Ensinando Economia

Qual é o seu estilo de aprendiz?

 

Pensar sobre esse tema e  tentar responder a essa pergunta é sempre bastante útil, já que a vida é um aprendizado constante,  mais útil  ainda quando as provas intermediárias estão para começar e o tempo parece não ser suficiente para se preparar bem (não parece, mas é – veja este post sobre método de estudo).

Há estudantes que aprendem melhor de forma sequencial, indo do particular para o geral, já outros compreendem melhor um tema quando têm uma visão mais global sobre ele, e depois exploram os detalhes particulares; também há diferenças entre a apreensão de conteúdos visualmente, associada a memórias visuais, e para estes estudantes, mapas conceituais, diagramas, fluxogramas, etc, ajudam muito no seu processo de aprendizagem; outros são mais verbais e aprendem melhor lendo e ouvindo. Uns, mais ativos, outros, reflexivos; ou ainda mais sensitivos, preferindo fatos, métodos bem estabelecidos a possibilidades e formulações matemáticas, por exemplos.

Para saber mais sobre os estilos de aprendizagem, consultem a fonte que utilizei nesse breve resumo:

LEARNING STYLES AND STRATEGIES dos professores Felder e Soloman, que produziram um indicador de estilo de aprendizagem a partir de um questionário com 44 itens, como um teste para classificar seu estilo dentro das quatro dimensões que citei.

Para fazer o teste: http://www.engr.ncsu.edu/learningstyles/ilsweb.html

Reporto aqui as observações que os próprios autores fazem, na página de apresentação do índice:

  1. The ILS results provide an indication of an individual’s learning preferences and an even better indication of the preference profile of a group of students (e.g. a class), but they should not be over-interpreted. If someone does not agree with the ILS assessment of his or her preferences, trust that individual’s judgment over the instrument results.
  2. A student’s learning style profile provides an indication of possible strengths and possible tendencies or habits that might lead to difficulty in academic settings. The profile does not reflect a student’s suitability or unsuitability for a particular subject, discipline, or profession. Labeling students in this way is at best misleading, and can be destructive if the student uses the label as justification for a major shift in curriculum or career goals. (A learning style preference also does not serve as an excuse for a bad grade on the student’s last physics test.)

Mas garanto que é, no mínimo, divertido!!

Eis aqui o meu resultado:

Learning Styles Scales – Roseli

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Economia, Ensinando Economia

Inovações didáticas – Chute Educado

 

Esta prática tem como objetivo conscientizar o estudante do seu próprio desempenho em provas dissertativas individuais, contribuindo para que ele se torne ativo em seu processo de aprendizagem e crítico em relação aos seus métodos de estudo e preparação para provas dissertativas, por meio de um mecanismo de incentivo para a autoavaliação que costumo chamar de “chute educado”.

Para efetividade desta prática, é necessário que o professor reserve em seu cronograma de aulas datas para a realização de vistas de provas, como é natural em processos de avaliação formativa. Na data agendada, antes de entregar as provas corrigidas, discutir as respostas esperadas e tirar dúvidas sobre o conteúdo, o professor propõe aos estudantes que respondam à seguinte pesquisa:


Pesquisa Experimental

Pense sobre sua preparação para a prova desta disciplina e, baseado em sua experiência de estudo ao longo de sua vida, responda às duas questões abaixo. Recompensa: se você acertar a sua nota num intervalo de 0,5 ponto para cima ou para baixo, receberá como recompensa 0,5 na nota da prova em questão. Exemplo: você disse que sua nota esperada é 7,0, se sua nota efetiva estiver entre 6,5 e 7,5 ela será acrescida de meio ponto.

  • Quantas horas, aproximadamente, você estima que estudou para esta prova?

Resposta: _________ horas no total.

  • Que nota você acredita ter alcançado na prova?

Resposta: __________  (número entre 0 e 10, com até 2 casas decimais)

Nome: ________________________________________________________


 

Essa técnica é uma aplicação do conceito de expectativas racionais em sala de aula e foi elaborada com base em Blackwell (2010). Espera-se que o estudante se conscientize do trabalho que realizou, do quanto se dedicou para os estudos do conteúdo e como isso, naturalmente, reflete-se na nota que ele tirou na prova em questão. Esse meio ponto também tem um papel de minimizar distorções que a subjetividade da correção imprime às notas, por mais que adotemos estratégias para evitar tais distorções.

Obviamente, há vários efeitos endógenos nos resultados observados, tais como a reputação do professor (se a reputação for de que o professor é rigoroso, a nota chutada refletirá também essa informação); o grau de dificuldade relativo da disciplina; se o aluno está habituado ou não a refletir sobre seu desempenho em geral; se o aluno é repetente; entre outros.

Ao longo dos três últimos anos, venho sistematicamente aplicando esta técnica nas disciplinas que ministro, e pretendo ter em breve um banco de dados que permita uma análise econométrica robusta às endogeneidades a fim de analisar os resultados adequadamente. Por enquanto, apresento apenas uma análise exploratória inicial, que permite algumas reflexões interessantes.

Do total de sete turmas em cinco disciplinas diferentes (as turmas desse semestre não estão contabilizadas, pois ainda não ocorreu o fechamento do semestre) e de 265 alunos matriculados, quase 70% participa desse levantamento em pelo menos uma das duas provas regulares por semestre. A tabela 1 a seguir sintetiza as informações e já apresenta um teste de diferença de médias para distribuições com variâncias distintas entre a média da nota obtida e a média do chute educado:

Tabela 1: Síntese do banco de dados e teste de diferença de médias

tabela 1

Observamos que as disciplinas da área de métodos quantitativos parecem receber uma maior dedicação de tempo de estudo, considerando que há, em geral, sete semanas de aulas e preparação para cada uma das duas provas, o comportamento dos estudantes indica uma hora de estudo por dia útil da semana, o que seria bastante razoável em termos de alocação de tempo. Ainda, os testes de diferença de médias, para um nível de significância de 5%, não rejeitam as hipóteses nulas de igualdade entre as médias para o total da amostra, e para cada uma das disciplinas individualmente (todos os p-valores são superiores a 5%), sendo que apenas para a disciplina de Matemática Aplicada o teste é limítrofe. Concluímos que, em média, os alunos acertam suas notas e estão conscientes de seu desempenho em prova.

0 percentual de acertos de chutes é mais baixo que o esperado, apenas 39% e para entender esse resultado é importante desagregar o comportamento por classes de notas, pois as médias não mostram o grau de acerto entre alunos de desempenho pior e melhor, para o quê apresentamos os histogramas da Figura 3:

Figura 3: Histogramas de notas obtidas e estimadas e de erros e acertos

fig3a

 

fig3b

No primeiro dos histogramas, observamos que os alunos que obtêm notas mais baixas, entre 0 e 2, chutam notas um pouco mais elevadas, pois nas classes de 2,1 a 4 há um comportamento no sentido oposto, com uma maior concentração de chutes que de nota efetivas; por outro lado, o comportamento se inverte entre os alunos que obtêm notas melhores: acima de 4,1 as notas estimadas ficam abaixo das observadas e nenhum dos que obtiveram notas acima de 7,1 chutaram notas nessas classes. Já no segundo histograma, o resultado mais interessante se revela: os alunos que tiram as notas mais baixas, de 0 a 4, apresentam o maior percentual de acerto do chute, 68%, enquanto nessa mesma faixa, o percentual de erros é de 51% e o percentual de acertos acima de 4,1 cai para 32% enquanto o de erros sobe para 49%.

O tema continuará sendo alvo de estudos estatísticos mais robustos, e novos “chutes educados” das turmas deste semestre serão agregados ao banco de dados! Em breve terei uma nova versão.

Esses dados fizeram parte da apresetação oral que fiz no III  Simpósio Temático da Pró-Reitoria de Graduação “A Docência na USP: Desafios e Inovações”

Veja divulgação aqui.

 

BLACKWELL, C. Rational expectations in the classroom: A learning activity. Journal for Economic Educators, v. 10, n. 2, p. 1–6, 2010.

 

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Mercados Financeiros, Política Monetária

ECEC I – Taxas de Juros Zona Euro e Inglaterra

 

Atualmente a União Europeia (UE) é composta por 28 Estados-Membros, dos quais 18 fazem parte da zona do euro, ou seja, tem o euro (€) como sua moeda oficial. Além de facilitar a locomoção de pessoas entre as regiões, a moeda única oferece varias vantagens, assim como a maior estabilidade dos preços para empresas e consumidores, que leva a maior segurança e oportunidades para interações de mercado, aumentando, assim, a estabilidade e o crescimento econômico e fortalecendo a influência da UE na economia mundial também.

Com a adoção do euro como moeda única, os Estados-Membros da UE pertencentes à zona do euro renunciaram à sua soberania monetária. O Banco Central Europeu (BCE), como núcleo do Sistema Europeu de Bancos Centrais (SEBC), assumiu a responsabilidade pela politica monetária na área do euro, executando, em conjunto com os Bancos Centrais dos países membros, as funções essenciais do SEBC sob o nome de “Eurosistema”. Seu objetivo primordial consiste em manter a estabilidade dos preços e, consequentemente, manter a integração financeira europeia. Para isso, utiliza-se de instrumentos, dentre eles as decisões sobre as taxas de juros, assim como exemplo, fixar a taxa básica de juros e autorizar os bancos centrais a emitir moeda, além de supervisionar os mercados e instituições financeiras. Quando o BCE aumenta ou diminui as taxas de juros, ele esta influenciando indiretamente o nível das taxas aplicadas pelos bancos em transações como, empréstimos, tanto de instituições financeiras como para consumo, transações interbancárias, contas de poupanças.

Porém, nem todos os Estados-Membros da UE adotaram o euro como moeda. Um exemplo seria a Inglaterra que, devido a razões econômicas e culturais, optou por manter sua moeda tradicional, a libra esterlina. Os BCN dos Estados-Membros da UE não participantes também são membros do SEBC, mas possuem um estatuto especial, pois eles são responsáveis por suas políticas monetárias nacionais e, deste modo, não podem participar das atividades fundamentais do Eurosistema, em particular na condução da política monetária única, sendo o Bank of England (BOE) o banco central para a Grã-Bretanha. Com o objetivo de manter a estabilidade financeira e a confiança na moeda, o BOE utiliza-se da Official Bank Rate (taxa básica do BOE), assegurando, assim, a estabilidade dos preços. Esta é a taxa que o BOE aplica as instituições financeiras e bancos para os empréstimos com duração de um dia. 

Quando se fala em estabilidade dos preços, devemos pensar na estabilização das expectativas de inflação. O conselho do BCE visa manter as taxas de inflação em níveis inferiores, mas próximos a 2% no médio prazo, garantindo, também, uma margem de segurança contra a deflação.  Quando o banco central cede fundos ao sistema bancário, ele cobra juros, e como ele possui o monopólio da emissão de moeda, acaba tendo o poder também de orientar as taxas de juros de curto prazo.

Essas alterações nas taxas de juros diretoras afetam diretamente as taxas de juros dos bancos e do mercado monetário, e indiretamente as taxas oferecidas pelos bancos aos clientes. Além disso, afetam também os preços dos ativos (como os preços das ações), a taxa de câmbio, as decisões de poupança e investimento tanto das empresas como das famílias e a oferta de credito, a procura agregada e a oferta de credito aos bancos, tendo em vista que podem afetar os custos marginais dos bancos na obtenção de financiamento externo.

Para modo de exemplificação, segue abaixo quadro com as taxas de juros dos bancos centrais, entre eles o BCE e o BoE.

ecec I

No ultimo semestre, o BCE reduziu a sua taxa de juros para 0,15% com a finalidade de elevar a inflação a índice mais próximo de 2%. Essa tentativa de evitar a deflação causou reações imediatas no valor da moeda, que atingiu seu valor mais baixo nos últimos quatro meses. Além disso, o BCE revisou suas previsões de inflação para a zona do euro nos próximos anos, aumentando em ate 1,1% em 2015, assim como as taxas de crescimentos, previsão de 1,7%.

Referências:

http://pt.global-rates.com/

http://www.ecb.europa.eu/

http://www.portugues.rfi.fr/

http://www.bankofengland.co.uk/ “

Mercados Financeiros, Política Monetária

ECO B – Taxas de juros Zona Euro e Inglaterra – definições e dados

 

“A Taxa do Banco Central Europeu (BCE) e a Euribor

Desde 1999, o BCE ocupa-se com a política monetária da zona do euro. Para tanto, ele utiliza como um dos instrumentos a taxa de juros. Essa taxa de juros também é conhecida como juros referenciais ou juros do refinanciamento. Podemos intuir o porquê deste último nome se entendermos que a taxa de juros do BCE representa o valor que os demais bancos devem pagar ao BCE quando tomam dinheiro emprestado com ele.
Esse recurso, de tomar empréstimo com o BCE, é utilizado, geralmente, quando os demais bancos passam por escassez de liquidez.

Sobre os efeitos dos juros referenciais: se ele crescer ou diminuir, o BCE estará influenciando de modo indireto o nível das taxas aplicadas pelos bancos em transações interbancárias, hipotecas, empréstimos a empresas e empréstimos para consumo.

Por sua vez, a Euro Interbank Offered Rate (Euribor), Administrada pela Federação Europeia de Bancos, é uma taxa diária de referência montada a partir da média dos valores esperados de juros que os bancos da Zona do Euro teriam que pagar se resolverem tomar dinheiro emprestado de outros bancos.

Cotada somente em Euro, ela é calculada a partir dos valores esperados das taxas de juros interbancários que 44 bancos de países da Zona do Euro enviam diariamente à FEB. A partir disso, os 15% mais altos e mais baixos são descartados e do restante é feito uma média que representa a taxa diária.

Taxas de Juros na Inglaterra e Libor

No caso da Inglaterra, as decisões a respeito das taxas de juros são tomadas pelo Comitê de Política Monetária (Monetary Policy Committee, em inglês). A taxa de juros oficial é fixada pelo Banco da Inglaterra, sendo aplicada ao mercado de operações aberto do Banco da Inglaterra junto aos bancos e outras entidades.

O mecanismo pelo qual é definida a taxa de juros tem como objetivo principal mudar a taxa praticada na economia, controlando a inflação, e é determinada da seguinte maneira: o Banco da Inglaterra fixa uma taxa de juros na qual ele empresta para as instituições financeiras. Assim, essa taxa afeta todas as outras taxas de juros fixadas pelos bancos comerciais e por outras instituições.

Já a London Interbank Offered Rate (Libor) é administrada pela British Bankers Association e divulgada diariamente às 11:30 a.m. (Horário de Londres) pela Thomson Reuters. Diferente da Euribor, a Libor é cotada em 10 diferentes moedas.

A taxa em questão possui objetivo similar (Informar o valor da taxa de juros que os bancos da capital inglesa esperariam pagar a outros bancos se desejassem tomar emprestado) ao da Zona do Euro, porém a pesquisa para seu cálculo é configurada somente com os principais bancos situados em Londres. Para o cálculo da Libor em dólares (USD Libor), são pesquisados os valores esperados por 18 dos principais bancos mundiais, como HSBC, JP Morgan, Rabobank, Barclays, Citibank e etc.

Ao saber os valores dos juros interbancários esperados, a USD Libor é calculada descartando as 4 respostas mais altas e as 4 mais baixas, e fazendo a média das outras 10.

Alguns Dados

Abaixo apresentamos um gráfico que mostra o desenvolvimento das taxas Euribor, Libor e do Banco Central Europeu.

 eco B 1

Fonte: Produção própria a partir de dados de European Central Bank e European Commission

Além disso, no gráfico abaixo, apresentamos a média mensal das taxas de juros de longo prazo de títulos emitidos pelo governo de alguns países da zona do Euro e negociados nos mercados secundários.

eco B 2

 Fonte: Produção própria com base nos dados presentes em http://pt.global-rates.com/ (Observação: dos sete tipos existentes das taxas Líbor e Euríbor, o gráfico apresenta a taxa para o período de 12 meses)

Devido ao tamanho do post proposto, deixamos a discussão dos gráficos para os colegas de sala. Além disso, disponibilizamos uma matéria sobre a queda da Euribor e o Banco Central Europeu para estimular a discussão: Queda Euribor

 

Fontes :

http://www.jornaldenegocios.pt/mercados/detalhe/taxas_euribor_registam_maior_queda_em_16_meses_apos_corte_de_juros_surpresa_do_bce.html

http://pt.global-rates.com/

https://www.ecb.europa.eu/ecb/html/index.pt.html “

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Economia, Ensinando Economia

Inovações Didáticas – Interação on-line

 

Preparar atividades que utilizem um ambiente natural para a geração que nasceu com internet pode funcionar bem como instrumento didático, e, claro, dá um trabalho enorme para o professor – mas continuo apostando que valha a pena. Esse semestre, estou novamente utilizando esse caminho. Para ilustrar também essa inovação, destaco um trecho da resenha: SILVA, Roseli ; BATISTA-FERREIRA, N. N. . Resenha Bibliográfica: BECKER, William E.; WATTS, Michael; BECKER, Suzzane R. (Ed.). Teaching Economics: more alternatives to chalk and talk. Cheltenham-UK: Edward Elgar Publishing Limited, 2006. 225 p.. Estudos Econômicos (USP. Impresso), v. 40, p. 967-973, 2010.

 

“O uso de tecnologia computacional para além do email e sítios da rede de internet, tema do sétimo capítulo, ainda é escasso entre professores de economia, e poucos utilizam atividades mais complexas baseadas em computador ou inovações didáticas como técnicas de aprendizado ativo ou como autoavaliação online, em geral porque tais atividades impõem um elevado custo pessoal para o próprio professor. Os autores, Kim Sosin (Universidade de Nebraska – Omaha) e Willian Golfe (Universidade Estadual de Nova Iorque), revisam a literatura que busca avaliar se o uso de tecnologia representa um grande passo para a educação e se auxilia os professores a serem mais efetivos e eficientes em seus trabalhos, alterando, inclusive, seus papeis no processo de aprendizagem. Os resultados não são conclusivos, mas há evidências de que algumas atividades tecnológicas contribuem para o aprendizado e outras não, citam como exemplo o uso das “apresentações em PowerPoint e conversa” em substituição ao “cuspe e giz” como tendo efeito negativo na performance dos estudantes. Os autores sugerem algumas boas práticas para ensinar com tecnologia, tais como jogos e simulações em computador (apresentados no capítulo três); o uso de blogs, que podem ser mantidos pelos próprios alunos sobre o curso, ou pode ser um meio do professor estimular discussões sobre temas de estudo, ou, ainda, uma forma dos estudantes entrarem em contato com a diversidade de pontos de vista, o que pode ser usado como uma excelente ferramenta de ensinar a pensar criticamente; se utilizados sabiamente e com cuidado, os blogs propiciam uma vivacidade ao curso de uma maneira que poucas tecnologias poderiam fazer.

Os autores acreditam que a tendência no uso de tecnologia para ensino de economia seguirá no sentido de aumentar a portabilidade no acesso à instrução e das oportunidades de interação dos estudantes com o material do curso e com o professor e outros estudantes. Dentre as recomendações de “do’s and don’ts”, destacamos: ajudar os estudantes a avaliar a informação online; pedir aos estudantes que avaliem a parte tecnológica do curso, buscando aferir se ela contribui para o aprendizado de economia; não sobrecarregar os estudantes com informação online; não desconsiderar os custos de aprendizado a si próprio frente aos benefícios de desenvolver novos usos de tecnologia ou novas abordagens pedagógicas.”

 

A atividade deste semestre para as turmas de Monetária é a seguinte:

Peso na média: 7,5%

Descrição: Cada trio, sorteado a cada semana, ficará responsável por pesquisar notícias sobre o tema de aula da próxima semana e produzir um texto, com conteúdo conceitual/teórico e não-opinativo, sobre o assunto, citando fontes e links para as notícias pesquisadas (máximo 3).

O texto deve buscar uma linguagem informal e que possa elucidar conceitos econômicos para um público amplo e conter no máximo 4.000 caracteres com espaço.

Cada estudante participará comentando e debatendo o texto/tema, indicando outras notícias relacionadas, e/ou ajudando a melhorar a explicação econômica do fenômeno. É importante que seja possível identifica-los nos comentários.

 Funcionamento:

O texto deve ser enviado em doc para o e-mail da professora, até a segunda-feira ao meio dia e a janela de comentários estará aberta até o domingo seguinte.

Avaliação: 50% para a qualidade do texto avaliada pela professora e 50% pela participação individual ao longo do semestre, acompanhada e contabilizada pelo Assistente.

 

Ensinando Economia, Política Monetária

Inovações Didáticas – Experimentos

 

Lecionar disciplinas fora da área de métodos quantitativos propicia a implementação de algumas interessantes inovações didáticas. No presente semestre, ao lecionar Economia Monetária (minha área preferida ;-)), posso recolocar em prática algumas estratégias de ensino e de avaliação que tenho usado nos últimos anos e compartilho aqui com possíveis interessados, em três partes.

Uma delas é o uso de experimentos/jogos para introduzir conceitos econômicos abstratos. Reporto aqui trecho de uma resenha que publiquei para esclarecer o funcionamento dessa estratégia:

SILVA, Roseli ; BATISTA-FERREIRA, N. N. . Resenha Bibliográfica: BECKER, William E.; WATTS, Michael; BECKER, Suzzane R. (Ed.). Teaching Economics: more alternatives to chalk and talk. Cheltenham-UK: Edward Elgar Publishing Limited, 2006. 225 p.. Estudos Econômicos (USP. Impresso), v. 40, p. 967-973, 2010.

 

“Um exemplo clássico de jogo de leilão duplo[1] para pontuar a importância didática do uso de experimentos, e indica fontes já notoriamente conceituadas sobre o assunto[2]. Os apontamentos de Hazlett indicam que a eficácia dos jogos como método pedagógico requer que, além da sua simples aplicação, o professor utilize os dados gerados para uma profunda discussão com os alunos. No decorrer do curso, o professor pode recorrer à experiência do jogo para continuar aprofundando outros conceitos.

Nesta discussão os conceitos econômicos relevantes devem ser deduzidos pelos próprios alunos através da experiência vivida. O professor deve conter-se e ter atenção suficiente com a linguagem utilizada para não influenciar os alunos, levantando questões capazes de induzir o raciocínio deles. Dado seu fim pedagógico, é importante que o jogo ocorra sempre antes da apresentação dos conceitos econômicos e não depois. Segundo a autora, quando o jogo é aplicado após a explicação dos conceitos, os alunos questionam se os resultados alcançados são efetivamente válidos.

A autora aponta que, para os jogos em sala de aula, vale a mesma regra fundamental dos experimentos de pesquisa econômica: a existência de incentivos. Em cursos em que uma parte razoável dos conceitos será transmitida através da aplicação de jogos é natural que os ganhos sejam computados por meio de pontos que comporão a média do aluno no curso.

Dentre os “do´s and don´ts” referentes a ambos capítulos pontuamos: a clareza das instruções é muito relevante para o sucesso do jogo, a discussão com os alunos deve ocorrer logo após a finalização do jogo ou o mais breve possível (na mesma aula ou no inicio da próxima); a avaliação do curso deve conter questões que abordem o que os alunos aprenderam a partir dos jogos…”

[1] Para análises mais detalhadas sobre o uso de jogos em sala de aula ver Holt e McDaniel (1998) e Holt (1999).

[2] Tais como periódicos, sites de suporte a execução da atividade didática como também programas voltados especificamente para inovações na área de ensino em economia. Ver: http://www.marietta.edu/~delemeeg/games/ e http://people.virginia.edu/~cah2k/