.

Ignorância ou má-fé? Ou ambas? 

Concordo com P. Diamond:

“In reality, we need more spending on some programs and less spending on others, and we need more good regulations and fewer bad ones.

Analytical expertise is needed to accomplish this, to make government more effective and efficient. Skilled analytical thinking should not be drowned out by mistaken, ideologically driven views that more is always better or less is always better.

O debate político americano parece equivocado e em defesa dos rentiers (mais uma pitada de Krugman aqui). E mesmo numa cidade dinâmica como New York os efeitos são visíveis: em geral homens, aparentemente na faixa etária dos 45-55 anos, desempregados e com seus “cartazes-história” pedem ajuda nas ruas, nos metros, e, envergonhados, desculpam-se por precisar fazer isso. Triste e preocupante.

Cultura Econômica, Mercados Financeiros, Política, Política Fiscal, Política Monetária

Política Econômica e Consistência Macroeconômica

 

O que se espera da atuação dos bancos centrais na gestão da política monetária nas modernas economias de mercado? 

Vale iniciar nosso argumento lembrando uma regra básica em política econômica: para se alcançarem vários objetivos independentes deve haver pelo menos igual número de instrumentos de política também mutuamente independentes. Estes instrumentos devem, adicionalmente, ser efetivos, no sentido de realmente influenciar as variáveis-alvo no grau necessário, sendo que cada instrumento deve ser direcionado para o alvo sobre o qual exerce maior influência relativa, seguindo o “princípio da classificação efetiva de mercados”. Uma regra conhecida há muito tempo, desde o início da década de cinqüenta do século passado, e reforçada pelos trabalhos de Robert Mundell, ganhador do Nobel de 1999 por seus trabalhos em economia monetária e internacional, nos idos dos sessenta – porém muitas vezes ignorada na gestão da política econômica nos períodos recentes.

A partir dessa consideração, nossa resposta começa a ser apontada e ela deve considerar, então, para qual objetivo de política econômica a política monetária é efetiva, naquele sentido. Sabe-se que estabilidade em economia aberta implica equilíbrio interno (crescimento econômico e estabilidade do nível geral de preços) e externo (equilíbrio do balanço de pagamentos). O papel dos governos e sua atuação por meio da definição de regimes e objetivos de política econômica e da gestão dos instrumentos disponíveis para atingir esses objetivos devem contribuir para a estabilidade econômica seja alcançada e mantida.

Definindo objetivos

Os objetivos da política econômica não são definidos pelos economistas, acadêmicos ou práticos, nem pelos burocratas, tampouco pelos gestores da política econômica – no caso da política monetária, presidente, diretores e técnicos dos bancos centrais. A definição desses objetivos faz parte de um contexto mais amplo de escolhas sociais, políticas e econômicas, e, para o bem ou para mal, não tem outro fórum de decisão que não o político, ao menos em sociedades democráticas.

Não por acaso, os agentes econômicos, em geral, e os dos mercados financeiros, em particular por serem mercados de ações e reações quase imediatas, buscam o máximo de informações possível para comporem um quadro de expectativas quanto a possíveis mudanças de regimes monetários, cambiais e fiscais em períodos pré-eleitorais. Basta lembrar a nossa história recente, nas eleições de 2002. Os regimes nada mais são que as regras, institucionalizadas por lei ou pela prática, de atuação do governo frente aos agentes privados e dependem fundamentalmente das escolhas realizadas na esfera política. Nada impede que um novo governante mude o regime monetário e passe a agir, por exemplo, discricionariamente, de maneira imprevisível e possivelmente não pautada pela racionalidade econômica.

Por outro lado, usando do conhecimento dessa mesma racionalidade, os agentes econômicos (os mercados, como gostam de chamar alguns analistas) sabem que deve haver uma adequação entre os regimes monetário, cambial e fiscal para que a conjuntura macroeconômica seja considerada estável, consistente.

Consistência Macroeconômica – um exemplo simples.

A escolha por um regime de câmbio fixo como âncora nominal para os preços da economia prejudica a eficácia da política monetária para o controle da taxa de juros doméstica, o que é tanto mais verdade quanto mais elevada for a mobilidade de capital. Um raciocínio simples ilustra o fato: suponha que um dado nível de taxa de juros mais baixo que o verificado seja almejado pelo banco central (seguindo os objetivos econômicos traçados politicamente), que providenciaria uma expansão da oferta de moeda doméstica comprando títulos públicos em poder dos agentes privados (ou, alternativamente, diminuindo os depósitos compulsórios, o que traria uma alteração na seqüência do raciocínio sem alterar qualitativamente as conclusões). De forma sintética, essa decisão aumentaria a demanda por títulos públicos, elevando seus preços e, simultaneamente,  reduzindo as suas taxas de retorno. As taxas de retorno dos títulos públicos de curto prazo são a taxa básica de juros de uma economia, no caso da economia brasileira, a taxa Selic. Porém, uma taxa de juros doméstica menor,  em ambiente de alta mobilidade de capitais, desestimula os investidores a aplicarem seus capitais no mercado financeiro doméstico e a procurarem mercados mais rentáveis para um mesmo nível de risco.

Esse movimento repercute na formação da taxa de câmbio, provocando excesso de demanda por moeda estrangeira (dólar, em geral) e pressionando a taxa nominal de câmbio (o preço de uma unidade de moeda estrangeira) para cima. Porém, o regime em que o país opera é, por hipótese inicial, de câmbio fixo, o que implica que o banco central deve ofertar moeda estrangeira no mercado cambial, para manter a taxa à paridade pré-determinada por ele próprio, utilizando-se de suas reservas cambais. Ao ofertar moeda estrangeira, o banco central contrai a expansão monetária inicialmente almejada pela atuação da política monetária até que cessem as pressões sobre a taxa de câmbio, o que, com perfeita mobilidade de capitais, consiste em re-estabelecimento do nível da taxa de juros doméstica inicial.

Há que se apontar, também, a necessária combinação de um regime fiscal bem definido e sustentável intertemporalmente para que não haja mais uma fonte de geração de instabilidade macroeconômica – afinal, quanto mais a situação fiscal se caracterize por necessidade de financiamento do setor público (superávit primário insuficiente para pagamento dos juros sobre o estoque passado da dívida) financiada por títulos de curto prazo e indexados à taxa básica de juros (o chamado perfil da dívida mobiliária interna), mais as condições de realização de política monetária estarão condicionadas às necessidades fiscais de disputar financiamento nos mercados financeiros com os investimentos privados (dominância fiscal).

O exemplo anterior ilustrou o tipo de raciocínio lógico que, sendo de conhecimento comum a analistas, economistas, e agentes econômicos afetados mais imediatamente pelas decisões de política econômica, faz com que situações como a mudança de regime cambial que ocorreu em janeiro de 1999 no Brasil não sejam surpresas, uma vez que reconhecidamente insustentáveis.

PS. Este texto foi parte de um artigo publicado no Boletim FIPE.

Cultura Econômica, Política

São os Americanos Libertários?

 

Assim que cheguei, lendo umas revistas que ficam sobre a mesa de jantar, deparei-me com um interessante artigo na New York do começo desse ano, intitulado “The Trouble with Liberty” (texto disponível aqui). Libertarianismo, segundo o artigo, é uma palavra longa e estranha para uma idéia simples e elegante: o governo deveria fazer o mínimo possível. Numa outra definição, que particularmente acho mais atraente, lemos: “ A Primer, Cato Institute executive vice president David Boaz defines it as “the view that each person has the right to live his life in any way he chooses so long as he respects the equal rights of others.”” (grifo meu)

O artigo argumenta que libertários, tanto à direita, quanto à esquerda, nunca estiveram tão próximos do poder como agora e ilustra posições de congressistas americanos sobre diversos temas, que vão da obrigatoriedade de que passageiros de aviões passem por um raio-X, por medida de segurança, a cortes no orçamento americano. Nessas posições, libertários à direita são, em geral, contrários a políticas intervencionistas, pacotes de estímulo à economia e reformas no sistema de saúde; à esquerda, as questões são outras, associadas a liberdades sociais, à não intervenção na vida privada de cada um, como por exemplo, restrições sobre com quem você se casa. Afirma também que não há idéia mais fundamental na história americana que a libertária e que um em cada dez americanos se auto-identifica como libertário – e esse numero pode estar crescendo:

“In a 2009 Gallup poll, 23 percent of Americans responded to questions about the role of government in a way that categorizes them as libertarian—up from 18 percent in 2000. A survey conducted by Zogby for the Cato Institute has put the libertarian vote at around 15 percent. Loosen the wording, and the pool expands. When the Zogby survey asked voters if they would describe themselves as “fiscally conservative and socially liberal, also known as libertarian,” the number rose to 44 percent. When it simply asked if they were “fiscally conservative and socially liberal,” a full 59 percent responded yes.”

Bem… com a ressalva de que desconheço a metodologia de tal pesquisa, os resultados são surpreendentes. Passei, então, a fazer eu própria  minha pesquisa, sem metodologia nenhuma, claro. Ou melhor, com uma mínima e arbitrária: quando encontro um autêntico americano nessa megalópole multicultural (pleonasmo, talvez) eu pergunto se se considera libertário. Comecei pela minha “landlady”, que não aceitou o rótulo porque o desemprego está muito alto e o governo precisa fazer algo… Já o senhor de bicicleta que parou e se ofereceu para tirar uma foto de mim, para mim, mesmo eu estando me ajeitando super bem com meu disparador automático no Central Park, e, claro, puxou papo (he was hitting on me… ?) logo se identificou como libertário, admirador de Milton Friedman e partidário do livre mercado. Por enquanto, está empatado!

Brincadeiras à parte, continuo recomendando a leitura do artigo.



Política

Mulher – nem melhor, nem pior: diferente

 

Mulheres, homens, guerra dos sexos, desigualdades de gênero, sexo forte, sexo frágil, e afins… Assuntos que nunca me interessaram até certo momento da minha vida. Achava eu, na inocência que se permite à juventude, que não seria o fato de ser mulher ou homem que faria diferença na minha vida profissional, em minha atuação na sociedade – bastaria o mérito, a eficiência, a capacidade para esta ou aquela atividade e pronto! Só dependeria de mim!

 

Claro, essa ilusão não durou muito (talvez tenha durado mais do que deveria)… aos poucos e a duras penas, aprendi que recorrentemente precisaria comprovar muito mais qualificação para alcançar o respeito e o reconhecimento que é quase natural à média dos homens, em termos profissionais e sociais. E aprendi que teria de aceitar salários menores e dificuldades específicas no acesso a cargos mais elevados, à progressão na carreira, por ser mulher. Na academia científica não é diferente: reproduzem-se as discriminações de gênero (não só, infelizmente) que se encontram na sociedade. E isso cansa, exige energia e atenção contínuas.

 

Sem pretensão alguma de discutir o assunto do ponto de vista neurológico, psicológico ou mesmo social, aqui registro apenas minhas impressões. Como mulher, reconheço diferenças de gênero. Minha percepção do mundo é a feminina, minha lógica de apreensão dos fatos e de respostas a eles, minha forma de dialogar, discutir e buscar soluções comuns me parecem diferentes da masculina. Nem melhor, nem pior: diferente, não desigual.

 

Abomino desigualdades de toda sorte. Discriminar é tratar como desigual.

 

Assim, a eleição da primeira mulher para o cargo mais importante da nação lança uma luz no fim do túnel, planta uma semente de esperança para as gerações futuras de brasileiras: “Sim, a mulher pode!”

@–>–>–

 


Política

O Valor do Voto

Em meio a um “setembro negro” e decisivo pessoalmente, venho tentando escrever aqui sobre as atuais eleições. Ao mesmo tempo, questionava-me se seria necessário “mais uma análise” sobre o assunto, ainda que eu pretendesse discutir questões mais técnicas, que me vêm de algum conhecimento sobre teoria de escolha pública e correlatos. Enfim, o tempo passou, a análise não veio e, sim, eu acho que ela teria sido totalmente dispensável… Há especialistas demais e eu pouco ou nada teria a contribuir para minorar a avalanche de intolerância, radicalismo, má-fé e afins que se tornou marca da mídia quase completamente nessas eleições. No lugar dela, preferi falar neste momento pré-eleição, como alguém que sempre soube, desde a mais tenra idade, que apenas a educação pode propiciar igualdade de oportunidades ou diminuir as desigualdades delas. Esse “saber” nem eu mesma sei explicar de onde, talvez de uma fina intuição, de uma percepção aguçada do entorno e de querer, a partir daí, romper aquilo que parecia, com uma brutalidade tamanha, fazer questão de grudar meus horizontes a um palmo do meu nariz. E ali, naqueles horizontes restritos, a educação, o conhecimento, e só ele, seria a via de libertação – eu sabia. Cada livro, dos poucos que me chegavam então, abria mais uma porta, acendia mais uma luz, e assim foi, e assim é, ainda hoje. E assim, também bem cedo, decidi que meu voto, em qualquer eleição, seria sempre em favor da diminuição das desigualdades sociais pelas vias democráticas. Eu quero crer que, depois de superar a miséria material, estado deplorável de condição humana, o próximo passo da demanda social será por mais e melhor educação, em todos os níveis. E aí, sim, estaremos rumando para o desenvolvimento socio-econômico. Sim, isso ainda demora décadas, eu não vou viver para ver, infelizmente, mas fico feliz com a possibilidade de que estejamos caminhando nesse sentido. É isso. Esse é o valor do meu voto. Cada um que tenha o seu, e que respeitemos as diferenças! Boa eleição a todos!

Câmbio, Cultura Econômica, Diversão & Arte, Econometria, Economia, Ensinando Economia, Inflação, Livros... Livros..., Mercados Financeiros, Nível de atividade, Política, Política Fiscal, Política Monetária

Inaugurando

 

Finalmente decidi, com a firmeza de convicção necessária, iniciar um blog – uma decisão parecida com aquelas de início de ano… Uma decisão difícil, preciso dizer, para quem ter por hábito e por força de profissão o cuidado com a língua pátria segundo a norma culta, o burilar de um texto por semanas, às vezes meses…

Isto aqui exige rapidez, despojamento, desapego e, principalmente, coragem para expor erros de toda sorte, humildade para corrigi-los quando descobertos ou apontados pelos leitores, ou mesmo um certo desleixo em deixá-los lá onde estão ainda que sabidos. Grande desafio!

Não pretendo trazer para este espaço discussões extremamente técnicas e/ou complexas em minha área de atuação, a Economia – para isso faço uso de outros fóruns. Ao contrário, quero aqui aperfeiçoar minha capacidade de falar sobre economia numa linguagem simples e acessível, até mesmo informal, permitindo-me emitir avaliações normativas – o que procuro não fazer em sala de aula – sobre os diversos temas tratados.

No entanto, Economia não é minha única paixão – sou uma pessoa de múltiplos interesses; o que torna quase impossível circunscrever a temática deste blog… Por isso o título, mais que adequado: Random Walk (Passeio Aleatório) –  um Passeio Aleatório por assuntos, notícias, temas que considero merecerem algum comentário, às vezes técnico, racional, às vezes amador, subjetivo…

Você saberá lendo!

Bem-vindos!!