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Começando a atividade de Finanças I

Hoje inicio postagens dos resumos do livro “How we decide”, de Jonah Lehrer, feitos pelos estudantes de Finanças I. Divididos em grupos de até cinco pessoas, devem ler e sintetizar capítulos do livro e, ao final, faremos uma apresentação geral de todos os grupos em sala de aula para consolidar as ideias principais e o aprendizado que a leitura propiciou.  

A ideia é que esta atividade conte com comentários de todos, e que tenhamos aqui, via Blog, uma ambiente informal e descontraído (e, claro, respeitoso) para debates e expressões de opiniões, para, assim, entendermos melhor o papel dos modelos econômicos que embasam a moderna teoria de finanças e, principalmente, suas limitações na compreensão dos fatores que influenciam a tomada de decisão.

Cada post com essa finalidade terá o título “Como decidimos? Part x” e será transcrito aqui tal qual enviado pelo grupo, com aspas e itálico para marcar a citação literal, ok? Os resumos, a julgar pelo conteúdo enviado pelo primeiro grupo, serão maiores que o tamanho médio dos posts que eu produzo, mas ainda assim resolvi postá-los integralmente, e não em trechos menores, como havia pensado originalmente, para evitar confusões e perda de fluidez na leitura.

Vamos lá! Boa atividade a todos!!

Cultura Econômica, Ensinando Economia

Expectativas como elemento-chave (Clube de Leitura II)


Seguimos com nossas atividades no Clube de Leitura e na reunião passada, em que tratamos do Livro Segundo da Teoria Geral, o grande aprendizado foi, sem dúvida, sobre as primeiras elucidações a respeito do papel das expectativas na determinação do produto e da renda, via principalmente seu componente investimento produtivo.

Nos capítulos tratados, importantes definições foram elucidadas e os princípios da formação da contabilidade social, definidos. Nas palavras do próprio Keynes:

 

“As três perplexidades que mais dificultaram meu progresso na elaboração deste livro e impediram que me expressasse convenientemente até encontrar alguma solução para elas foram: em primeiro lugar, a escolha das unidades quantitativas adequadas aos problemas do sistema econômico em seu conjunto; em segundo, o papel representado pelas expectativas na análise econômica; e, em terceiro, a definição da renda.” (TG, início do capítulo 4)

Concordamos que tais definições tenham sido inovadoras e complexas para o momento em que estavam sendo propostas, mas nós, formados na tradição keynesiana, tiramos de letra! De qualquer forma, é sempre muito interessante entender como conceitos e definições naturais para nós, hoje, foram desenvolvidos e consolidados, estudando o raciocínio e os argumentos a partir da genialidade de seu formulador.

O papel das expectativas é revelado, ainda que de maneira preliminar, como sendo o elemento principal na interligação entre o presente e o futuro, como parte da decisão de investir:

“Toda produção se destina, em última análise, a satisfazer o consumidor. Normalmente decorre algum tempo — às vezes bastante — entre o momento em que o produtor assume os custos (tendo em vista o consumidor) e o da compra da produção pelo consumidor final. Enquanto isso, o empresário (aplicando-se esta designação tanto ao produtor quanto ao investidor) tem de fazer as melhores previsões que lhe são possíveis sobre o que os consumidores estarão dispostos a pagar-lhe quando, após um lapso de tempo que pode ser considerável, estiver em condições de os satisfazer (direta ou indiretamente); e não lhe resta outra alternativa senão guiar-se por estas previsões, se sua produção tem de ser realizada, de qualquer forma, por processos que requerem tempo.” (TG, início do capítulo 5)

É muito bonito o processo de descoberta da análise dinâmica que permeia a base de fundamentação da macroeconomia e que perdemos quando nos detemos apenas nos livros-texto básicos!

Sigamos para o livro terceiro! Boa leitura!


Cultura Econômica, Economia, Ensinando Economia

Keynes foi mesmo brilhante!! (Clube de Leitura I)

Iniciei este semestre uma atividade extra-curricular com alguns poucos alunos, interessados em não se tornarem Novo-Keynesianos sem nunca terem lido a “A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda“, de John Maynard Keynes – publicado originalmente em 1936, é obra seminal da macroeconomia, como a conhecemos hoje nos livros-texto.

A atividade é um Clube de Leitura, cujo propósito é estimular o estudo de obras clássicas como complemento à formação do estudante de economia. A cada encontro, capítulos daquele livro serão discutidos, sendo um dos membros o responsável por encaminhar a discussão, sob minha mediação e esclarecimentos.

Alguns acham tal atividade totalmente dispensável para a formação do economista. Eu não acho, assim como não acho dispensável ler os clássicos em geral, à medida que se avança no estudo e na compreensão da ciência econômica. Além disso, Keynes dá um show de retórica e, para nós todos, formados na tradição keynesiana, já não é um livro “impossível de ler, difícil” como era para aqueles formados na doutrina clássica e para os que acompanharam todo o debate e se formaram ao longo das décadas seguintes… Hoje, ao contrário, é possível mesmo se divertir com a leitura, verdade principalmente para os estudantes que já passaram por um curso de macroeconomia inicial.

Eu vou destacar aqui alguns trechos que acho brilhantes e sempre me pego sorrindo quando os leio (do Livro I, capítulos 1 a 3*)!

“Os teóricos da escola clássica são comparáveis aos geômetras euclidianos em um mundo não euclidiano, os quais, descobrindo que, na realidade, as linhas aparentemente paralelas se encontram com muita frequencia, as criticam por não se conservarem retas, como único recurso contra as desastrosas interseções que se produzem.” (p. 32-33)

“Aparentemente, depois de Malthus, os economistas profissionais ficaram insensíveis diante da falta de conformidade entre os resultados de sua teoria e dos fatos observados; uma discrepância que o homem comum não deixa de observar, como resultado de uma crescente obstinação em conceder aos economistas a manifestação de respeito que tributa a outros grupos de cientistas cujas conclusões teóricas são confirmadas pela observação, quando aplicadas aos fatos” (p. 43, grifo meu)

Ao longo da releitura que farei da Teoria Geral, deixarei aqui comentários e trechos que me divertem… Você, membro do Clube, pode fazer o mesmo! Deixe seu comentário destacando seu trecho preferido que farei uma compilação num próximo post!!

*KEYNES, J. M.  “A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”. São Paulo: Atlas, 1982.