Inflação, Política Monetária

I-Eco: Oferta e demanda por moeda – caso brasileiro

.

A Teoria Quantitativa da Moeda (TQM) diz quanto de moeda é mantida para uma dada renda agregada, o que representa a teoria de demanda por moeda e sugere que as taxas de juros não afetam essa demanda. A moeda seria neutra na versão antiga da TQM, pois não afeta o lado real da economia e também não é considerada como ativo financeiro. Pela ótica keynesiana, há uma ênfase na importância das taxas de juros e a demanda por moeda é motivada por transação, precaução e especulação; relacionando a taxa de juros e a renda com a demanda por moeda. Segundo essa teoria, a moeda começa a ser tratada como ativo financeiro. Friedman, por meio do tratamento da moeda como um bem de consumo com atributos específicos, transforma a TQM, tratando a demanda de forma microfundamentada. Segundo a teoria do Portfólio, há outros fatores além da renda e taxa de juros nominal que afetam a demanda por moeda, são eles risco, liquidez relativos e riqueza.

Os autores CARDOSO (2008) e BACHA (2004) propuseram duas equações de demanda por moeda no caso brasileiro, sendo elas, respectivamente:

i-eco_imagem-1

No fascículo do Banco Central do Brasil (BCB), a demanda por moeda é um dos fatores que determinam o comportamento econômico de um país, ou seja, a autoridade monetária deve ofertar uma quantidade de moeda que satisfaça a sua demanda, mantendo o adequado funcionamento da economia, sendo esta representada pelos depósitos à vista e papel-moeda em poder do público (PMPP). O BCB tem o “Monopólio de Emissão” que engloba a gestão das atividades referentes ao meio circulante e destina-se a satisfazer a demanda de dinheiro indispensável à atividade econômico-financeira do país, atendendo às necessidades de numerário do sistema bancário, e, consequentemente, do público, por meio dos mecanismos de emissão e recolhimento, alterando os meios de pagamento. Assim, a emissão de papel-moeda pelo BCB reflete a demanda do público por papel-moeda.

A oferta de moeda é definida como a base monetária vezes o multiplicador monetário. A base monetária é definida como PMPP mais as reservas compulsórias e voluntárias das instituições depositárias; e o multiplicador monetário representa a capacidade dos bancos de multiplicar os depósitos por meio de empréstimos. Ele é afetado pelo desejo dos bancos de manter reservas voluntárias, das pessoas de manter papel-moeda e pela taxa de reservas compulsórias exigidas pelo BCB. Portanto, a oferta de moeda é afetada pela ação do Banco Central, dos bancos e dos indivíduos.

i-eco_imagem-2

Em junho de 1999, o Brasil passou a adotar o regime de metas de inflação em que anuncia metas numéricas explícitas de inflação, no qual o BCB tem a responsabilidade de implementar as políticas necessárias para atingir a meta estipulada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), para flexibilizar o gerenciamento da política monetária, é permitido intervalos de tolerância para a inflação.

i-eco_imagem-3

Torna-se essencial definir qual indicador utilizar no regime de metas como medida de inflação, o BCB utiliza o IPCA que é elaborado pelo IBGE, compreendendo as famílias com rendimentos mensais de 1 a 40 salários mínimos, residentes na área urbana; a cesta avaliada pelo IPCA é ponderada através das despesas das famílias obtidas pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF).

Desde a adoção do Plano Real, em 1994, o IPCA tem se comportado de modo estável, somente no final de 2002 apresentou um aumento mais acentuado e mais recentemente no final de 2015, início de 2016. É possível observar que o IPCA acumulado tem crescido de forma constante.

i-eco_imagem-4

O M1 apresenta queda desde 2015 e quando o analisamos de forma desagregada, os depósitos à vista tiveram uma queda ligeiramente maior que o PMPP.

i-eco_imagem-5

http://monetaria-grupo-i.droppages.com/

i-eco_imagem-6

http://monetaria-grupo-i-2.droppages.com/

Optamos por utilizar o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) devido ao tamanho de sua série histórica para compatibilizar com a análise do M1 desagregado. O IGP-DI é elaborado pela FGV sendo uma média ponderada de outros três indicadores: o Índice de Preços no Atacado (IPA), Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e o Índice Nacional da Construção Civil (INCC). Percebe-se que o IGP-DI possui um comportamento muito similar ao IPCA, após o Plano Real comporta-se de modo estável e no final de 2002 apresentou um aumento em comparação com os demais meses observados.”

 

REFERÊNCIAS

BACHA, Carlos José Caetano. Macroeconomia aplicada à análise da economia brasileira. Edusp, 2004.

Banco Central do Brasil. Acessado: < http://www.bcb.gov.br/pt-br/#!/home>

COELHO, André Luiz Cardoso. Demanda por moeda no Brasil no período de 1996 a 2008: uma estimação em séries temporais. 2008. Acessado:https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/11964/1/ANDR%C3%89%20LUIZ%20CARDOSO%20COELHO.pdf

MENDONÇA, Helder Ferreira de. Metas de inflação e taxa de juros no Brasil: uma análise do efeito dos preços livres e administrados. Revista de Economia Política, v. 27, n. 3, p. 107, 2007.

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

SILVA, Iago Fernandes Botelho e LONGUINHOS, Marco Antônio Araújo. A inflação brasileira: Uma análise sobre o comportamento do Banco Central do Brasil de 2011 a 2013. 2014. Acessado:<http://www.uesb.br/eventos/semana_economia/2014/anais-2014/j01.pdf>

SERRANO, Franklin. Juros, câmbio e o sistema de metas de inflação no Brasil. Revista de Economia Política, v. 30, n. 1, p. 63-72, 2010. ”

 

.