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Alterações dos componentes da Demanda Agregada brasileira a partir de 2000

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Autores: Grupo 3 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

No final dos anos 90 a economia brasileira passou por grandes mudanças. A virada do século veio com otimismo para os brasileiros, que finalmente pareciam ter uma moeda sólida. Nos anos 2000 ocorreu tanto uma melhora no cenário econômico externo como uma mudança na política macroeconônima do governo. O crescimento econômico da primeira metade da década de 2000 pode ser caracterizado pela melhora do setor externo.  Já a partir da segunda metade da década, o governo realizou várias políticas expansionistas que auxiliaram no crescimento do país. Durante a crise de 2008, o governo adotou diversas medidas para aumentar o consumo e diminuir o desemprego (PAC, expansão de crédito do BNDES e incentivos fiscais). Com o crescimento acelerado da economia através destas políticas e o aumento da demanda agregada como consequência, a crise financeira de 2008 não apresentou grandes efeitos sobre o Brasil na época.

Porém algumas medidas do governo, como expansão de crédito, tabelamento de preço de energia, gasolina e outros, e o continuo  financiamento de obras públicas de grande escala demonstram que estas políticas podem ter durado tempo demais, causando assim um crescimento insustentável. O resultado dessas políticas expansionistas está sendo percebido agora pelos brasileiros, com mais de 13 milhões de desempregados, aumento da dívida pública, juros altos e alta inflação com baixo crescimento. A razão disso é que, apesar de a demanda agregada ter aumentado, a oferta agregada não conseguiu acompanhar esse crescimento. A seguir há uma análise de como os componentes da demanda agregada se comportaram a partir de 2000.

No que diz respeito ao consumo das famílias e do governo, a partir de 2002 houve uma queda do consumo do Governo, já que como medida contra a desvalorização do Real no mercado, o Governo cortou seus gastos e aumentou a taxa de juros real. Consequentemente de 2003-08 houve um aumento de seus gastos, pois suas políticas funcionaram anteriormente. Já em 2008, com a crise financeira que se instaurou no mundo, ocorreu uma queda drástica do consumo em ambos, mas com políticas de expansão de crédito, redução das taxas de juros, transferência de renda e aumento do salário mínimo, em 2009 o país voltou a ter seus gastos normais, até mesmo acima do que gastava antes da crise.

O montante de investimentos, tanto governamental quanto empresarial, não representa um alto valor na demanda agregada, pouco mais que 15% no período que diz respeito a 1999-2010. Desse valor, as empresas fazem parte de aproximadamente 14% da D.A. e os investimentos públicos de apenas 2%. O Governo não investiu muito em função – principalmente até 2004- do controle da inflação, porém essa taxa (2%) teve um leve aumento com uma política expansionista (criação do PAC e auxílio do BNDES). Já o investimento das empresas não mostrava taxas de crescimento, apenas queda, mas com as políticas expansionistas teve um crescimento (por volta de 2005), até a crise em 2008. Logo em 2009, voltou a subir, porque houve uma queda dos juros reais, o que elevou o PIB (reação que as empresas costumam ter quando se aumenta o PIB, investem), mostrando uma relativa recuperação pós-crise.

Com exceção dos anos em que houve crise, as exportações brasileiras tiveram uma taxa de crescimento maior se comparada à taxa de crescimento da demanda agregada no período de 1999-2010. Convém destacar que essas são representadas principalmente por commodities (por exemplo, o petróleo), e que alguns fatores como o efeito-China (rápido crescimento desse parceiro) e a abertura comercial frente a outros países embasam parte da dinâmica observada. Já em relação às importações (bens de consumo duráveis, não duráveis e bens de capital), o crescimento do PIB e a valorização da taxa de câmbio real contribuem para explicar a evolução das mesmas e assim, a redução do resultado das exportações líquidas no período.

 

SILVA, JOSÉ ALDERIR DA; LOURENÇO, ANDRÉ LUÍS CABRAL DE; Uma análise da evolução dos componentes da demanda agregada: Brasil, anos 2000. Indic. Econ. FEE, Porto Alegre, v. 42, n.1, p. 23-40, 2014.

Componentes da Demanda Agregada, valores correntes para o Brasil (1995-2013)-Dados das Contas Nacionas e Trimestrais, Ano: 2013. Disponível em <http://cnd.fgv.br/sites/cnd.fgv.br/files/Gr%C3%A1fico-%20Componentes%20da%20demanda%20agregada%20-%20consumo%20das%20fam%C3%ADlias%20e%20importa%C3%A7%C3%B5es%20(1).png> Acesso em 15 de abril de 2017.

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