Inflação, Política Monetária

E10-Eco: Metas de inflação – Definições e riscos após 2014

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

O regime de metas inflacionárias define uma faixa na qual a inflação deve transitar, este regime foi estabelecido no Brasil em 1999.

Desde sua implantação, as metas inflacionárias foram as seguintes:

É possível observar que o centro da meta se iniciou em 8% a.a., chegou ao patamar de 3,5%a.a., voltou a 5,5%a.a., e, desde 2005, está em 4,5%a.a. (com tolerância de 2%a.a. para mais ou para menos até 2016 e uma diminuição para 1,5%a.a. nessa tolerância a partir de 2017); para 2018 a meta continua sendo de 4,5%a.a., mas será reduzida em 0,5%a.a. pelos próximos dois anos.

Ancorando as expectativas inflacionárias pelo regime de metas desde 1999, temos que a inflação apresentou comportamento moderado neste período (com exceção do período entre o final do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso e o início do primeiro mandato de Lula, que apresentou certa turbulência neste quesito).

Porém, na virada de 2014 para 2015 houve um grande reajuste de preços administrados (que corresponderam a quase um quarto da inflação em 2015) acompanhado de aumento que já vinha ocorrendo nos preços livres.Em decorrência disto, a taxa de juros foi aumentada ao patamar de 14,25%a.a. (tendo começado tal elevação na reunião do COPOM de 29/10/2014, quando a taxa passou de 11 para 11,25%a.a.), nível este no qual permaneceu por mais de um ano (entre as reuniões de 29/07/2015, em que subiu de 13,75 para 14,25%a.a. e a de 19/10/2016, em que baixou de 14,25 para 14%a.a.).

Na atualidade, podendo observar o ano de 2015 com certo distanciamento, temos que houve considerável efeito da liberação de preços administrados sobre o índice inflacionário geral, o que se une ao fato de que os preços livres já vinham em certa inércia. O efeito de reajuste destes preços, nos períodos seguintes, tem sido mais suavizado e, unindo isto ao fato de que os preços livres também estão mais comportados, temos um cenário de queda na taxa de juros (na última reunião do COPOM, em 25/10/2017, a taxa Selic meta foi definida em 7,5%).

O risco que se teve de enfrentarmos um descontrole no rumo da inflação com o regime de metas inflacionárias é, desde 2014, consideravelmente baixo. Isso se baseia na observação dos fatos ocorridos e não no momento vivido entre 2014 e 2015 (em que as previsões eram de que este descontrole ocorreria muito em breve).

O que confirma esse baixo risco é o fato de que, mesmo com novas regras para os preços administrados, durante o governo Dilma, em 2015, instituiu-se a ideia das bandeiras de energia para reajustar a mais quando o custo de geração sobe, já com Temer, os preços dos combustíveis fósseis passaram a ser reajustados com maior frequência e em relação aos preços do mercado. Essas novas regras permitem que os administrados sejam mais parecidos com os livres e, mesmo em momentos em que observamos custos mais elevados em ambos (como tem ocorrido nos últimos trimestres), o impacto inflacionário total ainda é reduzido o suficiente para, segundo as previsões do Boletim Focus de 03/11/2017, fecharmos o ano de 2017 ligeiramente acima do limite inferior do regime de metas e fechar 2018 suavemente abaixo do centro da meta.

O risco mais importante é o referente a questão fiscal. Diversas reformas têm sido discutidas e algumas inclusive já foram aprovadas, mas ainda estamos distantes de equacionar a questão fiscal ao longo do tempo. Caso não seja devidamente solucionada, incorrerá em um aumento nas taxas de juros e também na própria inflação. Segundo relatórios da Instituição Fiscal Independente (IFI), o endividamento público pode superar 92% até 2023 sem uma adequada equalização fiscal, porém, tendo ancoradas as expectativas de inflação, este risco não sinaliza que veremos o sistema de metas de inflação sendo quebrado.”

Referências:

goo.gl/u8h6AS
goo.gl/hRNh56
goo.gl/QdDgTT
goo.gl/PzGmyf
goo.gl/Pxwsif
goo.gl/Gp9n5Q
goo.gl/FzQ79K
goo.gl/ZrNnoA

Figuras:

1 – Facebook BCB, acesso em 07/11/2017
2 – Scot Consultoria: goo.gl/QdDgTT

 

Autores: Grupo E de Economia Monetária

 

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Cultura Econômica, Nível de atividade

PIB, desemprego – Brasil, emergentes e desenvolvidos: desempenhos comparados

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“Para Keynes, os empresários buscam as melhores previsões possíveis sobre as suas receitas futuras, tanto referente a expectativa dos preços, que o fabricante almeja obter com o produto finalizado, como a expectativa de rendimentos futuros, quando agrega um valor a um produto que irá revender. Essas expectativas podem ser de curto e longo prazo, e são essas expectativas que irão determinar o montante de emprego que a firma irá oferecer. Portanto, a produção, com o seu volume, somente irá determinar e atuar com influência sobre a quantidade de emprego se as expectativas dos empresários mudarem no decorrer do tempo. Logo, o efeito sobre a taxa de desemprego só irá ocorrer “depois de um lapso de tempo considerável”(KEYNES,1985).

Desempenhos comparados: Países desenvolvidos (G7)

Figura 1. Criação do grupo4-C- figura 1

Figura 2. Criação do grupo
4-C- figura 2

De acordo com os gráficos, o PIB teve uma queda significativa entre os anos de 2008-09, decorrente da conjuntura internacional. Percebe-se que todos os países do G7 e os seus complementares que estão na UE, apresentaram um PIB de 3 até quase 6 pontos negativos na queda percentual do PIB.

Em 2009, a Alemanha, uma das maiores economias da UE, teve a sua maior retração, desde o fim da Segunda Guerra. Encolhendo-se em torno de 5% em 2009, muito pela queda de investimentos e exportações(EGELER,BUHRS, 2010). Comparando com o desemprego, segundo Krämer: “Se as empresas na Alemanha produzem 5% a menos, então também alegam precisar de 5% a menos de funcionários, o que implicaria o corte de 2 milhões de empregos. Isso prova o quão problemático é quando a economia retrai 5%”. O número de emprego em 2009 se manteve estável ao ano anterior, o que se reduziu em 2009 foi a jornada de trabalho, reduzindo-se em média de 2,8% as horas trabalhadas(BUHRS, 2010).

No quesito desemprego, o Brasil teve em 2009 praticamente a mesma taxa da média dos países desenvolvidos, percebe-se uma diferença brusca nos anos seguintes, com uma estimativa de maior desemprego para 2016-17, beirando as taxas da Itália e da França.

Desempenhos comparados: Países emergentes e Brasil (BRICS)

Figura 3. Criação do grupo

4-C- figura 3
Figura 4. Criação do grupo
4-C-figura 4

 Os BRICS foram identificados como economias grandes e de crescimento rápido que teriam papéis globais cada vez mais influentes no futuro. Mas a desaceleração econômica que o Brasil está passando se repete em todo o grupo. No Brasil, uma conjugação de fatores internos e externos que determinaram o baixo dinamismo da economia no período recente.

Já a Rússia é criticada por ter um ambiente de negócios difícil, devido à burocracia e incertezas sobre o sistema legal. Jim O’Neill (responsável pelo termo “BRICS”) afirma que o país precisa de normas confiáveis de direito empresarial. Mesmo assim a Rússia apresenta taxas de desemprego abaixo do Brasil.

China é possivelmente a mais preocupante para o resto do mundo. O país tem registrado taxas extraordinárias de crescimento econômico há muito tempo e taxas de desemprego muito baixas, podendo representar que sua economia está muito aquecida.

A Índia aparentemente é o que está causando menos ansiedade nos mercados. O crescimento ganhou força nos últimos anos. Pode ser considerado como resultado de reformas e política macroeconômica voltada ao crescimento (aliada à geração de empregos). Junto com a China, a Índia apresentou crescimento do PIB com desemprego em torno de 4% nos últimos anos.

O desempenho da África do Sul em termos de crescimento e de redução do desemprego tem estado muito abaixo da China e da Índia. As razões para o elevado desemprego estão associadas a baixa demanda internacional por commodities e à fragilidade do setor manufatureiro voltado para as exportações, que tem vivenciado uma redução de lucratividade, fator que compromete a geração de empregos e o estímulo ao crescimento.

FIGURA 5 4-C- figura 5

O gráfico acima relaciona o desempenho do PIB e o desemprego no Brasil. Para o período de 2014 em diante a relação se tornou inversamente proporcional, com a queda do PIB e o aumento do desemprego. Percebe-se que a queda do PIB de 2013-14, influenciou levemente o mercado de trabalho, gerando até uma diminuição do desemprego. 

Fontes:

KEYNES,John Maynard; A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda; Ed.Nova Cultural;1985; São Paulo

http://www.dw.com/pt/brasil-pressiona-resultado-global-negativo-diz-fmi/a-19182298 http://www.dw.com/pt/alemanha-passou-pela-pior-recessão-desde-o-pós-guerra/a-5124646 http://www.dw.com/pt/ue-lutará-com-alto-endividamento-nos-próximos-anos/a-4296360

http://www.dw.com/pt/comissão-europeia-anuncia-más-perspectivas-conjunturais-na-zona-do-euro/a-4227300

Http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2016/01/weodata/index.aspx

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/11/141130_brics_atualiza_lab

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-06182009000300004 http://www.simpoi.fgvsp.br/arquivo/2012/artigos/e2012_t00177_pcn50520.pdf http://epocanegocios.globo.com/Economia/noticia/2016/04/epoca-negocios-brasil-e-pais-lider-em-desemprego-aponta-estudo.html http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2016/04/desemprego-no-brasil-chega-maior-taxa-da-serie-historica-do-ibge.html http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/04/desemprego-fica-em-102-no-trimestre-encerrado-em-fevereiro.html

http://saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&busca=1&idnoticia=3144 http://www.ibge.gov.br/home/disseminacao/destaques/2016_04_20_nota_informativa_pnadc.shtm http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/joao-borges/2016/04/20/VELOCIDADE-DA-PIORA-DO-DESEMPREGO-SOBE-COMO-FOGUETE.htm

http://cbn.globoradio.globo.com/editorias/economia/2016/04/20/DESEMPREGO-SOBE-PARA-102-NO-TRIMESTRE-ENCERRADO-EM-FEVEREIRO.htm

AUTORES: GRUPO C – Macro I

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Política Fiscal

Grupo M – Política Fiscal contracíclica – Brasil e EUA

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A teoria keynesiana, introduzida na década de 1930, defendia políticas governamentais para controlar, ou ao menos, reduzir o tempo de impacto de crises da demanda agregada. Diferentemente dos clássicos que defendiam a não interferência do governo na economia, pois segundo sua teoria, a economia se ajustaria sozinha com o tempo (a mão invisível do mercado ajustaria as variáveis e retornaria o produto ao seu equilíbrio).

A política anticíclica busca tirar o país de seu ciclo econômico, seja de baixo crescimento ou extremo crescimento. No baixo crescimento, o governo deverá intervir com o aumento da demanda agregada. Quando em um período de crescimento exacerbado, acima do produto potencial, o governo deverá intervir criando políticas restritivas a fim de reduzir o produto para que se aproxime do produto potencial.

Faz-se importante ressaltar que a necessidade de um governo criar política anticíclica restritiva, a fim de reduzir o produto no curto prazo, é a necessidade de controlar a inflação, pois se a demanda for muito superior à oferta agregada, o produto real não crescerá, mas somente a inflação. Por isto o governo entra com uma redução na oferta de moeda ou no orçamento fiscal.

Brasil

Após a crise de 2008, o Brasil tomou como política anticíclica o aumento vertiginoso dos gastos públicos; porém para alguns economistas, a política durou por tempo demais, causando inflação no momento presente. Com a política fiscal expansionista, a demanda agregada aumentou, porém a oferta agregada não acompanhou na mesma proporção, e hoje vemos a crise de baixo crescimento e alta inflação.

Atualmente o Brasil está com um produto acima do seu produto potencial, isto se deve ao estado de estagflação e baixo desemprego. A fim de controlar o ciclo, e voltar ao produto potencial (e consequentemente a taxas de inflação menores) o governo federal está fazendo uma política restritiva fiscal, ou seja, aumento dos impostos e redução dos gastos do governo, no curto prazo.

A partir de 2015, o ministério da fazenda inicia um projeto para a redução do orçamento dos ministérios públicos (ver tabela 1.1) em cerca de quase R$70 bilhões. Ainda estão em aprovação outras medidas restritivas como a redução de gastos assistencialistas como o seguro desemprego, abono salarial, etc. Com estas últimas medidas o governo espera uma redução de R$18 bilhões.

Além da redução dos gastos do governo, o executivo brasileiro aumentou os impostos, como a volta da CIDE, o aumento do Pis/Cofins no combustível e do IOF para operações financeiras.

EUA

Quanto à política fiscal, os EUA, logo após a eleição de Obama, este entra com um projeto de saúde para os mais pobres e idosos, e também com um aumento nos gastos militares, para a guerra no Iraque; as duas políticas tanto a de saúde pública quanto a militar foram importantes para a recuperação americana, porém em 2013 houve uma grave crise politica entre democratas e republicanos devido ao teto da dívida ianque. O teto da dívida foi aumentado com o compromisso de redução dos gastos do governo ao longo do tempo.

A tabela 1.1 retirada do site www.g1.com.br mostra o orçamento previsto para o ano de 2015 e como ficou após o corte do orçamento.

M - Tabela 1.1

No gráfico 1.2, temos um gráfico (Ano; % do PIB) que demonstra o crescimento e depois a redução do orçamento do governo ao longo do período de 2008 a 2015.

M - Gráfico 1.2

 

Bibliografia:

http://pt.tradingeconomics.com

 http://www.vinciapogeo.com.br

http://g1.globo.com

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Nível de atividade

Grupo G – Produto e Desemprego no Brasil a partir de 2003

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“1)Governos Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010): O primeiro governo, de 2003 a 2006, foi caracterizado pela manutenção do tripé macroeconômico, com o regime de metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário. O ajuste das contas públicas necessário para a obtenção de um crescimento sustentável foi alcançado com a geração de superávits primários suficientes para reduzir a relação dívida-PIB. Esta estabilidade foi essencial para que o crescimento médio entre 2003-2006 ficasse em torno de 3,4%. Há um destaque para a taxa expressiva de 2004, 5,7%, ocasionada principalmente pela forte queda da taxa de juros em 2003, favorecendo o investimento produtivo e o consumo das famílias. As políticas sociais de distribuição de renda, tendo como principal âncora o Bolsa Família, foram responsáveis pela redução da pobreza e pela ascendência de aproximadamente 40 milhões de pessoas para a classe média. Houve então um grande estímulo ao consumo, aquecendo o mercado interno e alavancando o crescimento do PIB. No segundo governo Lula, entre 2007 e 2010, além da continuidade e aprofundamento das políticas sociais, a expansão do crédito pelos bancos públicos e as reduções das alíquotas do imposto de renda e do imposto sobre produtos industrializados foram outras medidas que tiveram como objetivo a ampliação do consumo interno. Foram, juntamente com a política de valorização real do salário mínimo, essenciais para que o Brasil sofresse pouco com os impactos da crise de 2008, obtendo um crescimento negativo de 0,2% em 2009, baixo se comparado com a média global no mesmo ano (-0,8%). A alta do preço das commodities em 2010 beneficiou as exportações brasileiras, resultando em um saldo da balança comercial que, em conjunto com os fatores de expansão econômica interna, resultaram em uma elevação de 7,6% do PIB naquele ano. Somado ao o aumento da produção, houve a elevação do número de empregos formais, necessário para as empresas terem mão de obra suficiente e atenderem a demanda interna. A criação do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) promoveu a retomada da execução de obras de infraestrutura pública, o que resultou em um aumento da oferta de empregos e geração de renda. Resultado: a taxa de desemprego caiu de 12,4% em 2003 para 6,7% em 2010. Neste período, houve uma queda quase continua do desemprego, salvos o ano crítico de 2009, em que se pode notar uma leve elevação de 7,9% para 8,1%, e uma estabilidade entre 2005 e 2006.

2)Governo Dilma Rousseff (2011-hoje): Teve como características a manutenção dos programas sociais, com políticas de inclusão social que permaneceram incentivando o consumo interno, juntamente com a continuação das valorizações do salário mínimo. As desonerações de impostos e das folhas de pagamentos das empresas contribuíram para o aumento do nível de investimento público e competitividade das indústrias nacionais. Isto é refletido nos crescimento de 3,9% do PIB em 2011, acima da média global. Porém, o persistente aumento da taxa de juros realizada pelo Bacen, iniciado em 2013, em conjunto com a alta da inflação (responsável pela corrosão da renda) , resultou em uma queda dos gastos com consumo pelas famílias. O aumento da inadimplência contribuiu para este fenômeno. A queda da confiança do empresariado, em parte devido ao aumento da Selic, foi responsável pela diminuição dos investimentos. Somando-se as quedas no consumo e no investimento privados com a piora do cenário econômico internacional, o resultado foi uma baixa taxa de crescimento do PIB em 2014,de 0,1%. O desemprego continuou em queda, influenciada pela criação do PAC 2, bem como pelos aumentos contínuos do salário mínimo. A taxa anual se estabilizou em 4,8%, o menor índice histórico. A explicação para os níveis atuais baixos da produção e do desemprego pode estar no fato de que a geração de emprego nos últimos anos estar associado e trabalhos que exigem baixos níveis de escolaridade e qualificação, o que leva a uma baixa produtividade.

G - Grafico 1

G - Grafico 2

G - Grafico 3

 

Fonte:

http://www.bcb.gov.br/pt-br/paginas/default.aspx

http://www.ibge.gov.br/home/

FILGUEIRAS, L.; GONÇALVES, R. A economia política do Governo Lula. São Paulo: Contraponto, 2007.”

 

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Inflação, Nível de atividade, Política Monetária

Grupo A – Inflação e Taxa de Juros no Brasil (Plano real até 2002)

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“CONTEXTUALIZAÇÃO: O objetivo principal do Plano Real foi restabelecer a estabilidade monetária, ou seja, o controle do processo inflacionário (no governo FHC, assume-se basicamente que não existe política de crescimento sustentável com instabilidade monetária), o que é diferente do propósito de buscar a estabilidade econômica, embora a estabilidade monetária seja um componente necessário para se atingir a última. Para entendermos a inflação que o Plano Real combateu devemos pensar na persistência e a intensidade dos aumentos dos preços. O financiamento dos sucessivos déficits com emissão de moeda levou ao aculturamento inflacionário, ou seja, os agentes econômicos começaram a associar inflação passada com inflação futura e os preços começaram a se descolar dos custos de produção, sendo definidos e baseados em expectativas inflacionárias. Quando esse processo se consolida a inflação inercial a qual possui uma autoalimentação. Seguindo esse raciocínio, ela se autoalimenta e tende a inviabilizar a moeda na sua função de reserva de valor, perdendo credibilidade e fazendo com que os agentes econômicos procurem se desfazer da moeda rapidamente, pois sabem que de um dia para outro seu poder de compra se reduz significativamente. Também por isso o Plano Real veio acompanhado da implantação de uma nova moeda. Focando o objetivo de estabilidade monetária, o Plano Real se sustentou em três pilares:  a âncora cambial, abertura econômica e base monetária rígida (juros altos).

 INFLAÇÃO: De uma inflação anual elevada em 1994, todos os indicadores considerados apresentam uma tendência de baixa estável até 1998, ano em que se atingiram os menores índices de todo o período do Plano Real. Em 1999, com a necessidade de adoção de um regime cambial flutuante, a desvalorização cambial explica grande parte da aceleração da inflação, processo que volta à sua trajetória descendente e se estabiliza nos anos seguintes, mas ressurge em 2002, como reflexo da crise da Argentina, instabilidade internacional (atentado de 11 de setembro de 2001), incapacidade de cumprir com os compromissos internacionais e, especialmente por ser um ano eleitoral.  A constatação de que o plano real atingiu seu objetivo prioritário fica mais evidente se considerarmos as taxas médias de inflação do período de 1995 a 2002 e contrapô-las com o período anterior de 1990 a 1994. As taxas percentuais médias do primeiro período foram respectivamente de 12,48 do IGP-DI; 12,46 do IGP-M; 10,19 do IPC; 9,47 do INPC e 9,24 do IPCA, contra, respectivamente, 1.383,36; 1.429,32; 1.474,87; 1.325,67 e 1.321,27 no período anterior. São taxas baixas para os padrões brasileiros, especialmente se comparadas com aquelas alcançadas antes do período do Plano Real.  Para ajudar a visualização, colocamos ambos os gráficos abaixo: primeiro do período de 1994 a 2002 e depois de 1986 a 2013 referentes ao assunto:

A - Gráfico 1 Inflação

A - Gráfico 2 Inflação

TAXA DE JUROS: Embora se reconheça que há um componente inercial na inflação brasileira, e o inclua formalmente no seu modelo de meta de inflação, o Banco Central continua a usar a taxa de juros básica para controlá-la. A evolução da taxa de juros referencial da economia brasileira, a SELIC, no período de dezembro de 1994 a agosto de 2002, mostra que embora tenha havido uma grande oscilação no início da série, a taxa de juros decresce sucessivamente até agosto de 1997, ficando em 1,5859% ao mês. É seguido por uma fase de grandes oscilações, com a taxa alcançando um máximo de 3,3345% ao mês em março de 1999, vindo a retroceder e mudar seu ritmo em torno de outubro de 1999 com uma taxa de 1,3839% ao mês, quando a amplitude de variação da taxa de juros se reduz. Novo impulso ao aumento nas taxas de juros ocorre em agosto de 2001, com taxas de 1,6% ao mês, em elevação continuada em 2002, causada pelas eleições presidenciais em função de temor de possível calote da dívida pública.  Vide gráfico abaixo:

A - Gráfico Taxa de Juros

 

Referências:

http://20anosdoreal.epocanegocios.globo.com/

http://www.iea.sp.gov.br/out/LerTexto.php?codTexto=8984

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Ensinando Economia, Nível de atividade

Grupo D – Produto e Desemprego (Plano Real até 2002)

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“Contextualização: Até o Plano Real, adotado em 1994, a economia brasileira foi vítima das elevadas taxas de inflação. Em 1950, quando Juscelino Kubitschek foi eleito e propôs o Plano de Metas, com o famoso slogan dos “50 anos em 5” para impulsionar a industrialização brasileira, até então praticamente inexistente, e a construção de Brasília, empresas americanas e europeias começaram a entrar no Brasil e a estas foram concedidos vários benefícios, o que junto com a construção de Brasília acabou por endividar o Estado. Situação esta que fora controlada pela emissão monetária. Com a renúncia de Jânio Quadros e a posse de João Goulart a instabilidade política propiciou ainda mais o desequilíbrio macroeconômico que já estava em andamento com a inflação elevada e o problema das contas externas. Em 1964, quando os militares tomaram o poder a inflação fora de 90%, foi adotado PAEG (Programa de Ação Econômica do Governo) e a inflação começou a cair. Entre 1968 e 1973, período conhecido como “milagre econômico” quando o PIB do Brasil cresceu absurdamente junto a altas taxas de inflação. E em 1979, o choque do petróleo e o aumento das taxas de juros complicaram ainda mais a situação do país.

Em 1986, foi colocado em prática o Plano Cruzado, para tentar estabilizar os preços (congelamento de preços), após uma ano o governo pôs fim a esse congelamento, fazendo com que o câmbio se desvalorizasse e a inflação subisse novamente.

 Conjuntura: No fim de 1993, sob comando do até então Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, começa a tomar medidas para colocar em prática o Plano Real. O Plano Real consistiu na adoção de duas moedas por um determinado período de tempo. A moeda corrente doméstica (Cruzeiro Real), que continuaria sendo usada como meio de troca e uma moeda virtual (moeda indexada-Unidade Real de Valor=URV) usada como unidade de conta. Então os preços na moeda corrente continuariam a subir conforme a inflação, mas permaneceriam estáveis em relação a moeda indexada.

Em 1994, a URV mudaria seu nome para Real e o Cruzeiro Real deixaria de existir. Em quatro meses todos os preços que eram cotados em Cruzeiro Real encontraram seu valor de equilíbrio em URV, estando a economia liberta da inflação. Em 1999, com uma crise mundial houve uma forte desvalorização do Real e então o Brasil adota o regime de metas de inflação.

 D - Produto Interno Bruto (PIB)

D - PIB per capitaD - DesempregoD - Desemprego 2

Fontes:

http://databank.worldbank.org/data/views/reports/chart.aspx

 PAULANI, Leda Maria & BRAGA, Márcio Bobik. A Nova Contabilidade Social – uma introdução à Macroeconomia. São Paulo: Editora Saraiva, 4ª edição, 2012

 http://20anosdoreal.epocanegocios.globo.com/#anchor-u343″

 

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Câmbio, Inflação, Mercados Financeiros, Política Monetária

ECO F – Âncora Cambial e o Brasil pós Plano Real

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Como em outros países da América Latina em busca do combate a processos inflacionários crônicos, o Brasil também adentrou no chamado plano de estabilização baseado nas taxas de câmbio. Nesse tipo de plano, a taxa de câmbio se torna uma âncora nominal da economia, envolvendo a determinação e a manutenção de certo patamar para a taxa nominal de câmbio.

Com isso, o tamanho da base monetária passa a não mais depender das decisões isoladas dos bancos centrais desses países, mas da quantidade de reservas internacionais acumuladas e das leis e regras que relacionam o estoque de reservas com a criação de moeda.

A sustentação da âncora cambial foi viabilizada pela ampla captação de recursos externos de forte liquidez internacional. Ao conferir estabilidade ao valor da moeda pelo fato do Real estar lastreado abundantemente em dólares, o Plano Real garantiu a confiança dos investidores e fez com que os agentes econômicos passassem a demandar a moeda doméstica.

Enquanto o volume de dólares fosse maior do que o M1, toda e qualquer conversão de reais em dólares estava garantida, o que trazia tranquilidade aos investidores, que assim não precisavam se preocupar com desvalorizações cambiais repentinas para impedir o esgotamento das reservas internacionais.

Inicialmente, houve a adoção de política de câmbio de livre flutuação – que ficou em vigência no período de julho de 1994 a fevereiro de 1995 – e permitiu a entrada de recursos externos, provocando a apreciação da taxa de câmbio.

No momento da implantação do Plano Real, a paridade máxima entre o real e o dólar foi anunciada oficialmente como equivalente a R$1/US$, não sendo o limite inferior num primeiro momento oficialmente fixado (a institucionalização do regime de bandas com a determinação oficial de limites inferiores e superiores só ocorreu, de fato, a partir do final do primeiro trimestre de 1995).

Entre julho e setembro de 1994 não houve qualquer intervenção no mercado de câmbio e a taxa de câmbio “naturalmente” sofreu uma apreciação, passando para R$0,84/US$ como podemos observar no gráfico a seguir.

eco f 1

 Após a crise mexicana em 1994, o regime cambial brasileiro foi substituído pelo regime de bandas cambiais fixas, ficando vigente de março de 1995 a dezembro de 1998. O novo sistema cambial impedia novas apreciações da taxa de câmbio, mas não compensou de imediato a apreciação verificada anteriormente, mantendo-se o câmbio sobrevalorizado.

O gráfico a seguir mostra a variação das reservas internacionais e a variação do M1, de julho de 1994 a janeiro de 1999.

 eco f 2

Como podemos observar, tanto a crise mexicana quanto a asiática provocaram uma redução nos níveis de reservas, mas rapidamente o montante se recompôs, alcançando patamares superiores aos anteriores.  Não demorou, veio a crise russa e o Brasil não mais se recuperou. As reservas internacionais despencaram e, simultaneamente, o M1 cresceu de R$42 bilhões para R$49 bilhões.

No dia 13 de janeiro de 1999, o Plano Real original acabou. Dali em diante, foi adotado o famoso tripé macroeconômico que conhecemos: câmbio flutuante, metas de inflação e superávit primário, conceitos que não existiam no Plano Real.

Sugerimos como ponto de discussão o porquê das reservas internacionais terem despencado tão maciçamente após a crise na Rússia.

Bibliografia:

http://www.fearp.usp.br/pesquisa/images/Anexos/Publicacoes/Textos_discussao/REC/2001/wpe20.pdf

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1294

http://www.rep.org.br/pdf/87-1.pdf “

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Câmbio, Inflação, Mercados Financeiros, Política Monetária

ECEC C – Âncora cambial no Plano Real

“No inicio dos anos 90, o Brasil, passava por um periodo de alta inflação, e já havia passado por varias de tentativas de estaabilização, com planosanteriores, conseguindo esse objetivo com o plano Real. Para conseguir essa estabilidade economica, foram necessarias algumas medidas, como um ajuste fiscal, adoção das URV, e de um ancora combia.

Até a instalação do Plano, a política cambial brasileira era regida por constantes desvalorizações cambiais, que buscavam eliminar os efeitos da inflação sobre a taxa de câmbio real. Pretendia-se, dessa forma, manter, ou mesmo recompor, a competitividade dos setores produtivos nacionais. Essa política buscava a manutenção do equilíbrio do balanço de pagamentos. Por outro lado, ela se tornava uma fonte alimentadora da inflação. Com o Plano Real o objetivo da taxa de câmbio foi alterado. Foi estabelecida uma âncora nominal por meio de uma nova política cambial. Mas o plano teve dificuldades de implementação dado cenários de crise mundial que foram de certa maneira mais a regra do que a excessão nos anos 1990. Tivemos a crise do México em 95, da Ásia em 97, da Rússia 98 e a bolha ponto-com em 2000. Isso dificultou que medidas do plano real tivessem os efeitos esperados. Essas crises influenciaram no modelo de cambio no Brasil no periodo.

A adoção de um câmbio mais firme, com limite maximo, se deu pela necessidade de instituir uma ancora nominal, para combater o processo inflacionario.  Essa fixação atua de algumas formas para ajudar no controle da inflação, ela passa a afetar as expectativas dos agentes definidores de preços, feito ajudado pela melhora da credibilidade (conseguida com implantação de outras medidas anteriores para implantação do plano),  também vamos levar em conta a competiçao de produtos importados, que sofreram redução de preço graças a apreciação da moeda local, assim como insumos intermediarios, que reduziram o custo de produção de produtos nacionais.  A importância da âncora cambial no combate à inflação também se relaciona com a reversão das expectativas inflacionárias.

No inicio do plano, tivemos uma apreciação do real, levando a um valor maximo de 1 U$$, mas sem valor minimo, mas quando essa apreciação ficou muito elevada, foi estabelecido um cambio minimo informal pelo BC. Com a oficialização do sistemas de bandas, com limites inferiores e superiores em 95, esse sistema foi mantido, mas ao longo dos meses tivemos alterações nas bandas de valor do real. Contudo, em 98 a situação do Brasil, passou a ser de possivel alvo para ataques especulativos,  fatores como deficit de conta corrente, elevados juros endividamento externo do setor bancario, títulos publicos expressos em dolares e moeda sobrevalorizada,   levaram a adoção em 1999 do sitema de câmbio flutuante.

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