Ensinando Economia

Atividades didáticas e avaliativas

O que os prezados pupilos estão a fim de fazer neste semestre?? Já aviso que “NADA” não é uma resposta possível! 😉

Como discutimos no primeiro dia de aula, temos algumas alternativas e vou elencá-las aqui para facilitar nossa decisão.

  1. Provas dissertativas que pode ter peso na média final de 60% a 75%, a depender de que atividades didáticas faremos adicionalmente. Podemos combinar 2 ou 3 provas individuais, sem consulta.
  2. Quizzes em classe e em casa, nota média com peso a definir, por meio do aplicativo Socrative (veja aqui as instruções para usá-lo e faça o quiz teste!! Entre na SALA MONET2018, é provisória, logo vc estará cadastrado numa sala da sua turma! )
  3. Atividade didática on-line: geralmente realizada em grupos, cada grupo é responsável pela produção de um post para o blog a cada semana, com nota para qualidade do post do grupo e participação individual de cala aluno da turma comentando os posts – neste ano pretendo adotar formato “reuniões do Copom” para essa atividade.
  4.  Análise de Conjuntura, com apresentação pelos alunos e síntese geral em classe, composta de pelo menos 2 etapas intermediárias com feedback da professora e do monitor, média simples entre nota do trabalho escrito e da apresentação comporá percentual da média final a definir – neste ano pretendo adotar formato “reuniões do Copom” para essa atividade.
  5. Leitura e discussão de um livro, também atividade realizada em grupos, com produção de sínteses críticas de capítulos livro a ser escolhido por grupos, com participação em comentários dos demais estudantes. O livro deve tratar de conteúdo complementar aos temas estudados em sala.
  6. Curso On-line de Introdução à análise macroeconômica, no Coursera. Aqui, as possibilidades estão em aberto, podemos fazer uma atividade ao longo do semestre em que os alunos realizam o curso e fazem uma breve resenha do tema estudado on-line ou fazemos um fórum de discussão no Coursera. Minha ideia inicial era deixar o estudo livre, com a comprovação de que o aluno cumpriu o curso dada pelo certificado, porém, ainda não recebi resposta para meu questionamento sobre como alunos USP fazem o curso com certificado sem ter de pagar inscrição (conforme informado inicialmente). Veja mais informações sobre o curso aqui.

Mais alguma ideia?? Deixe um comentário aqui!! Ou nos conte em sala de aula!

.

Mercados Financeiros

G1-Eco: Os mercados de capitais e crédito brasileiros: características, volume e taxas

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

Para analisarmos os mercados de crédito e capitais brasileiros temos que primeiro definir a responsabilidade de cada um na economia em geral. O mercado de crédito tem a função de atender agentes financeiros com investimentos de curto e médio prazos e concentrar credores e devedores de forma que haja transação de capital entre as partes, principalmente empréstimos para famílias e empresas. Já o mercado de capitais, segmentado em primário e secundário, permite a captação de fundos e gera liquidez aos títulos emitidos pela oferta de valores mobiliários, suprindo a necessidade dos agentes de investimentos de médio a longo prazo para capital de giro e fixo do mercado.

No Brasil, há uma grande concentração no mercado de crédito, sendo que quase 80% deste está “nas mãos” de apenas quatro bancos. Isto acontece devido aos atos de fusão e aquisição que ocorreram nos últimos anos, além do aumento da competição. Esta concentração, contudo, não aparenta se opor ao crescimento do mercado, já que o saldo de operações de crédito cresceu em 75,26% desde 2000. Da mesma forma, observamos uma grande concentração do índice de ações em poucas grandes empresas no mercado de capitais, além de pouca liquidez da maior parte das ações e uma grande volatilidade por conta da grande tendência especulativa do mercado.

As taxas incidentes diferem entre os mercados de capitais e créditos. O primeiro é avaliado através de uma taxa de corretagem que vale sobre o serviço ou o valor posto em transação. Já no mercado de créditos observamos o spread bancário, diferença entre a taxa de juros exigida do devedor e a paga ao emprestador. Temos a Selic como a taxa básica de mercado e extremamente influente na tomada de decisão de investimentos.

Destacando a importância do crédito, atualmente o BNDES trabalha com linha de créditos que beneficia pequenas e médias empresas. O intuito da liberação de crédito está na influência destes ocupantes do mercado em gerar emprego na economia, cerca de 54%. Além do spread que ficará a cargo da instituição bancária, a Taxa de Juros de Longo Prazo incidirá sobre o valor emprestado, limitado a R$3,6 milhões ao ano. O BNDES exerce aqui importante papel de Intermediário Financeiro, sem este a economia sofreria de ineficiência. É por meio deste “agente” que emprestadores encontram devedores e geram o fluxo do mercado, beneficiando-se de baixos custos de transação, menor seleção adversa e risco moral.

O saldo do crédito do sistema financeiro (Pessoa física e jurídica) chegou a 49,6% do PIB brasileiro, em dezembro de 2016, somando pouco mais de 3 trilhões de reais. No mesmo período, o volume da Bovespa não chegou nem à 3% do PIB, sendo este cerca de 167 bilhões de reais. Ao comparar com o exterior, vemos que os dois mercados estão abaixo da média mundial. Por exemplo, o crédito interno fornecido pelo setor financeiro em relação ao PIB no Brasil foi de 111,2% em 2016, enquanto a média mundial foi de 177,4% (como base de comparação, a porcentagem americana foi de 242,6% e a alemã foi de 134,2%). Outro exemplo é a BM&F Bovespa que é 23 vezes menor que a bolsa de Nova Iorque e ocupa apenas a 20º posição no ranking das maiores bolsas de valores do mundo, em relação à capitalização de mercado.

 

Referências (acessadas em 28 de agosto de 2017):”

https://www.oeconomista.com.br/bndes-lanca-linha-de-credito-para-pequenas-e-medias-empresas/

http://ibmec.org.br/empresario/o-que-e-mercado-de-capitais/mercado-de-capitais-no-brasil/

https://www3.bcb.gov.br/sgspub/localizarseries/localizarSeries.do?method=prepararTelaLocalizarSeries

http://data.worldbank.org/indicator/FS.AST.DOMS.GD.ZS?

http://www.visualcapitalist.com/20-largest-stock-exchanges-world/

http://g1.globo.com/economia/noticia/itau-bradesco-bb-e-caixa-tinham-quase-80-do-mercado-de-credito-ao-fim-de-2016.ghtml

https://www.bcb.gov.br/pec/wps/port/TD377.pdf

http://www.portaldoinvestidor.gov.br/menu/primeiros_passos/Entendendo_mercado_valores.html

ASSAF, A. Mercado Financeiro. 12º ed. São Paulo: Atlas, 2014.

 

Autores: GRUPO J

.

 

Economia Matemática, Política Monetária

L-Eco: Regras versus Discricionariedade

.

“Kydland e Prescott deram início ao estudo sobre a credibilidade da política monetária, evidenciando a análise sobre inconsistência temporal. Na perspectiva desses, a utilização de regras para a condução da política monetária representa a melhor solução para que a política atual seja consistente com a política de equilíbrio futura.

Na política consistente, temos 1 como a sequência das políticas dos períodos de 1 até T, e 2 é a decisão correspondente do agente para cada período. Temos que a função do bem estar social é:

                                                   3

Assumindo, que a decisão dos agentes no período t depende de todas as políticas e decisões passadas. Então:

                                              4

Assim, a política 5 é consistente se, a para cada período t, 6maximiza o bem estar levando em consideração as decisões anteriores, e as decisões futuras sendo selecionadas similarmente.
Já que uma política consistente não considera os efeitos de políticas t+1 nas decisões dos agentes em T, essa apenas será ótima caso o efeito das políticas futuras nas decisões presentes dos agentes for nulo, mesmo tendo conhecimento de tal política no presente.

A inconsistência é facilmente mostrada por um exemplo de dois períodos:
Para T=2, 12 é selecionada maximizando 7, sujeito a:

8  e 9

Assumindo derivabilidade e uma solução interior, então necessariamente:
                                                                  10

A política consistente ignora o efeito em que 12 tem sobre 13. Então para o modelo ser ótimo, a condição de primeira ordem é:
                                                                    11

Apenas se o efeito de 12 em X1 for zero ou se os efeitos das mudanças de 13 em S através de X2 for zero, o modelo consistente será ótimo.

Desta maneira, as políticas devem ser tomadas de acordo com as ações presentes, sendo controversa a qualquer tipo de controle. Segundo Mishkin, para as regras de política há algumas contradições, pois não há conhecimento do verdadeiro modelo econômico, sendo essas muito rígidas não prevendo todas as contingências, além de não serem incluídas e modificadas facilmente.

Em contrapartida, o método backward induction não pode ser aplicada em períodos infinitos para determinar a consistência da política, pois não temos um período final para começarmos a indução.  O conceito de consistência pode ser definido em termos de regras.  Supondo no tempo t a economia pode ser demonstrada por um vetor 19, de política variáveis 6 de variáveis demissíveis 14, e de choques aleatórios  (temporariamente independente). O movimento no tempo:

                                                               15

O retorno da política de regra para o período futuro:

                                                               16

Agentes racionais vão atuar no futuro:

                                                               17

Portanto mudanças no futuro afetam o presente. Assim, a decisão dos agentes será:

                                                               18

Caso os agentes e os tomadores de política não possuem o conhecimento da dinâmica econômica, com o tempo, os agentes vão convergir para o equilíbrio de regras mostrado nas equações acima. Políticos deveriam considerar o trade-off  de resultados atuais relativos aos resultados esperados do futuro.

Assim, de acordo com o livro-texto é revelado às limitações potenciais de políticas discricionárias. Desta maneira, os tomadores de política tendem a abandonar um bom plano de longo prazo quando estão visando decisões de curto prazo. Os formuladores de políticas sempre procuram fazê-las mais expansionistas que as firmas e que os indivíduos esperam, pois tal política iria aumentar a produção econômica no curto prazo. Não sendo a melhor opção, pois essa interfere nas expectativas dos agentes sobre as políticas, levando a uma maior expectativa de inflação para o futuro, o que irá ocasionar um aumento no salário e no nível de preços, contudo não leva a um aumento na produção no longo prazo.

 

Referencias:
KYDLAND, F. E.; PRESCOTT, E. C. Rules rather than discretion: the inconsistency of optimal plans. Journal of Political Economic, v. 85, n. 3, p. 473-492, 1977.

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.”

 

.

 

 

 

Nível de atividade, Política Monetária

A-ECO: O que esperar do comportamento da taxa de juros nos ciclos econômicos?

.

A-ECOgrafico1

A teoria monetária nos diz que a taxa de juros de uma economia é formada assim como qualquer outro “preço”: em um mercado, o mercado de títulos. Onde as escolhas dos agentes são definidas segundo a Teoria do Portfolio, para ativos de curto prazo e em condições de concorrência. A demanda por títulos, de acordo com estas hipóteses é dada pela riqueza dos agentes, retorno dos títulos em relação aos ativos reais, risco relativo e liquidez dos títulos, sendo negativamente inclinada. Já a oferta de títulos é positivamente inclinada e dada em função da necessidade de financiamento do Setor Público (que é o maior tomador de recursos das economias, portanto o maior ofertante de títulos), da lucratividade esperada do investimento produtivo (ou Eficiência Marginal do Capital) e da inflação esperada. A taxa de juros é dada pelo inverso do preço de equilíbrio neste mercado, ou seja, quando o preço de equilíbrio dos títulos diminui, a taxa de juros deverá aumentar.

Durante períodos de expansão econômica, a riqueza dos agentes aumenta permitindo-os demandar mais títulos, mas é plausível imaginar também um aumento da lucratividade do investimento real, fazendo com que mais títulos sejam ofertados e tornando este efeito ambíguo. Seu reflexo no preço de equilíbrio (portanto na taxa de juros) depende da sensibilidade das duas curvas, que pode ser estimada para cada país ou economia. No caso empírico dos Estados Unidos, e também do Canadá, o crescimento ou queda do produto está positivamente correlacionado à taxa de juros.

No caso brasileiro, esta relação não se confirma. A taxa de juros brasileira, assim como a de outros mercados emergentes, é muito volátil, contra cíclica (durante uma expansão do PIB a taxa deve diminuir), positivamente correlacionada às exportações líquidas e lidera o ciclo, conforme os dados em Neumeyer & Perri (2005). Em Kanczuk (2004), os resultados encontrados concluem que a taxa de juros brasileira é principalmente afetada por fatores domésticos como as mudanças na política fiscal do governo.

No artigo The Role of Interest Rates in the Brazilian Business Cycles (2011), o economista Nelson F. Souza-Sobrinho, testa dados trimestrais do período do quarto trimestre de 1994 ao primeiro trimestre de 2010, encontrando regularidades empíricas similares a estas para o Brasil. Neste trabalho, a taxa real de juros brasileira é caracterizada como o a taxa internacional de juros livre de risco multiplicada pelo prêmio de risco brasileiro (quanto maior o risco do país maior o seu prêmio de risco). Nesta primeira figura, temos o movimento da taxa de juros brasileira e do produto em relação aos desvios de sua tendência, onde os períodos de crise correspondem às áreas sombreadas.

A-ECOgraphBR_1

Nesta segunda, podemos observar a relação entre as exportações líquidas e a taxa de juros, também em desvios da tendência.

A-ECOgraphBR_2

Já a terceira figura ilustra uma correlação cruzada, entre produto e taxa real de juros com os dados empíricos entre Brasil e Canadá (uma economia que sabemos ter uma taxa de juros que se comporta de maneira pró-cíclica). O formato em U da curva para o Brasil sugere que é taxa de juros que desencadeia o ciclo. Estas diferentes estruturas de correlação estão associadas a fatores diversos, talvez a autoridade monetária canadense dê mais importância à estabilização do produto enquanto o BC brasileiro se preocupa mais com a estabilização de desvios da inflação esperada da tendência.

A-ECOgraphBR_3

A-ECOgraphBR_4

Porém, o trabalho afirma que os números brasileiros das correlações mais recentes entre produto e exportações líquidas, e produto e taxa de juros são menores do que os de outras economias emergentes, nos colocando em alguns aspectos próximos a outras economias relativamente maduras, em decorrência dos profundos avanços estruturais nos últimos vinte anos. O comportamento das nossas variáveis econômicas nos ciclos de negócios indica um meio termo entre o de economias emergentes e economias desenvolvidas.” 

Fontes:

Obs: Todos os gráficos não autorais presentes em Souza-Sobrinho (2011).

Dados do PIB Brasileiro – IBGE
http://seriesestatisticas.ibge.gov.br/series.aspx?vcodigo=ST12

Dados da Taxa Selic – Banco Central do Brasil (em Ipeadata)
http://www.ipeadata.gov.br/ExibeSerie.aspx?serid=38402

Frederic S.Mishkin, Apostolos Serletis (2011). The economics of money, banking and financial markets (4th Canadian Edition), The Behaviour of Interest Rates (p. 82-113). Toronto, Ontario: Pearson Canada.

Neumeyer, P. & Perri, F. (2005). Business cycles in emerging economies: The role of interest rates. Journal

of Monetary Economics, 52(2):345–380.

Kanczuk, F. (2004). Real interest rates and Brazilian business cycles. Review of Economics Dynamics,

7(2):436–455.

Nelson F. Souza-Sobrinho (2011). The Role of Interest Rates in the Brazilian Business Cycles. Revista Brasileira de Economia 65(3):315–336. http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rbe/article/view/3064/2262

 

 

.

 

Inflação, Mercados Financeiros, Política Monetária

A-Ecec: O CURIOSO CASO DAS TAXAS DE JUROS BRASILEIRAS

.

” A taxa de juros nominal, aquela prometida como remuneração pelo empréstimo de recursos, pode ser fragmentada em duas partes: a taxa de juros real – que resultará na variação do poder de compra – e a taxa de inflação esperada. Nesse sentido, para uma dada taxa de juros nominal, é preciso ter em mente que a taxa de juros real será afetada por variações na expectativa de inflação. Por exemplo, se o indivíduo deseja ter um incremento em seu poder de compra de 1% no ano seguinte, e acredita que haverá um aumento de 5% no nível geral de preços, ele abrirá mão de seu consumo presente somente se lhe for garantido um juros nominal de pelo menos 6%.

No mais, a relação positiva entre taxa de juros nominal e inflação esperada é reforçada pela análise de oferta e demanda no mercado de títulos, em que um aumento na expectativa de inflação incentiva os emissores de títulos a ofertar mais. Isso ocorre porque o custo real da dívida será menor na ótica desses agentes, uma vez que eles continuarão remunerando aqueles que lhe emprestaram recursos a uma mesma taxa nominal, mas o nível geral de preços de toda a economia aumentou. Simultaneamente, os compradores reagem diminuindo sua demanda por títulos, já que sua remuneração caiu. Em suma, uma elevação na expectativa de inflação gera, no longo prazo, um aumento na taxa nominal de juros. Esse fenômeno é chamado de Efeito Fisher, em homenagem ao economista norteamericano Irving Fisher (1867-1947), o primeiro a formular teoria econômica relacionando as variáveis taxa de juros e inflação esperada.

De fato, como mostra o gráfico da Figura 1: “Expected Inflation and Interest Rates (Three-Month Treasury Bills), 1953-2011”, que ilustra o Efeito Fisher para o caso estadounidense, as variáveis expectativa de inflação e taxa nominal de juros aparentam ser positivamente relacionadas.

A-Ecec-G 1

Contudo, para o caso brasileiro, os dados de taxa de juros nominal e expectativa de inflação, coletados no IPEAdata, para o período de 2010 a 2016 não apresentam a mesma relação, como pode ser observado no gráfico superior da Figura 2: “Inflação Esperada, Taxa de Juros e Déficit Público, 2010-2016”.

A-Ecec-G 2

Fica evidente que há um descasamento entre o comportamento da taxa de inflação esperada e a taxa nominal de juros. Em meados de 2011 a 2013, quando há uma constância na inflação esperada, há também uma queda na taxa SELIC – taxa básica de juros brasileira. Isso resulta, em síntese, numa diminuição na taxa real de juros do período. Em seguida, é possível observar, de 2013 a 2016, um contínuo crescimento na inflação esperada e um aumento na taxa de juros nominal. Essa distância entre as curvas resulta numa reversão da taxa de juros real frente ao período passado, que dessa vez se eleva.

Por fim, de acordo com Moreira (2006), uma possível explicação para o descasamento entre a taxa de juros nominal e a expectativa de inflação é a evolução da dívida pública em relação ao PIB. O governo brasileiro pode escolher se financiar emitindo títulos públicos, aumentando assim a oferta de títulos e, consequentemente, as taxas de juros nominal. Assim, está representada no gráfico inferior da Figura 2 a razão dívida-PIB brasileira. Esta dívida considera apenas aquela contraída pela emissão de títulos, que são títulos atrelados à própria SELIC. Observa-se que, de 2011 a 2014, a razão dívida/PIB diminui e a taxa de juros se aproxima da expectativa de inflação. Já de 2014 a 2016, a dívida/PIB aumenta e a taxa de juros se distancia da expectativa de inflação. Logo, o caso brasileiro se difere daquele demonstrado no livro texto de Mishkin (2013) e uma possível explicação para esse fenômeno é o aumento da oferta de títulos pelo governo brasileiro.

REFERÊNCIAS
MISHKIN, Frederic S. The economics of money, banking, and financial markets. Pearson education, 2013.

 

MOREIRA, Edison M. O regime de metas de inflação, a taxa de juros e a relação dívidda pública/PIB. Indicadores Econômicos FEE, v. 34, n. 2, p. 13-20, 2006. “

 

.

 

Política Monetária

ECO O – Países que adotam o regime de metas de inflação

.

“Nos anos 90, um número crescente de países adotou o regime de metas de inflação, devido ao fracasso de outras estratégias de âncora nominal como taxa de câmbio ou as metas monetárias. A âncora cambial, como o caso do Brasil e outros países emergentes, é abandonada com a ocorrência das crises asiática em 1997 e russa em 1998, que provocaram queda no preço das commodities, e reduziram o crédito para obtenção de dólares no exterior, inviabilizando a sobrevalorização do câmbio.

O regime de metas de inflação, se baseia no compromisso da autoridade monetária em perseguir uma dada taxa de inflação ou fazer com que ela permaneça em uma banda. Para atingir seu objetivo, o regime possui cinco elementos principais:

  • O anúncio ao público de uma meta numérica da inflação para um ou mais horizontes de tempo;
  • Um compromisso institucional assumindo a estabilidade de preços como objetivo primordial da política monetária;
  • O uso de uma estratégia de informação em que algumas variáveis (não apenas agregados monetários e taxa e câmbio) sejam utilizados como parâmetros às decisões envolvendo os instrumentos de política;
  • O aumento da transparência das estratégias de política monetárias, por meio da comunicação ao público e aos mercados sobre os planos, objetivos e decisões da autoridade monetária;
  • O aumento da responsabilidade do Banco Central em atingir os alvos inflacionários pré-estabelecidos.

A implementação do regime de metas inflacionárias se diferencia entre os países quanto à escolha do horizonte temporal para a convergência da meta, quanto à adoção de uma meta pontual ou banda, o valor numérico para a inflação, a utilização de cláusulas de escape e a independência dos bancos centrais em perseguirem a meta.

Abaixo, a tabela 1 mostra a autonomia dos bancos centrais em diferentes países em sua conduta na política monetária – tema que foi muito discutido na postagem no Grupo K “Taxa de Juros de FED”; aqui a tabela exibe se o BC toma decisões independentemente ou em conjunto com o governo; se ele persegue apenas a meta de inflação ou metas múltiplas; se é livre pra utilizar todos os seus instrumentos; se há cláusulas de escape e se a autoridade do BC pode ser demitida em caso de má conduta sobre a política monetária.

 Eco O 1

 Na tabela 2, são exibidos o horizonte de compromisso e a escolha do índice de preços como referencial para o alcance da meta (índice cheio, como o IPCA; ou o núcleo da inflação, excluído os preços mais voláteis).

 eco O 2

 

 Países em desenvolvimento, onde a credibilidade da autoridade monetária é mais baixa, adotam políticas monetárias mais agressivas para atingimento da meta, elevando o custo dessa convergência através de altas taxas de juros, o que prejudica a atividade econômica.

Em países desenvolvidos, a adoção do regime de metas também provoca a mesma volatilidade na comparação com outros países desenvolvidos, mas o custo dessa convergência é menor.

A tabela abaixo dividida em 2 partes (países desenvolvidos e em desenvolvimento) , compara a volatilidade da taxa de inflação, Crescimento do PIB, câmbio, juros e desemprego entre dois grupos de países; que adotam e não adotam o regime metas de inflação.

eco O 3

Atualmente 27 países operam no regime pleno de metas de inflação. No começo deste artigo foram apresentados cinco elementos chave para que o regime de metas de inflação atinja seu objetivo, sendo um destes elementos, o aumento do grau de transparência das estratégias de política monetária. Abaixo segue uma tabela  descritiva quanto a responsabilidade e transparência de cada país no que tange a condução do regime de metas de inflação.

 eco O 4

 

 Links:

http://www.economiaetecnologia.ufpr.br/XI_ANPEC-Sul/artigos_pdf/a3/ANPEC-Sul-A3-02-adocao_do_regime_de_meta.pdf

http://www.usp.br/prolam/downloads/2005_2_1.pdf

http://www.bankofengland.co.uk/education/Documents/ccbs/handbooks/pdf/ccbshb29.pdf

 .

 

Política Monetária

ECEC G – Países que adotam Metas de Inflação

.

“Nos anos 1990, como podemos ver no gráfico abaixo, um número crescente de países implementou o regime de metas de inflação. Esse regime propõe uma meta de crescimento para algum índice de inflação, que é anunciada no início de determinado período. A meta é estabelecida pelo governo e deve ser perseguida pelo banco central. A disciplina e a transparência requeridas sugerem alguma espécie de âncora nominal para a política monetária.

ECEC G 1 

Abaixo, uma breve descrição da adoção e resultados desse regime em alguns países:

 1) Nova Zelândia

O país foi o primeiro a adotar o regime de metas de inflação como âncora para a política monetária, que foi antecedida de uma reforma econômica abrangente que adotou o câmbio flutuante, desregulou e abriu a economia.    

A reforma no arranjo institucional do banco central da Nova Zelândia ocorreu após um longo, e bem-sucedido, período de desinflação. Desde 1985, o BC – sem autonomia legal, mas com independência de fato – operou uma política monetária desinflacionaria, que trouxe a inflação de 16%, em 1985, para 7%, em 1989.

A nova Lei do Banco Central estabeleceu como sua missão a implementação de uma política monetária com vistas a atingir e manter a estabilidade de preços, mas remeteu a formalização dos detalhes operacionais para um acordo público entre Tesouro e Banco Central: o Acordo para a Política de Metas no qual é acertada uma definição precisa da meta de inflação, compatível com a obtenção da estabilidade de preços.

A Lei de 1989 não estabelece o regime de metas, somente o respeito ao princípio da estabilidade de preços. Na prática, o que se observa, por meio dos sucessivos PTAs, é um processo contínuo, no qual as alterações são movimentos visando ao aperfeiçoamento do regime de metas de inflação. O PTA é, portanto, o veículo por meio do qual o objetivo genérico da estabilidade de preços ganha um contorno preciso com metas numéricas, prazos, cláusulas de escape e mecanismos institucionais internos de revisão.

 2) Chile

Chile é um exemplo bem-sucedido de adoção de regime de metas de inflação em um país emergente.  Apresentava taxas de inflação anuais superiores a 15% quando adotou seu regime de metas para inflação. A primeira meta estabelecida pelo Chile, em 1991, era um intervalo de 15,0% a 20,0% para a inflação acumulada em 12 meses. Esta meta foi diminuída gradualmente e os intervalos foram estreitados de 5 pontos porcentuais de diferença entre os limites superior e inferior da banda para 2 pontos porcentuais. Entre 1995 e 2000, a meta tornou-se pontual, sem abandonar a tendência de queda. Todo o processo de convergência para uma inflação estável foi realizado em aproximadamente 10 anos, desde 1991.

É importante ressaltar que o sucesso da meta de inflação não pode ser atribuído unicamente às ações do banco central chileno: políticas de apoio, tais como ausência de grandes déficits fiscais e de regulação rigorosa e supervisão do setor financeiro têm sido cruciais para seu sucesso.

 3) Brasil

O regime de metas de inflação foi implementado em meados de 1999, no que diz respeito à escolha das metas, dos intervalos de variação e do índice que mediria a inflação, e em que pesem os grandes desvios observados em relação às metas inicialmente traçadas em alguns anos, notadamente em 2002 e 2003, de um modo geral a iniciativa foi bem-sucedida, seja porque ela permitiu enfrentar situações adversas – como as desvalorizações de 1999 e 2002 – com custos moderados em termos da evolução do produto e da própria inflação –, seja porque, levando em conta a meta de 2006 – de 4,5% – a expectativa de mercado – muito próxima disso – sinaliza que a autoridade monetária goza de confiança, uma vez que a inflação esperada não difere substancialmente da meta estabelecida.

Atualmente o COPOM trabalha com o conceito de meta ajustada, em que, à meta preestabelecida pelo CMN, adicionam-se os impactos inerciais da inflação do ano anterior e o efeito primário dos choques de preços administrados por contrato e os preços monitorados.”

.

Política Monetária

ECO C – Países que adotaram Metas de Inflação

.

“O primeiro país a adotar o regime de metas de inflação foi a Nova Zelândia, em 1990, seguida do Canadá em 1991 e do Reino Unido, em 1992. Atualmente são 23 os países que adotaram oficialmente o regime de metas de inflação (RMI). Além dos 3 já citados, temos: Austrália, Chile, Israel, Suécia, Espanha, México, República Tcheca, África do Sul, Tailândia, Islândia, Hungria, Noruega, Peru, Filipinas, Turquia, Coréia do Sul, Brasil, Colômbia, Polônia e Finlândia.

Países com regime de metas de inflação

 eco C 1

Fonte: Gjedren (2005, p.2).

 

 Nova Zelândia

A pioneira Nova Zelândia em 1990 concedeu maior autonomia ao banco central e o incumbiu de manter a estabilidade dos preços no longo prazo. Definiu-se que o ministro das finanças e o presidente do banco central deveriam estipular e tornar públicas as recém-criadas metas para a inflação. O acordo inicial previa uma inflação entre 3-5% que foi se adaptando até 1-3%. A nova política havia conseguido conter a inflação, mas a um custo de profunda recessão e aumento do desemprego. Depois de contida a inflação, o país voltou a crescer e o desemprego tem voltado a crescer significativamente.

 eco C 2

 Canadá

O Canadá, um ano após a Nova Zelândia, também adota formalmente o regime de metas de inflação e possui uma trajetória similar na qual obteve sucesso em conter a inflação, mas com o custo de recessão e desemprego que se elevou mais de 10% de 1991 a 1994.

Reino Unido

Antes mesmo da adoção do novo regime, em 1992, a inflação do Reino Unido já estava baixa (4% no momento da adoção), o que facilitou a manutenção de uma inflação baixa em torno de uma meta. O crescimento do país foi forte durante o período e a taxa de desemprego diminuiu.

Chile

O Chile é o primeiro país emergente a adotar o RMI, embora o tenha feito informalmente, em 1990, aliado a um regime de bandas cambiais e reformas para manter o equilíbrio fiscal. Sinalizando para o mercado políticas mais contracionistas, obteve sucesso em conter a inflação e o regime foi oficialmente adotado no ano de 1999.

México

Durante a década de 90, o México estabilizou sua inflação através da taxa de câmbio, sistema este financiado por uma acumulação de crescente déficit em conta corrente que resultou na crise de 1994. Adotando assim o RMI em 1999, e com uma forte política restritiva, conseguiu conter a inflação abaixo dos 5%, mas para tal obteve uma média de crescimento de 2,1%.

Brasil

O Brasil, com a necessidade de uma âncora nominal, anuncia apenas em 1999 a adesão ao regime de metas de inflação, designando o COPOM (Comitê de Politica Monetária) como responsável por fixar as metas para a inflação, e ao Banco Central do Brasil a responsabilidade de manter estas metas. O COPOM tem de tornar públicas as atas de suas reuniões e também para aumentar a transparência para o público, institucionaliza-se o Relatório de Inflação Trimestral. O Banco Central tem autonomia no controle do instrumento e utiliza da taxa de juros Selic como tal para propiciar o ajuste. Desde a adoção do RMI, a estabilização dos preços se fez mais presente na última década, sendo que as metas não foram cumpridas apenas entre 2001-2003, período de choques inesperados. Desde então, as metas têm sido cumpridas, sendo que atualmente a meta é de 4,5%, admitindo-se uma banda de variação de 2%.

 eco C 3

 Deixamos como sugestão de leitura complementar ao tema uma notícia recente que retrata como Banco Central utiliza a Selic para conter a inflação, buscando atingir a meta. Também sugerimos o link para “Cursos USP – Economia Monetária”, que contém vídeo-aulas sobre o regime de metas de inflação.

http://www.valor.com.br/financas/3756542/copom-foi-mais-corajoso-do-que-se-esperava-diz-professor-da-fea-usp

http://univesptv.cmais.com.br/economia-monetaria/o-regime-de-metas-de-inflacao

 Referências:

Mishkin, F. S.; The economics of money, banking, and financial markets; 10ª edition.

http://www.anpec.org.br/sul/2013/submissao/files_I/i6-eb186994c091a5a9f713522b1ab47d56.docx

Material de Apoio sobre Âncoras Nominais e  Metas de Inflação; Prof. Dra. Roseli da Silva.”

.

Mercados Financeiros, Política Monetária

ECO H – A estrutura da taxa de juros no Brasil

 

A estrutura a termo da taxa de juros (ETTJ) relaciona títulos com maturidades diferentes com suas respectivas taxas de juros (YTM). Por derivar de títulos públicos, considerados essencialmente como livres de risco, essa estrutura é a base para formação das outras taxas de juros do mercado.

A curva da ETTJ possui três tipos de formatos – normal, invertida e plana – sinalizando o tipo de comportamento da taxa de juros com maturidades diferentes. Em geral, títulos com prazos mais elevados exigem juros mais altos para que os indivíduos mantenham-nos em mãos, e por isso a curva da ETTJ normalmente possui comportamento ascendente (curva normal), associando prazos mais elevados com juros maiores.

A Teoria das Expectativas e a Teoria dos Mercados Segmentados explicam as principais características da ETTJ, no tocante (i) ao comportamento ascendente das taxas de juros, (ii) ao comportamento semelhante das taxas de juros com maturidades distintas, e (iii) a observação de que na maioria das vezes, taxas de juros de longo prazo elevam-se quando as taxas de juros de curto prazo estão baixas, e vice-versa.

A Teoria das Expectativas considera títulos com maturidades diferentes como substitutos perfeitos – ou seja, investidores são indiferentes à títulos com maturidades distintas. Dessa forma, as taxas de juros de LP são essencialmente as médias das taxas de juros esperadas de CP. Assim, essa teoria explica o comportamento semelhante das taxas de juros com maturidades diferentes e o fato das taxas de juros de LP se elevarem quando as taxas de juros de CP estarem abaixo da média normal – e vice-versa.

A Teoria dos Mercados Segmentados dispensa o tratamento de indiferença dos agentes perante prazos de maturidades distintos, argumentando que existe um mercado distinto para cada prazo de maturidade dos títulos. Títulos de curto prazo são preferíveis aos de prazos mais longos, e por isso os investidores exigem rendimentos maiores para compensar o risco de manterem em mãos prazos mais elevados a prazos mais curtos. Dessa forma, essa teoria explica o comportamento ascendente das taxas de juros.

A derivação da ETTJ do Brasil esbarra numa série de limitações, devido a características do mercado financeiro nacional e do baixo volume negociado de títulos públicos de maturidades mais longas. Esse fato leva pesquisadores e instituições financeiras a estimar a ETTJ doméstica usando instrumentos de derivativos como base de análise, a despeito de não possuírem, teoricamente, o mesmo grau risk-free conferido aos títulos do tesouro negociados.

Para o propósito de comparação com a análise feita por Mishkin, usamos como estimadores da ETTJ as Letras do Tesouro Nacional (LTN’s). Tratam-se de títulos pré-fixados, ou seja, possuem rentabilidade definida no momento da compra do título.

eco H 3

Fonte: Tesouro Direto

Dados disponíveis no Banco Central nos permitem estimar a curva de rendimento das LTN’s com diferentes maturidades, a partir de 2002. Porém, conforme citado anteriormente, o pouco volume de títulos com maturidades mais longas (consideramos aqui como superiores a três anos) restringe a amostra de dados para o período de 2009 em diante. Mostramos abaixo as curvas obtidas.

eco H 1

Fonte: Banco Central

eco H 2

Fonte: Banco Central

Os dados permitem observar a redução das taxas de juros consistentemente a partir do final de 2002, passando de taxas de juros na ordem de 34% em 2002 para cerca de 10% já no final de 2012.

Também conseguimos observar que as curvas dos rendimentos médios das LTN’s de maturidades distintas se movem na mesma direção (figura 1). Isso está em linha com o previsto de acordo com a Teoria das Expectativas, demonstrando o impacto das expectativas de curto prazo influenciando as taxas de juros de longo prazo.

Por fim, podemos também observar o comportamento da taxa de juros doméstica pelo período analisado (figura 2) de 2009 a 2012. Durante 2009-2011, observa-se um aumento médio sucessivo da taxa de juros, seguido de uma redução drástica em 2012, atingindo então o menor nível da amostra.”

.

Mercados Financeiros, Política Monetária

ECEC F – A Estrutura a Termo das Taxas de Juros no Brasil

 

“A estrutura a termo da taxa de juros (ETTJ) expressa a relação entre o yield to maturity (YTM) e o tempo de maturação do débito, mostrando, em geral, como o consumidor se comporta com relação ao risco e, dessa forma, como as taxas de juros são influenciadas pela formação de expectativas dos agentes econômicos. A ETTJ serve para previsão, já que as taxas de juros de longo prazo são uma média das expectativas futuras das taxas de juros de curto prazo mais um bônus de correção pelo risco.

A discussão sobre estrutura a termo no Brasil teve mais destaque após o Plano Real. Antes disso, a dívida pública era composta, em sua maioria, por títulos indexados aos preços, um cenário de hiperinflação enviesava a análise das taxas de juros. O controle do programa de inflação, através do programa de estabilização econômica, permitiu que a estrutura da curva a termo começasse a tomar forma. Após a implementação do regime de metas de inflação no Brasil em 1999, segundo estudo de Holland, Nunes e Silva (2011), verificou-se durante o período de 2000 a 2008 uma menor influencia da variação da taxa de juros de curto prazo na determinação das taxas de juros de longo prazo e choques surpresa ao longo da curva, culminando em uma nova ETTJ.

Atualmente, no país, A ETTJ é constituída a partir dos títulos pré-fixados, taxas dos contratos futuros de DI e taxas de Swap DI x Pre. Os títulos públicos são considerados sem risco de crédito, ou seja, não há incidência do fator de risco sobre as taxas e, portanto, não se faz necessário um prêmio de risco. Existe ainda no Brasil um conjunto de taxas de juros de títulos que são indexadas a moeda ou a um indicador de inflação (IPCA, por exemplo) devendo ser separados de acordo com seus indexadores. Os gráficos abaixo ilustram o comportamento das taxas de juros dos títulos prefixados e aqueles que são indexados pelo IPCA, respectivamente:

 ecec F 1

Fonte: http://www.anbima.com.br/est_termo/CZ.asp

ecec F 2

Fonte: http://www.anbima.com.br/est_termo/CZ.asp

Evidências empíricas sugerem que o mercado antecipa, ao menos parcialmente, as decisões de taxa de juros do Banco Central do Brasil (Bacen) e que choques não antecipados de política monetária são, de uma forma geral, capazes de afetar a estrutura a termo das taxas de juros. O Bacen possui papel essencial na determinação da política monetária do país: o controle da inflação por meio da taxa de juros nominal de curto prazo, a SELIC, é uma das medidas utilizadas que influencia a ETTJ. Deve também ser levada em conta a sua capacidade de influenciar as expectativas do mercado sobre a trajetória futura das taxas de juros, devido a credibilidade frente aos agentes econômicos.

 

 

Fontes:

http://www.anpec.org.br/revista/vol12/vol12n1p71_90.pdf

http://www.anpec.org.br/encontro/2012/inscricao/files_I/i3bd3bee860887fe548cd8a04ad63593ff.pdf

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-80502011000300003

http://www2.bmf.com.br/cimConteudo/W_ArtigosPeriodicos/conjuntura173.pdf

http://www.mbarros.com/documentos/upload/ETTJ_Monica_Barros.pdf

http://www.bcb.gov.br/pec/wps/port/wps238.pdf

http://tcc.bu.ufsc.br/Economia302869