Nível de atividade, Política, Política Fiscal, Política Monetária

Desemprego nos Estados Unidos

 

Há alguns dias, Paul Krugman (o verdadeiro, claro, e não aquele meu ex-aluno reprovado por falta!!), em sua coluna no New York Times reforçou mais uma vez o coro (pequeno, é certo) das vozes que tentam trazer o combate ao desemprego para o centro do debate político nos Estados Unidos, novamente. Chamou de o “erro de 2010” o estímulo pequeno e por um período curto realizado em 2009 pelo governo americano, insuficiente para sustentar a rota de retomada pós-crise financeira. Ainda no início de 2010, continua ele, era possível notar que os efeitos do estímulo já estavam desaparecendo e, ainda assim, o debate político encabeçado pela direita e apoiado por muitos experts se voltava para a necessidade de controlar o déficit fiscal, considerado, então, o inimigo público n° 1.

A taxa de desemprego americana voltou a patamares do início da década de oitenta, anos de forte recessão como efeito da política monetária contracionista da década anterior que objetivou debelar o processo inflacionário (a estagflação da década de setenta). Porém, a recuperação foi relativamente rápida. O gráfico abaixo ilustra o comportamento da taxa de desemprego americana até o momento:

Em 2009, o desemprego alcançou 9,3% da força de trabalho e 9,6% em 2010. As estimativas do Fundo Monetário para os anos seguintes (8,5% e 7,7% para 2011 e 2012, respectivamente) não são nada animadoras e prenunciam um custo social muito mais elevado para a sociedade que muitos parecem não querer enxergar. 

Para abafar as possíveis vozes em favor de políticas eficientes contra o desemprego, talentos são execrados do centro de comando da economia americana. Peter Diamond desabafa, também no New York Times, que, para os Republicanos, “um prêmio Nobel não é suficiente“. Afinal, segundo um senador republicano ““Does Dr. Diamond have any experience in conducting monetary policy? No,” he said in March. “His academic work has been on pensions and labor market theory.” “.

Ignorância ou má-fé? Ou ambas? 

Concordo com P. Diamond:

“In reality, we need more spending on some programs and less spending on others, and we need more good regulations and fewer bad ones.

Analytical expertise is needed to accomplish this, to make government more effective and efficient. Skilled analytical thinking should not be drowned out by mistaken, ideologically driven views that more is always better or less is always better.

O debate político americano parece equivocado e em defesa dos rentiers (mais uma pitada de Krugman aqui). E mesmo numa cidade dinâmica como New York os efeitos são visíveis: em geral homens, aparentemente na faixa etária dos 45-55 anos, desempregados e com seus “cartazes-história” pedem ajuda nas ruas, nos metros, e, envergonhados, desculpam-se por precisar fazer isso. Triste e preocupante.

Cultura Econômica, Mercados Financeiros, Política, Política Fiscal, Política Monetária

Política Econômica e Consistência Macroeconômica

 

O que se espera da atuação dos bancos centrais na gestão da política monetária nas modernas economias de mercado? 

Vale iniciar nosso argumento lembrando uma regra básica em política econômica: para se alcançarem vários objetivos independentes deve haver pelo menos igual número de instrumentos de política também mutuamente independentes. Estes instrumentos devem, adicionalmente, ser efetivos, no sentido de realmente influenciar as variáveis-alvo no grau necessário, sendo que cada instrumento deve ser direcionado para o alvo sobre o qual exerce maior influência relativa, seguindo o “princípio da classificação efetiva de mercados”. Uma regra conhecida há muito tempo, desde o início da década de cinqüenta do século passado, e reforçada pelos trabalhos de Robert Mundell, ganhador do Nobel de 1999 por seus trabalhos em economia monetária e internacional, nos idos dos sessenta – porém muitas vezes ignorada na gestão da política econômica nos períodos recentes.

A partir dessa consideração, nossa resposta começa a ser apontada e ela deve considerar, então, para qual objetivo de política econômica a política monetária é efetiva, naquele sentido. Sabe-se que estabilidade em economia aberta implica equilíbrio interno (crescimento econômico e estabilidade do nível geral de preços) e externo (equilíbrio do balanço de pagamentos). O papel dos governos e sua atuação por meio da definição de regimes e objetivos de política econômica e da gestão dos instrumentos disponíveis para atingir esses objetivos devem contribuir para a estabilidade econômica seja alcançada e mantida.

Definindo objetivos

Os objetivos da política econômica não são definidos pelos economistas, acadêmicos ou práticos, nem pelos burocratas, tampouco pelos gestores da política econômica – no caso da política monetária, presidente, diretores e técnicos dos bancos centrais. A definição desses objetivos faz parte de um contexto mais amplo de escolhas sociais, políticas e econômicas, e, para o bem ou para mal, não tem outro fórum de decisão que não o político, ao menos em sociedades democráticas.

Não por acaso, os agentes econômicos, em geral, e os dos mercados financeiros, em particular por serem mercados de ações e reações quase imediatas, buscam o máximo de informações possível para comporem um quadro de expectativas quanto a possíveis mudanças de regimes monetários, cambiais e fiscais em períodos pré-eleitorais. Basta lembrar a nossa história recente, nas eleições de 2002. Os regimes nada mais são que as regras, institucionalizadas por lei ou pela prática, de atuação do governo frente aos agentes privados e dependem fundamentalmente das escolhas realizadas na esfera política. Nada impede que um novo governante mude o regime monetário e passe a agir, por exemplo, discricionariamente, de maneira imprevisível e possivelmente não pautada pela racionalidade econômica.

Por outro lado, usando do conhecimento dessa mesma racionalidade, os agentes econômicos (os mercados, como gostam de chamar alguns analistas) sabem que deve haver uma adequação entre os regimes monetário, cambial e fiscal para que a conjuntura macroeconômica seja considerada estável, consistente.

Consistência Macroeconômica – um exemplo simples.

A escolha por um regime de câmbio fixo como âncora nominal para os preços da economia prejudica a eficácia da política monetária para o controle da taxa de juros doméstica, o que é tanto mais verdade quanto mais elevada for a mobilidade de capital. Um raciocínio simples ilustra o fato: suponha que um dado nível de taxa de juros mais baixo que o verificado seja almejado pelo banco central (seguindo os objetivos econômicos traçados politicamente), que providenciaria uma expansão da oferta de moeda doméstica comprando títulos públicos em poder dos agentes privados (ou, alternativamente, diminuindo os depósitos compulsórios, o que traria uma alteração na seqüência do raciocínio sem alterar qualitativamente as conclusões). De forma sintética, essa decisão aumentaria a demanda por títulos públicos, elevando seus preços e, simultaneamente,  reduzindo as suas taxas de retorno. As taxas de retorno dos títulos públicos de curto prazo são a taxa básica de juros de uma economia, no caso da economia brasileira, a taxa Selic. Porém, uma taxa de juros doméstica menor,  em ambiente de alta mobilidade de capitais, desestimula os investidores a aplicarem seus capitais no mercado financeiro doméstico e a procurarem mercados mais rentáveis para um mesmo nível de risco.

Esse movimento repercute na formação da taxa de câmbio, provocando excesso de demanda por moeda estrangeira (dólar, em geral) e pressionando a taxa nominal de câmbio (o preço de uma unidade de moeda estrangeira) para cima. Porém, o regime em que o país opera é, por hipótese inicial, de câmbio fixo, o que implica que o banco central deve ofertar moeda estrangeira no mercado cambial, para manter a taxa à paridade pré-determinada por ele próprio, utilizando-se de suas reservas cambais. Ao ofertar moeda estrangeira, o banco central contrai a expansão monetária inicialmente almejada pela atuação da política monetária até que cessem as pressões sobre a taxa de câmbio, o que, com perfeita mobilidade de capitais, consiste em re-estabelecimento do nível da taxa de juros doméstica inicial.

Há que se apontar, também, a necessária combinação de um regime fiscal bem definido e sustentável intertemporalmente para que não haja mais uma fonte de geração de instabilidade macroeconômica – afinal, quanto mais a situação fiscal se caracterize por necessidade de financiamento do setor público (superávit primário insuficiente para pagamento dos juros sobre o estoque passado da dívida) financiada por títulos de curto prazo e indexados à taxa básica de juros (o chamado perfil da dívida mobiliária interna), mais as condições de realização de política monetária estarão condicionadas às necessidades fiscais de disputar financiamento nos mercados financeiros com os investimentos privados (dominância fiscal).

O exemplo anterior ilustrou o tipo de raciocínio lógico que, sendo de conhecimento comum a analistas, economistas, e agentes econômicos afetados mais imediatamente pelas decisões de política econômica, faz com que situações como a mudança de regime cambial que ocorreu em janeiro de 1999 no Brasil não sejam surpresas, uma vez que reconhecidamente insustentáveis.

PS. Este texto foi parte de um artigo publicado no Boletim FIPE.

Econometria, Ensinando Economia, Experiências no pós-doc

Observar, observar e observar.

 

Esses são os três mandamentos do bom econometrista. Sempre que dou aulas de econometria (mas não só) faço questão de usar essa brincadeira para que os estudantes aprendam que é preciso observar os dados, analisar gráficos e estatísticas básicas (sim, é por isso também que você estuda medidas de posição, de variação e de associação no seu primeiro curso de estatística) antes de sair apertando botões de poderosos softwares econométricos.

Pergunto aos alunos “Qual o primeiro mandamento do bom econometrista?”. Faz-se o silêncio… Eu respondo “OBSERVAR”. Pergunto em seguida, “E o segundo?” – alguns arriscam piadinhas típicas “torturar ou martelar os dados, para que eles digam o que você quer saber”. Eu aproveito a piadinha para informá-los que, além de péssima econometria, isso é ou ignorância ou má fé, ou ambas. Respondo, com bom-humor: “OBSERVAR!”. E, então obtenho de todos a resposta correta para o terceiro mandamento: “OBSERVAR!”.

E por que isso? Porque a tentação de sair apertando botão é grande, formular e estimar complexos modelos dinâmicos com restrições de curto e/ou longo prazos, e obter resultados em segundos! Que maravilha!! Dá uma sensação de poder e de conhecimento… Mas, como eu também costumo dizer, com softwares as coisas funcionam assim: entram dados errados ou sem sentido, saem resultados incorretos e sem sentido, por mais que os testes estatísticos possam mostrar resultados significantes.

Quantas vezes já recebi estudantes de mestrado em minha sala pedindo ajuda para analisar resultados de testes que eram completamente inesperados ou inconsistentes com os fatos estilizados? Várias. Em muitos dos casos, os problemas estavam na base de dados… problemas que teriam sido evitados se o estudante tivesse OBSERVADO seu próprio banco de dados. Outras vezes, os famigerados testes de tendência e de especificação de modelos multivariados, gerando resultados estapafúrdios, por que? Porque o aprendiz propõem especificações, às vezes, opostas àquelas que a simples observação de gráficos temporais e de dispersão entre as variáveis parecem indicar. Em se tratando de séries temporais principalmente, OBSERVAR é um requisito fundamental para não fazer besteira ou achar que está redescobrindo a roda.

Este tema me ocorreu porque, assistindo a apresentações de trabalhos em andamento dos estudantes de PhD aqui de Columbia, eu me dei conta de que o problema é comum aqui também (então, meus queridos alunos, vocês não estão sós!). Para ilustrar, descrevo um caso: o estudante leu um artigo que mostrava evidências empíricas de efeitos diferentes da política monetária sobre o emprego de trabalhadores qualificados e não qualificados na Turquia, por traz desses efeitos estudados há uma literatura de economia do trabalho. Então, ele, se achando o “golden boy”, propõe construir uma ponte para interligar a teoria de economia monetária e a de trabalho… Ok, pode ser realmente que essa evidência da Turquia seja comum a outros países… mas pode ser que seja associada às características específicas do mercado de trabalho daquela economia… O que se esperaria, antes de mais nada, seria uma análise básica, simples, da relação entre política monetária e o emprego (ou desemprego) de trabalhadores qualificados e não-qualificados para um conjunto de países, ou pelo menos para os EUA, economia que o estudante pretendia analisar. E esta foi, de fato, a primeira pergunta que os professores da casa fizeram ao sujeito: “mas… cadê os dados ilustrando a possibilidade de ocorrência desses efeitos?? Mostre ao menos um diagrama de dispersão para motivar a discussão.” Pasmem: o estudante não tinha o banco de dados com desagregação por qualificação. Ainda assim, fez um monte de conjecturas teóricas e estimou um modelo multivariado pros EUA com os dados tradicionais de emprego agregado, completamente inútil para os seus próprios propósitos… Impressionante.

Depois que os três primeiros mandamentos estiverem bastante bem compreendidos e praticados, os três seguintes são, claro, TESTAR, TESTAR e TESTAR, como já recomendava explicitamente David Hendry em 1980. Mas isso fica para um próximo post.


Experiências no pós-doc

Japão – Evento com Especialistas de Columbia

 

Tenho acompanhado atentamente as notícias e as análises de especialistas sobre o terremoto que atingiu a costa nordeste do Japão, no dia 11 de março. Além dos meus mais profundos sentimentos pelas perdas humanas, não tenho nenhuma contribuição essencial para o tema; não sou especialista em economia japonesa, apenas admiradora da cultura e da história desse povo heróico e resiliente.

Exatamente por isso procurei aprender mais um pouco ouvindo especialistas da Universidade de Columbia, num evento realizado ontem, dia 22 de Março, intitulado “The Economic, Health, and Political Consequences of Japan’s Earthquake”, e vou reportar aqui os pontos que considerei mais interessantes da fala de cada um dos especialistas, claro que sob meu próprio filtro.

O primeiro a falar foi Professor Brenner, especialista em efeitos da radiação sobre a saúde, que começou explicando como funciona uma usina nuclear e como pode haver vazamento de material tóxico em casos como o do Japão. Primeiro, os reatores desligam automaticamente na ocorrência de um terremoto, e como houve falta de energia, a refrigeração necessária mesmo com os reatores desligados não ocorreu, levando à necessidade de liberação de vapores radioativos como medidas emergenciais, evitando uma catástrofe nuclear. A contaminação tem sido mínima, e segundo esse especialista, não deve causar dano algum à população da região no curto prazo. O problema está no acúmulo do material radioativo (I-131 e Cs-137, principalmente) no ambiente no médio e longo prazo, o que requer um programa de acompanhamento da população, da produção agropecuária e da cadeia alimentar como um todo. Isso porque o I-131 tem meia-vida física de 8 dias e o Cs-137, de 30 anos. Ou seja, a cada 30 anos metade da quantidade do elemento se desintegra, no caso do Cs-137. Já a meia-vida biológica (considerando os efeitos desses elementos sobre os seres vivos) é se 3 meses para o I-131 e de 70 anos para o Cs-137.  Professor Brenner também apresentou uma interessante tabela em que  mostrou os principais caminhos de exposição das pessoas a tais elementos radioativos: 55% bebendo leite e 15% por meio do consumo de outros tipos de alimentos, produzidos na região atingida; 15% por inalação e 15% por exposição direta. Assim, as medidas imediatas são evacuação e proibição do consumo de produtos, leite principalmente, da região. Quantos aos efeitos sobre a saúde de uma baixa dose de exposição (a qual ainda não foi alcançada no caso japonês), citou um pequeno aumento no risco de desenvolver câncer no longo prazo: esse risco ao longo da vida “normal” é de 44%, com a exposição a doses baixas, aumentaria para 44,3%. Ele também chamou a atenção para a possibilidade de ocorrência de psico-sintoma, numa escala mais geral, como foi verificado no episódio de contaminação por Cs-137 em Goiânia em 1987, em que diversas pessoas que não estavam de fato contaminadas foram atendidas em hospitais com queixas de sintomas de contaminação, o que também requer atenção das autoridades de saúde japonesas.

Quanto as consequencias econômicas, Professor Weinstein começou sua exposição alertando para o fato de que a atividade econômica japonesa está intimamente ligada a geografia física, mostrando mapas som fotos de satélite que permitiam identificar as áreas mais populosas e de maior importância econômica nas regiões mais planas fisicamente. A principal área atingida pelos terremoto e tsunami não são de relevância econômica, também por isso acredita que as consequências econômicas não serão severas. Agregou a esse argumento, outro que explica porque não deve haver grande efeito de propagação de uma crise: a utilização da capacidade instalada (máquinas, equipamentos, infraestrutura) estava relativamente baixa antes da ocorrência do terremoto, era de 82%. Ou seja, o Japão não perdeu capacidade instalada significantemente, uma vez que as principais perdas materiais são de bens de consumo duráveis (casas, carros, edifícios comerciais, etc), e terá, agora uma elevação de demanda desses bens que poderão ser produzidos ao longo do tempo sem grandes pressões do lado da oferta. Ele acredita que em 1 ou 2 anos a economia japonesa está restabelecida e com a possibilidade de se mostrar mais dinâmica que anteriormente, devido ao choque de demanda atual. Mesmo em relação ao insumo energético, que poderia ser uma restrição de oferta, Professor Weinstein não vê grandes problemas, lembrando que o sistema energético japonês tem uma diferenciação de voltagem entre o leste e o oeste, que impediria que a energia gerada no oeste fosse transferida para o oeste, mas mesmo assim, os principais centros econômicos não sofreriam escassez de energia no médio prazo, dentro das circunstâncias atuais. O ponto que talvez seja o mais sensível é a sustentabilidade fiscal do governo japonês, que já acumula uma dívida líquida de 114% do seu PIB, mas a estimativa de impacto dos gastos japoneses com a recuperação econômica é de 2 pontos percentuais, o que, segundo ele, não causaria grandes efeitos sobre a sustentabilidade fiscal ao longo do tempo.

Professor Curtis tratou das questões políticas, chamando a atenção para o fato de que o governo japonês têm respondido a esse episódio de forma mais aberta, honesta e afável, inclusive aceitando ajuda internacional, como em nenhum outro momento. Ressaltou a forma como especialistas, comentaristas, cientistas e jornalistas têm falado ao público, de maneira serena, exatamente o que sabem no momento, na cobertura da NHK que ele tem acompanhado. A pergunta para a qual ele não tem resposta é: “Os políticos irão elevar o nível do debate político e aproveitar a energia para reconstruir e crescer que o povo japonês possui?”. Segundo Professor Curtis, os japoneses não necessitam de líderes carismáticos para aglutinar a sociedade em torno de um objetivo, eles não estão em pânico, nem com raiva da natureza ou do governo, eles só precisam de gerenciamento administrativo.

 

Espero ter contribuído de alguma forma, compartilhando um pouco do que aprendi com vocês!

Speakers:

David J. Brenner

Higgins Professor of Radiation Biophysics, College of Physicians & Surgeons of Columbia University; Director of the Center for Radiological Research (CRR); Director of the Columbia University Radiological Research Accelerator Facility (RARAF)

Prof. Brenner is an expert in the field of identifying the effects of low doses of radiation relating to medical, occupational, and environmental exposures, and winner of the the 1992 National Council on Radiation Protection and Measurements Award for Radiation Protection in Medicine.

Gerald L. Curtis

Burgess Professor of Political Science; Director, Toyota Research Program, Weatherhead East Asian Institute, Columbia University

Prof. Curtis has published extensively on Japanese politics and serves as a columnist for numerous Japanese and US news publications. He was awarded the Order of the Rising Sun, Gold and Silver Star by the Emperor of Japan, one of the highest honors bestowed by the Japanese government.

 

David E. Weinstein

Carl S. Shoup Professor of the Japanese Economy; Associate Director for Research, Center on Japanese Economy and Business, Columbia Business School; Executive Director, Program for Economic Research, Columbia University

Prof. Weinstein has written extensively on the economic impact of catastrophic events in Japan as well as on trade, macro, and financial economics. Prof. Weinstein is the winner of numerous grants and awards and has served as an advisor to the Japanese Cabinet Office and to the Federal Reserve Bank.

 

Curtis J. Milhaupt (Moderator)

Fuyo Professor of Japanese Law; Parker Professor of Comparative Corporate Law; Vice Dean, Columbia Law School

Prof. Milhaupt is an expert on the Japanese legal system, and has published widely in the fields of corporate governance and law and economic development.


Econometria, Mercados Financeiros

Interligação e contágio entre bolsas de valores

 

Tenho desenvolvido uma pesquisa sobre esse assunto, que ficou na gaveta esperando os efeitos das crises de 2007/2008 aparecerem devidamente nas séries temporais de índices de liquidez das bolsas de valores de quase 30 países. Quem trabalha com evidências empíricas entende o que digo: choques aleatórios ou quebras estruturais são eventos imprevisíveis (isso mesmo!) e tê-los no início ou no final de um período amostral é tudo o que um econometrista não precisa!

Pois bem, retomei o tema e atualizei, com a ajuda de um ex-aluno, o banco de dados e o trabalho entrou na lista dos que pretendo finalizar neste ano. Basicamente, a pergunta fundamental que busco responder é se há oportunidades de arbitragem de longo prazo entre os países estudados, ou, ao menos, entre grupos de países de classe de risco diferentes.

A interligação entre mercados financeiros internacionais, principalmente a partir dos anos noventa, tem sido tema recorrente de trabalhos teóricos e empíricos. As possibilidades de diversificação do risco, associadas à maior mobilidade e flexibilidade do movimento de capitais internacionais, levam à hipótese de que os mercados acionários domésticos já estejam apresentando uma significativa associação de longo prazo e de que a interdependência de curto prazo, que se revela nas relações dinâmicas entre esses mercados, também possa ser significativa e, assim, forneça informações importantes para a tomada de decisão por parte do investidor internacional, uma vez que podem implicar em previsibilidade e potencializar ações de estratégia de transação e hedge.

Há várias metodologias para avaliar essa questão, e é importante também distinguir  contágio e interligação.

Forbes e Rigobon (1999 e 2000)* discutem a literatura sobre contágio, mostrando que não há consenso sobre o que exatamente constitui o contágio ou como ele deveria ser definido. Os mesmos autores apontam que uma definição preferida do termo tem sido: “propagação de choques em excesso ao que poderia ser explicado pelos fundamentos”. Utilizando o exemplo dos impactos da crise russa sobre o mercado de ações brasileiro em 1998, contrargumentam que esses países não possuíam, então, quaisquer ligações comerciais fortes, ou competiam nos mesmos mercados, e tinham apenas poucas ligações financeiras diretas de tal forma que dificilmente se poderiam caracterizar ligações entre os fundamentos desses países, a não ser pelo aspecto fiscal e de endividamento semelhante. Os autores em questão enfatizam, ainda, que um problema de ordem prática (como medir?) também está associado à definição de contágio baseada em fundamentos econômicos.

Os mesmos autores sintetizam três metodologias clássicas para testar o contágio ou a interligação entre mercados acionários: correlação entre os retornos; análise de cointegração e modelos de volatilidade.

Minha pesquisa utiliza a metodologia de cointegração multivariada e caminha para a aplicação também de modelos multivariados de volatilidade. Espero em breve reportar alguns resultados aqui! Aguardem!

 

* FORBES, K.; RIGOBON, R. No Contagion, only Interdependency: Measuring Stock Market Co-movements. NBER Working Paper 7267, 1999.

FORBES, K.; RIGOBON, R. Contagion in Latin America: Definitions, measurement, and policy implications. NBER Working Paper 7885, 2000.

 

Ensinando Economia

Mais alternativas ao “cuspe e giz”

 

Publicamos uma resenha bibliográfica* com o intuito de chamar a atenção para a importância das discussões sobre didática no ensino de economia, e aproveito, novamente, para trazer o tema aqui, reproduzindo o início dela e indicando a referência completa:

O objetivo geral do livro é facilitar o trabalho de economistas acadêmicos que querem encontrar novas maneiras de ensinar economia. Para tanto, apresenta e discute técnicas didáticas alternativas ao método tradicional de ensino, popularmente conhecido como “cuspe e giz”, que propiciem uma maior eficiência no processo de ensino-aprendizagem, engajando os estudantes de maneira efetiva. No prefácio da obra, os editores, William Becker, Professor de Economia da Universidade de Indiana e editor do Journal of Economic Education, Michael Watts, Professor de Economia do Centro para Educação Econômica, da Universidade de Purdue e Editor Associado do Journal of Economic Education, e Suzzane Becker, Editora Assistente do Journal of Economic Education, afirmam que os livros sobre ensino de economia estão na moda e que eles (W. Becker e M. Watts) anteciparam esta tendência ao publicarem em 1998, pela mesma editora, o primeiro volume do atual trabalho, esclarecendo que o volume de que trata esta resenha não é uma nova edição do anterior, mas, sim, um sequência, por trazer extensões e novos colaboradores, assim como uma atualização de tópicos tratados anteriormente, mas agora escritos por outros autores, dentre os quais Avinash Dixit, Willian Greene e Peter Kennedy.

O livro é composto por onze capítulos que tratam explicitamente do uso de novas técnicas didáticas, principalmente voltadas para introduzir os princípios básicos de economia seja para carreiras outras, seja para os primeiros cursos da formação do economista. Uma ênfase bastante grande é dada à aplicação de jogos que, além de ser o foco explícito do terceiro capítulo, também aparece no capítulo primeiro dedicado ao ensino de teoria dos jogos, bem como no quinto capítulo, que trata de técnicas de aprendizado ativo. O quê e como ensinar princípios de macroeconomia moderna com rigor de pensamento, mas dispensando o aparato algébrico e gráfico, é a discussão apresentada no capítulo sexto. O estudo de métodos quantitativos pode ser motivado por meio dos trabalhos dos laureados com Prêmio Nobel de economia, e o décimo capítulo trata deste tema. O livro se encerra com um capítulo sobre métodos de avaliação do aprendizado, que, afinal, também fazem parte da metodologia didática adotada pelo professor. Destacamos como pontos fortes da obra as referências bibliográficas específicas para cada capítulo e a praticidade da lista de dicas, denominada “do´s and don´ts” que trazem indicações importantes e iluminam o caminho dos que se aventurarem a inovar aplicando algumas das técnicas propostas no livro. A exposição das experiências didáticas de diversos autores é, ao mesmo tempo, interessante, mas implica sobreposição parcial de conteúdo em alguns capítulos, o que torna a leitura menos produtiva e pode ser apontada como um ponto fraco da obra.”

 

* Silva, R.; Batista-Ferreira, N.N. “Resenha Bibliográfica: BECKER, William E.; WATTS, Michael; BECKER, Suzzane R. (Ed.). Teaching Economics: more alternatives to chalk and talk. Cheltenham-UK: Edward Elgar Publishing Limited, 2006. 225 p.¨ Estudos Econômicos, v. 40, n. 4, P. 967-973, outubro-dezembro 2010.


Mercados Financeiros, Política Monetária

Medidas macroprudenciais e política monetária

 

Primeiro, vamos começar esclarecendo de que trata o tema deste post. Como os comunicados do Banco Central do Brasil (BCB) passaram recentemente a enfatizar medidas dessa natureza, dá a impressão de ser alguma inovação no campo da política monetária. Mas não é. Medidas ou ações macroprudenciais surgiram na literatura de regulação e supervisão bancária, na década de setenta e, não sem razão, tais termos ganharam importância nas discussões pós-crise de 2007-2008.

E por quê? Porque tratam exatamente de medidas para diminuir o risco sistêmico do setor bancário. Esse risco tem duas principais fontes: a primeira é a tendência a sobre-exposição a riscos que as instituições financeiras (assim como as empresas e os consumidores) apresentam no auge de um ciclo de crédito, seguida de uma excessiva aversão ao risco na fase de desaceleração (o que pode estar associado à crença de que uma instituição é muito importante para falir…); a outra importante fonte é o fato de que os bancos, individualmente, são incapazes de lidar com os efeitos de suas ações arriscadas sobre o sistema financeiro como um todo. As medidas macroprudenciais devem lidar com essas duas fontes de risco, por exemplo, elevando as exigências de requerimento de capital para operações de risco, como fez o nosso BCB no início do mês corrente, e, principalmente, centrado o foco na supervisão.

A literatura e a prática da política monetária tem resgatado esse tipo de medida em busca de  maior estabilidade e resiliência para o sistema financeiro, também chamando a atenção para os limites de tais medidas, que não podem, por si, fazer o ajuste fino do ciclo macroeconômico. Necessários também são: a operação dos instrumentos de política monetária, respondendo simetricamente às fases dos ciclos financeiros e de negócios; a política fiscal sustentável; assim como, de maneira vital, a cooperação internacional, sem a qual as ações de países individuais podem ser insignificantes no atual estágio de integração financeira mundial.

Como alerta, dada a recente ênfase da mídia sobre o tema e também sobre o discurso do futuro presidente do BCB, aproveito para destacar que medidas macroprudenciais não são a mesma coisa que operar instrumentos tradicionais de política monetária, como o depósito compulsório! Fazer política monetária por meio de depósito compulsório é apenas uma forma mais demorada e incerta (portanto, mais ineficiente) de alterar a taxa de juros, não se iludam com discursos enganosos que começam a exaltar “a libertação do BCB dos grilhões dos mercados financeiros”. Pura bobagem. Mas posso falar sobre isso num próximo post!

 


Economia, Mercados Financeiros

Proteção contra risco de mercado: contratos futuros

 

Nos mercados de derivativos são negociados instrumentos financeiros que são derivados ou dependentes do valor de outro ativo, como o próprio nome já diz. Os mercados de derivativos são caracterizados pela negociação a futuro: comprar ou vender um derivativo significa comprar ou vender o ativo base (ou subjacente) no futuro, a um preço e tempo predeterminados. O ativo base pode ser uma commodity (como o açúcar) uma ação, um título público, um índice de ações, o câmbio, dentre outros. Os segmentos que compõem os mercados de derivativos são: Contratos Futuros, Contratos a Termo, Opções e Swaps.

Estes mercados têm se desenvolvido muito nas últimas décadas e, para além de seu potencial para causar ou amplificar crises financeiras, como a última Grande Contração de 2007-2008, não se pode ignorar seu importante papel no gerenciamento dos riscos das atividades econômicas.

Um dos riscos aos quais as atividades do setor sucroalcooleiro (não só, mas como aqui tem cana para todo lado, resolvi usar esse exemplo) estariam sujeitas é o risco de mercado. Este tipo de risco provém das flutuações entre o preço de venda à vista e o de entrega futura da mercadoria que, quando negativas, afetam a liquidez e mesmo a solvência da empresa a médio e longo prazos.

Travar o preço futuro de venda do produto pode, então, evitar a sujeição de toda uma rede de estratégias e decisões de produção, desde o plantio até a colheita, moagem e processamento do açúcar e do álcool, aos caprichos da oferta e demanda do mercado à vista. O mercado futuro, em que são negociados os contratos futuros, oferece essa possibilidade de proteção (ou hedge).

No Brasil, os contratos futuros de açúcar  (e o mais recente mercado futuro de etanol) são negociados e garantidos pela Bolsa de Mercadorias & Futuros, a BM&F, hoje BM&FBovespa. Internacionalmente, contratos futuros de açúcar são negociados nas Bolsas de Nova Iorque (New York Board of Trade – NYBOT) e em Londres (London International Financial Futures and Options Exchange – LIFFE)

Nestes contratos, uma parte concorda em fornecer o ativo-base (o açúcar, neste exemplo), em alguma época no futuro, em troca do acordo da outra parte em pagar o preço combinado (preço de exercício) na ocasião do fornecimento (vencimento). O primeiro indivíduo assume a posição vendida no futuro, e o último, a posição comprada. Este instrumento pode ser utilizado como hedge, uma vez que alterações de preço do ativo após a realização do acordo geram ganhos para uma parte e perdas para a outra (tecnicamente, as chamadas de margem).

Preço futuro, a vista e volume de negócios – um exemplo

Os contratos futuros da BM&FBovespa são para o açúcar cristal especial, cotados em dólar por saca de 50 quilos líquidos e possuem cinco vencimentos no sexto dia útil de cada mês: fevereiro, abril, julho, setembro e novembro.

Como exemplo, o gráfico acima reporta o contrato futuro vencido em 08/02/2007. O ciclo de negócios se intensifica no mês de vencimento do contrato imediatamente anterior (novembro), e os preços negociados antecipam as tendências e oscilações do mercado a vista, convergindo para o preço a vista tanto mais a data de negociação se aproxima daquela de vencimento do contrato.

Como se dá essa convergência entre preços futuro e à vista depende do grau de eficiência do mercado futuro relativamente ao mercado à vista. Trataremos disso no próximo post!


Cultura Econômica, Econometria, Economia, Política Monetária

Macroeconomia Moderna – convergência metodológica

 

A propósito do tema trazido hoje por jornal de grande circulação e reportado em portais e blogs, em artigo do Professor Delfim Netto sobre a macroeconomia moderna, acredito que posso dar alguma contribuição: meu projeto de pos-doutoramento, a ser desenvolvido no próximo ano (se tudo continuar caminhando bem!), trata exatamente do tema.

Recentemente, proeminentes pesquisadores da área de macroeconomia têm debatido o tema de que tenhamos um novo consenso em relação à análise de flutuações econômicas e aos impactos da política econômica sobre tais flutuações, política monetária, principalmente. Muitos macroeconomistas atualmente concordam com a existência de uma convergência nos seguintes aspectos: os efeitos da política monetária sobre a demanda agregada sob diversos tipos de rigidez nominal produz flutuações do produto no curto prazo; a crença de que haja ondas de progresso tecnológico que determinam o produto no médio e no longo prazos (efeitos dos choques tecnológicos, captados por meio dos modelos de crescimento econômico);  e a crença de que percepções sobre o futuro afetam a demanda agregada hoje. Os modelos novo-keynesianos sintetizam essa convergência de visão.

Do ponto de vista metodológico, Spanos* apresenta os caminhos dos desenvolvimentos recentes: um que enfatiza o uso dos dados e a análise da dinâmica das flutuações econômicas por meio dos efeitos de choques estruturais, buscando coerência empírica; e outro que privilegia a fundamentação teórica, por meio de modelos idealizados simples, que capturam as características-chave de fenômenos econômicos de interesse, usados para a análise de políticas econômicas alternativas e efeitos sobre o bem-estar.

O enfoque que busca coerência empírica está associado aos desenvolvimentos da metodologia “geral-para-específico” em Autorregressão Vetorial Cointegrada (Cointegrated Vector Autoregression, CVAR), principalmente desenvolvida na Europa, com raízes na London School of Economics, e pode ser compreendida como uma busca por equilíbrio entre a teoria e os dados, evitando os extremos. A segunda, identificada como sendo a perspectiva dos Estados Unidos, pode ser bem descrita, ainda segundo SPANOS (2009), como o ponto de vista da preeminência da teoria (Pre-Eminence of Theory, PET) e tem se consolidado nos modelos de equilíbrio geral estocásticos dinâmicos (Dynamic Stochastic General Equilibrium, DSGE) – que têm como objeto principal explicar fenômenos econômicos agregados, baseando-se em uma estrutura microfundamentada a partir de processos de otimização do comportamento dos agentes (firmas, famílias e governo) sujeitos a restrições orçamentária e tecnológica, expectativas racionais e especificações de imperfeições de mercado.

Apenas para dar o tom da minha perspectiva sobre o tema, concluo: restam muitas questões em aberto e que necessitam ser exploradas, tanto em relação à adequação de modelos teóricos do tipo DSGE às características próprias de economias emergentes, quanto à aderência empírica de tais modelos – que, afinal, se não nos ajudam a compreender as regularidades observadas, podem ser um meio pouco útil de análise de política econômica, e monetária especificamente.

 

* Spanos, A “The Pre-Eminence of Theory versus the European CVAR Perspective in Macroeconometric Modeling”. Economics: The Open-Access, Open-Assessment E-Journal, Vol. 3, 2009.


Econometria, Economia, Política Fiscal

Ainda o tema da sustentabilidade fiscal

 

Num artigo acadêmico a ser publicado em breve, em co-autoria com um colega, avaliamos a sustentabilidade da política fiscal brasileira, utilizando uma restrição orçamentária intertemporal para o setor público, que significa que a cointegração entre gasto fiscal e arrecadação fiscal é uma condição suficiente para um comportamento sustentável, dada a estacionariedade da taxa real de juros. Utilizamos séries temporais longas e que incluem períodos mais recentes que estudos anteriores (julho de 1986 a dezembro de 2006), o que permite avaliar os efeitos dos ajustes fiscais realizados principalmente a partir de 1998, bem como o comportamento mais recente de elevação dos gastos públicos.

A sustentabilidade intertemporal da política fiscal, ou do endividamento público, é fundamental para a estabilidade macroeconômica e, dessa forma, o tema é recorrente e requer reavaliações empíricas ao longo do tempo.

O trabalho referido oferece evidências de que as séries de gasto total e arrecadação total cointegram, o que implica que a política fiscal brasileira foi sustentável durante o período compreendido entre julho de 1986 e dezembro de 2006, com avaliação de possíveis quebras estruturais inclusive. Em outras palavras, durante esse período, o governo brasileiro obedeceu a uma restrição orçamentária intertemporal, igualando o estoque da dívida pública existente ao valor presente dos superávits futuros esperados.

Esse resultado confirma a grande maioria da evidência empírica disponível para o caso brasileiro. Mais importante, resgata-se a relevância da senhoriagem como fonte adicional de receita para o atendimento da restrição orçamentária intertemporal do governo. De fato, mostramos que, no caso do modelo empírico que não inclui a senhoriagem como fonte de arrecadação, durante o período analisado, a cointegração entre receitas e despesas públicas existe, porém os parâmetros do vetor de cointegração não atendem às condições de sustentabilidade fraca ou forte. Isto significa, especificamente, que a senhoriagem é fonte de receita essencial para a o alcance da sustentabilidade no período.

Tal resultado poderia ser um reflexo do comportamento recente, após 2002, de crescentes gastos públicos e evidencia que, do ponto de vista intertemporal, os recentes esforços de estabilização fiscal ainda não são suficientes para que se reconheça, por meio dos dados fiscais, um comportamento sustentável no longo prazo por parte do governo brasileiro.

Em síntese, reafirmam-se os resultados dos trabalhos realizados anteriormente, para o caso brasileiro, que não utilizaram observações posteriores a 2000, ano em que foi promulgada a Lei de Responsabilidade Fiscal e foi assinado o último contrato de reestruturação de dívida estadual. Portanto, não é estranho concluir que a senhoriagem, durante grande parte do período anterior a 2000, fazia o papel do ajuste fiscal ao garantir o cumprimento da restrição orçamentária intertemporal do governo brasileiro.

Sim, esse ainda é um ponto frágil da estabilidade macroeconômica brasileira, que mereceria destaque no debate entre os candidatos desse segundo turno.