Ensinando Economia, Nível de atividade

G-K: Crescimento da produtividade e desemprego no curto prazo

Na teoria ecônomica, o modelo de Solow é um modelo do crescimento econômico no longo prazo que depende da força de trabalho (N), estoque de capital (K) e da produtividade do trabalho (A). Assim, temos o modelo de Solow como:

Y = f(K,NA)

Como o que nos interessa nessa discussão é o progresso da tecnologia (A) e não o estoque de capital (K), podemos simplificar o modelo para:

Y = NA

Assim, o produto é resultado apenas da força de trabalho (N) e cada trabalhador produz A unidades de produto. Aumentos em A representam progresso tecnológico.

Então, para analisar mudanças do progresso tecnológico na taxa de desemprego podemos reescrever o modelo de Solow como:

N=Y/A;  e sabemos que a taxa de desemprego (U) é igual a U = 1-N

Assim, observamos que há uma relação empírica positiva entre o progresso tecnológico, ou seja, um aumento da produtividade e a taxa de desemprego no curto prazo, pois quando há um aumento na produtividade (A) menos trabalhadores são necessários para produzir dado nível de produto. Com a queda no nível de emprego, seria razoável esperar uma queda no nível de demanda agregada e do nível de produto, mas na realidade não podemos fazer tal afirmação, já que o aumento na produtividade poderia vir investimentos massivos na economia, aumentando a demanda agregada ou pela implementação de novas tecnologias mais sofisticadas, diminuindo a demanda agregada.

O que a evidência empírica nos diz?

Analisando o gráfico acima  podemos perceber uma forte relação positiva entre a variação da produtividade no trabalho e o crescimento econômico. Além disso, os movimentos no crescimento econômico são maiores do que aumentos na produtividade.

A mudança na produtividade antecede a mudança no nível de emprego

Produtividade e Taxa Natural de Desemprego (Un)

De acordo com a teoria econômica, a taxa natural de desemprego é determinada pelo equilíbrio de duas relações: a de fixação de preços e a fixação de salários.

Para entender como a produtividade afeta o desemprego, e necessário portanto investigar o efeito de suas variações sobre essas relações.

Consideremos primero a fixação de preços:

Da equação Y=NA, depreende-se que cada trabalhador produz A unidades de produto. Se o salário nominal de produção for igual a W, o custo nominal de produção de uma unidade do produto será igual à (1/u) W = W/A. Considerando que as empresas fixam seus preços à uma determinada taxa ( 1+u), a equação de fixação de preços é dada por:

A fixação de salários por sua vez pode ser descrita como uma função do nível esperado de produtividade, do nível de preços esperado, do desemprego e de fatores institucionais.

Unindo as duas equações, chegamos ao salario real

W/P= A/(1+u)

Vê-se, por essa equação, que há uma relação diretamente proporcional entre produtividade e o salário real pago pelas empresas: quanto maior o nível de produtividade, menor o preço fixado pelas empresas dado o salário nominal e, portanto, maior o salário real.

Sob a condição que de que as expectativas estão corretas temos: Pe = P e Ae = A

De acordo com o gráfico, um aumento da produtividade desloca as curvas de fixação de salário e de fixação de preços na mesma proporção e, portanto, não exerce nenhum efeito sobre a taxa natural de desemprego.

É válido ressaltar que a evidência empírica mostra que muitas vezes esse equilíbrio se dá de uma maneira diferente. As empresas, por  terem mais informação sobre o processo produtivo do que os trabalhadores, compensam a economia do aumento da produtividade com um aumento da taxa de markup, para que seu lucro fique maior. Esse descompasso entre a percepção de um aumento de produtividade pelos dois agentes da economia resulta em um deslocamento da curva de fixação de preços pra cima, enquanto a curva de fixação de salários se mantém parada.

Referências:

https://ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/livros/livros/livro_produtividade_no_brasil

Macroeconomics – Oliver Blanchard

Grupo K – Macro 2019


Ensinando Economia, Nível de atividade

G-G: Crescimento Econômico: Medindo o bem estar

Uma medida muito interessante de comparação de desenvolvimento contínuo do produto agregado (o nosso PIB) ao longo dos anos, é a taxa de crescimento econômico, mensurada através da evolução de todos os fatores de produção da economia.

Assim, o gráfico de crescimento econômico na verdade é uma taxa, levando em conta a variação entre o período atual e o anterior, que pode ser exemplificada pelo modelo de crescimento de Solow(1956):

A equação leva em consideração o produto per capita (. /N), a fim de observar o padrão de vida e não somente a riqueza total. Dessa forma, sabemos se um país está bem ou mal financeiramente para seus habitantes comparando a quantidade de pessoas e a paridade do poder de compra (PPC) com o desenvolvimento de outros países.

Bom, se o crescimento econômico é uma taxa que serve para comparação entre países, onde estamos inseridos nessa conjuntura?

O Brasil, se considerarmos as últimas duas décadas, apesar de quedas pontuais em 2008 e 2014 devido à choques econômicos, como todo país emergente, passou por um período de grande crescimento econômico, chegando a consideráveis 6,5% em 2010. Realidade esta distante para muitos países desenvolvidos, como vemos no gráfico, em comparação com a OCDE – organização internacional composta por 35 países membros, que reúne as economias mais avançadas do mundo.

Qual o motivo da diferença? Países mais ricos não deveriam crescer mais? Para entender os resultados precisamos lembrar de um conceito econômico simples: rendimentos decrescentes. Isso significa que dados os insumos de uma economia, mantidos constantes, se aumentarmos um deles, por exemplo o estoque de capital, o produto então aumentará, porém levará a um aumento cada vez menor.

Observamos então que nas economias desenvolvidas há pouco a se fazer para buscar um crescimento maior, que só é atingido com um aperfeiçoamento tecnológico; já nos países subdesenvolvidos, uma pequena alteração nos insumos garante um crescimento elevado, pois está longe do patamar atingido pela tecnologia atual.

O Brasil também agora comparado aos países latinos, compõe uma das maiores partes do PIB da América Latina, por ser uma das maiores economias. O padrão portanto seria o crescimento dos dois se acompanharem, como vemos abaixo:

Por conta disso, é difícil comparar o Brasil com os nossos vizinhos. Eles representam uma parte quase insignificante nas taxas de crescimento anuais da América Latina por serem países menores, tanto de tamanho quanto de população, sendo em sua maioria exportadores de commodities e tendo o Brasil como maior responsável pela grande conectividade de outros mercados com o mercado latino, caracterizado por possuir muitas economias pequenas ou fluxos pouco intensos.

Um outro grupo econômico importante para o Brasil são os BRICS (sigla dos países emergentes, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que apesar de um esperado padrão de crescimento nos gera uma diversidade de valores, principalmente nos fatores que influenciam a variância nessas taxas.

Como exemplo, a China apresenta a maior taxa de crescimento entre esses países (taxa média igual a 10% nos anos 1990 e 9,4% entre 2000 e 2005), evolução esta que se iniciou nos anos 90, e seu principal motivador foi a adequação ao crescimento do mercado internacional, como as altas taxas de investimento, política de estímulos favoráveis às exportações e à atração de investimentos externos.

Por outro lado, o Brasil é aquele que apresenta a menor taxa de crescimento entre as cinco. É marcado, assim como China e Índia, pelo inicio dos anos 90, com o que chamamos de reformas liberalizantes, ou seja, abertura comercial e financeira. Ao mesmo tempo, o Plano Real era criado para buscar a estabilização inflacionária, o que como consequência, alijou o crescimento econômico em nome do fortalecimento das instituições nacionais com o propósito de controlar a inflação e atrair investimento externo.

Bibliografia:

(gráficos)

https://www.imf.org/external/datamapper/NGDP_RPCH@WEO/WE/BRA

https://www.imf.org/external/datamapper/NGDP_RPCH@WEO/BRA/CHN/IND/RUS/ZAF

https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/11/141130_brics_atualiza_lab

(texto)

BLANCHARD, Oliver. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.

http://www.fazenda.gov.br/assuntos/atuacao-internacional/cooperacao-internacional/ocde

https://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,o-brasil-e-a-america-latina-imp-,749902

https://iedi.org.br/artigos/top/analise/analise_iedi_2017_comercio_exterior.html

Economic growth in selected emerging economies: Brazil, Russia, India, China (BRIC) and South Africa. Flávio Vilela VieiraI; Michele Polline VeríssimoII

Grupo G – Macro 2019

Ensinando Economia, Nível de atividade

G-D: A Lei de Okun e o Brasil

O último post publicado tratou sobre a Curva de Phillips, que relaciona a taxa de desemprego à taxa de inflação. Neste post, vamos compreender a conexão e taxa de desemprego e crescimento do PIB, descrita pela Lei de Okun.

Sob simplificações de que (i) emprego e produto variavam proporcionalmente e (ii) a força de trabalho é constante, chegaríamos à conclusão de que um aumento de, por exemplo, 2% no PIB geraria um aumento no emprego de 2% e uma diminuição do desemprego de 2%. Vamos atribuir alguns elementos algébricos para melhor compreensão: sejam ut a taxa de desemprego no ano t, ut-1 a taxa de desemprego no ano t-1 e gyt a variação do PIB de t-1 para t, chegamos nesta equação:

                                            ut – ut-1 = – gyt       (Eq. 1)

Veremos agora que essa relação não é verdadeira. Pode parecer contraintuitivo, mas não se aborreça! Esta é a beleza da natureza empírica da contribuição de Okun. Se fosse verdade que PIB e desemprego são perfeitamente negativamente proporcionais, um gráfico de dispersão de Δ%desemprego versus Δ%PIB deveria apresentar uma linha de tendência com inclinação de -1, como abaixo:

Porém, em 1962, Okun coletou os dados de desemprego e PIB para os EUA e verificou que uma outra equação representava melhor o mundo real:

                                               ut – ut-1 = -0,4(gyt – 3%)        (Eq. 2)

Com isso, percebe-se que para manter a taxa de desemprego constante, não basta que o PIB fique constante. Para este caso, a taxa de desemprego só ficará constante (ut – ut-1 = 0) se gyt = 3%. Pensando mais, vemos que há um intervalo em que o PIB cresce, porém a taxa de desemprego também cresce. Isto acontece para os casos nos quais o crescimento do PIB é menor do que a taxa normal de crescimento, que neste caso específico dos EUA era de 3%.

Dois fatores importantes impactam na formação do gyt: a variação da força de trabalho e  da produtividade do trabalho. Um aumento na força de trabalho deve vir acompanhado de um aumento igualmente proporcional no emprego para que a taxa de desemprego não se altere. Vamos supor que a força de trabalho aumentou 2%, logo o emprego aumentou 2% e, como Y=N, temos um aumento no PIB de 2%. O outro fator relevante é a produtividade do trabalho (produto por trabalhador). Suponhamos que neste mesmo experimento a produtividade aumentou em 1%. O efeito final sobre o crescimento do PIB é a soma dos dois fatores, 3%. Como vimos, nesta situação não haverá alteração na taxa de desemprego, mesmo que haja um aumento no produto. A Equação 2 é extremamente específica e descreve as condições dos EUA na época em que os dados foram coletados, mas foi de grande importância para que pudéssemos captar a estrutura da relação PIB x desemprego. Uma equação mais genérica é:

                              ut – ut-1 = – β(gyt – g*y)          (Eq. 3)

Daqui podemos tirar dois conceitos muito interessantes, o β e g*y. Depois de pensar bem você perceberá que o β, o coeficiente de inclinação reta de regressão, representa o quão sensível à variação do PIB é o desemprego. Na já obsoleta Equação 1, o β era de -1. No caso dos EUA, é -0,4. Mostrando que uma queda de 1% no PIB gera um aumento na taxa de desemprego de apenas 1%*0,4 = 0,4%. Logo, percebemos que o emprego tem sensibilidade menos que proporcional às variações do Produto. Pensemos na lógica econômica por trás disso: as empresas são cautelosas e não mudam significativamente sua estrutura produtiva ao sabor das flutuações do PIB. Assim, se a empresa percebe que está vendendo mais, no curto prazo, ela pedirá para que seus funcionários façam horas-extras. Se forem momentos de queda nas vendas, há um custo para treinar os trabalhadores e dispensá-los pode não valer a pena já que provavelmente as vendas voltarão ao normal.O g*y é taxa natural de crescimento da economia.

Vejamos como fica a regressão para o Brasil (1983-2018):

Finalmente, vemos que o g*y brasileiro é aproximadamente 3% (onde ΔU = 0) e β≅ -0,05.

Referências:1) https://ww2.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme/default.shtm acesso em 26 de maio de 2019 
2) http://www.ipea.gov.br/cartadeconjuntura/index.php/series-estatisticas-conjunturais-2/ acesso em 26 de maio de 2019
3) BLANCHARD, Oliver. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.

Grupo D – Macro 2019

Ensinando Economia, Nível de atividade

G_C: Medindo a Economia

Em uma economia em que todas as pessoas produzem apenas maçãs, seria muito fácil medir a produção, certo? Seria só contar o número de maçãs produzidas. Mas sabemos que a realidade não é tão simples. Nela produz-se bens e serviços como maçãs, carros, passagens aéreas, aulas de economia, e vários outros. Mas como somamos bens tão distintos? Usamos um fator comum entre todos: os preços. Todos os produtos negociados numa economia são medidos em termos monetários. Assim, para medir a produção, multiplicamos a quantidade de cada produto final pelo seu preço relativo.

Olhando pelo lado da produção, o PIB – Produto Interno Bruto – é a forma de medir em um período, no sistema contábil do país, o produto agregado, isto é, o valor de bens e serviços finais produzidos numa economia. Dessa forma, os bens intermediários – utilizados e consumidos durante a produção – não devem ser contabilizados. Consideremos duas empresas. A empresa A produz maçãs. Já a empresa B as compra e fabrica deliciosas tortas de maçã. A partir do conceito acima, quais valores deveriam ser medidos sob essa ótica do PIB? A resposta certa seria apenas o valor relativo as tortas de maçã, visto que a fruta in natura é utilizada no processo e subtraindo o bem intermediário da produção final obtemos o valor adicionado, cuja soma incorre no PIB.

Outro jeito de olhar o PIB é sob a ótica da renda. Seguindo o exemplo anterior, não se pode esquecer da mão de obra e capital empregados na produção de maçãs e de tortas. Esses fatores de produção devem ser remunerados. A essa remuneração damos o nome de renda do trabalho (salário pago à mão de obra) e renda do capital (juros, lucros e aluguéis). A soma desses valores, acrescidos dos impostos indiretos – parte da renda disponibilizada ao governo – compõe o PIB.

Uma terceira forma de composição é através da demanda agregada, dada pelo consumo das famílias, investimento das firmas, gastos do governo e, em uma economia aberta, pelas exportações líquidas do mercado externo.

Existem duas formas de se expressar a quantidade de bens e serviços produzidos em um país em um dado período e iremos descobrir qual pode representar melhor a capacidade da economia em suprir as necessidades da população.

A priori, falaremos sobre o PIB nominal – calculado no Brasil pelo IBGE – que é a soma das multiplicações dos preços dos bens finais e a quantidade produzida no ano em questão; as duas variáveis podem fazer o produto aumentar, pois tanto os preços – sujeitos a inflação, que pode ser exorbitante, dependendo do contexto – quanto a produção, tendem a aumentar. Observe o exemplo:

Comparando os resultados, pode-se perceber que esse tipo de cálculo não é tão eficiente para evidenciar o real crescimento da economia, pois pode ser distorcido pelas variações de preços. Agora, veremos que o PIB real é a somatória das multiplicações dos preços constantes (escolhe-se um ano base para fixar o preço em todos os anos) e a quantidade produzida de cada bem. Calculando o PIB real usando os mesmos dados do exemplo citado anteriormente, tomando 2010* como ano base:

*Em 2010, note que o PIB nominal é igual ao real.

Ademais, podemos perceber a diferença entre as duas formas no caso brasileiro: no terceiro trimestre de 1998, o PIB nominal cresceu em 7.726 milhões, mas a taxa de crescimento do PIB real foi negativa, em -1,43%. Tal taxa é vista no gráfico do PIB real:

Acima temos a comparação em termos de PIB real e PIB nominal do Brasil desde 1997. No primeiro gráfico, usamos os valores trimestrais. Podemos ver certos solavancos nesse gráfico. Isso se dá devido a sazonalidade da atividade econômica (sempre há maior atividade no último trimestre). Já no segundo gráfico, esses solavancos não ocorrem, pois mede o PIB no acumulado dos últimos quatro trimestres. Em ambos, o trimestre base foi o último de 2018. A variação do PIB real de um período para outro é considerada o crescimento econômico daquele intervalo de tempo. No gráfico a seguir representamos o caso brasileiro desde 1997:

Referências:

MANKIW, N. Gregory. Introdução à economia. São Paulo: Cengage Learning, 2016.

GALA, Paulo. A história dos 100 anos de PIB no Brasil. [S. l.], 30 jan. 2019. Disponível em: http://www.paulogala.com.br/100-anos-de-pib-no-brasil/. Acesso em: 11 mar. 2019.

IPEA. Produto interno bruto (PIB) nominal. [S. l.], 1 mar. 2019. Disponível em: http://www.ipeadata.gov.br/exibeserie.aspx?serid=38415. Acesso em: 11 mar. 2019.

IPEA.Produto interno bruto (PIB) real. [S. l.], 1 mar. 2019. Disponível em: http://www.ipeadata.gov.br/exibeserie.aspx?serid=38414. Acesso em: 11 mar. 2019.

ADVFN. Cálculo do PIB.[S. l.]. Disponível em: https://br.advfn.com/indicadores/pib/calculo. Acesso em: 11 mar. 2019.

ADVFN. PIB real.[S. l.], 13 mar. 2019. Disponível em: https://br.advfn.com/indicadores/pib/pib-real. Acesso em: 11 mar. 2019.

BLANCHARD, Oliver. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.

GRUPO C – Macro 2019

Nível de atividade

Crescimento econômico x Flutuação macroeconômica

 

Autores: Grupo 13 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

As flutuações econômicas são caracterizadas por variações de curto/médio prazo, onde há a comparação da economia com o ano ou período anterior. Já o crescimento econômico se dá em longo prazo, onde se observam as comparações em uma escala mais ampla. Segundo Blanchard(4°ediçao) :“Nossas percepções sobre o desempenho da economia frequentemente são dominados pelas flutuações anuais a atividade econômica . Uma recessão leva ao pessimismo, e uma expansão leva ao otimismo. Mas, quando olhamos para trás e examinamos a atividade economia em períodos mais longos, digamos, no decorrer de muitas décadas, o cenário muda. As flutuações desaparecem. O crescimento, o aumento continuo do produto agregado ao longo do tempo se torna o fator dominante”.

Sobre o crescimento do Brasil:

Um fator que cada vez mais vem se tornando importante na determinação do crescimento econômico, no Brasil, é a produtividade. Esta, quando utilizada como medida geral denomina-se produtividade total dos fatores ou PTF, a qual retrata o crescimento de um produto por efeito da melhoria de sua elaboração, ou seja, através de avanços na tecnologia e aperfeiçoamento de gestão ou insumos de melhor qualidade, entre outros fatores. Pela teoria da produtividade total dos fatores podemos dizer que o produto de um país é criado pela cooperação entre os estoques de capital físico e de capital humano. Considerando como capital físico as estruturas utilizadas na produção de bens e serviços como máquinas equipamentos edifícios, etc, e o capital humano a capacidade de produção da força de trabalho sobre o tempo de estudo. Se observarmos duas economias que têm a mesma quantidade de capital físico e de capital humano, se uma dessas economias possuir o PIB maior do que a outra, consideramos que essa foi mais eficiente no uso de seu estoque de capital, portanto é mais produtiva. Ser mais produtivo, portanto, significa fazer mais produtos a partir de uma dada disponibilidade de capital humano e físico disponível na economia.

Resumidamente podemos citar que o crescimento do produto se deve a 4 fatores: aumento do estoque de capital físico, aumento da força de trabalho disponível, aumento do número médio de anos de estudos dos trabalhadores e o aumento da produtividade.

Recentemente a economia brasileira passou por grandes mudanças na sua estrutura produtiva. A indústria começou a ser um setor mais dinâmico, e a exportação se diversificou. Entretanto, a trajetória de crescimento do Brasil está relativamente inferior a dos demais países da América Latina com estrutura produtiva semelhante e também inferior à taxa de crescimento mundial.

 

Entre 1981 e 1990, a produtividade por trabalhador caiu 2% em média por ano. De 1991 a 2000, subiu 1,6% anualmente na mesma medida. O dado continuou positivo entre 2001 e 2010, mas o ritmo caiu para 1,2% ao ano. Entre 2011 e 2016, voltou a cair, agora com taxa média de 1,1% por ano. Tudo isso em contraste com o período anterior, entre 1950 e 1980, quando a produtividade do trabalho cresceu a uma média anual de 3,5%.Naquelas décadas, foi esse o principal fator responsável pelo crescimento expressivo da renda per capitado país (3,9% por ano, em média)”. O baixo crescimento da produtividade do brasileiro se deve por alguns fatores como, por exemplo:

Educação

Mesmo com o combate ao analfabetismo e o avanço de escolaridade da população o Brasil não viu reflexo disso em seus índices de produtividade, podemos ligar a fatores como, por exemplo, a questão da qualidade da educação (em 2014 40% dos universitários eram considerados analfabetos funcionais).

Tecnologia

“Em geral, associa-se a ideia de aumento de produtividade com o progresso tecnológico no âmbito da produção industrial. De fato, a criação de máquinas mais eficientes permite que se gere mais produção industrial a partir de uma mesma dotação de capital. Os países mais atrasados tiram proveito dos avanços tecnológicos dos países mais desenvolvidos, adaptando as tecnologias criadas por esses países sem incorrer nos custos de pesquisa e desenvolvimento, o que gera uma tendência à convergência na produtividade dos menos desenvolvidos com os países da fronteira tecnológica” Mesmo assim muitas vezes é caro importar maquinas e equipamentos, e os níveis de investimento nessa área são relativamente baixos e ainda falta incentivo publico a estimulo de inovação

Burocracia

A complexa burocracia brasileira e as deficiências de infraestrutura também têm um efeito importante sobre a produtividade das empresas. “É só notarmos a quantidade de pessoas que as empresas precisam empregar para conseguir pagar (processar) seus impostos – chegam a centenas de funcionários em grandes companhias como a Petrobrás. São pessoas que não trabalham na atividade-fim da empresa e, portanto, não ajudam a aumentar a produção”. O excesso de burocracia também favorece a manutenção das taxas altas de informalidade da economia – que pressionam o PIB e os índices de produtividade do país no geral.”

 

http://exame.abril.com.br/economia/produtividade-brasileira-nao-cresce-desde-1980-diz-estudo/

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/05/140519_produtividade_porque_ru

http://www.brasil-economia-governo.org.br/2012/10/01/o-que-e-produtividade-e-como-conseguir-seu-incremento/

https://www.insper.edu.br/wp-content/uploads/2014/09/Evolucao-Produtividade-Brasil.pdf

http://brasilemsintese.ibge.gov.br/industria/produtividade.html

Blanchard 4° edição.

http://seriesestatisticas.ibge.gov.br/series.aspx?vcodigo=ECE370

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Nível de atividade

Crescimento econômico: capital físico e humano no Brasil

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“O produto anual de uma economia(PIB) é criado pela interação entre os estoques de capital físico e de capital humano existente. O capital físico é uma referência a qualquer ativo não humano, como maquinas, equipamentos, edifícios e demais instrumentos utilizados na produção.

O capital humano é o conjunto de capacidades, conhecimentos e competências que favorecem a realização de trabalho de modo a produzir valor econômico. São os atributos adquiridos por um trabalhador por meio da educação e experiência.

Assim pode-se concluir que as fontes de crescimento do PIB de uma economia são: um aumento do estoque de capital físico (que cresce tão mais rápido quanto maior for à taxa de investimento); o aumento da forca de trabalho disponível; o aumento do número médio de anos de estudos dos trabalhadores; e o aumento da produtividade.

No Brasil os estudos que estimam o estoque de capital físico são escassos, os mais conceituados utilizam-se da metodologia de estoque perpetuo. O método do estoque perpétuo acumula os fluxos macroeconômicos de investimento para diversas categorias de ativo deduzindo a depreciação física ou perda de eficiência que ocorre ao longo da vida útil de cada categoria, sendo este, o método tradicional de se calcular estimativas indiretas do estoque de capital.

No Brasil, o setor institucional com maior participação na evolução do estoque de capital é o setor privado, respondendo por cerca de 84% do estoque de capital no período 1950-2001, sendo que desse total cerca de 66% referem-se ao estoque em residências e estruturas e os restantes 18% em máquinas e equipamentos.

O estoque de capital fixo da economia brasileira em termos de PIB é crescente, passa de 2,8 PIB em 1950 para 3,2 PIB em 2001, tendo atingido os maiores valores em 1983(3,28 PIB) e em 1992(3,46 PIB). Analisando-se sua composição, o estoque em estruturas do setor privado cresce em todo o período, passa de 0,22 PIB em 1950 para 1,23 PIB em 2001. O estoque em estruturas do governo cresce bem menos, passa de 0,36 PIB em 1950 para 0,4 PIB em 2001.

O estoque de residências, por sua vez, é decrescente até 1980, passando de 1,81PIB em 1950 para 0,73PIB em 1980, apresentando leve crescimento e tendência à estabilidade a partir de então, chegando a 1,07 PIB em 2001 e uma média de 0,96 PIB entre 1981 e 2001.

12-J figura1

O gráfico 1 destaca a Formação Bruta de Capital Físico como porcentagem do PIB entre 2000 e 2009

 

O cálculo do capital humano por trabalhador considera diferenças entre os trabalhadores em termos de escolaridade e de experiência.

A medida de capital humano tem dois componentes: a produtividade e a participação. Diversos estudos que investigam a relação entre educação e crescimento econômico mostram que o impacto agregado do capital humano no produto é de magnitude similar ao efeito microeconômico da educação sobre os salários.

 Em função disso a produtividade é compreendida como o retorno que o mercado de trabalho paga a uma dada combinação de escolaridade e experiência, enquanto a participação é interpretada como o peso relativo de cada grupo de escolaridade e experiência no total de horas trabalhadas.

12-J figura2

Observa-se uma taxa de crescimento do Capital Humano no Brasil inferior a 1%a.a, tendo crescido aproximadamente 13%, entre os anos de 1992 e 2007.Fato que pode ser explicado pelo aumento da escolaridade da mão-de-obra brasileira, uma vez que ocorreu a maior participação de grupos com níveis mais elevados de escolaridade no mercado de trabalho, em especial, trabalhadores com ensino médio completo e superior completo.

Porém, nota-se alguns períodos de flutuações significativas no Capital Humano, os quais pode-se explicar pelo fator produtividade.

 

Referencias Bibliográficas;

http://www.brasil-economia-governo.orr.br

http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/11705/Evolucao%20do%20Capital%20Humano%20no%20Brasil%20e%20nos%20EUA.pdf?sequence=1

http://aeconomiamarginal.blogspot.com.br/2010/07/os-investimentos-no-brasil-e-copa-ii.html

epge.fgv.br/files/1772.doc”

 

AUTORIA: Grupo J – Macro I

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Nível de atividade

Crescimento Econômico aliado ao trabalho e a poupança

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 “O crescimento econômico de um país é medido pelo seu PIB. Já quando pretende-se fazer comparações internacionais, o melhor método é o da Paridade do poder de compra (método alternativo para se calcular o poder de compra entre dois países.)

O governo deve realizar medidas para que a economia cresça (investimentos em infraestrutura, incentivos à indústria automobilística e o PAC (Programa de aceleração do crescimento) que é o conjunto de medidas econômicas que alavancam o crescimento.

11- Imagem 1

  • Panorama de 2015 e 2016

Em 2015 o Brasil ficou entre os 10 menores crescimentos econômicos. Antes, o Governo impulsionou o crescimento econômico com subsídios, corte de impostos e aumento do crédito para estimular o consumo das famílias. Entretanto, os saldos das contas fiscais e correntes do país também se desintegraram. Em cima disso, trouxe a enorme pressão à economia e o país passou a lidar com o ajuste fiscal.

Este ano, o FMI piorou a perspectiva de queda da economia brasileira e não vê a retomada do crescimento à frente (redução do PIB em 3,5%). Em 2017, aponta que o Brasil deve registrar estagnação econômica, ou seja, crescimento zero.

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Taxa de poupança

A taxa de poupança é a porcentagem do PIB que não é consumida, ou seja, aquilo que a economia produz mas não consome.

Os gráficos abaixo mostram a relação entre taxa de poupança, investimento e crescimento econômico no Brasil nos últimos anos. O 1º relaciona a taxa de poupança e investimento em porcentagem do PIB, com isso, podemos ver que nosso investimento não é tão alto e a poupança é menor ainda. Dado esse fato, temos no segundo o resultado dessa pequena taxa de poupança gera em termos de crescimento. O gráfico é medido pela poupança a variação no produto acumulada nos últimos 4 anos.

 

11- Imagem 3 11- Imagem 4

A imagem abaixo mostra o quão baixa é a taxa de poupança brasileira em relação as taxas de outros países ao redor do mundo.

11- Imagem 5

Com esses gráficos podemos perceber a correlação existente entre poupança e investimento e conseguimos, pelo menos um pouco, entender a situação atual do Brasil.

FORÇA DE TRABALHO          

Podemos dizer que a força de trabalho é a PEA, população economicamente ativa, que engloba a população ocupada e a população desocupada (aqueles que procuram emprego mas não conseguem). Se alguém não quer trabalhar ou sequer procura emprego ele é considerado fora da PEA e da força de trabalho, ou seja, ele não contribui para o processo de produção econômica do país.

Se subtrairmos a PIA, população em idade ativa, que no Brasil começa a partir dos 14 anos de idade, da PEA, teremos o total de pessoas fora da força de trabalho. No segundo trimestre de 2013 esse número chegou a mais de 61 milhões de pessoas.

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O gráfico seguinte ilustra a evolução e divisão da força de trabalho no Brasil por região entre 2008 e 2012.

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Referências Bibliográficas

 

http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Resultados/noticia/2015/06/brasil-esta-entre-10-economias-de-menor-crescimento-em-2015.html

http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/01/fmi-piora-projecoes-para-o-brasil-e-deixa-de-ver-crescimento-em-2017.html

http://www.brasil-economia-governo.org.br/2015/08/18/a-operacao-lava-jato-reduz-o-crescimento-economico/

http://exame.abril.com.br/economia/noticias/crise-politica-pesou-no-rebaixamento

http://pensamentosfinanceiros.blogspot.com.br/2015/02/financas-taxa-de-poupanca-renda.html

https://financasfaceis.wordpress.com/2014/12/03/crescimento-real-do-pib-poupanca-e-investimento/

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/01/1399413-61-milhoes-estao-fora-da-forca-de-trabalho.shtml

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/o-conceito-populacao-economicamente-ativa-pea.htm

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/01/1403009-forca-de-trabalho-encolhe-no-nordeste.shtml

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme/pmemet2.shtm

 

AUTORES: GRUPO G – Macro I

 

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