Ensinando Economia, Nível de atividade

G-K: Crescimento da produtividade e desemprego no curto prazo

Na teoria ecônomica, o modelo de Solow é um modelo do crescimento econômico no longo prazo que depende da força de trabalho (N), estoque de capital (K) e da produtividade do trabalho (A). Assim, temos o modelo de Solow como:

Y = f(K,NA)

Como o que nos interessa nessa discussão é o progresso da tecnologia (A) e não o estoque de capital (K), podemos simplificar o modelo para:

Y = NA

Assim, o produto é resultado apenas da força de trabalho (N) e cada trabalhador produz A unidades de produto. Aumentos em A representam progresso tecnológico.

Então, para analisar mudanças do progresso tecnológico na taxa de desemprego podemos reescrever o modelo de Solow como:

N=Y/A;  e sabemos que a taxa de desemprego (U) é igual a U = 1-N

Assim, observamos que há uma relação empírica positiva entre o progresso tecnológico, ou seja, um aumento da produtividade e a taxa de desemprego no curto prazo, pois quando há um aumento na produtividade (A) menos trabalhadores são necessários para produzir dado nível de produto. Com a queda no nível de emprego, seria razoável esperar uma queda no nível de demanda agregada e do nível de produto, mas na realidade não podemos fazer tal afirmação, já que o aumento na produtividade poderia vir investimentos massivos na economia, aumentando a demanda agregada ou pela implementação de novas tecnologias mais sofisticadas, diminuindo a demanda agregada.

O que a evidência empírica nos diz?

Analisando o gráfico acima  podemos perceber uma forte relação positiva entre a variação da produtividade no trabalho e o crescimento econômico. Além disso, os movimentos no crescimento econômico são maiores do que aumentos na produtividade.

A mudança na produtividade antecede a mudança no nível de emprego

Produtividade e Taxa Natural de Desemprego (Un)

De acordo com a teoria econômica, a taxa natural de desemprego é determinada pelo equilíbrio de duas relações: a de fixação de preços e a fixação de salários.

Para entender como a produtividade afeta o desemprego, e necessário portanto investigar o efeito de suas variações sobre essas relações.

Consideremos primero a fixação de preços:

Da equação Y=NA, depreende-se que cada trabalhador produz A unidades de produto. Se o salário nominal de produção for igual a W, o custo nominal de produção de uma unidade do produto será igual à (1/u) W = W/A. Considerando que as empresas fixam seus preços à uma determinada taxa ( 1+u), a equação de fixação de preços é dada por:

A fixação de salários por sua vez pode ser descrita como uma função do nível esperado de produtividade, do nível de preços esperado, do desemprego e de fatores institucionais.

Unindo as duas equações, chegamos ao salario real

W/P= A/(1+u)

Vê-se, por essa equação, que há uma relação diretamente proporcional entre produtividade e o salário real pago pelas empresas: quanto maior o nível de produtividade, menor o preço fixado pelas empresas dado o salário nominal e, portanto, maior o salário real.

Sob a condição que de que as expectativas estão corretas temos: Pe = P e Ae = A

De acordo com o gráfico, um aumento da produtividade desloca as curvas de fixação de salário e de fixação de preços na mesma proporção e, portanto, não exerce nenhum efeito sobre a taxa natural de desemprego.

É válido ressaltar que a evidência empírica mostra que muitas vezes esse equilíbrio se dá de uma maneira diferente. As empresas, por  terem mais informação sobre o processo produtivo do que os trabalhadores, compensam a economia do aumento da produtividade com um aumento da taxa de markup, para que seu lucro fique maior. Esse descompasso entre a percepção de um aumento de produtividade pelos dois agentes da economia resulta em um deslocamento da curva de fixação de preços pra cima, enquanto a curva de fixação de salários se mantém parada.

Referências:

https://ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/livros/livros/livro_produtividade_no_brasil

Macroeconomics – Oliver Blanchard

Grupo K – Macro 2019


Ensinando Economia, Nível de atividade

G-D: A Lei de Okun e o Brasil

O último post publicado tratou sobre a Curva de Phillips, que relaciona a taxa de desemprego à taxa de inflação. Neste post, vamos compreender a conexão e taxa de desemprego e crescimento do PIB, descrita pela Lei de Okun.

Sob simplificações de que (i) emprego e produto variavam proporcionalmente e (ii) a força de trabalho é constante, chegaríamos à conclusão de que um aumento de, por exemplo, 2% no PIB geraria um aumento no emprego de 2% e uma diminuição do desemprego de 2%. Vamos atribuir alguns elementos algébricos para melhor compreensão: sejam ut a taxa de desemprego no ano t, ut-1 a taxa de desemprego no ano t-1 e gyt a variação do PIB de t-1 para t, chegamos nesta equação:

                                            ut – ut-1 = – gyt       (Eq. 1)

Veremos agora que essa relação não é verdadeira. Pode parecer contraintuitivo, mas não se aborreça! Esta é a beleza da natureza empírica da contribuição de Okun. Se fosse verdade que PIB e desemprego são perfeitamente negativamente proporcionais, um gráfico de dispersão de Δ%desemprego versus Δ%PIB deveria apresentar uma linha de tendência com inclinação de -1, como abaixo:

Porém, em 1962, Okun coletou os dados de desemprego e PIB para os EUA e verificou que uma outra equação representava melhor o mundo real:

                                               ut – ut-1 = -0,4(gyt – 3%)        (Eq. 2)

Com isso, percebe-se que para manter a taxa de desemprego constante, não basta que o PIB fique constante. Para este caso, a taxa de desemprego só ficará constante (ut – ut-1 = 0) se gyt = 3%. Pensando mais, vemos que há um intervalo em que o PIB cresce, porém a taxa de desemprego também cresce. Isto acontece para os casos nos quais o crescimento do PIB é menor do que a taxa normal de crescimento, que neste caso específico dos EUA era de 3%.

Dois fatores importantes impactam na formação do gyt: a variação da força de trabalho e  da produtividade do trabalho. Um aumento na força de trabalho deve vir acompanhado de um aumento igualmente proporcional no emprego para que a taxa de desemprego não se altere. Vamos supor que a força de trabalho aumentou 2%, logo o emprego aumentou 2% e, como Y=N, temos um aumento no PIB de 2%. O outro fator relevante é a produtividade do trabalho (produto por trabalhador). Suponhamos que neste mesmo experimento a produtividade aumentou em 1%. O efeito final sobre o crescimento do PIB é a soma dos dois fatores, 3%. Como vimos, nesta situação não haverá alteração na taxa de desemprego, mesmo que haja um aumento no produto. A Equação 2 é extremamente específica e descreve as condições dos EUA na época em que os dados foram coletados, mas foi de grande importância para que pudéssemos captar a estrutura da relação PIB x desemprego. Uma equação mais genérica é:

                              ut – ut-1 = – β(gyt – g*y)          (Eq. 3)

Daqui podemos tirar dois conceitos muito interessantes, o β e g*y. Depois de pensar bem você perceberá que o β, o coeficiente de inclinação reta de regressão, representa o quão sensível à variação do PIB é o desemprego. Na já obsoleta Equação 1, o β era de -1. No caso dos EUA, é -0,4. Mostrando que uma queda de 1% no PIB gera um aumento na taxa de desemprego de apenas 1%*0,4 = 0,4%. Logo, percebemos que o emprego tem sensibilidade menos que proporcional às variações do Produto. Pensemos na lógica econômica por trás disso: as empresas são cautelosas e não mudam significativamente sua estrutura produtiva ao sabor das flutuações do PIB. Assim, se a empresa percebe que está vendendo mais, no curto prazo, ela pedirá para que seus funcionários façam horas-extras. Se forem momentos de queda nas vendas, há um custo para treinar os trabalhadores e dispensá-los pode não valer a pena já que provavelmente as vendas voltarão ao normal.O g*y é taxa natural de crescimento da economia.

Vejamos como fica a regressão para o Brasil (1983-2018):

Finalmente, vemos que o g*y brasileiro é aproximadamente 3% (onde ΔU = 0) e β≅ -0,05.

Referências:1) https://ww2.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme/default.shtm acesso em 26 de maio de 2019 
2) http://www.ipea.gov.br/cartadeconjuntura/index.php/series-estatisticas-conjunturais-2/ acesso em 26 de maio de 2019
3) BLANCHARD, Oliver. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.

Grupo D – Macro 2019

Ensinando Economia, Inflação, Nível de atividade

G-B: O caso brasileiro da Curva de Phillips

Os últimos posts publicados trataram de dois assuntos sendo eles, respectivamente: Mercado de Trabalho e Inflação. Após compreender os significados das diferentes classificações da população no mercado de trabalho e entender os diferentes índices de inflação, iremos analisar a relação entre desemprego e inflação para o caso brasileiro.

Em 1958, A. W. Phillips formulou um diagrama que representava a taxa de inflação com relação à taxa de desemprego no Reino Unido anualmente de 1861 a 1957. O diagrama evidenciou uma relação negativa entre inflação e desemprego. Quando o desemprego era baixo, a inflação era alta; quando o desemprego estava alto, a inflação estava baixa.

A Curva de Phillips funciona da seguinte maneira: dado o nível esperado de preços — que os trabalhadores simplesmente tomam como o nível de preços do ano anterior (isso será importante mais à frente) — o desemprego mais baixo leva a um salário nominal maior. Um salário nominal mais elevado leva a um nível de preços mais alto. Juntando essas etapas, o desemprego mais baixo leva a um nível de preços mais alto neste ano em relação ao nível de preços no ano anterior, ou seja, a uma inflação maior. Esse mecanismo pode ser chamado de espiral de preços e salários, uma expressão que representa bem o mecanismo:

Assim, a corrida entre preços e salários resulta em uma inflação contínua de salários e preços.

A curva de Phillips tornou-se fundamental para o pensamento macroeconômico e para a política macroeconômica. Ela implica em diferentes combinações que países poderiam escolher de desemprego e inflação. Um país poderia alcançar um desemprego baixo se estivesse disposto a tolerar uma inflação mais alta, ou poderia atingir a estabilidade do nível de preços — inflação zero — se estivesse disposto a tolerar um desemprego mais alto.

Um exemplo em que a curva ocorre é nos Estados Unidos de 1948 a 1969, em que a diminuição contínua da taxa de desemprego esteve associada a um aumento contínuo da taxa de inflação:

Observando o caso brasileiro:

Primeiro, levando em consideração apenas o período de hiperinflação:

Agora, apenas o período de estabilidade da inflação, após o Plano Real.

Ao final, juntando os dois períodos:

Analisando os gráficos elaborados, não há a ocorrência de uma Curva de Phillips para o caso brasileiro. Vamos entender o porquê e como o papel das expectativas se relaciona:

Nos períodos da hiperinflação, a persistência da inflação levou os trabalhadores e as empresas a reavaliarem como formavam suas expectativas. Havia grande incerteza sobre a inflação, impedindo que os trabalhadores conseguissem criar expectativas sobre a inflação futura, para que pudessem negociar os novos salários.

Como a inflação era consistentemente positiva, ano após ano, as pessoas ao formarem suas expectativas, começaram a levar em conta a presença e a persistência da inflação. Essa mudança de como se formavam as expectativas modificou a natureza da relação entre desemprego e inflação.

Outro fator que dificultou fortemente a definição das expectativas futuras foram as trocas de moeda, que ocorreram em vários momentos como uma tentativa de solução para a alta inflação.

Existe também a Curva de Philips Modificada, nela é possível de se notar a relação que ocorre entre um aumento ou diminuição da inflação entre os anos; para um desemprego baixo, a variação da inflação é positiva e para um desemprego alto, a variação da inflação é negativa. Podemos notar isso com o exemplo dos EUA, a partir da década de 1970:

Analisando o caso Brasileiro nos períodos de hiperinflação, estabilidade da inflação e ambos períodos:

No nosso país é possível notar que essa relação não é muito perceptível. Existe uma relação negativa entre a variação da inflação e o desemprego médio. Porém, tal relação não ocorre tão claramente, dados os motivos já citados. Levando em conta os 30 anos analisados é notável que, no nosso caso, a inflação não varia proporcionalmente ao desemprego.

Referências:

http://www.ipeadata.gov.br/Default.aspx acesso em 06 de maio de 2019

https://ww2.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme/default.shtm acesso em 06 de maio de 2019

BLANCHARD, Oliver. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.

Grupo B – Macro 2019

Ensinando Economia, Nível de atividade

G-J: Mercado de Trabalho: Conceitos e Indicadores

Saber os significados das diferentes classificações da população no mercado de trabalho é um pouco complicado, não é? Não! É bem simples, vem comigo:

    Vamos começar pelos seguintes conceitos: ocupados e desocupados. A população ocupada (PO) é a parte da população que trabalha ou pelo menos tem trabalho, mas não exerce no momento (período de férias). Há várias subdivisões dessa parcela: empregados trabalhadores por conta própria, empregadores e não remunerados. Segundo o IBGE, eles são definidos da seguinte forma:  

    – Empregados: aquelas pessoas que trabalham para um empregador ou mais, cumprindo uma jornada de trabalho, recebendo em contrapartida uma remuneração em dinheiro ou outra forma de pagamento (moradia, alimentação, vestuário, etc.).

    – Trabalhadores por Conta Própria: aquelas pessoas que exploram uma atividade econômica ou exercem uma profissão ou ofício, sem empregados.

    – Empregadores: aquelas pessoas que exploram uma atividade econômica ou exercem uma profissão ou ofício, com auxílio de um ou mais empregados.

    – Não Remunerados: aquelas pessoas que exercem uma ocupação econômica, sem remuneração, pelo menos 15 horas na semana, em ajuda a membro da unidade domiciliar em sua atividade econômica, ou em ajuda a instituições religiosas, beneficentes ou de cooperativismo, ou, ainda, como aprendiz ou estagiário.

As desocupadas (PD) são aquelas pessoas que não tem trabalho e estão à procura de um, procurando em jornais e/ou sites de emprego. Mais interessante, a junção das populações ocupada e desocupada formam a população economicamente ativa (PEA). Por lei, apenas são considerados nessa partição pessoas a partir dos 14 anos de idade com condições para exercer algum trabalho. O contrário dessa é a população não economicamente ativa (PNEA), que podemos incluir quem não possui idade, interesse ou condições de exercer algum trabalho, por exemplo pessoas deficientes que são incapazes de exercer qualquer atividade para sua sobrevivência. Outro termo relevante é a população em idade ativa que leva em consideração apenas pessoas de 14 anos ou mais, isto é, a soma de PEA e PNEA. A partir dessas definições podemos temos o seguinte fluxograma:

Agora, vamos falar sobre um dos indicadores de mercado. Em especial, focaremos em taxa de desocupação. A taxa de desocupação é a relação entre quantidade de desocupados e a população economicamente ativa multiplicado em dado período multiplicado por 100, algebricamente temos: (PD/PEA) * 100.  

Vamos ver o gráfico desse indicador no Brasil de 2012 a 2019:

Pelo gráfico, notamos que as taxas de desocupação até o 1° trimestre de 2015 varia entre 6% e 8% que, em termos macroeconômicos relativamente aos anos subsequentes, indicam uma estabilidade econômica. Em diante, há aumentos sucessivos até o segundo trimestre de 2017 levando a taxa para o intervalo de 12% a 14%, considerada extremamente alta em relação aos anos anteriores, que se perdura até atualmente indicando grande recessão e instabilidade econômica.

Quando um país tem sua economia relativamente estagnada, o crescimento da produção se mantém baixo e, com isso, a necessidade de contratar mais funcionários também não cresce. Assim, a proporção de pessoas desempregadas que estão na procura de emprego por pouco tempo é pequena se comparada á quantidade de pessoas que permanecem desempregadas.

No gráfico, temos a proporção de desempregados que procuram emprego por menos de 1 mês (Calculo deste dado)

Neste, a proporção média entre os trabalhadores desempregados que procuram emprego por menos de 1 mês é de 12,31%. Ou seja, praticamente 88% dos trabalhadores permanecem sem emprego por mais de 1 mês. Isso mostra como a situação está ruim quando se trata do desemprego, que influencia diretamente a produção. Essas pessoas fazem parte da força potencial de trabalho, mas estão sem produzir. Este fato também piora, no geral, a produção e as futuras contratações, reforçando este ciclo.

Bibliografia:

Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD Contínua Fevereiro 2019. Disponível em: <https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/9171-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios-continua-mensal.html?=&t=resultados>. Acesso em: 27 de abril de 2019

Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD Contínua Séries Históricas. Disponível em: <https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/17270-pnad-continua.html?edicao=17274&t=series-historicas>. Acesso em: 27 de abril de 2019

Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua trimestral . Pessoas de 14 anos ou mais de idade, desocupadas na semana de referência, por tempo de procura de trabalho. Disponível em: <https://sidra.ibge.gov.br/tabela/1616#resultado> Acesso em: 27 de abril de 2019

Blanchard, Olivier. Macroeconomia; tradução: Cláudia Martins, Mônica Rosemberg; revisão técnica: Eliezer Martins Diniz. 4ª ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.

Grupo J – Macro 2019

Inflação, Nível de atividade

G9-Eco: Inflação e desemprego no Brasil

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

“A relação desemprego e inflação é comumente explicada pela Curva de Phillips (CP), que descreve um efeito negativo entre as duas variáveis. Entretanto, pelos dados dos últimos anos, percebemos que o caso brasileiro não pode ser totalmente explicado por tal teoria.

A figura 1 apresenta a relação entre a inflação e o desemprego no Brasil a partir de 2012. Através dos dados, percebe-se que a relação negativa entre inflação e desemprego não esteve presente no período total abrangido pela série, mas ocorreu em alguns períodos, como entre Jul/12-Nov/12 e Fev/16-Mar/17. No entanto, a partir de Abril de 2017, as variáveis movimentam-se na mesma direção, com redução no nível de preços e na taxa de desemprego.

A CP desenvolvida inicialmente representava um gráfico de dispersão utilizando dados de salários nominais e taxa de desemprego. Em seguida, dados de inflação foram utilizados no lugar de salários nominais e a relação negativa apresentada entre inflação e desemprego se tornou conhecida como a curva de Phillips.

A figura 2 apresenta um gráfico de dispersão, relacionando a inflação com o desemprego com dados do Brasil a partir de 2012. Esse resultado é o mesmo encontrado por Mishkin para dados dos Estados Unidos a partir dos anos 1970, em que não se verifica relação clara entre essas variáveis.

A CP novo keynesiana é a mais utilizada atualmente em estudos sobre a inflação. Nesta versão da CP, os agentes possuem expectativas racionais e existem falhas de mercado que geram certa rigidez nominal. Assim, tem-se que a diminuição do desemprego aumenta o poder de barganha dos trabalhadores, que exigem salários nominais maiores, aumentando o custo de produção que são repassados aos preços. Neste caso, tem-se que o desemprego é negativamente relacionado com a inflação, sendo esta a CP de curto prazo.

No entanto, no longo prazo, o mercado de trabalho deve estar em equilíbrio, de modo que a relação negativa entre desemprego e inflação desaparece.

Sachsida, Ribeiro e Santos (2009) estimam três CPs: CPs para os estados do Rio de Janeiro e de de São Paulo e CP para o Brasil. Os autores usam dados trimestrais de 1995 a 2008 e levam em consideração a mudança de regime, para isso, utilizam um modelo de Markov-switching.

Como proxy para a inflação, utilizam o IPCA. Como proxy para o custo marginal da empresa, são utilizadas diversas variáveis de acordo com a disponibilidade dos dados em nível estadual e nacional, sendo elas: massa salarial, utilização da capacidade instalada da indústria, taxa de desemprego e hiato do produto.

Após o estudo, os autores encontram evidências de que os parâmetros não são lineares. Além disso, ao adotar um modelo de mudança de regime, a expectativa de inflação passa a ter um coeficiente maior do que a inflação passada, sendo o oposto do que se encontra nos estudos em que não há mudança de regime, o que indica que modelos lineares podem subestimar o efeito da expectativa de inflação. Constataram ainda que os resultados não são robustos a alterações nas proxies e especificações adotadas, de modo que a curva de Phillips não é uma boa explicação para a economia brasileira no período considerado.

Embora a CP ainda seja uma das mais importantes relações macroeconômicas, vários economistas, incluindo Larry Summers, da Universidade de Harvard, apontam que a relação se “quebrou”. Uma das teorias é que isso ocorreu devido à competição internacional, que dificulta o aumento do preço dos produtos e dos salários. Outra teoria é a de que os Bancos Centrais se tornaram mais críveis no controle dos preços, sendo eles menos sensíveis à ciclos econômicos. Independe do motivo, a CP atualmente não é considerada uma boa ferramenta para prever a inflação.

Referências”

https://goo.gl/zGozUR

http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_1429.pdf

MISHKIN, Frederic. The
Economics of Money, Banking and Financial Markets
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10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

Autores: Grupo F

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Nível de atividade

O Cenário da Desigualdade, Pobreza e Desemprego no Brasil

 

Autores: Grupo 12 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

A desigualdade no Brasil decorre de nosso contexto histórico. Tanta disparidade vem principalmente das políticas fiscais injustas, dos baixos salários e da dificuldade da população em acessar os serviços básicos oferecidos pelo Estado, como a educação. Esta desigualdade traz consequências negativas para a economia, como o aumento da violência, do desemprego e da pobreza.

Para discutirmos tal tema, precisamos realizar uma retrospectiva histórica e analisar a política econômica  adotada por cada governo, para que vejamos o impacto no mercado e na vida dos agentes. Partindo do Plano Collor, implantado em 1991/92 e baseado inteiramente em uma política monetária rigorosa e em restrições fiscais, vemos que a adoção de tais medidas gerou uma contração da demanda, afetando negativamente a capacidade das empresas de impor margens de lucro e o poder de barganha dos trabalhadores. Consequentemente, houve um aumento no desemprego. Com isso, as experiências de política econômica caminharam para o insucesso e os preços continuaram se elevando, aumentando a instabilidade.

A essa realidade, seguiu-se o Plano Real. O Governo, planejando a curto prazo, buscou um trade-off entre inflação e desemprego. Pela curva de Phillips, dada a rigidez dos preços e salários da economia, apesar de os agentes serem possuidores de expectativas racionais, faz-se necessário um período para ajustar as expectativas. Com isso, o governo consegue diminuir a inflação e aumentar o desemprego. Entretanto, a longo prazo, a nova estabilidade econômica permite a implementação e sofisticação de programas sociais.

Isto pôde ser observado a partir de 2003, no primeiro governo Lula, que foi marcado por atitudes mais conservadoras como a elevação da taxa de desemprego a patamares de 13% ao ano. Devido ao desaquecimento da economia,  houve, já no segundo mandato, uma flexibilização das políticas adotadas, levando ao crescimento da economia e, consequentemente, à queda do desemprego, da pobreza e da desigualdade social, além da ascensão dos programas sociais.

Chegamos então ao governo Dilma, que mudou políticas econômicas (congelando preços e abaixando taxas de juros), gerando em seus últimos anos um aumento da taxa de desemprego, da desigualdade social e da taxa de pobreza.

Depois de todo esse percurso, chegamos à conjuntura atual, onde o pais corre o risco de retroceder nos avanços dos períodos anteriores, chegando a um desemprego de 13, 7% no primeiro trimestre de 2017, algo nunca visto nos últimos 25 anos. Dada a crise política que assola Brasil, acentua-se crise econômica que vem de 2008. Visto que antes a informalidade era maior, os demandantes de trabalho repassavam as perdas na produção e vendas oferecendo salários mais baixos, enquanto atualmente, num regime de trabalho mais formal, a demissão é a saída encontrada.

Este cenário acentua a pobreza, pois quem sofre os impactos são as camadas sociais mais baixas, ou seja, quem possui menos acesso a recursos acaba sendo mais prejudicado, e aqueles que já tinham pouco passam a ter menos ainda. Isso fez com que  o Brasil caísse 19 posições no ranking do Índice de Gini, tornando-se o décimo país mais desigual do mundo.

 

Fontes :

https://roselisilva.files.wordpress.com/2017/06/7c196-giniindex-grafico1.png

http://www.ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/TDs/td_0468.pdf

http://g1.globo.com/economia/noticia/desemprego-fica-em-137-no-1-trimestre-de-2017.ghtml

https://brasilfatosedados.files.wordpress.com/2010/09/1-5gc12.png?w=640&h=304

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/06/1890238-destruicao-de-emprego-na-atual-recessao-e-a-mais-forte-em-25-anos.shtml

http://alertasocial.com.br/?p=1704

https://oglobo.globo.com/economia/com-crise-desigualdade-no-pais-aumenta-pela-primeira-vez-em-22-anos-21061992

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Nível de atividade

Keynes e o desemprego

Autores: Grupo 2 – REC2201-Macroeconomia 2017

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A teoria clássica desenvolveu, ao longo de décadas, alguns “postulados” sobre o mercado de trabalho, os quais sejam: os salários são iguais ao produto marginal do trabalho e a utilidade dos salários é igual à desutilidade marginal desse mesmo salário sob o mesmo volume do emprego (ideia da qual deriva o conceito de “desemprego voluntário”). O economista John Maynard Keynes, que rompeu com o mundo clássico, não aceitava este último postulado e defendia como algo intrínseco às economias de mercado a existência do chamado “desemprego involuntário”, que não era concebido nos modelos anteriores.

Para Keynes, o nível de emprego é determinado pelo mercado de produtos, através da demanda efetiva (composta por gastos com investimento e consumo), e não no próprio mercado de trabalho. Isto é, ao contrário dos clássicos, para quem o produto dependia do emprego, para Keynes, é o emprego que depende do produto. O princípio da demanda efetiva, que Keynes usa para se contrapor à chamada “Lei de Say”, diz que a atividade econômica é diretamente determinada pelos componentes da demanda.

Para justificar os gastos com investimento, que compõem a demanda efetiva, Keynes se vale de alguns pressupostos lógicos, entre os quais está a incerteza. Ao contrário dos clássicos, que pressupunham previsão perfeita e consideravam a moeda como simples meio de troca, Keynes incorpora à sua teoria as ideias de que a moeda possui reserva de valor e de que os agentes desconhecem boa parte dos acontecimentos vindouros. É desta última ideia que deriva a teoria da preferência por liquidez, segundo a qual os agentes podem abrir mão de juros e lucros em favor da segurança.

Outros fenômenos considerado por Keynes são os rendimentos providos pelo mercado de fundos emprestáveis; o mercado de bens de capital, de liquidez nula, cujos rendimentos, na margem, devem se aproximar às taxas de juros; e, por fim, a determinação do volume de investimento que será feito por parte dos agentes. Quanto ao consumo, Keynes diz que este é determinado pela renda e pela propensão marginal a consumir.

Keynes entendia que a correspondência entre a demanda efetiva e o pleno emprego era uma exceção, e não a regra. Poderia haver desencontro entre os planos dos agentes, utilização diversa dos recursos etc. Dessa forma, a chamada desutilidade marginal do trabalho não determinaria os níveis de emprego, mas sim um limite superior para este e um limite inferior para os salários reais. Ou seja, ao considerar que os salários reais eram iguais à desutilidade marginal do trabalho, a teoria clássica sobre desemprego descrevia apenas uma situação limite da teoria keynesiana.

Dada esta ideia principal – a de que o mercado de trabalho é determinado pelo mercado de bens, o qual depende da demanda efetiva -, Keynes define que o desemprego involuntário acontece quando, dado um certo aumento dos preços, tanto a oferta de mão-de-obra como a demanda por trabalho sob determinado salário nominal aumentam mais que o volume de emprego disponível.

Neste sentido, para Keynes, o que faz com que o desemprego seja involuntário é justamente o fato de que seus postos de trabalho não são um fim em si mesmo, mas sim motivados por um outro mercado, o de bens e serviços. Assim, numa situação de desequilíbrio, mesmo que a massa de trabalho aceitasse ter seus salários nominais reduzidos, é possível que não houvesse postos de trabalho o suficiente para todos.

Dado o problema, Keynes acreditava a resolução do desemprego deve se dar via aumento da demanda efetiva – o que se refletiria sob a forma de aumento do produto, do nível de preços e do emprego. Dado que o salário nominal é mais rígido que o real, uma redução deste último poderia aumentar o potencial de empregabilidade da economia. Isto, claro, quando tratamos de uma situação anterior à do pleno emprego. Após este ponto, medidas como essa só resultariam em aumento dos preços e dos salários nominais.

Bibliografia:

FERREIRA, Adriana Nunes. A controvérsia Pigou-Keynes. Texto para Discussão. IE/UNICAMP, Campinas, n. 237, jun. 2014.

KLAGSBRUNN, Victor Hugo. O princípio da demanda efetiva (a esperada), e o papel da demanda na teoria geral de Keynes. Revista de Economia Política, vol. 16, nº4 (64), outubro-dezembro/96.

NERY, Pedro Fernando Ferreira de Almeida. Uma resenha teórica sobre o desemprego involuntário. Economia e Desenvolvimento, Recife (PE), v. 11, nº 2, 2012.”

 

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Nível de atividade

Arthur Cecil Pigou (1877-1959) – A teoria do desemprego

Autores: Grupo 1 – REC2201-Macroeconomia 2017

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 “O que leva o trabalhador a não entrar no mercado de trabalho? Para os clássicos que consideravam o pleno emprego, aqueles trabalhadores que não aceitam trabalhar pelo salário de equilíbrio seriam os quais considerariam a utilidade marginal do lazer maior do que a do trabalho, ou seja, o desemprego seria um fenômeno voluntário. “Sempre existirá uma tendência significativa para que as taxas de salários tenham uma relação com a demanda [de mão-de-obra] de modo que todos fiquem empregados. Assim, em condições normais, todos [os trabalhadores] estarão empregados” (PIGOU, 1927). A intervenção do governo com políticas salariais não era apenas vista como desnecessária, mas indesejável, pois naturalmente o mercado de trabalho determinaria os salários de equilíbrio, e qualquer interferência indevida resultaria em desequilíbrio, e consequentemente, desemprego involuntário.

Fica clara a importância da Lei da Say para entendermos o pensamento de Pigou. De acordo com Say, “toda oferta gera sua própria demanda”, ou seja, os empresários devem expandir sua produção até que o mercado estabeleça um limite, e isso garante que no equilíbrio, o nível de emprego seja o de pleno emprego, no qual o valor da oferta agregada iguala a demanda agregada.

Para Pigou, o nível de emprego é dado pela intersecção das curvas de demanda e oferta reais de trabalho, então o desemprego seria resultado de flutuações da função da demanda real de trabalho não acompanhadas por uma modificação adequada dos salários. Então o desemprego seria fruto de uma política salarial não adequada. Uma das maneiras de sanar o desemprego seria então uma política salarial que possibilitasse que salário real se ajustasse perfeitamente às flutuações da demanda real por mão-de-obra, porém o volume de emprego só poderá expandir-se se o fluxo de bens de salários pagos ao trabalhador também aumentar.

Em seu livro, Theory of Unemployment (1933), Pigou explica:

Sempre haverá uma tendência a que as taxas de salário sejam ligadas à demanda de tal forma que todos estejam empregados. A implicação disto é que o desemprego existente, em qualquer momento, é inteiramente devido ao fato de que mudanças nas condições de demanda ocorrem continuamente e que fricções impedem que ocorra o ajuste apropriado de salários instantaneamente (p. 252).

Pigou define como desemprego o estado em que o trabalhador, dados os níveis de salário correntes, desejaria estar empregado mas não o está, ou seja, desempregado involuntariamente. Eliminando-se empecilhos institucionais, as fricções das flutuações industriais, os caprichos dos empregados e a competição perfeita dos assalariados, tem se que o mercado de trabalho ajustará o nível de salários ao de equilíbrio compatível com o pleno emprego.

Bibliografia

  • Rogério Arthmar, Pigou e a revolução keynesiana
  • Rogério Arthmar, Flutuações, Emprego e Tradição Clássica em Pigou
  • Adriana Nunes Ferreira, A controvérsia Pigou-Keynes
  • Marcelo Weishaupt Proni, Teorias do desemprego: um guia de estudo”  

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Inflação, Nível de atividade

WILLIAM “BILL” PHILLIPS E CURVA DE PHILLIPS

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“William “Bill” Phillips (1914-1975) foi um economista neozelandês que viveu na Inglaterra e ficou conhecido principalmente por duas obras: o computador MONIAC e a Curva de Phillips.

5-B Professor_A.W.H_(Bill)_Phillips (1)

Antes de estudar economia, Phillips frequentou uma faculdade de engenharia elétrica, na Austrália, e só foi ter contato com aquele assunto após o fim da Segunda Guerra, quando ingressou na London School of Economics, para estudar Sociologia.5-B Phillips_and_MONIAC_LSE

A partir daí, passou a se interessar por tópicos de macroeconomia e em 1949, utilizando também seu conhecimento em engenharia, criou o MONIAC, um computador analógico composto por reservatórios de água representados por agregados macroeconômicos (entre eles renda nacional, consumo, importações, exportações), tubos e comportas que usava conceitos de hidráulica para demonstrar como o dinheiro fluía em uma economia.

 

Mas sua principal contribuição para as ciências econômicas foi um estudo publicado em 1958 no artigo The Relation between Unemployment and the Rate of Change of Money Wage Rates in the United Kingdom, 1861-1957, no qual Phillips relacionava a inflação à taxa de desemprego de um país. Essa relação já havia sido feita pelo economista Irving Fischer (criador da Teoria Quantitativa da Moeda) em um estudo publicado em 1926 sob o nome de A Statistical Relation between Unemployment and Price Changes, mas foi de fato abordada com mais profundidade no artigo de Phillips.

Uma consideração é importante: o que chamamos de inflação é tratada no artigo de Phillips como a taxa de mudança dos salários nominais. A substituição foi feita por Samuelson e Solow, em 1960, quando aplicaram a relação da Curva de Phillips (esse nome foi dado pelos dois neste artigo) para os Estados Unidos.  

EXPLICANDO A RELAÇÃO ENTRE INFLAÇÃO E TAXA DE DESEMPREGO

Para chegar na conclusão de que inflação e taxa de desemprego relacionavam-se inversamente, além de observar o diagrama de dispersão que desenvolveu, Phillips baseou-se no princípio de que os trabalhadores sofriam de ilusão monetária, ou seja, levavam em conta a variação do salário nominal em detrimento do real. Assim, relacionou a variação dos salários nominais ao excesso de oferta de trabalho em uma economia. De forma simples, este trade-off entre inflação (π) e desemprego (u) é evidenciado no gráfico abaixo e, ao lado, no diagrama publicado no artigo original: 5-B Grafico 15-B grafico 2

 

 

 

 

 

 

Contudo, a relação sugerida por Phillips foi limitada por alguns economistas. Em 1968, Milton Friedman, em seu artigo The Role of Monetary Policy (pág.11), defendeu que a Curva de Phillips, tal qual havia sido proposta, valia apenas para o curto prazo, ou seja, o trade-off inflação-desemprego existia somente temporariamente. No longo prazo, esses economistas argumentaram que  o gráfico da Curva de Phillips, ou NAIRU (Non-accelerating Inflation Rate of Unemployment),  seria uma reta vertical, sugerindo que a inflação não mais teria efeito sobre o desemprego e este caminharia para sua taxa natural. Abaixo, segue o gráfico da NAIRU:

5-B Grafico 3

Modernamente, a corrente principal das ciências econômicas reconhece a importância histórica da Curva de Phillips, e como sua principal contribuição para a macroeconomia. Contribuiu com o debate acerca da ilusão monetária, expectativas adaptativas e expectativas racionais, estagflação, e influenciou as políticas macroeconômicas nas décadas seguintes, tendo ainda hoje influência, ainda que menor, de maneira adaptada. Influenciou economistas como Paul Samuelson e Robert Solow, como no artigo que publicaram em 1960, Analytical Aspects of Anti-Inflation Policy (pág. 188), no qual repetem o experimento de Phillips utilizando a base de dados dos Estados Unidos.  No livro Introdução à Economia, de N. Gregory Mankiw, o trade-off explicitado pela Curva de Phillips é considerado como um dos 10 Princípios da Economia.”

 

Autores: GRUPO E – Macro I

 

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Cultura Econômica, Nível de atividade

PIB, desemprego – Brasil, emergentes e desenvolvidos: desempenhos comparados

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“Para Keynes, os empresários buscam as melhores previsões possíveis sobre as suas receitas futuras, tanto referente a expectativa dos preços, que o fabricante almeja obter com o produto finalizado, como a expectativa de rendimentos futuros, quando agrega um valor a um produto que irá revender. Essas expectativas podem ser de curto e longo prazo, e são essas expectativas que irão determinar o montante de emprego que a firma irá oferecer. Portanto, a produção, com o seu volume, somente irá determinar e atuar com influência sobre a quantidade de emprego se as expectativas dos empresários mudarem no decorrer do tempo. Logo, o efeito sobre a taxa de desemprego só irá ocorrer “depois de um lapso de tempo considerável”(KEYNES,1985).

Desempenhos comparados: Países desenvolvidos (G7)

Figura 1. Criação do grupo4-C- figura 1

Figura 2. Criação do grupo
4-C- figura 2

De acordo com os gráficos, o PIB teve uma queda significativa entre os anos de 2008-09, decorrente da conjuntura internacional. Percebe-se que todos os países do G7 e os seus complementares que estão na UE, apresentaram um PIB de 3 até quase 6 pontos negativos na queda percentual do PIB.

Em 2009, a Alemanha, uma das maiores economias da UE, teve a sua maior retração, desde o fim da Segunda Guerra. Encolhendo-se em torno de 5% em 2009, muito pela queda de investimentos e exportações(EGELER,BUHRS, 2010). Comparando com o desemprego, segundo Krämer: “Se as empresas na Alemanha produzem 5% a menos, então também alegam precisar de 5% a menos de funcionários, o que implicaria o corte de 2 milhões de empregos. Isso prova o quão problemático é quando a economia retrai 5%”. O número de emprego em 2009 se manteve estável ao ano anterior, o que se reduziu em 2009 foi a jornada de trabalho, reduzindo-se em média de 2,8% as horas trabalhadas(BUHRS, 2010).

No quesito desemprego, o Brasil teve em 2009 praticamente a mesma taxa da média dos países desenvolvidos, percebe-se uma diferença brusca nos anos seguintes, com uma estimativa de maior desemprego para 2016-17, beirando as taxas da Itália e da França.

Desempenhos comparados: Países emergentes e Brasil (BRICS)

Figura 3. Criação do grupo

4-C- figura 3
Figura 4. Criação do grupo
4-C-figura 4

 Os BRICS foram identificados como economias grandes e de crescimento rápido que teriam papéis globais cada vez mais influentes no futuro. Mas a desaceleração econômica que o Brasil está passando se repete em todo o grupo. No Brasil, uma conjugação de fatores internos e externos que determinaram o baixo dinamismo da economia no período recente.

Já a Rússia é criticada por ter um ambiente de negócios difícil, devido à burocracia e incertezas sobre o sistema legal. Jim O’Neill (responsável pelo termo “BRICS”) afirma que o país precisa de normas confiáveis de direito empresarial. Mesmo assim a Rússia apresenta taxas de desemprego abaixo do Brasil.

China é possivelmente a mais preocupante para o resto do mundo. O país tem registrado taxas extraordinárias de crescimento econômico há muito tempo e taxas de desemprego muito baixas, podendo representar que sua economia está muito aquecida.

A Índia aparentemente é o que está causando menos ansiedade nos mercados. O crescimento ganhou força nos últimos anos. Pode ser considerado como resultado de reformas e política macroeconômica voltada ao crescimento (aliada à geração de empregos). Junto com a China, a Índia apresentou crescimento do PIB com desemprego em torno de 4% nos últimos anos.

O desempenho da África do Sul em termos de crescimento e de redução do desemprego tem estado muito abaixo da China e da Índia. As razões para o elevado desemprego estão associadas a baixa demanda internacional por commodities e à fragilidade do setor manufatureiro voltado para as exportações, que tem vivenciado uma redução de lucratividade, fator que compromete a geração de empregos e o estímulo ao crescimento.

FIGURA 5 4-C- figura 5

O gráfico acima relaciona o desempenho do PIB e o desemprego no Brasil. Para o período de 2014 em diante a relação se tornou inversamente proporcional, com a queda do PIB e o aumento do desemprego. Percebe-se que a queda do PIB de 2013-14, influenciou levemente o mercado de trabalho, gerando até uma diminuição do desemprego. 

Fontes:

KEYNES,John Maynard; A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda; Ed.Nova Cultural;1985; São Paulo

http://www.dw.com/pt/brasil-pressiona-resultado-global-negativo-diz-fmi/a-19182298 http://www.dw.com/pt/alemanha-passou-pela-pior-recessão-desde-o-pós-guerra/a-5124646 http://www.dw.com/pt/ue-lutará-com-alto-endividamento-nos-próximos-anos/a-4296360

http://www.dw.com/pt/comissão-europeia-anuncia-más-perspectivas-conjunturais-na-zona-do-euro/a-4227300

Http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2016/01/weodata/index.aspx

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/11/141130_brics_atualiza_lab

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-06182009000300004 http://www.simpoi.fgvsp.br/arquivo/2012/artigos/e2012_t00177_pcn50520.pdf http://epocanegocios.globo.com/Economia/noticia/2016/04/epoca-negocios-brasil-e-pais-lider-em-desemprego-aponta-estudo.html http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2016/04/desemprego-no-brasil-chega-maior-taxa-da-serie-historica-do-ibge.html http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/04/desemprego-fica-em-102-no-trimestre-encerrado-em-fevereiro.html

http://saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&busca=1&idnoticia=3144 http://www.ibge.gov.br/home/disseminacao/destaques/2016_04_20_nota_informativa_pnadc.shtm http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/joao-borges/2016/04/20/VELOCIDADE-DA-PIORA-DO-DESEMPREGO-SOBE-COMO-FOGUETE.htm

http://cbn.globoradio.globo.com/editorias/economia/2016/04/20/DESEMPREGO-SOBE-PARA-102-NO-TRIMESTRE-ENCERRADO-EM-FEVEREIRO.htm

AUTORES: GRUPO C – Macro I

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