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Com a palavra, um profissional!

 

Para finalizar a Atividade 1, nada melhor que um profissional com a carreira em ascensão para nos contar como a leitura de “How we decide” o ajuda em seu dia-a-dia! Convidei Caio Banti, um gestor de risco do mercado financeiro, economista, hoje trabalhando em um grande banco em Nova York. Caio também faz Mestrado Profissionalizante na NYU em finanças e, como ele mesmo pediu para contar, foi meu aluno em umas quatro disciplinas (aprovado em todas… rs) e meu orientando de monografia (nota 10!). Além disso, foi ele quem me presenteou com o livro no último Natal, em Nova York!

  

“18 de Setembro de 2008: o telefone toca e pelo menos três traders tentam me explicar porque precisam de um novo limite de crédito para operar com um cliente. O dólar havia saltado de R$ 1.81 para R$ 1.94 em três dias na semana negra que começou com a quebra do Lehman Brothers nos EUA. Isso não parecia nada normal mas os traders pressionavam por um aprovação rápida para evitar que o cliente não perdesse “uma oportunidade de mercado” que se fecharia caso o dólar se movesse. Minha suspeita venceu a pressão dos traders e eu decidi escalar a decisão para meus superiores. À medida que fazíamos mais perguntas, a situação parecia mais anormal. Alguns dias depois, a mesma empresa anunciou perdas de USD 2 bln e sua incapacidade de pagar os credores.

Como gestor de risco meu trabalho é bastante dinâmico. Sou responsável pela aprovação do risco de crédito que o banco incorre em todas as operações de empréstimos e derivativos para um determinado portfólio de clientes. Em algumas ocasiões, há tempo para decidir. Entretanto, na maioria das vezes, especialmente quando se trata de derivativos como no exemplo, a decisão precisa ser quase instantânea ou o cliente acaba fechando a operação com um concorrente.

Normalmente uma decisão rápida é um diferencial competitivo na indústria bancária, mas mais importante do que ser rápido é saber quando esperar. Mas como saber diferenciar as situações? O caso usado como exemplo por muito tempo me fez pensar que a decisão de escalar o pedido por novos limites só tinha um motivo: sorte. Desde então, comecei a pesquisar como tomamos decisões e me surpreendi com a vasta literatura que existe sobre o tema.

 “How we decide” foi um dos primeiros livros que li sobre o assunto. Um livro bastante informal, mas extremamente gostoso de ler e revelador. Uma leitura bastante adequada à iniciação no assunto já que a jornada é longa. Entender como partes importantes do cérebro funcionam tem sido fundamental para aproveitar suas fortalezas e mitigar suas fraquezas no meu dia-a-dia. Foi assim que entendi que na verdade minha decisão de escalar o pedido dos traders não foi puramente sorte. Com base em várias operações anteriores, meu “cérebro emocional” instantaneamente me passou a ideia de que aquele pedido não era convencional.

 Uma das principais contribuições de “How we decide” foi ajudar a diferenciar as situações. Hoje entendo melhor que tipo de abordagem preciso aplicar a cada situação: quando tomar uma decisão instintiva, quando parar por alguns minutos para pensar nas variáveis envolvidas (quando essas são poucas) e quando preciso de mais tempo ainda para poder considerar todas as variáveis (quando essas são muitas). Essa última, por sinal, é uma das mais intrigantes. Por várias vezes dormi com problemas e acordei com soluções. Nada melhor que solucionar problemas dormindo. Alias, pena que não podemos entregar os exames sempre no dia seguinte. Entretanto, nem tudo é feito para dar certo. O cérebro também esconde problemas como o efeito âncora e a aversão a perda certa, apenas para citar dois exemplos. Entender esses defeitos, saber identificar situações em que esses se aplicam e desarmar nosso “instinto” são tão fundamentais quanto usar as fortalezas que o cérebro nos oferece.

 Em resumo, uma grande leitura, mas não o fim de uma jornada. Pesquisando mais vocês verão que, como nós, todos os agentes do Mercado possuem os mesmos desafios para lidarem com as decisões. Em finanças esses desafios podem gerar distorções às teorias tradicionais que estão dando origem a novas teorias com um forte componente comportamental. Mas esse já é assunto para outra oportunidade (e para um outro livro).”

 

 Obrigada, Caio!

 

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Como decidimos? Parte 8 e Coda

 

How we decide – Capítulo 8

O capítulo 8 intitulado “A Mão de Pôquer” inicia-se contando a trajetória de Michael Binger, um físico da Universidade de Stanford que além de estudar física também é jogador profissional de pôquer.

O pôquer é considerado em sua essência, um jogo de profundidade estatística, em que cada mão é classificada de acordo com sua raridade. Um jogador que consegue analisar as probabilidades envolvidas com as cartas que possui em mãos tem uma vantagem distinta sobre seus oponentes, uma vez que probabilidades maiores indicam uma maior chance de ganhar a mão. No entanto, o pôquer não se baseia apenas em um jogo de cartas, o ato de apostar envolvido em cada rodada é o que faz do pôquer, em especial o Texas hold’em uma arte, uma mistura de dramaturgia e teoria dos jogos. O simples ato de aumentar a aposta possui significados simples, porém difíceis de interpretar. Um jogador que aumenta a aposta pode estar confiante nas cartas que tem em mãos ou então, está blefando e tentando intimidar os outros jogadores a desistirem do jogo para ele ficar com todo o dinheiro. O desafio dos jogadores de pôquer é saber qual a verdadeira intenção do jogador. Essa habilidade é o que jogadores profissionais tentam desenvolver, para isso eles analisam os padrões comportamentais dos jogadores e buscam o menor engano na fala ou no gesto de cada um. Sendo assim, os melhores jogadores de pôquer são também os mais mentirosos. Eles são capazes de envolver seus adversários com blefes sinceros e apostas imprevisíveis.

Para Binger, entender o jogo de cartas consiste em centrar-se nas variáveis mais importantes que estão envolvidas, pensar com clareza e não ficar distraído.

O pôquer é um jogo que possui duas linhas de raciocínio para se ganhar uma partida. Uma que envolve a análise estatística já abordada e a outra que esta associada à indecisão da tomada de decisão. Quando não há respostas óbvias, um jogador de pôquer é forçado a tomar uma decisão utilizando o cérebro emocional. E assim a intuição que vaga sobre a mão, o palpite inexplicável sobre seu oponente, acaba se tornando um fator decisivo.

Os melhores jogadores de pôquer também sabem quando não devem levar apenas a matemática na tomada de decisão. As estatísticas são limitadas e os números não são capazes de dizer tudo. Em determinadas situações é importante ouvir seus próprios sentimentos, mesmo que eles nem sempre respondam a todas as perguntas. Essa é a realidade do pôquer, não é possível construir um modelo perfeito sobre ele.

Dijksterhuis, um psicólogo da Universidade de Amsterdã realizou diversas pesquisas constatando que é melhor realmente usar o cérebro emocional em decisões que envolvam muitas variáveis, pois o córtex tende a simplificar o problema e analisar uma única variável. Dijksterhuis observou ainda em suas pesquisas que quanto mais tempo às pessoas analisavam suas opções, menos satisfeitas com a compra elas ficavam, assim como ao reaplicar o estudo de Timothy Wilson (cap. 5), ele confirma que em situações complexas e subjetivas a tomada de decisão não é melhorada ao envolver o cérebro racional. Agora sabemos que em questões subjetivas a melhor decisão pode ser obtida pelo cérebro emocional, mas como? Talvez o melhor seja adquirir o máximo de informação e se distrair por algum tempo, deixando que o problema fique vagando pelo inconsciente, para só então decidir.

É muito comum no dia a dia tomarmos decisões simples com o emocional e deixarmos decisões mais complexas para o córtex, quando deveríamos fazer exatamente o contrário (isso pode ser algo bem difícil de aceitar), pois comprar um utensílio de cozinha ou escolher o almoço é um problema simples, já decisões tais como a de comprar um carro, um imóvel ou mesmo um sofá envolve muitas variáveis e sobrecarregam o córtex levando a uma pior decisão. Essa ideia não se aplica apenas as compras, mas também diversas situações como um jogo de pôquer ou aos negócios, desde que haja experiência suficiente naquilo que domina (ter gasto certo tempo treinando os neurônios de dopamina).

Binger começou a obter maior sucesso no pôquer ao aceitar que não há solução para o jogo, apenas as probabilidades não são suficientes. O mesmo se aplica aos mercados financeiros, nos dois casos os agentes devem tomar decisão com informação incompleta. Em pesquisa de Lo Andrew, com especuladores e traders foi observado que as melhores decisões foram tomadas com o cérebro emocional enquanto as piores decisões foram tomadas quando as emoções estavam em silêncio. Parece haver uma faixa ideal de respostas emocionais que traders e jogadores de pôquer profissionais parecem exibir, os melhores são aqueles capazes de encontrar esse equilíbrio e desenvolver um sistema cerebral capaz de melhorar o desempenho um do outro.

Podemos observar que Binger está sempre usando o córtex para interrogar suas emoções, isso não quer dizer que ele as ignore, na verdade ele está evitando algum erro emocional óbvio, como em um momento em que se perdem muitas fichas no pôquer com uma boa mão gerando um descontrole emocional e tendendo querer recuperá-las rapidamente. A parte racional é mais apta a monitorar sentimentos e deve ser usada nos momentos em que o cérebro está mais certo de sua decisão. Este é o segredo de Binger, seu cérebro é flexível e capaz de alternar entre emoções e racionalidade. As decisões nunca são simples, se isso acontecer é nesse momento que o córtex deve entrar em ação para questionar o que pode estar errado. O questionamento é importantíssimo no processo decisório, pois faz com que diversas áreas do cérebro sejam utilizadas assim como toda a informação disponível, em contrapartida quando caímos em crises de certeza muitas áreas do cérebro são ignoradas assim como informações, levando a uma decisão pior.

Com a intenção de sintetizar todo o conteúdo visto, o autor propõe alguns “princípios” para tomar uma decisão próxima da certa. Ou seja, quando usar a razão ou emoção ou ambos? Observe que, não é um algoritmo e sim, algo que vem a calhar em algumas decisões.

Primeiro princípio – Problemas simples exigem razão – Há problemas que devem ser resolvidos utilizando nossa velha calculadora, a razão. E outros que exigem a análise de muitas variáveis e que o emocional pode levar à melhor decisão.

Segundo princípio – Problemas novos exigem razão – Utilizar a razão e experiências já vividas para solucionar um novo problema, tal solução pode até ser de maneira criativa devido a conexão existente entre o já vivido e o racional. Nesse caso, a emoção tem um papel importante: se ele estiver bem emocionalmente a decisão será melhor.

Terceiro Princípio – Abraçar a incerteza – precisamos nos perguntar qual é a origem da decisão: se ela advém da experiência, ou somente de um impulso aleatório, somado com a analise das possibilidades de erro e, ainda, conseguir perceber o que está em jogo para evitar surpresas desagradáveis.

Quarto princípio – Você sabe mais do que pensa – O cérebro emocional é o responsável pela tomada de decisões complexas. Ele garante que todas as informações relevantes serão analisadas, e ainda, divide as dúvidas em partes gerenciáveis, e depois o transforma em sentimentos práticos. E o melhor dele é transformar os erros em eventos educacionais, ou seja, você aprende com o erro. No entanto, às vezes o cérebro emocional pode ser impulsivo e míope nas decisões. Isso nos diz que devemos ser razoáveis com as emoções, lembrando que ela é uma grande fonte de informações, mas nem sempre utilizáveis.

Quinto princípio – Pensar sobre o pensamento – Se você tem muitas variáveis para analisar, defina quais são as prioritárias e pense sobre elas. Assim, estamos sujeitos a pensar nas falhas de cada decisão e reduzi-las ao final. Mas caso o erro ocorra, devemos desfragmentá-lo e pensar na melhor decisão. Lembre-se que aprendemos com os erros.

Já aplicando o terceiro princípio aqui, não se deve ter certeza, de imediato, que sabes aplicar o quinto princípio. É aparentemente simples, porém o mais trabalhoso. Conseguir desenvolver esse princípio exige treino, e por consequência, tempo. Os grandes jogadores de pôquer, como Binger, mesmo vencendo o torneio, ao final do jogo, repensam algumas jogadas em que perderam dinheiro e analisam como deveriam ter feito; o diretor executivo de uma televisão, ao errar na escolha de um autor, aprenderá como não deve ser o próximo; os pilotos de avião enfrentam diversas situações em simuladores de voo que os permitem criar bagagem para terem criatividade de enfrentar novos erros; e esses exemplos são os que melhor explicam porque as emoções são inteligentes: porque ela tem a capacidade de tornar o erro um evento educacional, guardando a solução que era conveniente naquele momento, ou seja, sempre vamos poder tomar melhores decisões.

Podemos sempre tomar melhores decisões. O autor neste capitulo mostra, de uma forma mais aplicada – com jogos, pesquisas de compra, investimentos – a combinação de razão e emoção que nos leva a uma decisão. Com os princípios, ele mostra que é possível atingir um mix ótimo – ou próximo dele – que nos leve a boas decisões. Porém ele ressalta: não se desespere quanto ao erro, ele serve para que aprendamos a tomar melhores decisões quando problemas semelhantes ou que conduzam a mesma sistemática venham a ocorrer novamente.

How we decide – CODA

Enfim, de uma maneira bem sucinta, o autor procura fazer uma analogia do sistema de decisão humano (razão e emoção) com o gerenciamento de um voo e seus pilotos.

Comparando a vários pontos citados no texto, o autor vai demonstrando situações (até já citadas nos capítulos) que os pilotos tiveram que enfrentar e o que isso significa no nosso cérebro.

Imagine a cabine de um avião, repleta de computadores: logo acima do para-brisa estão os terminais do piloto automático, que podem manter um avião em curso sem nenhum comando do piloto; na frente os manetes; uma tela que faz a transmissão de informação sobre o estado do avião, a partir de seus níveis de combustível e de pressão hidráulica; mais próximo fica o qual monitora a trajetória de voo e grava a posição e velocidade do avião, então há o painel de GPS; uma tela para atualizações meteorológicas e um monitor de radar. Estes computadores são o cérebro emocional do avião -, e quando trabalham juntos, formam a amígdala do avião.

Os pilotos são o córtex pré-frontal do avião, ficando responsáveis por monitorar cada computador e extrair as informações necessárias deles. Ficam sob sua responsabilidade, as decisões e intervenções.

Os simuladores de voo são os responsáveis por gerar os cenários, criando experiência através dos erros.

Da mesma forma que sob algumas situações congelamos – ou continuamos a jogar nos caça-níqueis – vem a razão para nos ajudar a melhorar nossa decisão, analogamente, os melhores sistemas de piloto automático vão cometer erros. Eles vão soltar, congelar, pilotar o avião em caminhos perigosos, a menos que o piloto esteja lá para corrigir o erro, desligar o computador e puxar o nariz do avião para cima.

Os pilotos também podem errar nas decisões. Eles se esforçam para acompanhar todas aquelas telas diferentes em sua frente, ou seja, a ilustração do funcionamento de nossa velha calculadora não podendo trabalhar com muitas variáveis.

Como na aviação, o primeiro passo para tomar boas decisões é nos observar. Precisamos nos conhecer fielmente detectando pontos fortes e fracos. Depois, devemos usar as ferramentas que vão penetrar na nossa mente para que molde nosso comportamento. Por fim, unir todo o conhecimento, prática e experiência – se já não são sinônimos – e trabalhá-los.

GRUPO 08″

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Como decidimos? Parte 7

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“Capítulo 7 – “O cérebro é um argumento”

 

O capítulo 7 irá permear sua discussão em torno das decisões influenciadas pelo lado sentimental e emocional da pessoa.

Ele inicia seu argumento apresentando uma situação de debate entre candidatos à presidência. Onde as pessoas são bombardeadas de novas informações, de um confronto de opiniões (às vezes divergentes). A partir disso, elas iniciam o processo de formar sua opinião. Contudo, mesmo diante de uma opinião contundente, bem elaborada  e sólida, elas terão tendência a se confrontar internamente buscando laços sentimentais, ou opiniões previamente formadas de forma que possam ancorar sua decisão no que elas sentem, e não nos fatos observados durante o debate. Ou seja, não mudariam seus votos ainda que fossem vencidas pela boa argumentação e exemplificação.

E esse fato não se restringe a decisão de um voto. Outro exemplo dado é a decisão de escolha entre cereais em um supermercado, onde você será confrontado entre a opção mais apetitosa  contra a mais saudável. Onde essa escolha se dará pelo lado menos desenvolvido, já que nossas escolhas são inconscientemente calculadas em nível emocional, em prejuízo da lógica.

Para comprovar esse dado, foi sugerida a realização de um experimento. Um adolescente seria apresentado a um objetivo por alguns segundos, e logo após seria lhe apresentado o preço. Mapeando o cérebro durante esse processo, foi constatado que o NACC estava em funcionamento. Essa parte é responsável por “quantificar” o desejo por aquele objetivo, livre de segundas analises. Ou seja, caso esse adolescente já possuísse o objeto em questão, o NACC não seria fortemente ativado.

Na segunda parte do experimento (apresentação do preço) são ativados a insula e o córtex pré-frontal. Sendo a primeira responsável por sentimentos aversivos. Por exemplo, um fumante obrigado a se abster de seu vício ou um sentimento de dor, ambos irão despertar a insula. Isso inclui também o ato de gastar dinheiro. Por outro lado, o córtex pré-frontal irá ponderar os sentimentos e realizar os cálculos para averiguar se trata de um bom negócio.

Desse experimento, os cientistas puderam prever qual seria a tomada de decisão do individuo, baseado no grau de ativação dos pontos supracitados.

É claro que nós gostamos de acreditar que nossas decisões refletem um claro consenso cortical, que toda a mente concorda no que devemos fazer. O NACC pode querer o objeto, mas a ínsula sabe que você não pode pagar por isso, ou o córtex pré-frontal entende que é uma má ideia. Esse tipo de reação antagônica se manifesta como uma pontada de incerteza. Você não sabe em que acredita. E você certamente não sabe o que fazer.

O dilema é como conciliar os argumentos. Uma solução simples: forçar um acordo. As partes racionais da mente deveriam interferir e colocar um fim em todo conflitos emocionais.

Embora a solução acima pareça ser uma boa ideia este resultado deve ser usado com grande cuidado. O problema é que a pressa de acabar com a incerteza geralmente leva a negligenciar partes importantes da informação e acaba tomando uma decisão ruim. Em uma citação vemos o seguinte: “Você não pode dar um curto circuito no processo”.

É bom ter certeza. Confiança é reconfortante. O desejo de estar sempre certo é um perigoso efeito colateral de ter tantas regiões do cérebro competindo dentro da cabeça. Você nunca sabe qual área do cérebro que você deve obedecer. Não é fácil fazer seu pensamento quando sua mente é composta de muitas partes concorrentes.

É por isso que estar certo sobre algo pode ser um alívio. O estado padrão do cérebro é indeciso desacordo; várias partes mentais estão constantemente insistindo para que as outras partes estejam erradas.

Outro experimento foi feito para conseguir um cérebro a traçar diferentes conclusões. Tratava-se em apresentar ao individuo uma mesma situação com pontos de vistas diferentes. Mas deste teste, algo inusitado aconteceu: pacientes conscientemente confusos e com opiniões divididas conseguiam traçar explicações plausíveis sobre suas ridículas imprecisões, deixando-os confiantes de suas respostas.

Naturalmente, a autoconfiança do paciente com divisão do cérebro é claramente enganada. Como resultado, cada um de nós finge que a mente está em pleno acordo com ela mesma, mesmo quando não é. Nós enganamos a nós mesmos para ter certeza.

Nesse capítulo o autor mostra como nossas escolhas são feitas muitas vezes a partir de informações já estabelecidas em nossas mentes, e que muitas vezes ignoramos novas informações novas ou as maquiamos para que se ajustem às nossas escolhas anteriores; e quando em desalinho com uma conclusão única, tenderemos a tomar aquela que traz mais “desculpas” e iremos nos convencer de que foi a melhor opção.”

 

GRUPO 07

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Como decidimos? Parte 6

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“Capítulo 6 – A Mente Moral

 

Como anunciado no final do último capítulo, o capítulo seis discutirá outra esfera da tomada de decisões: decisões morais e moralidade.  Iniciando-se a partir da análise da psicopatia para entender quais processos não estão presentes nestes cérebros, busca-se compreender então como a maioria das pessoas toma estas decisões.

Psicopatas não se simpatizam com os outros, o que os leva a agir de maneira a não levar os sentimentos dos outros em consideração, e moralidade é vista basicamente como tratamos outras pessoas. Embora considerados normais em todos outros aspectos, psicopatas diferem por possuírem o cérebro emocional danificado, criando um vazio emocional. Este vazio os torna indiferentes a cenas de violência ou dor sobre outros, palavras que contenham sentido de causar mal a outro, ou mesmo a mentir.  O principal problema causador disto parece ser uma amígdala defeituosa. Sendo a amígdala a responsável por sentimentos negativos como medo e ansiedade, psicopatas não se sentem mal por fazer outros sofrerem.

Enquanto a conexão entre moralidade e emoção, ao invés de razão, possa ser perturbadora, na prática as emoções decidem sobre a moralidade de uma decisão e então a parte racional busca motivos e defesas para esta decisão. Lógica, legalidade, filosofia e teologia têm pouco a ver com esta tomada de decisão. No livro, o autor usa um cenário moral criado por Haidt, em que dois irmãos fazem sexo e o pesquisador retira contextualmente todo e qualquer empecilho advindo desta relação, e as pessoas continuam julgando tal fato imoral, sem poder defender este julgamento racionalmente. Este seria o motivo de psicopatas serem tão perigosos: a eles faltam as emoções que guiam as decisões morais em primeiro lugar. Desta forma, a parte racional do cérebro pode defender qualquer decisão, dado que as emoções não dizem para não serem violentos, por exemplo.

Uma vez que decisões morais são decisões de diferente natureza, os circuitos responsáveis por decisões morais fazem parte de uma adaptação biológica recente que nos distancia da maioria dos outros animais, notadamente por sermos os mais sociais dos animais. Isto foi descoberto analisando-se o cérebro das pessoas enquanto estas tomam decisões morais. As imagens colhidas em experimentos mostram que se ativam circuitos diferentes no cérebro se a decisão for pessoal ou impessoal. Decisões impessoais, que podem ser descritas pelo fato de uma pessoa afetar outros indiretamente por suas ações, são tomadas pelos circuitos de tomada de decisões racionais; enquanto decisões pessoais, descritas como ações realizadas diretamente sobre alguém, são tomadas por outros circuitos, responsáveis por interpretar os pensamentos e sentimentos de outras pessoas. Exemplo aplicado disso, a mudança no treinamento militar americano depois de descoberta a baixa taxa de tiros contra inimigos durante a guerra, tamanho o medo dos soldados americanos de matarem. O novo treinamento focou-se na encenação exaustiva do abatimento do alvo, de modo a tornar isto algo mais natural, e no uso de táticas que envolvem decisões mais impessoais, como o bombardeio.

O autor, então, argumenta que ser simpático exige que o cérebro crie uma teoria sobre o estado de espírito de outra pessoa. Na falta de informações reais sobre outros, tendemos a nos colocar no lugar de outra pessoa para imaginar como nos sentiríamos, e isto acaba criando simpatia.  Este fato é explicado no livro com o experimento do jogo do ultimato, em que participantes ofereceram dividir mais igualmente o dinheiro, antecipando como outros participantes se sentiriam. Os próximos experimentos servem de base para argumentar em favor de uma tendência do cérebro em tentar encontrar estados de espírito que pode inclusive se estender a objetos inanimados, uma correlação positiva entre atividade nas regiões simpáticas e a inclinação ao altruísmo, e um sistema de recompensa por altruísmo que chega a oferecer maior sensação de prazer do que ganhos pessoais. 

Seguindo a linha de utilizar exemplos de mentes danificadas para entender a mente normal (como no caso da psicopatia), o livro traz uma série de estudos sobre autismo e como isto afeta os circuitos simpáticos. Uma das áreas do cérebro afetada pelo autismo é chamada de “neurônios espelhos”, responsável por copiar outra pessoa, simulando a ação percebida dentro do cérebro.  Consequentemente, autistas não conseguem espelhar o sentimento de outros, e não reagem perante alguém com raiva ou alegre, por exemplo. Além disso, autistas não apresentam atividade em uma área para reconhecimento facial, e precisam tentar entender um rosto de forma puramente racional, como fariam com uma cadeira, por exemplo. Estas duas áreas ajudam a explicar o isolamento emocional de um autista, e a falta de simpatia decorrente. Quando participam do jogo do ultimato, autistas tendem a ser racionais sem antecipar o sentimento dos outros participantes, oferecendo mais divisões injustas do dinheiro e aumentando a chance de rejeição.  Posteriormente, experimentos mostraram que pessoas isoladas de outros participantes, portanto sem o contato visual que poderia estimular o circuito simpático, tendem a agir como os autistas. Mais ainda, quando é dado muito poder a um individuo, ou este toma uma decisão baseada em estatística pura, o altruísmo não encontra equivalência nas respostas emocionais, e as decisões são mais egocêntricas.

Finalmente, cérebros com potencial para serem simpáticos ainda precisam de certas experiências para poder desenvolver-se de forma plena. Particularmente, abuso infantil causa um isolamento do cérebro emocional, de forma a desligar o sistema simpático. Assim, crueldade e abuso geram mais crueldade e abuso.  Com o experimento de Harry Harlow, ficou claro como estas experiências afetam macacos sem nenhum contato com um similar, e este resultado foi comprovado em seres humanos com os eventos que se sucederam na Romênia Comunistas, onde a superlotação de órfãos criou esta mesma falta de afeição, com resultados de isolamento emocional semelhantes. Em outro experimento, crianças que foram abusadas não conseguiam consolar outra criança que chorava, e mesmo quando tentavam, terminavam por abusar física ou psicologicamente da outra criança. O ciclo de isolamento emocional perpetuava-se.  A conclusão, por outro lado, é que em mentes ditas como normais, que não sofreram abusos e puderam desenvolver-se sem distúrbios adicionais, os circuitos simpáticos se manifestem de forma a evitar a dor ou sofrimento de semelhantes.  O último experimento do capítulo cita como macacos rhesus evitaram a dor de outro macaco à custa de obter menos de sua comida favorita, ou mesmo passar fome, explicitando como o sistema simpático age de forma a simular os sentimentos de outros e considera-los antes de tomar uma decisão.

De forma concisa, o capítulo visa demonstrar através de experimentos e exemplos como a simpatia, suposta base da moralidade, fundamenta-se na capacidade do cérebro emocional de gerar respostas ao sentimento do outro, e não na razão, como se acreditava.”

GRUPO 06

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Como decidimos? Parte 5

 

“Capítulo 5-Engasgando com o pensamento

Acredita-se que atitudes resultantes de uma decisão racional são, em geral, melhores que decisões tomadas impulsivamente, já que em tese evita erros por descuido. Entretanto, na realidade a racionalidade pode nos levar a tomar decisões não tão acertadas. O mesmo vale para o pensamento de que decisões tomadas com base em um grande número de informações será melhor, o que na verdade também não acontece. É sobre o efeito placebo,esses fatos descritos acima e como o córtex pré-frontal “funciona” em determinadas situações  que o capítulo irá falar,dando alguns exemplos para comprová-los.

Um exemplo que explica o primeiro fato é o colapso de Jean Van de Velde no último buraco da 1999 British Open, em que ele erra uma tacada importante no jogo fazendo-o se sentir inseguro e pressionado levando-o a pensar sobre os seus movimentos para efetuar a tacada. Estudos mostram que a partir do momento em que um jogador profissional deixa de fazer mecanicamente seus movimentos e passa a pensar sobre os mesmos em cada tacada, ele realiza jogadas menos satisfatórias; já no caso de jogadores iniciantes pensar mais sobre a jogada faz com que ele tenha resultados melhores, até que realize o movimento intuitivamente como o profissional. Nesse caso o pensamento racional  interfere nos movimentos já treinados pelo jogador deixando confuso e o prejudicando na tacada.

 Para descobrir a eficácia dos placebos foi realizada a seguinte pesquisa: Selecionaram estudantes e os dividiram em dois grupos, eles receberiam choques nas mãos sendo que um dos grupos receberiam um creme de alivio da dor falso e outro não receberia nada. Após o experimento o grupo que havia passado o creme falso disse que os choques foram significativamente menos dolorosos.Isto demonstra o poder do córtex pré-frontal para modular os mais básicos sinais corporais. O córtex pré-frontal pode desativar sinais de dores, mas também pode levar as pessoas a ignorar os sentimentos que a levam a fazer uma melhor tacada como no exemplo do jogador de golfe. O efeito placebo caracteriza-se então como uma poderosa fonte de auto-ajuda.

Outra versão do efeito placebo é a reação das pessoas aos preços dos produtos: eles acreditam que produtos mais baratos apresentam menor eficácia que os mais caros, mesmo que eles sejam idênticos. Foi realizada uma degustação de vinhos com objetivo de analisar esse efeito; vinte pessoas foram informadas que havia cinco tipos de vinhos diferentes, mas na realidade havia apenas três, ou seja, dois vinhos eram iguais, mas com marcações de preços diferentes. Não surpreendentemente, as pessoas  relataram que os vinhos mais caros tinham um gosto melhor . Fazendo uma análise do cérebro durante a pesquisa,eles chegaram à conclusão de queapenas uma região do cérebro parecia responder ao preço do vinho ao invés do gosto do vinho em si: o córtex pré-frontal. Em geral, os vinhos mais caros fizeram partes do córtex pré-frontal ficarem mais excitadas. Em vez de agir como agentes racionais – pegando o maximo de utilidade no menor preço possível- eles estavam escolhendo gastar mais dinheiro em um produto idêntico. É por isso que a aspirina de marca funciona melhor do que a aspirina genérica e a Coca-Cola tem gosto melhor que as “cocas”- colas mais baratas, mesmo se a maioria dos consumidores não possa dizer a diferença em testes “cegos”.

Com o ojetivo de comprovar que uma ligeira queda dos niveis de açúcar no sangue pode inibir o auto controle, realizou-se uma pesquisa onde  foi oferecido aos alunos uma limonada: metade deles tem limonada feita com açúcar, e a outra metade adoçada com um substituto do açúcar. Depois de dar o tempo para a glicose entrar na corrente sanguínea e no cérebro, os estudantes tiveram que tomar decisões sobre a compra de apartamentos. Descobriu-se que os alunos que tomaram a limonada sem açúcar eram significativamente mais vulneráveis a confiar no instinto e intuição ao escolher um lugar para viver, mesmo que os levassem a escolher os lugares errados é que os cérebros racionais desses alunos estavam simplesmente exaustos para pensar, eles precisavam repor seus niveis de açúcar. Esta pesquisa também pode ajudar a explicar por que ficamos bravos quando estamos com fome ou cansados: o cérebro é menos capaz de suprimir as emoções negativas provocadas por pequenos aborrecimentos.

Se um número aleatório tem um forte impacto em decisões posteriores denomina-se efeito ancoragem para demontrar isso considere os preços dos carros nas concessionárias,os preços  são inflados antes de serem marcados no carro,o que permite que o vendedor  ofereça descontos na hora de efetuar a venda até chegar em seu preço real. Se alguém está olhando para um carro, o preço de etiqueta serve como um ponto de comparação, desta forma o córtex pré-frontal fica convencido que o carro é uma pechincha, criando a ilusão de que o negócio se tornou melhor. O efeito de ancoragem demonstra como um único fato adicional pode distorcer sistematicamente o processo de raciocínio.

Dois exemplos podem demostrar o efeito do acúmulo de informação na tomada de decisões. Um deles é o teste feito pelo psicólogo Paul Andreassen onde ele deu uma carteira de ações para os alunos escolherem, depois disso os dividiu em dois grupos onde um grupo sabia se os preços estavam caindo ou subindo mas não sabiam os fatos que determinavam essas oscilações, já o outro tinha todas as informações sobre o mercado.O grupo que tinha a informação extra acabou fazendo previsões piores.

 O outro exemplo é no diagnóstico de dores nas costas,no início os médicos não tinham tantas informações,já que não tinham tecnologia suficiente,não conseguindo desta forma descobrir o diagnóstico, receitando apenas repouso.Com o avanço da tecnologia surgiram as ressonâncias que mostraram mais detalhes  das áreas doloridas o que poderia dar um diagnóstico mais confiavel,porem não foi isso que aconteceu.Com o excesso de informação os médicos se viam confusos em determinar o que era relevante ou não para  tratamento,o que os levou a diagnósticos errados. O córtex pré-frontal pode lidar somente com um tanto informações  de uma só vez, então quando uma pessoa dá-lhe muitos fatos e, em seguida, pede-lhe para tomar uma decisão baseada em fatos que lhe parecem importantes, isso é um problema.

Em ambos os casos, os métodos racionais causam erros na  tomada de decisão.  Às vezes, mais informações e análise pode fazer as pessoas se contrairem, fazendo com que entendam menos sobre o que realmente está acontecendo.No caso dos médico,em vez de focalizar a variável mais pertinente – a porcentagem de pacientes que  melhoraram após o repouso, por exemplo- sua atenção foi desviada por imagens irrelevantes da ressonância magnética.

Todos nós precisamos saber sobre as fragilidades inatas do córtex pré-frontal, para que não prejudiquem nossas decisões. O córtex pré-frontal é um desenvolvimento evolutivo magnífico, mas deve ser usado com cuidado. Pode monitorar pensamentos e emoções ajudar a avaliar, mas também pode paralisar, fazer uma pessoa  perder uma tacada de golfe,por exemplo . Quando alguém cai na armadilha de gastar muito tempo pensando sobre os movimentos para realizar a tacada ou sobre os detalhes de uma imagem de ressonância magnética, o cérebro racional está sendo usado de maneira errada.O córtex pré-frontal não pode lidar com tanta complexidade  por si só.”

GRUPO 05

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Como decidimos? Parte 4 – Grupo 09

 

Dessa vez, temos 2 grupos diferentes que elaboraram resumos sobre o mesmo capítulo! Uma boa oportunidade para compararmos e discutirmos os pontos destacados por cada um!!

“O uso da razão

No verão de 1949, longo e seco, em Montana, avistou-se um incêndio. Uma brigada do corpo de bombeiros foi designada para o local. Chegando lá perceberam que era pequeno, mas o vento forte, a baixa umidade e o terreno favoreciam seu alastramento. O local era cheio de penhascos. Uma região fronteiriça entre as Rochosas e as Grandes Planícies Centrais.

Com o alastramento do fogo, saiu do controle. O perigo agora era que se tornasse tão alto que chegasse nos ramos das árvores, onde encontraria muito combustível para se alastrar.

Dodge, que estará próximo, olhou para a grama seca, vento e sol, quentes, para piorar não tinha o mapa do terreno. Ainda por cima, não tinha rádio. A equipe contara com si mesma.

O fogo tomou altura e começou a pular de árvore em árvore, se tornou denso, seu centro já atingia 2000ºF a inclinação do terreno fazia sua velocidade crescer exponencialmente.  Passou a ser uma real ameaça àqueles homens, em poucos minutos a diferença que era de 200 metros passou a 50, os homens começaram a correr desesperadamente.

Foi aí que Dodge teve uma ideia, pediu que todos permanecessem parados. Poderia até parecer suicídio, mas não era. Em um ensaio de criatividade desesperada. Ele acendeu um fósforo, rodeou-se de cinzas, ficou cercado por um tampão de cinzas e  terra queimada. Deitou-se na ainda brasa latente. Ele molhou o lenço com um pouco d’água, o pôs em sua boca, fechou os olhos e inalou um pouco de éter.

Ao final somente Dodge e mais dois sobreviveram.

Agora a técnica que Dodge utilizou para sobrevive é ensinada nas brigadas de bombeiros, e já salvou milhares de vidas.

O que muitos podem perguntar é porque Dodge não fugiu, fez como os outros, no calor do desespero?

Não foi o medo que o salvou. Dodge era um bombeiro experiente e sabia que não seria possível fugir já havia visto situação assim, antes e por isso não se deixou levar pelo pânico. O pânico reduz os pensamentos, a consciência. Isso é conhecido como estreitamento perceptível, tudo que se vê é somente o perigo iminente.

A tragédia de Mann Gulch (Montana) detém uma importante lição sobre a mente. Dodge sobreviveu ao fogo, pois foi capaz de vencer e interiorizar suas emoções. Livrar-se de sua mente primal e voltou a mente consciente.

O tipo de pensamento que Dodge teve, tem lugar no córtex pré-frontal, a camada mais externa dos lobos frontais. Esta é a principal diferença entre os homens modernos e outros primatas. O córtex pré-frontal expandido e não o tamanho do cérebro configura a capacidade de exerce o pensamento racional.

É difícil definir Racionalidade. Para Platão, associava à lógica. A economia moderna aperfeiçoou essa ideia antiga em teoria da escolha racional. Pressupõe-se que as pessoas tomam decisões multiplicando-se a probabilidade de conseguirem o que querem a maximização do agente racional. Mas essa racionalidade  tem limites. O cérebro tem uma rede de partes racionais, centradas no córtex pré-frontal (a famosa massa cinzenta do cérebro).

Não faz muito tempo que os cientistas enxergaram a importância desta parte do cérebro. Antes o viam como o apêndice da mente.

Os primeiros estudos cirúrgicos nessa parte do cérebro começaram com o médico Português Antônio Monig, ganhador do prêmio Nobel de Medicina em 1949. A leucotomia inicialmente estava restrita os pacientes tidos como loucos ou esquizofrênicos.

Depois experimentou-se retirar toda a parte branca da massa cinzenta, procedimento denominado, lobotomia pré-frontal.

Como conseqüência, muitos pacientes perderam funções, como: a atenção, a linguagem. A grande maioria dos pacientes lobotomizados sofriam de problemas de memória em curto prazo e incapacidade de controla seus impulsos.

Para ilustrar a importância do córtex pré-frontal, o autor conta-nos a história de Maria Jackson. Ela, uma estudante de medicina em uma boa universidade, com um relacionamento estável, e com planos bem definidos para o futuro. Esperava formar pediatra e constituir família com seu namorado. Maria sempre fora religiosa e muito estudiosa. Porém, as coisas mudaram, de repente começou a beber, se drogar, ir às festas e não estudar. Suas notas despencaram, foi ameaçada de perder sua bolsa de estudos e recomendou-se aconselhamento psiquiátrico.

Com o passar do tempo, Maria começou a se sentir muito mal, foi ao médico e foi diagnosticada com HIV. A partir daí procurou-se entender o que havia acontecido a Maria para que sua vida se arruína-se de tal maneira.

Ela foi encaminhada com um tumor que danificou a região do córtex pré-frontal. O tumor a deixou com disfunção executiva, uma incapacidade de atuar sobre as ideias, não sendo capaz de manter um conjunto coerente de objetivos e contemplar as conseqüências de suas ações.

Perde a memória facilmente, só se concentra  no imediato. Assim Maria esteve impossibilitada de continuar em sua vida de antes, onde traçava metas de longo prazo para sua vida.

Se Maria estivesse fugindo do incêndio, ela nunca teria parado para acender o fósforo.

Quando as pessoas se deparam com jogos há o chamado efeito de enquadramento. As pessoas preferem ao jogar 50 reais, que podem manter 20 a perderem 30. O mesmo efeito ocorre quando num mercado as pessoas preferem comprar uma carne 85% magra do que uma 15% gorda. Isso é um subproduto da aversão ao risco que carregam as pessoas.

A parte do cérebro responsável por esse comportamento é a amígdala. É a parte do cérebro atirada quando há um sentimento ruim de perda. O engraçado é que essa região, segundo os experimentos, se ativa para todas as pessoas.  Mesmo as pessoas que não se deixaram levar pelo efeito do enquadramento. Apesar de todos estarem sujeitos aos efeitos do enquadramento, alguns discerniram o suficiente para verem que estariam diantes de escolhas iguais. O que levou a essa atitude foi o córtex pré-frontal e não a amígdala.

“Pessoas que são mais racionais, não deixam de perceberem as emoções, elas apenas regulam isso melhor.” Segundo Dr. Martino.

O córtex pré-frontal pode deliberadamente escolher ignorar o cérebro emocional.

Curiosamente essas foram às conclusões de Aristóteles. Ele disse que a chave para cultivar a virtude estava em aprender a gerenciar as próprias paixões.

Testes com essas partes do cérebro são conduzidos por companhias televisivas, interessadas em aumenta a popularidade e audiência de seus programas. Apesar de se uma boa medida tem que se tornarem certos cuidados. Esses testes mostram se houve uma boa percepção de algo, mas não explicam as causas da boa impressão. Ao examinar os sentimentos registrados por um mostrador, um observador treinado pode descobrir quais os sentimentos devem ser confiáveis e quais devem ser ignorados.

O cérebro racional (córtex pré-frontal) não pode silenciar as emoções (amígdala), mas pode ajudar a descobrir quais devem ser seguidas.

O Dr. Walter Mischel realizou um experimento com algumas crianças de quatro anos. Todas as crianças gostavam de marshmallows. Deu uma opção a elas; um marshmallow agora ou dois em alguns minutos, até que voltasse da sala. Praticamente todas as crianças decidiram esperar. Porém quando saiu da sala a maioria não suportou esperar nem um minuto, enquanto outros esperaram até quinze minutos. Dr. Walter, então inferiu que mesmo quando crianças, umas são muito melhores em controlar suas emoções do que ouras.

Esse experimento do D. Walter durou anos, acompanhou essas crianças durante seu desenvolvimento e percebeu que aquelas mais controladas, que haviam segurado suas emoções diante dos marshmallows, eram mais controladas ao longo de suas vidas. Tinham menos propensão a se envolver com drogas, tiravam melhores notas na escola e temperamentos menos explosivos. Ao serem expostas a testes de Q.I. também demonstraram melhor desempenho, já adultas, aquelas que quando crianças esperavam ao invés de “atacar” os marshmallows. Na verdade o teste do Dr. Walter, foi um verdadeiro teste de Q.I. para crianças de quatro anos. A capacidade de esperar por um marshmallow revela o crucial talento do cérebro racional. As crianças eram mais controladas, pois queriam os marshmallows tanto quanto as outras.

Outros estudos com crianças com déficit de atenção e hiperatividade demonstram ainda a ligação entre o córtex pré-frontal e a capacidade de resistir a impulsos emocionais. Estas tem desempenho pior na escola, pois tem dificuldade de manter a atenção na tarefa a se realizar. Estas crianças, também, demoravam mais tempo para desenvolver os lobos frontais (três anos e meio em média).

Felizmente, o que se sabe, é que o desenvolvimento mais lento dessas partes, não significa um permanente resultado, mas sim um atraso temporário, pois no desenvolvimento do cérebro a última a se desenvolver é exatamente é o córtex pré-frontal. Ou seja, haverá atrasos para alguns, mas “todos” os desenvolverão.

Isso, em parte, explica a mente “rebelde” dos adolescentes, e seu comportamento mais arriscado.

Assim, para demasiado longo, assumimos que a finalidade da razão é eliminar suas emoções que nos levam ao erro.

As emoções humanas são incorporadas  ao cérebro em um nível muito básico. Tendemos a ignorar instruções.

Mas, isso não significa que os seres humanos são meros bonecos do sistema límbico. Algumas pessoas são capazes de ver alem de suas emoções, mesmo com suas amígdalas atiradas.

A capacidade de supervisionar-se, para exercer autoridade sobre seu próprio processo decisório, é um dos talentos mais misteriosos do ser humano. Denominamos tal manobra de executivo controle.

Como pode Dodge não correr do fogo, parar e pensar em uma alternativa. Sabemos que é devido ao uso do córtex pré-frontal no cérebro. Mas, como o córtex pré-frontal, faz isso?

O córtex pré-frontal é acionado o tempo todo, ele é o maestro do cérebro, ele quem direciona as ações, para onde vão, no cérebro. Não é somente um agregador de informação, é como um maestro diante de uma orquestra. Além do mais é muito versátil, não tem uma função especifica, como outras partes do cérebro.

Quando precisamos pensar sobre algo novo ou sobre uma nova maneira de ver ou fazer algo, é a parte racional e não emocional do cérebro que despertamos, ou seja, o córtex pré-frontal.

Um psicólogo cognitivo, Mark Jung-Beeman, procurando entender a liderança do córtex pré-frontal sobre o cérebro, faz o seguinte experimento. Dá três palavras para as pessoas e pede que formem em palavras compostas ou frase com todas as palavras. Descobriu que o cérebro isola tudo que é irrelevante e depois começa a gerar associações. Mas sabem quando fizeram associações corretas e incorretas.

Pois quando a resposta curta aparece, logo é passada para o lobo frontal, isso passa a imediata percepção de que o enigma foi resolvido, até então isso não acontece, mesmo que outras áreas do cérebro especializadas naquilo que se faz estão atuando.

Um avião decolando de Denver com destino a Chicago, tendo como piloto o experiente capitão Hayves teve problemas. Um enorme estrondo, proveniente do que parecia uma explosão, vinda da parte de traz do avião, assustou o experiente piloto. Logo pensou que poderia ali morrer. Porém, logo após parar o baralho e tudo parecia normal, Hayver, tentou isolar o combustível, porém sem sucesso. Até que o avião não respondia mais ao piloto. Hayver afirmava que havia uma falha eletrônica enorme, mas o circuito de bordo parecia normal. De repente, todos os sistemas hidráulicos pararam de funcionar, o que seria quase impossível. Essa chance era de um em um bilhão (Pasmem!). Por isso jamais havia sido visto ou previsto, tão situação. A não ser um vôo no Japão. Mas, morreram todos a bordo.

Hayves, desesperado, colocou uma chamada de rádio para a torre, falou com engenheiros treinados para lidar com emergências em vôos. Os engenheiros descrentes nada sabiam que pudesse ajudar.

Então, Hayves percebeu que estavam sozinhos com tal problema. Começou a procurar o que poderia manejar sem pressão hidráulica, pouco restou. Somente os manetes de potência. Mas de que adianta controlar a velocidade se não se controlar a direção.

Em seguida, Hayves teve uma ideia. A princípio, ele negou-lhe parecia louco.

Então, que sua preposição parecia a única solução procuraria pilotar o avião somente com os manetes acelerando ora uma turbina ora a outra, quando quisesse mudar de direção. Algo que em condições normais deverias evitado, mas não havia escolha naquela situação.

O que parecia impensável começou a dar certo. Foi o primeiro momento que Hayves percebeu que poderiam sobreviver.

Então, que começaram algumas turbulências. Algo facilmente administrável em condições normais. Porém, nesse caso parecia extremamente difícil e incerto. Hayves ficou um bom tempo  pensando o que poderia fazer. Segundo o próprio: “É, levei alguns momentos, mas que me salvou de fazer um grande erro”. Hayver percebeu que quando o nariz inclinava para baixo e a velocidade maior era necessária para aumentar a potência de modo que os dois motores restantes poderiam voltar o nariz do avião.

Ainda, assim, restava um último problema: pousar em um aeroporto próximo dali. Por um lado, os pilotos não podiam controlar diretamente a sua velocidade de descida, pois os elevadores das aeronaves que controlam as asas eram indiferentes a seus comandos.

Quando o avião se aproximava do aeroporto, os pilotos fizeram os preparativos finais para um pouso de emergência. Embora os pilotos tivessem voado sem controles, durante 40 minutos eles ainda conseguiram alinhar o avião no meio da pista. O que foi um feito incrível! Porém, infelizmente a velocidade era muito grande, o que fez com que o avião ultrapasse a pista e fosse para um milharal, e se quebrou em vários pedaços, Houve depois uma explosão. Também, houve uma intoxicação, entretanto a habilidade e destreza dos pilotos, foi suficiente para salvar mais da metade das vidas que ali estavam. Infelizmente 112 morreram.

A primeira coisa notável sobre o desempenho dos pilotos é que eles conseguiram manter suas emoções sob controle. Hayves teve muito medo, mas deixou que este tomasse conta de si. Hayves como Dodge, usou o seu córtex pré-frontal para gerenciar as emoções.

O que exatamente permite que o córtex pré-frontal seja utilizado em momentos tensos?

Com certeza, a capacidade de foco e concentração. Pois, quando tudo parou de funcionar com exceção do manete de velocidade, o piloto deixou de se concentrar nesses outros equipamentos que costumava lidar e focou naquilo que tinha e no que podia fazer.

O fato de Hayves ter “criado” uma forma nova de pilotar, nada convencional, foi graças a sua atividade cerebral da região do córtex pré-frontal. Única região do cérebro capaz de tal feito.

Apenas recentemente os cientistas aprenderam como o córtex pré-frontal faz isso. O elemento chave é um tipo especial de memória conhecida como memória de trabalho.

Os neurônios no córtex pré-frontal são acionado em resposta a um estimulo, tais como a visão de alguma instrumentação na cabine, por exemplo. Os neurônios continuam “atentos” mesmo após o fim do estimulo. Este “eco” da atividade permite que o cérebro faça associações criativas como aparentemente sensações independentes e ideias sobrepostas. Uma vez que esta sobreposição de ideias ocorre, as células corticais começam a formar ligações que nunca existiram antes, a fiação forma redes inteiramente novas. E então, após o insight inicial, o córtex pré-frontal é capaz de identificá-lo. Sob a perspectiva do cérebro, ideias novas são apenas alguns pensamentos antigos que ocorreram no momento exato.

As habilidades de resolução de problemas de memória de trabalho e córtex pré-frontal são um aspecto crucial da inteligência humana. Pessoas que seguram uma informação por mais tempo na córtex pré-frontal se saem melhor em testes de Q.I.. Pois, são capazes assim, de fazer mais associações úteis, e dispensar aquela informação que não é relevante.”

 

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Como decidimos? Parte 4 – Grupo 04

 

“Capitulo 4 – Os Usos da razão

O córtex pré frontal é responsável pela criatividade e pelo direcionamento da razão, ou seja, através dele podemos pensar melhor quando estamos em situações que mexem com o nosso emocional.

Um exemplo apresentado no texto foi de um incêndio em Montana, onde um grupo de bombeiros especializados,buscava apagar um incêndio descontrolado que avançava sobre um Canion. Ao perceber que eles não poderiam mais controlar o fogo e que a vida deles estava em risco, se viram desesperados e começaram a correr das chamas que vinham em suas direções.

O líder da equipe percebeu que não adiantava correr do fogo, este certamente os alcançaria e os consumiria em pouco tempo. Então, em um momento de reflexão chegou a conclusão de que o desespero não o salvaria da morte e que teria que encontrar uma maneira de salvar a todos.

A idéia brilhante que ele teve, foi de colocar fogo em uma pequena parte de grama, da qual, seria o suficiente para comportar o tamanho do seu corpo. Quando o fogo estivesse suficientemente dissipado, apagaria o pequeno foco e deitaria no local, para que quando o fogo avançasse sobre ele, ele não fosse atingido.

Após ter a idéia, gritou insistentemente aos seus companheiros de equipe para que parassem de correr, pois isto não adiantaria. Entretanto, em meio ao pânico, seus parceiros nem ao menos o ouviram, continuaram a correr do fogo.

Vendo que não conseguiria alertá-los, o líder executou seu plano, e obteve sucesso. Todos os outros morreram consumidos pelo fogo, exceto um, que conseguiu fugir, mas faleceu no dia seguinte devido as queimaduras de terceiro grau.Percebe-se assim que o problema com o pânico é que ele reduz os pensamentos, a consciência dos fatos mais essenciais, e os instintos mais básicos,se o líder da equipe não conseguisse se acalmar e pensar racionalmente com certeza o fogo também o teria consumido,logo utilizando a “razão”,podemos expandir a lista de possibilidades de se resolver um problema.

Dois terços do córtex pré frontal é responsável pelo centro racional. Não somos puramente racionais como afirmava Platão, temos uma parte emocional e podemos direcioná-la para uma melhor tomada de decisão.

 Até o inicio do século XIX, os cientistas acreditavam que o córtex pré-frontal não tinha nenhuma função, contudo a primeira lobotomia pré-frontal (tratamento usado para pessoas com problema psiquiátrico como esquizofrenia) mostrou o contrario. Muitos pacientes apresentaram redução dos sintomas.

O sucesso da leucotomia levou os médicos a experimentar com outros tipos de operações de lobo frontal. O novo procedimento era denominado lobotomia pré-frontal e rapidamente tornou-se extremamente popular. Entretanto, a cirurgia veio com uma vasta gama de trágicos efeitos colaterais. Entre 2 e 6 por cento de todos os pacientes morreram na mesa de operação. Aqueles que sobreviveram nunca foram os mesmos, alguns perderam a capacidade de usar a linguagem e o interesse no mundo a sua volta, algo semelhante a uma depressão.

Um exemplo de anomalia com o córtex pré frontal é caso de uma jovem com um futuro brilhante. Ela frequentava a igreja, tinha planos de casar com seu namorado após concluir sua faculdade de medicina e nunca havia ingerido bebida alcoólica. Sem explicação alguma, em seu segundo ano de faculdade, sua vida mudou drasticamente. Ela começou a frequentar bares, dormir com vários homens e a usar drogas. Terminou seu relacionamento, se afastou da igreja e de seus amigos.

Após um tempo nesta vida, a garota desenvolveu uma febre alta que não cedia acompanhada de uma tosse seca. Após algum tempo descobriu-se que ela estava com HIV-positivo.

A garota ficou chocada, ela mesma não conseguia entender seu comportamento. Foi então que seu médico a encaminhou para um neurologista, que após vários testes, onde ela demonstrou incapacidade de se controlar, falta excessiva de memória e uma fúria anormal,  conclui-se que seria um problema com o córtex pré-frontal. Ela era totalmente dependente de estímulos. Tudo que viu, ela tocou. Tudo o que tocou, ela queria. Tudo o que ela queria, ela precisava.

Ao passar por uma ressonância magnética, foi descoberto um tumor que pressionava o córtex pré frontal. O tumor tinha apagado algumas das características necessárias da mente humana: a capacidade de pensar no futuro .

As pessoas com problemas no lobo frontal não são capazes de conter suas emoções. Se ficam com raiva, então querem entrar em uma briga, mesmo sabendo que é uma idéia ruim.

Um outro exemplo, trazido pelo livro é sobre um  jogo de apostas . A pessoa cede cinquenta dólares e tem duas opções, na primeira, com o lançamento de um dado, tem 40% de chance de receber os cinquenta dólares de volta, e 60% de perder tudo; já na segunda opção é uma coisa certa, há o recebimento de vinte dólares. A maioria  das pessoas optaram pela segunda opção. Contudo se mudarmos a segunda opção para perder 30, que é absolutamente a mesma coisa, a maioria das pessoas optaram pela primeira opção.

As descrições diferentes afetam fortemente a forma como as pessoas tomam decisões . Esta fraqueza humana é conhecida como efeito de enquadramento, e é um subproduto da aversão à perda. Se por exemplo um médico falar para uma pessoa, que precisa fazer uma operação cirúrgica,e que ela tem 80% de chance de sobreviver, ela estará muito mais propensa a fazer do que se apresentar um dado de 20% de chance de morrer.

A principio os médicos encararam este efeito como sendo responsabilidade da amígdala animado, uma região do cérebro que, quando excitado, evoca sentimentos negativos. Sempre que uma pessoa pensa em perder algo, a amígdala é ativada automaticamente. É por isso que as pessoas odeiam tanto as perdas.

    Mas houve pessoas que descobriram que as opções eram a mesma, isso se deve ao fato do córtex pré –frontal ter estimulado melhor suas decisões

 Aristóteles percebeu que a racionalidade não estava sempre em conflito com a emoção. Ele argumentou que uma das funções essenciais da alma racional era certificar-se de que as emoções fossem inteligentemente aplicadas ao mundo real. “Qualquer um pode ficar com raiva, que é fácil”, escreveu Aristóteles. “Mas, para tornar-se irritado com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, para o propósito certo, e no caminho certo, não é fácil.” Isso exige alguma reflexão.

A seguir é mostrado uma série de exemplos que mostram como o cortex-pre-    frontral determina o comportamento de um individuo

A parte emocional do cérebro está constantemente motivada por estímulos que irão gerar algum tipo de satisfação. Mas será que é possível ter autocontrole ? As crianças pequenas conseguem se controlar? A resposta a estas questões surpreendeu Walter Mischel que descobriu que mesmo com quatro anos de idade, algumas delas tinham controle para resistir a certos estímulos.

O estimulo usado para atrair as crianças era a oportunidade de comer um ou dois marshamallows. Foi realizado um teste onde Walter deixou as crianças sozinhas em seu laboratório e pediu que elas não comessem nenhum marshamallows ate ele retornar.Walter contudo sabia que algumas crianças não  iriam acatar sua ordem então ele propôs um premio, aquela criança capaz de esperar seu retorno receberia um marshamallonw . Como esperado houve crianças que não conseguiram se controlar e comeram o marshamallow logo após a sua saída , outras mostraram um comportamento interessante ,para tentar controlar o desejo de comer o doce ,algumas crianças, como forma de distração , começaram a puxar o cabelo e a olhar fixo para outro lugar, conseguindo surpreendentemente controlar seus estímulos.O teste do marshamallow serviu para avaliar que tipo de comportamento cada criança possuiria no futuro .As crianças que conseguiram se controlar tornaria-se mais inteligentes e determinadas e as quais não conseguiram teriam notas piores, tendência para usar drogas e um comportamento problemático.

Grande parte dos problemas de comportamento dos adolescentes esta relacionado a falta de amadurecimento do córtex pré-frontal,isto explica ao motivo deles agirem irracionalmente”,ou seja , eles não são capazes de se  controlar.Isso ocorre porque os músculos mentais que verifica as emoções ainda estão sendo construídos.Um estudo realizado por neurocientistas mostraram que o núcleo accumbens, uma área do cérebro associada com o processamento de recompensas, como sexo, drogas e rock’roll , é mais ativa do que o córtex pré-frontal nesta fase da vida.Existem programas de incentivos que ajudam a corrigir este problema, o método utilizado pelos programas consiste em proporcionar recompensa rápidas para os adolescentes .

As crianças hiperativas possuem o cérebro mais lento do que as crianças normais,assim elas não conseguem ficar quietas, se concentrar para realizar uma determinada tarefa,isso porque elas não possuem uma musculatura capaz de resistir a estímulos.

A finalidade da razão é eliminar emoções que nos levam ao erro ,mas não é possível eliminar todas as emoções. O córtex pré-frontal avalia quais emoções serão deixadas de lado e quais não.Para mostrar como é possível, foi realizado um teste para controlar os impulsos .Haviam três palavras: verde, azul e vermelho onde a palavra escrita não correspondia com sua cor.Você deveria responder que cor era a palavra , essa tarefa era extremamente difícil porque o cérebro tinha que deixar de realizar sua tarefa automática,que era de ler a palavra, para se concentrar na cor em que foi escrita rejeitando assim o que seria uma primeira resposta.

O dilema da psicologia clássica,conhecido como o problema das velas,permite observar como o córtex pré- frontal atua.Este dilema é um desafio que consiste em fixar uma vela na parede usando uma caixa de fósforos e uma caixa de tachinhas.A maioria das pessoas tentam duas estratégias que não funcionam .A primeira estratégia era a de fixar a vela diretamente na parede usando as tachinhas,o que fez com que a cera da vela partisse. A segunda estratégia era derreter o fundo da vela e em seguida tentar prega-la na parede, resultado a cera não se manteve e a vela caiu no chão.O estudo mostrou que menos de 20 por cento das pessoas conseguem chegar a uma solução correta , que é prender a vela na caixa dos fósforos, e pregar,usando as tachinhas, a caixa na parede.Pessoas com lesões no lobo frontal nunca conseguem resolver desafios como esse,estas são incapazes de pensar criativamente e observar seus erros.Observar-se assim que o córtex pré-frontal tem o grande papel de exercer o controle criativo e lógico,como neste exemplo,para achar a solução correta o individuo analisou conscientemente o problema de todos os ângulos possíveis .

Mark Jung-Beeman ,psicólogo cognitivo,fez um experimento para entender como o córtex pré-frontal consegue chegar a tais soluções criativas.O experimento era o seguinte ,foi dado á uma pessoa três palavras brisa,raio e quedas e pediu-se para pensar em uma única palavra que poderia formar uma palavra composta.Neste caso o individuo respondeu Para. Mark percebeu então que as primeiras áreas cerebrais ativadas durante a resolução do problema foram os envolvidos com o controle de execução tais como o córtex pré-frontal e o córtex cingulado anterior.

A seguir temos um relato de uma experiencia vivida por um piloto. Ele enfrentou um momento de extrema tensão em um aviao. Tudo ocorreu da seguinte forma:

Na tarde de 19 de Julho de 1989, o aviao United Airlines Flight 232 decolou do Aeroporto de Denver, com destino a Chicago. As condições de vôo eram ideais. As tempestades da manhã já tinha passado, e o céu estava sem nuvens. Uma vez que o aviao atingiu a altitude de 37.000 pés, cerca de trinta minutos após a decolagem, o capitão Haynes desliga o sinal do cinto de segurança. Ele não esperava a ligá-lo novamente até que o avião comecasse a descer, porem não foi isto que ocorreu. A primeira parte do voo transcorreu sem problemas. Haynes tinha voado essa rota dezenas de vezes. Mas cerca de uma hora após a decolagem, o silêncio da cabine foi quebrado pelo som de uma explosao alto vindo da parte de trás do avião. A estrutura da aeronave estremeceu e deu uma guinada para a direita. Para Haynes o primeiro pensamento que lhe ocorreu era de que ele estava prestes a morrer em uma enorme bola de fogo. Mas então, após alguns segundos de ranger de metal, a calma retornou. O avião continuou voando. Haynes e o primeiro oficial imediatamente começaram a olhar para alguns paineis tentando encontrar o que tinha dado errado. O piloto notou que um dos motores não estava mais funcionando. Uma falha como essa pode ser perigosa, mas raramente é catastrófico, pois o aviao tem dois outros motores, um em cada asa. Porem logo em seguida ocorreu uma falha enorme no sistema eletrônico.E a pressão sobre as três linhas hidráulicas foram caindo em direção a zero, o que é fatal pois essas linhas hidraulicas são utilizadas para ajustar tudo a partir do leme até as asas do aviao. Os aviões são sempre projetado com múltiplos, e totalmente independentes sistemas hidráulicos, se um falhar, o sistema de backup pode tomar seu lugar. Esta redundância significa que uma falha catastrófica de todas as três linhas simultaneamente deve ser virtualmente impossível. Engenheiros calculam as probabilidades de um evento como esse em cerca de um bilhão para um. Haynes olhou em seu manual de piloto, mas não havia nada sobre uma perda total de equipamentos hidráulicos. De volta à cabine, os passageiros estavam começando a entrar em pânico. Todos ouviram a explosão, todos eles podiam sentir o avião fora de controle. Enquanto isso, Haynes estava tentando desesperadamente pensar em alguma maneira de recuperar o controle. Ele realizou uma chamada de rádio para a United Airlines Aircraft Management System (SAM), uma equipe de engenheiros de aeronaves especialmente treinados para ajudar a lidar com o CIES em voo emergências. Mas os engenheiros da SAM não deram nenhuma ajuda. Para começar, eles não acreditam que toda a pressão hidráulica estava realmente danificada. Então Haynes começou por fazer uma lista mental dos elementos da cabine que ele poderia operar sem pressão hidráulica. A lista era curta. Na verdade, Haynes poderia pensar em apenas um elemento que ainda poderia ser útil: as manetes de potência, que controlavam a velocidade e o poder de seus dois motores restantes. Em seguida, Haynes teve uma idéia. A princípio, pareceu-lhe insensata. Mas, quanto mais pensava sobre isso, menos ridículo lhe parecia. Sua idéia era usar alavancas (mecanismos que geram impulso) para pilotar o avião. A ideia girava em torno do empuxo diferencial; empuxo é a força dirigida para a frente de um motor de avião, e uma diferença de empuxo entre os motores do avião normalmente é algo que os pilotos querem evitar. Mas Haynes percebeu que sem os motores era a única solucao para impulsionar o aviao. A idéia foi baseada em física simples, mas ele não tinha idéia se ela iria realmente funcionar. Havia pouco tempo a perder. O avião estava à 38 graus. Se ele passasse de 45 graus, iria virar e entrar numa espiral de morte. Então Haynes prosseguiu com sua ideia e o aviao lentamente ganhou estabilidade. Idéia desesperada Haynes tinha dado certo. Porem, no momento do pouso a aeronave comecou a girar em uma descida íngreme e incontrolavel. Afinal, estava sem os controles hidraulicos. Quando enfim o avião se aproximou do aeroporto, os pilotos fizeram preparativos finais para um pouso de emergência. Infelizmente, a cabine de pilotagem se partiu do corpo principal do avião, como a ponta de um lápis, e caiu sobre a extremidade da pista. Todos os pilotos estavam inconsciente e sofreram lesões gravíssimas. Porem, 184 passageiros sobreviveram ao acidente. Analisando a historia, percebemos que o piloto Haynes possuía decisões importantes a serem tomadas para salvar o avião do momento de crise e pousar em segurança e ao invés de tomar decisões instintivas e realizar procedimentos padrões ele optou por estratégias nunca antes utilizadas, conseguindo um pouco de estabilidade. Ao final, o piloto pousa salvando mais da metade dos passageiros.

          Este caso evidencia a importância do preparo para tomada de decisões. Pilotos, diversos outros profissionais e ate mesmo nós sofremos em algumas circunstancias imensa pressão e para solucionarmos um problema devemos muitas vezes improvisar.
Nesta hora é então relevante apontar que descobertas científicas apontam o córtex pré-frontal como o responsável por decisões rápidas e criativas, pois ele é responsável por guardar, em um curto espaço de tempo, dados e imagens que serão analisados. Possibilitando assim a formação de uma estratégia.

Nisso consiste o uso da razão.”

 

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Como decidimos? Parte 3

“CAPÍTULO 3 – FOOLED BY A FEELING (*Enganado pelas emoções)

            A intenção deste capítulo é mostrar como as decisões podem ser influenciadas pelas emoções, mesmo usando o lado racional. O autor desenvolve tal ideia utilizando-se de exemplos verídicos do cotidiano e baseando-se em pesquisas.             

            O primeiro exemplo citado é o de Ann Klinestiver, professora de inglês, diagnosticada com Parkinson com apenas 52 anos. Como tratamento, seu neurologista indicou o Requip, droga que imita a atividade da dopamina (proteína que desempenha importante papel no sistema motor, o qual é degenerado pela doença) no cérebro. Após começar o tratamento, Ann tornou-se viciada em jogos, fato que pode ser explicado pela dopamina estar envolvida na dependência psicológica a vários vícios.

  O segundo exemplo nos traz os estudos sobre as imperfeições da mente humana, baseados nos jogadores considerados “mãos-quentes” (popularmente conhecidos no Brasil como “cestinhas”) da NBA. O foco da pesquisa foi saber se tal denominação influenciava os arremessos destes jogadores. Após várias análises, foi concluído que o evento de acertar ou não a cesta era aleatório, ou seja, ser ou não ser chamado de “mão-quente” não melhorava ou piorava o desempenho do jogador. Mesmo com as estatísticas, os fãs do esporte continuaram a acreditar que os chamados “mãos-quentes” possuíam uma porcentagem de acertos maior que a média dos não assim chamados. Mas por que isto ocorre? Mais uma vez, a dopamina é a responsável, pois está intimamente ligada à previsão de eventos considerados previsíveis, e também nos desvia do foco quando lidamos com aleatoriedade. Em relação aos jogadores, a dopamina distorce o senso de seu talento, levando-os a arremessos mais arriscados quando considerados “mãos-quentes”.

            Tal defeito no cérebro emocional pode ser observado no mercado de ações, uma vez que não se pode prever o movimento futuro das ações, pois se trata de um sistema aleatório. A possível previsão a curto prazo das flutuações na bolsa nos dá a ilusão de poder prever qualquer oscilação, o que caracterizaria um sistema não aleatório, ou seja, imaginaríamos tendências significativas onde há a apenas riscos sem sentido. Nesse ponto, a dopamina deixa o cérebro tão ansioso por maximizar recompensas inesperadas que acaba por levar o acionista a perigosas bolhas de mercado de ações.

            Para analisar esse efeito da dopamina, foi realizado um experimento em que alguns indivíduos receberam US$100,00 juntamente com informações básicas do mercado de ações. Em seguida, os jogadores escolheram o quanto iriam investir e o jogo continuou por vinte rodadas. Mas como o cérebro funciona com as flutuações de mercado? Cientistas descobriram um sinal neural que liberava dopamina no cérebro, interferindo nas decisões de investimento. Um jogador, ao investir apenas 10% de seu montante e observar o aumento da bolsa, tornou-se insatisfeito ao perceber o quanto deixou de lucrar. Os neurônios da dopamina estão fixados no lucro que ele perdeu, estas células calculam a diferença entre o melhor retorno possivel e o retorno real. Dessa forma, quando os mercados estavam estourando, os investidores continuaram a aumentar seus investimentos, pois não investir causaria um arrependimento, gerando assim o principal motivo das bolhas financeiras. O cérebro está convencido de que já decifrou o mercado de ações, e não pondera as possibilidades de perda. Logo, os neurônios dopaminérgicos não têm a capacidade para lidar com oscilações aleatórias da bolsa de valores.

            O próximo exemplo é o jogo “Topa ou não Topa” (“Deal or no Deal”), em que um competidor é confrontado com vinte e seis malas fechadas com quantidades variáveis de dinheiro (de US$0,01 à US$1000000,00). Sem saber o valor guardado em cada mala, o competidor escolhe uma única, que é então colocada em um cofre. Seu conteúdo não será revelado até que o jogo acabe. O jogador abre uma mala de cada vez e o seu conteúdo é revelado. A cada rodada o banqueiro (uma personagem do jogo) oferece uma quantia pela mala que se encontra no cofre. Nesse momento o jogador deve decidir se aceita ou não tal oferta. Se aceitar, sai do jogo com a quantia negociada com o banqueiro, e abre o cofre para conferir o valor da sua mala, caso contrário o jogo continua até restar apenas a mala do cofre. Tal decisão é influenciada por fatores emocionais, desconsiderando aspectos racionais e objetivos. O problema é que o cérebro foca na maior quantia possível (ponto de referência), tornando qualquer oferta menor que esta quantia uma perda dramática, desconsiderando a possibilidade de ganhos menores que os oferecidos. Logo, observamos mais uma vez as escolhas sendo influenciadas pelas emoções.

            O último exemplo é sobre Herman Palmer, consultor financeiro que auxilia seus clientes a utilizar de maneira racional o cartão de crédito. Muitos o procuram por não conseguirem controlar seus gastos com o cartão. Pagar no crédito muda a maneira de como gastamos, alterando nossas decisões financeiras. O problema do uso do cartão é que nossas emoções tendem a valorizar ganhos imediatos, o cérebro emocional simplesmente não entende coisas como taxas de juros ou pagamentos de dívida ou de financiamento e encargos. Os sentimentos enganam para fazer decisões financeiras insensatas. Novamente, decisões financeiras são tomadas pelo emocional e não pelo racional.

            Com a leitura deste capítulo, podemos observar a relação entre os compostos químicos do nosso sistema neural e as nossas emoções, também como e quanto tal relação influencia em nossas decisões. Isso ocorre porque a liberação de hormônios, como a dopamina, faz com que tomemos posições aparentemente sem lógica para a razão, porém, palpáveis na neuroestimulação por pressões exteriores. “

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Como decidimos? Parte 2

 

“Resumo: How we decide – Capítulo 2

Logo na manha do dia 24 de Fevereiro de 1991, a primeira e a segunda divisões da marinha tinham uma difícil missão, libertar o Kuwait, que estava sob o domínio do Iraque há mais de 8 meses. Era uma difícil missão e deveria ser feita em menos de 100 horas, caso contrário a marinha veria o Kuwait se transformar em um campo de batalha com inúmeros civis no meio do fogo cruzado.

A Central de Comando (CENTCOM) estimava que as marinhas perderiam aproximadamente 5 a 10% de seus homens, pois os Iraquianos além de terem fortalecido suas bases estratégicas dentro do Kuwait e de “plantar” uma fileira de minas no deserto em volta da cidade, não seriam usados ataques aéreos, para que os danos colaterais e as baixas civis diminuíssem. Para ajudar nessa batalha, a aproximadamente 20 milhas da costa do Kuwait estavam helicópteros de ataque e navios de guerra.

Na manhã do ataque da marinha no Kuwait, navios de guerra americanos e britânicos que estavam no Golfo Persa foram colocados em estado de alerta com possibilidade de serem alvos de fogo inimigo.

As primeiras 24 horas da invasão foram além das expectativas após passar pelas minas e pelos arames farpados colocados pelos Iraquianos, a ideia era de ir direto ao centro do Kuwait. Graças aos tanques usados pelo exército americano ( M1 Abrams) que eram equipados com GPS e radares térmicos, foi possível invadir o centro na calada da noite. Ao chegar no centro, a marinha assegurou toda a costa e logo na manhã do dia 25 navios e helicópteros chegaram para ajudar a neutralizar uma base Iraquiana perto do porto de Ash Shuaybah.

Enquanto o ataque acontecia em Ash Shuaybah, o comandante Michael Riley era o responsável por monitoram os radares aéreos da região, era um trabalho difícil, eram 6 horas sem um leve descanso dentro de uma pequena sala olhando para um tela, depois 6 horas para dormir e comer e após esse pequeno descanso, voltar a pequena sala para ficar observando o radar. Eram 5:00 horas da manhã e Riley havia começado seu turno 12:00, quando um “bip” começou a sinalizar algo na tela (como ocorre o dia inteiro quando algum jato americanos A-6 para entregar equipamentos de guerra como armas, munição e bombas) porém Riley ficou desconfiado, e se fosse um míssil? Riley se encheu de medo, o ponto verde do mapa se aproximava de um navio americano a aproximadamente 550 milhas por hora, se Riley fosse derrubá-lo ele teria que fazer isso nesse momento, Riley se encheu de dúvidas, (e se fosse um míssil? Inúmeros marinheiros morreriam. Mas e se fosse um dos A-6 passando?) o ponto verde passava perto de onde os jatos A-6 passavam e com uma velocidade parecida. Para tornar as coisas ainda mais difíceis para Riley, os pilotos dos A-6 tinham o péssimo hábito de desligar o sistema de identificação eletrônica nos seus vôos, pois era mais fácil para que os Iraquianos soubessem que era um jato inimigo para soltar mísseis e não era por menos que os pilotos preferiam ficar menos visíveis a serem mais fáceis de serem abatidos.

Havia apenas uma maneira de distinguir um jato A-6 a um míssil inimigo, a altura em que eles trafegavam, o jato a 3000 pés enquanto um míssil usado por eles trafegavam a aproximadamente 1000 pes. Porem o único radar que poderia identificar a altura dos objetos era chamado de 909, e Riley não tinha nenhum perto. E mesmo se tivesse, Riley não teria tempo para verificar isso agora, ele só tinha tempo de apertar o botão, e ele fez. E a partir dai, ele somente observou a trajetória de seus 2 mísseis ate o objeto não identificados. Momentos depois o capitão do navio que estava perto de onde a explosão aconteceu entrou em contato com Riley e perguntou de quem eram os mísseis, Riley prontamente respondeu que eram dele, logo em seguida o capitão disse que não era possível investigar o que era porem iriam fazê-lo logo em seguida.

Riley obteve essa informação dias depois e com a análise dos destroços da colisão, foi possível determinar que o que ele havia abatido era um míssil Iraquiano. A conclusão de seus superiores foi que era impossível decifrar se era um A-6 ou se seria um míssil.

Esse era o que sabiam da história até 1999 quando Gary Klein começou a investigar o caso de Hiley, Klein era um psicólogo que estava sobre como as pessoas agiam em situações de extrema pressão. Após conversar com Hiley, Klein disse que nem ao menos Hiley sabia como tinha tomado essa decisão e que achava apenas que tinha sorte.

Após analisar as fitas dos radares usados na guerra e ver inúmeras vezes bips verdes do que seriam os A-6 e do que seriam misseis Iraquianos, Klein viu uma discrepância, ele finalmente conseguiu decifrar o intuito de Hiley de que aquilo seria um míssil. Graças ao motivo de que o A-6 voava a 3000 pés, e o míssil a 1000 pés, a velocidade com que o míssil chegasse no terceiro radar cerca de 8 segundos antes do que um A-6 e era esse o motivo de que Hiley sentiu que algo estava errado e sentiu um repentino “medo” e decidiu derrubá-lo.

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            A importância da dopamina foi descoberta por acaso quando dois cientistas, James Olds e Peter Milner decidiram implantar um eletrodo profundo no cérebro de um rato. Eles inseriram uma agulha na parte do cérebro que gera sensações agradáveis. Mas o prazer em excesso é fatal, pois, através de um experimento onde eles colocaram eletrodos no cérebro de roedores e depois passaram uma corrente em cada fio, quando os Naccs ficavam excitados eles faziam com que  houvesse uma perda de interesse em tudo, ou seja, não havia mais vontade de comer, beber ou fazer qualquer coisa causando portanto uma fatalidade.

            Demorou vários anos para que os cientistas descobrisse que o que ratos vinham sofrendo era por causa do excesso de dopamina, e a liberação maciça dela causa um cegamento por prazer. Esta então, tornou-se a explicação química para o sexo, as drogas e rock e roll.

            Mas a felicidade não é a única sensação que a dopamina produz, ela também ajuda a regular todas as emoções além de ajudar a decidir entre as alternativas existentes.

            Grande parte da compreensão do sistema dopaminérgico deve-se a pesquisa de Wolfram Schultz, um neurocientista da Universidade de Cambridge, que desde o começo da sua graduação se interessou nos neurotransmissores, devido ao seu papel no desencadeamento dos sintomas paralisantes do mal de Parkinson. Depois de anos de pesquisa ele notou que os neurônios de dopamina começaram a disparar um pouco antes dos animais envolvidos (macacos) receberem uma recompensa (um pedaço de banana, por exemplo), com isso ele chegou a conclusão que tinha encontrado o mecanismo de recompensa do trabalho no cérebro dos primatas.

            Depois de realizar experimentos que tinha como protocolo:ele soava um som alto, aguardava alguns segundos, e em seguida esguichava gotas de suco de maça na boca do macaco, Schultz descobriu que existiam células, chamadas de “neurônios de previsão”, que estavam mais preocupadas com a previsão de recompensas do que realmente recebê-las e uma vez que este simples padrão foi aprendido, os neurônios dopaminérgicos do macaco  se tornaram exatamente sensíveis a variações sobre ele. Se as previsões estavam corretas então a experiência teve um breve surto de dopamina, mas se não os neurônios de dopamina diminuíram a taxa de disparo, isto é conhecido como erro do sinal de predição, e o macaco se sente chateado. Percebemos então que o que é interessante sobre o sistema é a expectativa.

            Após refinar este conjunto de células de previsão, o cérebro compara estas previsões com o que realmente acontece. E as células de dopamina cuidadosamente monitoram a situação, se tudo está ocorrendo de acordo com o plano, seus neurônios dopaminérgicos secretam uma pequena explosão de prazer. Mas se as expectativas não são cumpridas as células de dopamina entram em greve. Elas instantaneamente mandam um sinal anunciando o erro e param de liberar a dopamina.

            O cérebro é projetado para amplificar o choque dessas previsões equivocadas.  Sempre que se experimenta algo inesperado o córtex imediatamente toma conhecimento. Dentro de milissegundos, a atividade das células do cérebro é inflamada em uma emoção poderosa.

            Este rápido processo celular começa em uma pequena área no centro do cérebro que é densa com os neurônios de dopamina.,o córtex cingulado anterior (ACC), é envolvido por um detector de erros. Sempre que os neurônios de dopamina fazem uma previsão equivocada o cérebro gera um único sinal elétrico, conhecido como erro relacionado a negatividade.

            o ACC ajuda a controlar a conversa entre o que nós sabemos e o que nós sentimos, ele força o indivíduo a notar o evento inesperado.

            Enquanto o ACC está alertando a consciência, também está enviando sinais para o hipotálamo, que regula aspectos fundamentais das funções corporais. Quando o ele está preocupado com alguma anomalia a preocupação é imediatamente traduzida em um sinal somático para os músculos para se prepararem para a ação. Dentro de segundos, a taxa da freqüência cardíaca aumenta , e a adrenalina derrama na corrente sanguínea. Esses sentimentos de flash obrigam-nos a responder a situação imediatamente.

            Mas o ACC não só monitora erros de previsão, ele também ajuda as células de dopamina a lembrar-se do que acabaram de aprender, internaliza as lições da vida real, e ainda garante que as previsões futuras são revisadas, assim pode-se saber exatamente quando a recompensa chegar

            Este é um aspecto essencial da tomada de decisão. Se não podemos incorporar as lições do passado em nossas decisões futuras, então estamos destinados a repetir indefinidamente os nossos erros. Quando a ACC é cirurgicamente removida do cérebro do macaco,  o comportamento do primata torna-se irregular e ineficaz, eles não podem mais prever recompensas ou dar sentido o que está ao seu redor.

            Através de experimentos os cientistas descobriram que animais com ACCs intactos não tiveram problema em realizar uma certa tarefa para receber a recompensa. Contudo, os animais (macacos) que estavam faltando seus ACCs demonstraram um defeito contando. Quando deixaram de serem recompensados por fazer uma tarefa, como por exemplo mover o joystick em uma certa direção, eles ainda eram capazes (na maior parte do tempo) de alterar a tarefa, movendo o joystick em outra direção, assim como os macacos normais. Contudo, eles não foram capazes de persistirem nesta estratégia bem sucedida e logo voltaram a fazer a tarefa inicial que não recebiam nenhuma recompensa. Eles nunca aprenderam a transformar um erro em uma lição duradoura. Já que esses animais não puderam atualizar suas previsões celulares, ficando irremediavelmente confusos com uma experiência simples.

            Então sabemos que animais com ACCs intactos são capazes de reter e atualizar informações para que consigam alguma tipo de recompensa. E animais sem ACCs não, ou seja, não são capazes de aprenderem a transformar um erro em uma lição duradoura senso assim não podem atualizar suas previsões celulares ficando confusos em simples tarefas.

Pessoa com números reduzidos de dopamina no ACC, tem mais dificuldade em aprender pelas experiências negativas, elas podem continuar a cometer os mesmos erros ao longo do tempo.

O “ACC” tem uma última ferramenta, que são as “spindle cells”, que estão em grande quantidade nos humanos. Essas células são capazes de captar as nossas emoções e as transmitir para o resto do cérebro em alta velocidade.

Apesar de praticamente imperceptível, esse processo todo é o que define a grande maioria das nossas decisões.

Sabemos, agora, que nossas emoções não são simplesmente guiadas pelos nossos instintos, que toda vez que você comete um erro, o cérebro trabalha para obter aprendizado da experiência vivida. Quando Shultz fez o experimento com os macacos, ele descobriu que levava só algumas tentativas até que os neurônios dos macacos soubessem exatamente quando esperar suas recompensas. E esse mesmo trabalho está sempre em movimento no cérebro humano. Dessa mesma forma, leva algumas viagens a barco para que se acostume a viajar dessa maneira sem sentir enjôos. Toda vez que passamos por uma situação que proporciona alegria, medo, desapontamento, felicidade, e todos os outros, nosso cérebro está ocupado, aprendendo a predizer o que acontece após essa situação.

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 Na década de 1990, o software Deep Blue, da IBM, derrotou Garry Kasparov, Grande Mestre Internacional de xadrez. Deep Blue era capaz de analisar mais de dois milhões de possíveis movimentos por segundo, permitindo selecionar sempre a melhor estratégia. Porém, Gerald Tesauro, programador da IBM, intrigado pela maior incapacidade da máquina – a de aprender – se inspirou para criar uma nova forma de inteligência artificial (IA). Tesauro então, criou, usando o gamão (jogo de tabuleiro) como base, um software de IA, que nomeou TD-Gammon. Enquanto o Deep Blue foi criado com milhares de estratégias, o TD-Gammon começou com apenas as regras do jogo, e fazia movimentos completamente aleatórios, perdendo todas as partidas. Porém, depois de algumas centenas de partidas contra ele mesmo, o software era capaz de derrotar até os melhores jogadores de gamão. Isso porque o software, assim como a mente humana, analisava todos os erros que o levavam a derrota, sendo assim, após várias partidas, capaz de prever qual o melhor movimento em determinada situação do jogo. Esse tipo de IA tem sido usada até hoje, em diversos problemas que parecem ter um número infinito de possibilidades.

            Um método foi criado, esse método de programação espelha a atividade dos neurônios de dopamina. Um experimento conhecido como Iowa Gambling Task desenvolvido pelo Neurocientista Antonio Damasio e Antoine Bechara consiste em um “jogo” que tem as seguintes regras: um sujeito recebe quatro baralhos, dois pretos e dois vermelhos, e $2000 de dinheiro do jogo, cada carta dizia ao jogador se ele deveria ganhar ou perder dinheiro, o sujeito foi instruído a virar uma carta de um dos quatro baralhos e fazer o máximo de dinheiro possível. As cartas não eram distribuídas aleatoriamente, os cientistas tinham fraudado o jogo, onde dois baralhos eram cheios de cartas de alto-risco e os outros dois baralhos eram sérios e conservadores. A maioria das pessoas experimentavam cartas de todas as pilhas, procurando pelas cartas mais lucrativas. Em média as pessoas pescavam cerca de cinquenta cartas até começar a pescar as cartas do baralho mais rentável, parece que são cerca de oitenta cartas, na média, antes do sujeito poder explicar porque favoreceu aquele baralho. A lógica é devagar.

            Os jogadores eram ligados a uma máquina que media a condução elétrica de sua pele, no geral os níveis mais altos de condução eram sinal de nervosismo e ansiedade. O que os cientistas descobriram é que quando o jogador pegava apenas dez cartas, sua mão ficava “nervosa”, quando ele obtinha cartas de baralhos negativos.

            Pacientes comprometidos neurologicamente, que eram incapazes de sentir qualquer emoção, geralmente faliam, enquanto a maioria das pessoas faziam quantias substanciais de dinheiro, porque esses pacientes eram incapazes de associar os baralhos ruins com seus maus pressentimentos. Como as respostas de relacionavam com as emoções? A resposta nos remete a dopamina, a molécula que dá origem a nossos sentimentos. Os cientistas descobriram que as células do cérebro humano são programadas assim como TD-Gammon (geram previsões do que irá acontecer e mensuram a diferença entre suas expectativas e os resultados reais). Se o jogador escolher o baralho ruim os neurônios de dopamina imediatamente param de agir, no entanto se o jogador escolher uma carta lucrativa, então o jogador sentirá prazer de estar certo. Os neurônios de dopamina automaticamente detectam padrões sutis, eles transformam previsões em emoções.

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                  Isso não significa que as pessoas podem se apoiar nessas células de emoções.  Os neurônios de dopamina precisam ser constantemente treinados e retreinados, ou sua precisão de previsão diminui.

                Leve em conta Bill Robertie, mestre em xadrez e um antigo vencedor do campeonato de xadrez rápido dos EUA. Ele é um profissional largamente respeitado no pôquer e autor de vários best-sellers. Contudo é mais conhecido por suas habilidades no gamão.  Gerald Tesauro estava  procurando por um profissional no gamão para competir com TD-Gammon, ele escolheu Robertie, ele queria que o computador aprendesse com o melhor. 

                O programa de software se tornou profissional, depois de fazer milhões de jogos pode se juntar à lista de computadores como o Deep Blue. Contudo  todas essas máquinas tem uma limitação rigorosa: elas podem ser profissionais em apenas um jogo.

                Xadrez, gamão e pôquer parecem depender de habilidades diferentes, porém Robertie consegue se sobressair nas três áreas.  Depois de jogar uma partida de xadrez, ou pôquer, ou gamão, Robertie revê o que aconteceu, cada decisão é criticada e analisada. Mesmo quando Robertie ganha ele procura seus erros, discernindo aquelas decisões que poderiam ter sido tomadas. Ele sabe que a autocrítica é o segredo para melhor a si mesmo.

Carol Dweck demonstrou que um dos principais ingredientes para o sucesso educacional é a capacidade de aprender com os erros. Dweck formulou um experimento em que alunos da 5ª série eram retirados da sala e faziam um teste relativamente fácil constituídos por quebra-cabeças não-verbais, depois que as crianças terminavam o teste os pesquisadores diziam as ao estudante sua pontuação e forneciam um simples frase de elogio. Logo ficou claro que o tipo de elogio dado aos alunos da 5ª série influenciavam drasticamente na escolha dos testes, quando as crianças eram elogiadas pelo esforço, 90% escolhiam o conjunto de quebra-cabeças mais difíceis, contudo as crianças que foram elogiadas por sua inteligência, a maioria escolhia o teste mais fácil. O outro experimento que dweck fez foi : ela deu aos mesmo estudantes um outro teste, este teste era projetado para ser extremamente difícil, os estudantes que tinham sido elogiados por seu esforço ficavam muito envolvidos, porém as crianças que tinham sido elogiadas por sua inteligência  facilmente eram desencorajadas.

Os testes finais foram muitos difíceis, ele nos mostra que os estudantes que foram elogiados por seus esforços melhoraram cerca de 30% e os estudantes que foram colocados no grupos dos “inteligentes” tiveram um decréscimo de 20% em sua pontuação. Isto diz que fazendo isso está se distorcendo a realidade neural dos estudantes.

Seu cérebro não vai rever os conceitos dele até que o mesmo não sofra com o erro, não existindo atalhos para isso.

Citando vários exemplos o melhor é o do Xadrezista Garry Kasparov, que mesmo indo bem em sua partida de xadrez ele vai e procura os mínimos erros possíveis, mesmo uma partida considerada perfeita, ele encontra pelo menos 30 erros, se o mesmo não encontrou tais erros e porque ele não prestou toda atenção possível. Mas depois destes erros encontrados, ele disse que joga com o instinto e com o faro, com estes erros ele diz que é a única forma de não erra novamente.

Como o Tenente Riley, que foi treinado a ver um símbolo e com seu bip, a achar se o símbolo é do avião do oponente ou de seu próprio pelotão, mesmo nunca vendo o mesmo no redar ele foi capaz de acertar e dizer para mandar os mísseis para abater o avião do oponente e assim salvando o seu cruzador de batalha.”

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Como Decidimos? Parte 1

 

Resumo: How we decide – Capítulo 1

Com apenas um minuto e vinte e um segundos restantes para o fim do jogo no Super Bowl 2002, os Rams estão quatorze pontos a frente dos Patriots. Tom Brady, quarterback dos Patriots, tem a chance de ganhar a partida, e seu técnico está muito confiante nisso. Magro e com um porte físico inferior ao dos outroxs atletas, Brady tinha um importante atributo: tomada de decisão.

Tom já havia estado em diversas situações de jogo, e sempre se saia muito bem em todas elas. Em outras palavras, ele tinha muito equilíbrio e estabilidade, não se deixava abalar sob pressão.

A rápida decisão tomada por um quarterback no campo de football nos fornece uma janela para dentro do funcionamento do cérebro. Essas decisões acontecem tão rápido que elas nem se parecem com decisões. As decisões de Tom dependem de uma longa lista de variáveis. Se ele fosse forçado a analisar essas decisões conscientemente, então cada passe necessitaria de uma série de cálculos trigonométricos e de ângulos. Mas como fazer tais cálculos quando se tem cinco homens furiosos vindo em sua direção? A resposta é simples: não há como. Então, como um quarterback é capaz de fazer isso, como tomamos uma decisão?

Para tal feito, um quarterback é forçado a avaliar cada uma de suas alternativas de passe sem saber ao certo como está fazendo tais avaliações. Brady escolhe um alvo sem entender exatamente porque tomou tal decisão. Ele acerta. Os Patriots acabam de vencer a partida!

E assim começa: o mistério da tomada decisão, um dos mais antigos mistérios do planeta. Muitas vezes tomamos decisões sem se quer saber o que está acontecendo dentro de nossas cabeças durante esse processo e mais, não conseguimos explicar o porquê escolhemos uma coisa a outra, simplesmente escolhemos. E quando decidimos o que fazer somos capazes de ignorar nossos sentimentos e pensar cuidadosamente sobre o problema. É exatamente este o elemento definidor da natureza humana.

Platão foi um dos pioneiros. Ele definiu a mente como uma carruagem puxada por dois cavalos. O cérebro racional é o cocheiro. Se um dos cavalos saírem do controle o cocheiro só precisa usar seu chicote para reafirmar sua autoridade.

Um dos cavalos é bem educado, comportado, já o outro é selvagem, surdo como um poste e obstinado, mesmo o melhor dos cocheiros tem dificuldades para controlá-lo. De acordo com Platão este cavalo representa negativas e destrutivas emoções.

Com essas simples metáfora, Platão divide a mente em duas esferas separadas: razão e emoção. E quando os cavalos querem diferentes coisas devemos nos recorrer ao cocheiro. Ele diz, “Se os melhores elementos da mente que levam a ordem e a filosofia prevalecerem, poderemos levar uma vida em felicidade e harmonia, mestres de nós mesmos”.

Esta divisão consagrou-se na cultura ocidental. Por um lado os seres humanos são parte animal, animais primitivos recheados de primitivos desejos. Por outro lado, também somos capazes de razão, previsão, abençoados pela racionalidade.

René Descartes concordou com a crítica ao sentimento. Ele afirmava que nosso ser era dividido em duas partes: uma alma santa capaz de raciocinar e um corpo carnal cheio de paixões mecânicas. Ele queria exemplificar a racionalidade em sua forma pura, para nos conhecermos clara e distintamente.

A fé cartesiana na razão tornou-se um princípio fundador da filosofia moderna. Com o passar do tempo vários pensadores queriam traduzir essa psicologia em termos práticos.

 A versão do século XX da metáfora platônica foi apresentada por Sigmund Freud, porém sua visão diferenciava-se a de Platão em alguns aspectos. Freud imaginou a mente humana como sendo dividida em uma série de partes em conflito. No centro da mente havia uma fábrica de desejos brutos e acima disso existia nosso ego (consciente), capaz de controlar o centro da mente. Pode-se comparar o centro da mente e o ego ao cocheiro e seus cavalos descritos por Platão.

Basicamente a psicanálise de Freud tentava ensinar os pacientes a reter seus cavalos, pois acreditava que os distúrbios mentais eram os efeitos de sentimentos desenfreados.

Com o tempo essa psicologia perdeu a credibilidade científica. Mas a ciência moderna tratou de realizar uma nova metáfora: a mente era um computador. De acordo com essa nova psicologia cognitiva, cada um de nós somos um conjuntos de programas de software rodando em três quilos neurais de hardware. Diminuindo a importância à emoção. Porém o problema de ver a mente deste modo é que esquecemos que computadores não têm sentimentos. Não há meios de transformá-los em estruturas lógicas de linguagem de computação.

Por muito tempo as pessoas menosprezaram o cérebro emocional, culpando nossos sentimentos por todos os nossos erros. A verdade é muito mais interessante: o que descobrimos quando olhamos para o cérebro é que os cavalos dependem do cocheiro e vice-versa. Se não fossem as emoções a razão não existiria.

Em 1982, um paciente chamado Elliot foi ao consultório neurologista de Antonio Damasio. Poucos meses antes, um tumor havia sido cortado do córtex de Elliot.

Antes da cirurgia, o paciente havia sido um exemplar pai e marido. Trabalhava arduamente na área de gestão em uma grande corporação e era membro ativo da igreja, mas a operação mudou tudo.

Apesar de seu QI permanecer o mesmo, uma falha psicológica foi percebida: ele não conseguia tomar uma decisão.

Esta disfunção tornou a vida normal impossível. Tarefas rotineiras que antes eram realizadas em dez minutos agora duravam horas.

Em pouco tempo Elliot foi demitido do emprego. Tentou iniciar novos negócios, mas foi enganado por um vigarista. Sua mulher se divorciou dele. E Elliot viu sua decadência como um homem com um intelecto normal, mas incapaz de tomar decisões.

Damasio diagnosticou seu paciente e obteve informações relevantes. Depois da cirurgia Elliot tornou-se controlado, descrevia cenas como um expectador, desapaixonado, descompromissado, sem tristeza, frustração, desprovido de qualquer tipo de emoção.

Para testar esse diagnóstico, Damasio testou em Elliot uma maquina que mediu a atividade das glândulas sudoríparas em suas palmas. Uma vez que, quando uma pessoa experimenta emoções fortes, a pele é despertada e as mãos suam. Damasio então mostrou vários tipos de fotos a Elliot, como um pé cortado, uma mulher nu, uma casa pegando fogo. E os resultados foram claros: Elliot não sentiu nada. A vida emcional dele era como a de um manequim.

Esta descoberta foi inusitada. O que tinha acontecido com Elliot? Por que não podia levar uma vida normal? Para Damasio a patologia de Elliot sugere que emoções são uma parte crucial do processo de tomada de decisão. Quando cortamos o sentimento, as decisões mais banais são impossíveis. Damasio então começou a estudar outros pacientes com padrões similares de danos cerebrais e viu o erro cometido por Descartes e a dificuldade dessas pessoas.

Ao estudar outros pacientes Damasio começou a compilar um mapa de sentindo, localizando as regiões específicas do cérebro responsáveis por gerar emoções.  Embora muitas diferentes áreas corticais contribuir para este processo, uma parte do cérebro pareceu particularmente importante: um pequeno circuito de tecido chamada córtex órbito-frontal, que fica logo atrás dos olhos, no ventre do frontal lobo.  Se esta dobra frágil de células é danificada por um tumor maligno, o resultado trágico é sempre o mesmo. No início, tudo parece normal, e depois o tumor é removido, o paciente é enviado para casa. A recuperação total é prevista. Mas então as coisas pequenas começam a dar errado. O paciente começa a parecer remoto, frio, distante. Essa pessoa anteriormente responsável de repente começa a fazer coisas irresponsáveis. As escolhas do cotidiano tornam-se terrivelmente difícil. É como se sua própria personalidade tivesse sido sistematicamente apagada.  A importância crucial de nossas emoções, o fato de que não pode tomar decisões sem eles, contradiz a convencional visão da natureza humana, com sua filosofia antiga raízes. O cérebro foi visualizado como consistindo de quatro camadas separadas, empilhadas em ordem crescente de complexidade.

Os cientistas explicaram a anatomia do cérebro humano da seguinte maneira: Na sua parte inferior era o tronco cerebral, que rege as funções mais básicas do corpo. Acima disso foi o diencéfalo, que regulamentou a fome e os ciclos do sono.

Então veio a região límbica, o que gerou emoções animais. Foi a fonte de luxúria, violência e comportamento impulsivo. Finalmente, houve o córtex frontal, a magnífica obra-prima da evolução, que era responsável pela razão, a moral, inteligência. A quarta camada do cérebro permitiu-nos para ignorar as três primeiras camadas. Nós éramos a única espécie capaz de se rebelar contra sentimentos primitivos e tomar decisões que eram desapaixonada e deliberada.

Mas esta narrativa anatômica é falsa. A expansão do córtex frontal durante a evolução humana não nos transformar em criaturas puramente racionais, capazes de ignorar nossos impulsos. Na verdade, a neurociência já sabe que o oposto é verdadeiro: uma parte significativa do nosso córtex frontal está envolvida com a emoção. David Hume, filósofo escocês do século XVIII que se agradou de idéias heréticas, estava certo quando ele declarou que a razão era “o escravo das paixões.”

Como funciona este sistema emocional do cérebro? O córtex orbitofrontal (OFC), a parte do cérebro que Elliot estava faltando, é responsável por integrar as emoções viscerais para o processo de tomada de decisão. Ele conecta-se os sentimentos gerados por “primitivos” do cérebro de áreas como o tronco cerebral e da amígdala, que está no sistema límbico para o fluxo de pensamento consciente. Quando uma pessoa é atraída para um receptor específico, ou um determinado prato principal no menu a mente está a tentar dizer-lhe que ele deve escolher essa opção. Ele já avaliou a alternativas, esta análise tem lugar fora de percepção consciente e que a avaliação convertido em uma emoção positiva. E quando ele vê um receptor que está bem coberto, ou cheira um alimento que ele não gosta, ou vislumbres uma ex-namorada, é o OFC que o faz querer fugir. 

O mundo é cheio de coisas, e são nossos sentimentos que nos ajudam a escolher entre elas.Quando essa conexão neural é rompida, quando nossos OFCs não podem compreender nossas próprias emoções, perdemos o acesso à riqueza de opiniões que normalmente dependem. 

O resultado final é que é impossível tomar decisões decentes. Esta é a razão pela qual o OFC é uma das poucas regiões corticais que são maiores em humanos do que em outros primatas. Enquanto Platão e Freud teria imaginado que o trabalho do OFC era para nos proteger de nossas emoções, para fortalecer a razão contra o sentimento, a sua função real é precisamente o oposto. Do ponto de vista do cérebro humano, o Homo sapiens é o animal mais emocional de todos.

Herb Stein vem dirigindo Days of Our Lives, uma novela na NBC, por vinte e cinco anos. Não é fácil fazer uma novela diurna. As exigências do formulário são esgotante: um novo episódio tem de ser filmado quase todos os dias. Nenhum outro tipo de entretenimento popular agita o material tanto em tão pouco tempo. Reviravoltas novos têm que ser sonhado, novos roteiros devem ser escritos, os atores precisam ensaiar, e cada cena deve ser meticulosamente planejado. Só então, uma vez que toda a preparação que está completa, são as câmeras ativadas. Ele disparou mais de cinqüenta mil cenas e lançou centenas de diferentes atores. Ele foi nomeado para oito Emmys. Ao longo de sua longa carreira, Stein presenciou cenas mais do melodrama de estupros, casamentos, nascimentos, mortes, confissões do que apenas sobre humano qualquer outro ser vivo.Ele é, por assim dizer, um especialista em melodrama: como escrevê-lo, bloqueá-lo, filme que, editá-lo e produzi-lo. 

Para Stein, o longo caminho para televisão diurna começou quando ele era um estudante na UCLA e ler A Oresteia, a trilogia de tragédias gregas clássicas escritas por Ésquilo. Foi a intemporalidade absoluta das peças-sua capacidade de falar com temas duradouros de que humanos fez querer estudar teatro. Quando fala sobre o drama Stein e não importa se ele está falando de Ésquilo ou Hospital Geral, ele tende a soar como um professor de literatura.  Fala Stein em longos monólogos digressivos e encontra grandes idéias nas tramas mais improváveis.

Stein é um dos mais bem sucedidos no negócio é contar a história para que as pessoas não perceber que você está contando uma história.  Tudo tem que sentir sincero, mesmo quando o que está acontecendo na tela é completamente estranho. Este é muito mais difícil do que parece. Vamos dizer que você está gravando uma cena em que uma mulher está dando à luz pais de gêmeos fraternos por dois homens diferentes, ambos os quais estão à beira do leito com ela Um dos pais é o vilão do show:. ele engravidou a mulher por estuprá-la O outro pai é o cara bom, ea mulher está profundamente. apaixonada por ele. No entanto, se ela não se casar com seu estuprador, então membros da sua família serão mortos.

A cena tem várias páginas de intenso diálogo , algumas lágrimas, e abundância de subtexto. Stein tem cerca de uma hora para atirar nele, que o obriga a tomar algumas decisões cruciais na mosca. Ele tem que descobrir onde cada personagem deve estar, como todos devem se mover, o que as emoções eles devem transmitir, e como cada uma das quatro câmeras devem capturar a ação.

Embora a cena tenha sido mapeada com antecedência, Stein ainda precisa fazer muitas dessas decisões no meio das filmagens, enquanto os atores estão entregando suas linhas. Durante as cenas complicadas, como a cena do nascimento com os dois pais, Stein parece um maestro de orquestra: os braços  estão ainda constantemente apontando para diferentes câmeras.

Quando você está criando televisão durante o dia, você tem apenas um dia. Este pressão do tempo implacável significa que Stein não pode dar ao luxo de pensar cuidadosamente através de todas suas escolhas câmera que ele não tem tempo de ser racional, ele precisa reagir ao drama, como é desdobramento nesse sentido, ele é como um zagueiro. no bolso. “Quando você atirar tantas cenas que eu tenho”, diz Stein, “você só sabe como as coisas devem ir. Eu posso assistir um ator dizer uma única linha e saber imediatamente que precisamos tentar novamente. Quando estamos filmando uma cena, é tudo muito instintivo. Mesmo quando vamos com um plano para derrubá-la, que o plano vai mudar muitas vezes no momento, dependendo de como ele se sente.”.

Confiança no instinto e “sentir ” também é uma parte crucial do processo de fundição. Sempre estão trazendo continuamente novos atores, em parte porque os atores são mais longas na mostra, os seus salários são mais elevados.

O tamanho da audiência oscila com o apelo dos atores, e um ator particularmente atraente pode criar um ponto na classificação.” Você está sempre procurando que a pessoa que as pessoas querem olhar “, diz Stein.” E eu não me refiro apenas atratividade. Eles têm que ter, e por isso, quero dizer tudo o que você não pode realmente colocar em palavras. “

A audiência de um programa de televisão tem uma relação proporcional com o quanto os atores podem ser atraentes frente ao publico. Mas como identificar isso? Decidir qual ator é o certo para o papel e para o tipo de programa é uma árdua tarefa. Tem-se que saber se ele suprirá as exigências do papel como, por exemplo, chorar sempre que for preciso e conseguir assimilar as falas.

Essas questões e escolhas se tornam menos trabalhosas e problemáticas ao passo que o diretor Stein ganha experiência na televisão, e com décadas de experiência ele aprende a confiar mais em seus sentimentos, o que chamamos de feelings. O diretor conta de momentos em que soube qual era o ator certo somente ouvindo-o por alguns segundos, isso depois de ouvir vários outros candidatos ao papel. Stein soube que ele era o certo, não podia explicar o porquê exatamente, mas tinha certeza de sua escolha.

Esse processo de feeling depende do lado emocional do cérebro. Enquanto o lado consciente analisa dados, informações, números precisos e etc. A parte inconsciente, ou emotiva, esta o tempo todo captando informações não exatas, não claras ou ate mesmo não perceptíveis e assim ela acaba se tornando a parte mais importante do nosso processo de pensamento. Todas as percepções que captamos são traduzidas em sinais emocionais que nos permitem agir de acordo com os cálculos subliminares feitos por nossa mente. Sem esse feeling levaríamos muito mais tempo para tomar decisão qualquer que fosse e provavelmente estaríamos errados. Os feelings são como atalhos para nossas ações e decisões.

Nosso cérebro foi desenvolvido por muito tempo para chegar ao que é hoje. Quando os primeiros Homos sapiens surgiram, já existiam várias formas de vida com cérebros totalmente especializados, como os dos animais e insetos. Peixes que podiam migrar pelos mares, aves que usavam os astros como guias entre muitos outros, mas tinham um porém, não poderiam fazer planejamentos ou desenvolver novas ferramentas, ou seja, o que não poderia ser feito automaticamente, não poderia ser feito. Nesse mundo a evolução do homem veio a mudar tudo. Nós humanos podíamos contemplar nossas emoções, descrever as cosias com palavras e raciocinar logicamente. Podíamos fazer planos e até segui-los.

Esses novos talentos foram incrivelmente úteis, porém incrivelmente novos. E como um software feito as pressas para seu lançamento no mercado nosso cérebro tinha falhas. Nesse quesito a natureza não teve o tempo suficiente para trabalhar tais estranhezas.

No entanto, nosso lado emocional do cérebro foi refinado pelas centenas de milhões de anos, tornando-o muito preciso e capaz de tomar decisões com pouquíssima informação. Se pararmos para calcular o tempo que um defensor de basquete tem para fazer o movimento e interceptar uma bola no meio do caminho da sesta, veremos que não é possível, pois o cérebro exige mais tempo que o disponível para fazer todos os cálculos e para nossos músculos obedecerem os comandos enviados a eles.

Mas então como é possível que jogadores profissionais consigam tal façanha? A resposta é que o cérebro começa a recolher informações sobre o arremesso muito antes de a bola deixar a mão do arremessador. Ele percebe detalhes como, posição dos cotovelos, das pernas, movimentos do corpo e outros, que são chamados de “pistas antecipadoras”. Um cérebro bem treinado em determinada atividade sabe exatamente quais detalhes procurar. E novamente, traduzidos essas percepções em sentimentos, nos auxiliam na tomada de decisões ou atitudes.

Em se falando dessas percepções e da nossa mente emocional, não existe computador que nos possa imitar. Eles não conseguem saber qual o melhor ator, como jogar basebol, futebol ou simplesmente andar de bicicleta. Por isso mesmo que quando a evolução estava forjando o cérebro ela não se preocupou em tornar todos esses processos emocionais em operações explicitas. Se algo não está quebrado, então a seleção natural não irá corrigi-lo. O processo de pensamento requer feeling. A razão sem a emoção é impotente.

A visão platônica do ser humano como animal com ausência quase total de instinto estava totalmente errada. De acordo com James, em seu livro Os Princípios da Psicologia, os hábitos, instintos e emoções no cérebro humano eram o que o fazia tão eficiente.

Foi feita uma triagem do que se passava pela cabeça de um lançador de futebol americano enquanto escolhe para quem lançar, e sempre que ele via um jogador de seu time que estava já marcado um sentimento negativo sobrevinha, e ele então deixava de fazer o passe, ate que visualizasse um jogador livre e então um sentimento de explosão sutil de emoção positiva o assegurava de que aquele seria o passe correto a se fazer, e nesse momento a bola voou!”

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