Mercados Financeiros

G1-Eco: Os mercados de capitais e crédito brasileiros: características, volume e taxas

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

Para analisarmos os mercados de crédito e capitais brasileiros temos que primeiro definir a responsabilidade de cada um na economia em geral. O mercado de crédito tem a função de atender agentes financeiros com investimentos de curto e médio prazos e concentrar credores e devedores de forma que haja transação de capital entre as partes, principalmente empréstimos para famílias e empresas. Já o mercado de capitais, segmentado em primário e secundário, permite a captação de fundos e gera liquidez aos títulos emitidos pela oferta de valores mobiliários, suprindo a necessidade dos agentes de investimentos de médio a longo prazo para capital de giro e fixo do mercado.

No Brasil, há uma grande concentração no mercado de crédito, sendo que quase 80% deste está “nas mãos” de apenas quatro bancos. Isto acontece devido aos atos de fusão e aquisição que ocorreram nos últimos anos, além do aumento da competição. Esta concentração, contudo, não aparenta se opor ao crescimento do mercado, já que o saldo de operações de crédito cresceu em 75,26% desde 2000. Da mesma forma, observamos uma grande concentração do índice de ações em poucas grandes empresas no mercado de capitais, além de pouca liquidez da maior parte das ações e uma grande volatilidade por conta da grande tendência especulativa do mercado.

As taxas incidentes diferem entre os mercados de capitais e créditos. O primeiro é avaliado através de uma taxa de corretagem que vale sobre o serviço ou o valor posto em transação. Já no mercado de créditos observamos o spread bancário, diferença entre a taxa de juros exigida do devedor e a paga ao emprestador. Temos a Selic como a taxa básica de mercado e extremamente influente na tomada de decisão de investimentos.

Destacando a importância do crédito, atualmente o BNDES trabalha com linha de créditos que beneficia pequenas e médias empresas. O intuito da liberação de crédito está na influência destes ocupantes do mercado em gerar emprego na economia, cerca de 54%. Além do spread que ficará a cargo da instituição bancária, a Taxa de Juros de Longo Prazo incidirá sobre o valor emprestado, limitado a R$3,6 milhões ao ano. O BNDES exerce aqui importante papel de Intermediário Financeiro, sem este a economia sofreria de ineficiência. É por meio deste “agente” que emprestadores encontram devedores e geram o fluxo do mercado, beneficiando-se de baixos custos de transação, menor seleção adversa e risco moral.

O saldo do crédito do sistema financeiro (Pessoa física e jurídica) chegou a 49,6% do PIB brasileiro, em dezembro de 2016, somando pouco mais de 3 trilhões de reais. No mesmo período, o volume da Bovespa não chegou nem à 3% do PIB, sendo este cerca de 167 bilhões de reais. Ao comparar com o exterior, vemos que os dois mercados estão abaixo da média mundial. Por exemplo, o crédito interno fornecido pelo setor financeiro em relação ao PIB no Brasil foi de 111,2% em 2016, enquanto a média mundial foi de 177,4% (como base de comparação, a porcentagem americana foi de 242,6% e a alemã foi de 134,2%). Outro exemplo é a BM&F Bovespa que é 23 vezes menor que a bolsa de Nova Iorque e ocupa apenas a 20º posição no ranking das maiores bolsas de valores do mundo, em relação à capitalização de mercado.

 

Referências (acessadas em 28 de agosto de 2017):”

https://www.oeconomista.com.br/bndes-lanca-linha-de-credito-para-pequenas-e-medias-empresas/

http://ibmec.org.br/empresario/o-que-e-mercado-de-capitais/mercado-de-capitais-no-brasil/

https://www3.bcb.gov.br/sgspub/localizarseries/localizarSeries.do?method=prepararTelaLocalizarSeries

http://data.worldbank.org/indicator/FS.AST.DOMS.GD.ZS?

http://www.visualcapitalist.com/20-largest-stock-exchanges-world/

http://g1.globo.com/economia/noticia/itau-bradesco-bb-e-caixa-tinham-quase-80-do-mercado-de-credito-ao-fim-de-2016.ghtml

https://www.bcb.gov.br/pec/wps/port/TD377.pdf

http://www.portaldoinvestidor.gov.br/menu/primeiros_passos/Entendendo_mercado_valores.html

ASSAF, A. Mercado Financeiro. 12º ed. São Paulo: Atlas, 2014.

 

Autores: GRUPO J

.

 

Mercados Financeiros

Do Mercado Financeiro, Bolsa de Valores e Ações.

.

Autores: Grupo 4 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

“O Mercado Financeiro torna possível o comércio de mercadorias, câmbio e valores mobiliários, permitindo a angariação de capital, transferência de risco e o comércio internacional. Exerce, portanto, um papel primordial no entendimento da economia. Ele é composto pelo Banco Central do Brasil, que executa as normas do Conselho Monetário Nacional, Comissão de Valores Mobiliários e Instituições Financeiras, nas quais encontramos as bolsas de valores, sendo a B3 – Brasil, Bolsa, Balcão: resultado da fusão da BM&FBOVESPA e a prestadora de serviços financeiros Cetip- a única do Brasil.

A bolsa de valores organiza as negociações de ações e títulos em um ambiente seguro, garantindo que o investidor ou a empresa recebam o dinheiro que decorreu do encontro das empresas que abriram capital com os investidores. Sua segurança e eficiência decorre da existência da CBLB (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia), uma empresa com fins lucrativos, filiada à B3 e responsável pela tutela das ações e títulos privados no mercado financeiro.

As ações estão divididas em dois grupos gerais: as ações ordinárias e as ações preferenciais. Todas são nominativas, o que significa que seu detentor é identificado nos livros de registro da empresa. As Ordinárias Nominativas (ON) são aquelas que possibilitam ao acionista, além do lucro, o direito de voto nas assembleias. Esses tipos de ações geralmente são menos procurados que as Preferenciais Nominativas (PN) – as quais visam somente ao lucro- são dificilmente negociadas por seus donos e, logo, possuem menor liquidez.

É fundamental salientar a importância das corretoras, que exercem o papel fundamental de intermediar as negociações entre os compradores, os vendedores e a bolsa no mercado primário. Pode-se presumir (incorretamente) que o intervalo entre as operações do mercado primário e secundário é grande; porém, a ferramenta denominada Home Broker torna possível que grande parte das negociações ocorram de forma automática e independentes da mesa de operações. A rapidez e eficiência tornam possível o processo de alavancagem, empregado nas operações de mercado futuro (operações de curto prazo) ou nas de day trade (vão até o encerramento do pregão do mesmo dia).

Embora os rendimentos obtidos na bolsa sejam formidáveis, ainda é muito pequena a parcela de brasileiros que investem em ações. Isso se deve, em parte, à insegurança por não entender e conhecer os mecanismos do mercado financeiro. Por isso, grande parte do volume de transações da Bovespa é negociado por investidores estrangeiros. Há uma tendência, porém, para que isso mude. A BM&FBOVESPA divulgou em 2016 números que expressam a participação de pessoas físicas investindo. A quantidade de investidores, que em 2002 era de 85.249 pessoas, passou a ser quase 560.000 pessoas. Um crescimento de mais de 6x.

Expressões como “a bolsa fechou em alta” ou “houve queda na bolsa” estão relacionadas ao Ibovespa, um indicador de desempenho médio em tempo real das cotações de ações e “pacotes de ações” das companhias de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações brasileiro – como Bradesco, Itaú Unibanco, Vale e Ambev. O índice considera instantaneamente os preços de todos os negócios efetuados no mercado à vista (lote padrão) envolvendo as ações que compõem a carteira de ativos deste indicador.

Ao analisar o livro de ofertas de compra, percebe-se que existem ofertas a diferentes preços, uma vez que investidores querem comprar a preços distintos. Neste caso, a oferta que traz o preço mais alto aparecerá em primeiro lugar, no topo da lista, e o valor de uma ação é determinado pelo preço do último negócio fechado: se vale 10 reais, isso quer dizer que a última negociação foi feita por esse valor.

Ao conduzir o encontro dos poupadores e dos investidores, então, o mercado de ações incentiva a geração de poupança de longo prazo, a qual tem importância incontestável no processo de crescimento sustentado da economia e no aumento da saúde financeira das empresas.”

Referências: http://www.lomecard.com.br/como-funciona-a-bolsa-de-valores-aprenda-a-investir/

http://www.infomoney.com.br/

https://www.bcb.gov.br/pt-br/#!/home

https://app.tororadar.com.br/universidade/#/cursos/

http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/index.htm

http://br.advfn.com/indice/ifix

 

.

 

Crise 2007-2008, Mercados Financeiros

D-ECO: Shadow Banking

.

“O que é o Shadow Banking?

De acordo com o Financial Stability Board (FSB) – órgão internacional que monitora o sistema financeiro global – “Shadow Banking” (SB) é definido como um sistema de intermediação de crédito que envolve atividades e entidades fora do sistema bancário tradicional, que realizam operações bancárias sem estarem sujeitas às mesmas regulações dos bancos comerciais, como um sistema bancário paralelo.

O termo foi utilizado pela primeira vez pelo economista e ex-diretor da PIMCO, Paul McCulley, no ano de 2007. O surgimento do SB é atribuído: tanto à relativa falta de canais de financiamento para pequenas e médias empresas – que passaram a buscar alternativas em intermediadoras de créditos não sujeitas às rigorosas regulamentações – quanto à busca por parte dos bancos comerciais por atividades com retornos mais elevados.

d-eco-img1

legenda: “O surgimento do shadow banking”,

fonte: Google Imagens]

Se por um lado, essas entidades aumentam a eficiência do sistema financeiro –  complementando e concorrendo com o sistema bancário tradicional, ampliando a oferta de crédito e provendo fontes alternativas de investimentos – por outro lado, aumentam o risco sistêmico, uma vez que não estão sujeitas aos mecanismos de regulação e supervisão, como: normas específicas, operações de redesconto, seguros de depósitos e linhas de empréstimos com os bancos centrais.

Desse modo, tornam-se muito vulneráveis, tanto em relação a uma “corrida dos bancos”, quanto a desequilíbrios patrimoniais, deixando o mercado sujeito a crises como a de 07/08.

 

O Shadow Banking no Brasil

De acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira, publicado em 2015 pelo Banco Central do Brasil, no caso brasileiro, fazem parte do sistema de SB, entidades como: fundos de investimentos, veículos estruturados ou estruturas de securitização (fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC), certificados de recebíveis imobiliários (CRI), certificados de recebíveis do agronegócio (CRA)), fundos de investimento imobiliário (FII), intermediários de mercado e companhias financeiras.

d-eco-img2

legenda: “Crescimento: Shadow Banking vs Sistema Bancário Tradicional”,

fonte: Relatório de Estabilidade 2015, BCB

 E em relação ao sistema norte-americano, ainda são somados: as agências quase públicas (Fannie Mae e Freddie Mac), os bancos regionais de crédito hipotecário (sem acesso às políticas de redesconto), as seguradoras e os fundos de pensão.

Veja na tabela a seguir a estimativa ampla da participação das entidades que compunham o sistema de SB brasileiro:

d-eco-img3

legenda: “O tamanho do SB Brasileiro”,

fonte: Relatório de Estabilidade 2015, BCB

O Shadow Banking na Crise

No mercado americano, indivíduos estavam pegando empréstimos com instituições do sistema bancário paralelo, e dando seus imóveis como garantia; sendo assim, o valor dos empréstimos a receber no ativo do banco que emprestou o recurso, estava diretamente ligado ao valor dos imóveis-garantia.

d-eco-img4

legenda: “Ativos baseados em hipotecas”

 d-eco-img5

legenda: “Total de ativos relacionados a hipotecas nos EUA, por tipo de instituição financeira”

Quando ocorreu o crash no mercado imobiliário, os bancos perceberam que os valores dos imóveis hipotecados estavam abaixo dos valores devidos às instituições financeiras, fato que levou muitos agentes à inadimplência.

Enquanto o valor dos ativos dos agentes do sistema bancário paralelo começou a reduzir, e seus passivos a aumentar (devido às taxas pós-fixadas nos empréstimos), houve redução do Patrimônio Líquido dessas entidades, tornando as suas obrigações insustentáveis e as instituições ilíquidas, devido à falta de acesso às linhas de crédito especial do banco central.

Devido ao pânico financeiro, o risco de seleção adversa e o risco moral aumentaram, reduzindo o nível de empréstimos que os bancos comerciais realizaram, e consequentemente, reduzindo o crescimento da atividade econômica.

d-eco-img6

legenda: “Novas emissões de valores mobiliários garantidos por ativos, nos três meses anteriores”

Para prevenir crises como essa, foram criadas um conjunto de medidas pelo Fórum de Estabilidade Financeira em 2010, conhecidas como Acordo de Basiléia III, visando aumentar a solidez do sistema financeiro através de:

  • Aumento das reservas de capital dos bancos ponderadas pelo risco
  • Novas regras sobre o grau de alavancagem
  • Novos Sistemas de monitoramento e gestão de riscos
  • Novos instrumentos de governança corporativa” 

 

Referências

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-33002008000300002

http://www.bcb.gov.br/htms/estabilidade/2015_03/refC6P_1.pdf

https://www.febraban.org.br/7Rof7SWg6qmyvwJcFwF7I0aSDf9jyV/sitefebraban/Auditorio%202%2030.09%20%2011%2030%20%20Shadow%20Banking%20-%20Rodrigo%20Lara%20Pinto%20Coelho%20-%20ok%20site.pdf

http://www.bis.org/ifc/events/6ifcconf/jacksonmatilainen.pdf

http://www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2013/06/basics.htm

http://www.imf.org/external/pubs/ft/wp/2014/wp1410.pdf

http://www.fsb.org/wp-content/uploads/global-shadow-banking-monitoring-report-2015.pdf

https://www.pimco.com/insights/economic-and-market-commentary/global-central-bank-focus/the-shadow-banking-system-and-hyman-minskys-economic-journey

https://www.newyorkfed.org/medialibrary/media/research/epr/95v01n2/9507edwa.pdf

 

.

 

Mercados Financeiros

C-ECO: Problema de agência e concentração do mercado interbancário

.

Principais problemas de agência enfrentados pelos mercados de capitais brasileiro

É característico do mercado de capitais moderno a relação dos direitos de propriedade e de controle de uma companhia. Muitas vezes, a propriedade da empresa, pulverizada entre vários acionistas, apresenta um grande descolamento da capacidade de comando das diretrizes e objetivos. Isto faz com que diretores e acionistas menores apresentem objetivos distintos quanto ao futuro da companhia, caracterizando um dos problemas de agência do mercado de capitais brasileiro, o dilema do agente-principal.

c-eco-imagem1

É constatado que existe certo grau de expropriação de benefícios privados do acionista minoritário em prol do acionista majoritário. Parte desta expropriação decorre da formação da estrutura de capital no Brasil, com divisão de papeis em dois grandes grupos de ações: ordinárias, ligadas ao direito de decisão, permitindo o voto; preferenciais, que priorizam o direito sobre o cash-flow.

Observando as sete maiores firmas em valor de mercado com ações transacionadas na bolsa, vemos uma grande concentração das ações ordinárias.

c-eco-imagem2

Com a concentração de blocos de ações em que os diretores sejam os donos da companhia, há incentivo à eficiência e maximização do lucro, que é uma boa sinalização ao mercado. Porém, quando o gestor com plenos poderes gere a empresa de acordo com seus interesses, temos de fato o descolamento de objetivos entre controlador e investidor. É neste contexto que se insere o dilema do agente-principal: a assimetria de informação entre as partes torna o mercado ineficiente.

O Brasil possui recursos que visam mitigar o gap de informação, porém, notamos pouca utilização destes em relação a omissão e falta de padronização das informações, sobretudo sobre os negócios das empresas, que induz os investidores a erros nos valores de mercado.

Os problemas de agência, em especial aqueles no contexto da assimetria de informação, são grandes entraves para o desenvolvimento de um mercado eficiente de longo prazo que seja responsável pelo investimento produtivo do país.

Concentração do mercado interbancário brasileiro e o impacto disso sobre a redução dos custos de transação

Com o início do Plano Real, em 1994, o Banco Central adota uma nova legislação e supervisão bancária, reduzindo o  número de bancos, devido à uma série de fusões, incorporações e liquidações ocorridas. Começando, assim, a apresentar tendências de aumento de concentração.

É possível analisar o índice de concentração bancária através do índice de Herfindahl-Hirschman (HH), que considera todos os bancos que fazem parte da amostra e atribui maior peso àqueles que possuem maior representatividade, sendo considerado, assim, um indicador consistente para a análise da concentração de mercado.

c-eco-imagem3

O gráfico a seguir representa a evolução do índice HH do Brasil de 2004 a 2014.

c-eco-imagem4

A elevação bancária a partir de 2007 ocorreu pois, com o objetivo de aumentar seus ganhos de escala e poder de mercado, visando competir no mercado internacional, os grandes bancos no mercado nacional realizaram uma série de fusões e aquisições. Além disso, o aumento das restrições à entrada de novos concorrentes em função da existência de economias de escala, técnicas operacionais complexas e investimentos em tecnologia também aumentam o grau de concentração.

Segundo Mishkin (2012), sabemos que há dois fatores que reduzem os custos de transação por investidor: 1) economias de escala, pois o custo fixo é dissolvido entre as transações; 2) alto grau de especialização, pois permite maior eficiência do uso e desenvolvimento de técnicas que visam reduzir os custos de transação e tornar serviços de maior liquidez mais acessíveis ao público. Assim, é possível concluir que a elevação da concentração bancária brasileira alavancou ganhos de escala, reduzindo os custos de transação e aumentando a competitividade e eficiência dos maiores bancos.

Referências

Aldrighi, Dante Mendes; Neto, Roberto M. “Estrutura de propriedade e de controle das empresas de capital aberto no Brasil.” Revista de Economia Política 25.2 (2005): 115-137.

Barbosa, Roberto Rodrigues. “Análise da concentração do setor bancário brasileiro entre os anos de 2004 e 2014.” (2015).

MISHKIN, F. “Economics of Money, Banking and Financial Markets, 10th Edition.”

 

.

 

Mercados Financeiros, Política Monetária

ECEC N – O Novo Sistema de Pagamentos no Brasil

 

“O Sistema de Pagamentos é responsável pelo processamento, transferência e liquidação de pagamentos para pessoas, empresas, governo, Banco Central e instituições financeiras. O montante de recursos transferido por esses agentes pode ser dado por meio de cheques, cartões de crédito, transferências eletrônicas, documentos bancários de crédito e débito e papel moeda.

Em 2002, o Sistema Brasileiro de Pagamentos foi reestruturado e seus efeitos foram muito positivos, mexendo com a vida financeira de pessoas e empresas. 

Um dos importantes benefícios do novo SPB consiste na agilidade, uma vez que os recursos ficam disponíveis ao favorecido no dia da transferência, possibilitando realizar movimentações em tempo real. Outra melhoria que merece atenção foi em relação à segurança e confiabilidade, através da redução do risco de credito nos pagamentos, que são irreversíveis, não podendo ser sustados ou devolvidos por falta de fundos. Essa mudança tornou possível ao Brasil possuir um sistema de pagamentos similar aos melhores do mundo: seguro, eficiente, ágil e transparente.

 Antes, os agentes transferiam seus recursos usando cheques ou DOCs, de modo que o dinheiro advindo dessas transações só ficava disponível após a compensação tradicional que demorava, no mínimo, um dia útil, havendo o risco, por exemplo, de devolução do cheque por falta de fundo. Com a reestruturação, um sistema eletrônico foi implantado e o novo SPB passou a oferecer uma opção para transferência denominada Transferência Eletrônica Disponível – TED, com ela, o cliente pode transferir recursos que estiverem efetivamente disponíveis e, estes, ficarão disponíveis na conta do favorecido assim que o banco destinatário receber a mensagem de transferência. Pessoas, empresas, governo e instituições financeiras podem transferir dinheiro com muito mais segurança e sem a espera necessária ao processamento de cheques ou DOCs. Contudo, cheques e DOCs continuam sendo processados, porém, as transações superiores a 5 mil reais passaram a ter um custo mais elevado devido ao grande volume transacionado.

 Essas mudanças, como podem ser vistas na imagem abaixo, tiveram como objetivo tirar do Banco Central o risco de falha de pagamentos, aumentar a eficiência dos instrumentos de pagamentos e se adequar a padrões internacionais.

ecec n 2 novo sistema

Pode-se concluir que esse novo sistema modificou o perfil de utilização dos instrumentos de pagamentos, trazendo um aumento no uso de crédito e débito e uma diminuição no uso de cheques. As transações em papel moeda tem apresentado uma redução significativa com esses avanços. Vale ressaltar que o desenvolvimento do setor financeiro está fortemente relacionado aos sistemas de pagamentos e o novo SPB complementou o processo gradual de reestruturação do Sistema Financeiro. Um SPB eficiente é de crucial importância para que o setor financeiro cumpra seu papel de intermediação financeira e aumente a liquidez dos ativos.

 Na figura a seguir é possível observar a porcentagem de uso dos instrumentos de pagamento nos anos de 2002 e 2009. Podemos notar que após a reestruturação do SPB, o uso de cheques diminuiu consideravelmente, enquanto a utilização da transferência de credito teve uma elevação.

 ecec n 1 meios de pagamento

  Segue abaixo uma noticia interessante a respeito do BNDES e do SPB:

BNDES adere ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB)

http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Sala_de_Imprensa/Noticias/2014/Institucional/20140618_spb.html

Referências:

http://www.bcb.gov.br

http://www.febraban.org.br/Arquivo/Servicos/SPB/Novo_SPB/perguntas.htm#

TRICHES, Divanildo  and  BERTOLDI, Adriana. A evolução do sistema de pagamentos brasileiro: uma abordagem comparada com os países selecionados no período 1995-2003. Rev. econ. contemp. [online]. 2006, vol.10, n.2, pp. 299-322. ISSN 1415-9848.”

 

.

Mercados Financeiros, Política Monetária

ECO G – O Sistema de Pagamentos Brasileiro

 

“O que é Sistema de Pagamentos?

O Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) é um sistema que permite transferências de recursos. Ele compreende as entidades, os sistemas e os procedimentos relacionados com o processamento, a compensação e a liquidação de pagamentos para pessoas, empresas, governo, instituições financeiras e Banco Central.

Estas transferências são realizadas através de débitos e créditos nas Contas de Reserva Bancária que os bancos comerciais possuem junto ao Banco Central.

O cliente bancário utiliza-se do Sistema de Pagamentos toda vez que utiliza documentos que representam ordens de pagamento, como cheques, cartão de débito ou crédito ou envios de DOC ou TED.

O SPB apresenta alto grau de automação, com crescente utilização de meios eletrônicos para transferência de fundos e liquidação de obrigações, em substituição aos instrumentos baseados em papel.

O Antigo Sistema de Pagamentos Brasileiro

Até o início dos anos 90, as mudanças no Sistema de Pagamentos Brasileiro haviam sido motivadas pela realidade inflacionária do período e a necessidade de se lidar com essa situação, por isso, o progresso tecnológico alcançado, visava principalmente o aumento da velocidade de processamento das transações financeiras.

Porém, o SPB ainda convivia com a possibilidade de risco sistêmico entre as instituições financeiras, ou seja, havia riscos de liquidação nas operações interbancárias e, um consequente risco sistêmico, isto é, o risco de que a quebra de um banco provoque a quebra em cadeia de outros bancos, no chamado “efeito dominó”.

Isso só não acontecia, pois o BaCen arcava com todos os custos necessários para a cobertura dos déficits bancários para evitar que estes riscos afetassem o sistema financeiro no geral, caso uma instituição financeira não conseguisse honrar com seus compromissos.

O Novo Sistema de Pagamentos Brasileiro

O Banco Central e o Sistema Bancário tiveram boas razões para reestruturar o SPB.

A reforma, conduzida pelo Banco Central do Brasil em 2001 e 2002, teve como foco a administração de riscos e visava manter o Sistema Financeiro Nacional seguro, eficiente, ágil e transparente.

A entrada do Sistema de Transferência de Reservas (STR) foi de extrema importância para a consolidação da nova fase do SPB. Com esse sistema, as transferências de fundos interbancárias podem ser liquidadas em tempo real, em caráter irrevogável e incondicional. Possibilitando o surgimento de um novo produto bancário, a Transferência Eletrônica Disponível (TED) e o controle dos riscos de liquidação nas operações interbancárias.

Outra importante alteração ocorreu no regime de operação das contas de reservas bancárias: qualquer transferência de fundos entre contas da espécie passou a ser condicionada à existência de fundos das instituições financeiras depositados no Banco Central e de garantias previamente constituídas em valores diariamente atualizados na Câmara Interbancária de Pagamentos.

A liquidação em tempo real, operação por operação, passou a ser utilizada também nas operações com títulos públicos federais cursadas no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), o que se tornou possível com a interconexão entre esse sistema e o STR. Essa condição é garantida por uma moderna e rede de telecomunicações, baseada na troca de mensagens, proporcionando mais solidez e mais qualidade ao Sistema Financeiro Nacional.

Para a redução do risco sistêmico, criou-se a Lei 10.2143, que reconhece a compensação multilateral nos sistemas de compensação e de liquidação e estabelece que a entidade operadora deve assegurar a liquidação de todas suas operações cursadas.

Todas essas mudanças tiveram o propósito de fortalecer o sistema financeiro, dando continuidade à reestruturação iniciada, em 1995, com o Proer e o Proes. Consolidando a posição do Brasil no mercado de capitais internacional, como uma economia moderna e sólida, foi possível elevar os investimentos e o crescimento econômico, beneficiando a política monetária nacional.

Links:

http://www.bcb.gov.br/htms/novaPaginaSPB/spb-textocompleto-pdf.pdf

http://www1.serpro.gov.br/publicacoes/tema/161/materia02.htm

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1519-70772002000100005&script=sci_arttext

.

Mercados Financeiros, Política Monetária

ECO Q – Sistema de Pagamentos Brasileiro

 

“O Sistema de Pagamentos é um conjunto de normas, padrões e instrumentos que interligam e processam as transações entre os agentes econômicos não bancários, bancos e Banco Central. Este montante de recursos transacionado entre estes agentes pode ser dado por meio de cheques, cartões de crédito, transferências eletrônicas, documentos bancários de crédito e débito e papel moeda. O objetivo deste Sistema de Pagamentos é promover liquidez ás transações de compra e venda de ativos financeiros e reduzir riscos inerentes ao seu funcionamento, sendo dividido em duas subdivisões: (i) o sistema bancário ou monetário, que tem o poder de criar liquidez através da emissão de moeda por meio da multiplicação dos depósitos bancários; e (ii) o subsistema não monetário, que realiza a intermediação dos recursos entre os agentes econômicos deficitários e superavitários.

                Ao longo dos anos 80 e 90 observou-se um aumento nos fluxos globais de capitais que foi resultado da liberalização e inovação dos instrumentos financeiros. Os Estados Unidos, o Japão, e o Reino Unido adotaram o sistema de liquidação pelo valor bruto em tempo real (LBTR). Este sistema executa a liquidação definitiva de transferências interbancárias de fundos em bases contínuas e instantâneas, transação a transação.  A partir desse sistema o valor médio das transações cresceu de US$ 2,9 milhões para US$ 6,1 milhões nos EUA neste período.

                No Brasil, o sistema de pagamento anterior a abril de 2002 era dividido em quatro câmaras de compensação: 1. SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) – responsável pelas transações primárias e secundárias de títulos públicos e federais, alguns títulos estaduais e municipais e transações de compra ou venda de CDI; 2. Cetip ( Central de Custódia e de liquidação Financeira de Títulos Privados) – responsável pela liquidação de títulos privados e alguns públicos; 3. Câmbio (Sistema de Câmbio) – realiza transações interbancárias em moeda estrangeira; 4. Compe ( Serviço de Compensação de Cheques e outros Papéis) – responsável pela compensação de cheques, documentos de ordem de crédito, boletos de cobrança e cartões de crédito entre outros. Esse sistema de pagamento era considerável vulnerável porque a maior parte das liquidações era feita através da Compe  e por isso era suscetível a um risco maior, em casos de descumprimento de liquidações pelos agentes do sistema.  A partir de abril de 2002 entrou em vigor o Sistema de Transferência de Reservas (STR) com a reformulação da Selic o sistema de pagamentos passou a ser constituído pelas seguintes câmaras: Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), Compe e Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), esta responsável pela liquidação de títulos privados.

                A implantação deste novo sistema de pagamentos, em abril de 2002, provocou algumas mudanças como: a exigência de saldos positivos na conta de reservas bancárias – isto permitiu o monitoramento instantâneo, pelo Bacen, das contas de reservas bancárias; e a criação da Transferência Eletrônica disponível (TED) – permite a transferência de grandes valores em tempo real.  Essa mudança trouxe benefícios como: (i) tornou o sistema financeiro mais seguro, (ii) aumento das transações de crédito e débito, reduzindo o tempo decorrido entre o início da transação e sua liquidação final; (iii) diminuição do uso dos cheques e (iv) maior segurança ao investidor estrangeiro. Por outro lado este sistema apresenta como desvantagem o seu alto custo de implantação e um custo adicional para manter as reservas bancárias com um saldo positivo.”

.

Mercados Financeiros

ECO P – A Crise Financeira de 2007-2008

 

“A mais recente grande crise do capitalismo foi em 2007, emergida do mercado de derivativos. Diversas interpretações teóricas foram feitas para tentar explica-la, mas é importante investigar o contexto e os tipos de estruturas que deram sustento a mesma.

A crise se dá na alavancagem estrondosa no setor imobiliário, em que indivíduos que nada acrescentavam para o valor do imóvel, conseguiam dívidas, no mercado de créditos, de até 100% no valor de suas casas. Assim, repetiam o processo ad infinitum, dada a certeza que tinham na valorização, ou seja, aqui está caracterizada a bolha especulativa. Porém, é importante destacar que o consumidor de hipotecas é apenas um dos agravantes da crise. Na realidade, as raízes da problemática se encontram nas estruturas do mercado financeiro e das agências reguladoras norte-americanas.

Os estímulos creditícios, devido aos baixos juros americanos, desregulação do mercado e lobbys do empresariado com as agências reguladoras, geraram um mecanismo perverso de especulação, onde havia pouquíssima preocupação das empresas com a produtividade e muita preocupação com a alavancagem financeira, a fim de aproveitar a bolha instituída. Havia um total direcionamento, irresponsável, das empresas para o curto prazo, ignorando as consequências futuras, apoiadas pelo favorecimento dos governantes, desde décadas anteriores. Uma característica fundamental era a presença de conflitos de interesses das firmas de rating, as quais recebiam lucro de seus próprios clientes, favorecendo a especulação no sentido mais pejorativo.

Ao se iniciar como uma crise de crédito convencional e aos poucos tomar a forma de uma crise de liquidez e solvência, destaca-se o papel crucial da securitização de créditos que passava a sensação de diversificação do risco. Em outras palavras, gerava-se a sensação de segurança do mercado imobiliário (operações de crédito de extremo risco eram transformadas em títulos bem avaliados).  Os derivativos financeiros, neste processo, também alteraram as escolhas de portfólio para aproveitar a certeza da subida dos preços dos imóveis, e alterando totalmente a estrutura de balanço e de capital das firmas norte-americanas.

Os juros, sendo sucessivamente reprimido de maneira artificial deixaram de representar um equilíbrio e passaram a representar uma oportunidade de se financiar supostamente sem risco, até que a bolha estourasse. Uma demonstração disso é o excesso do endividamento privado americano onde é possível distinguir o efeito crise claramente:

eco p 2

Do ponto de vista teórico Martim Wolf, citando a obra de Minsky explica a crise: “Um longo período de rápido crescimento, baixa inflação, taxas de juros baixas e estabilidade macroeconômica estimulou a complacência e uma maior disposição de assumir risco. A estabilidade levou à instabilidade”. Ou seja, os agentes passam a ser tomadores de mais risco favorecidos pelo ambiente econômico. A obra de Minsky pode ser vista como interpretação da teoria da preferência pela liquidez de Keynes.

Do ponto de vista crítico, é importante citar que esta não é uma crise pura do capitalismo, há a participação do estado com os estímulos creditícios decenais, com as agências reguladoras que atuavam sob um estímulo enorme de não atuar corretamente no mercado, concedendo privilégios e favorecendo grandes companhias.

As consequências da crise são óbvias, uma queda brusca nas taxas de crescimento do PIB no mundo inteiro, seguido de baixas taxas pós-crise devido ao intervencionismo crescente desse tipo de período, como vemos no gráfico abaixo:

eco p 1

  

http://www.ie.ufrj.br/images/pos-graducao/ppge/FernandoFerraz.pdf

http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/10/entenda-crise-da-divida-dos-eua-e-suas-consequencias

http://www.newyorker.com/magazine/2008/02/04/the-minsky-moment

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0510200815

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2010/06/17/o-que-e-desalavancagem

 

.

Mercados Financeiros

ECEC M – A Crise de 2008

 

“Para entender a crise de 2008, primeiramente precisamos entender quando uma crise financeira ocorre. Segundo Mishkin, “uma crise financeira ocorre quando um aumento na assimetria de informação, a partir da ruptura do sistema financeiro, causa problemas severos de seleção adversa e de risco moral, tornando os mercados financeiros incapazes de canalizar fundos de forma eficiente”. Assim, crises financeiras são grandes perturbações nos mercados financeiros, caracterizado por quedas acentuadas nos preços dos ativos e falhas das empresas.

Por trás da crise de 2007-2008, que teve origem nos Estados Unidos e espalhou-se rapidamente pelo mundo todo, estão algumas forças, como a má gestão da inovação financeira de hipotecas residenciais e um estouro (colapso) de uma bolha “especulativa” nos preços das casas.

Historicamente, o mercado de hipotecas foi sofrendo inovações em seu sistema. Antes de 2000, somente aqueles considerados Prime, ou seja, os mais dignos de crédito conseguiam obter hipotecas residenciais. Mas, avanços tecnológicos e novas técnicas de estatística levaram a um aumento do crédito para uma nova classe de hipotecas, de maiores riscos. Surgiram os empréstimos Alt-A mortgages, ou “Alternative-A”, hipotecas para aqueles com maiores taxas de inadimplência do que os considerados Prime, mas menores do que os Subprime, e empréstimos do tipo Subprime morgtages, empréstimos subprime, para aqueles com riscos maiores ainda de inadimplência.

O desenvolvimento do mercado de hipotecas com empréstimos subprime gerou uma “democratização do crédito”, aumentando a demanda por casas, e elevando seus preços. Essa concessão de empréstimos hipotecários, no entanto, passou a ser gerida de forma irresponsável, já que cobriam credores sem qualquer capacidade de pagar, ou que não a teriam assim que as taxas de juros começassem a subir, conforme aconteceu. Corretores não faziam grandes esforços para avaliar se os mutuários eram capazes de honrarem suas dívidas.

A incapacidade de pagamento das hipotecas começou, então, a se espalhar. Casas eram vendidas, e a oferta começou a aumentar. Os preços das casas começaram a despencar, em meados de 2007, e a bolha habitacional estourou.  Foi um período de muita oferta para pouca demanda de casas. Proprietários que tinham suas casas hipotecadas, ao comparar o valor da hipoteca com o valor de suas respectivas casas, acabavam abandonando-as, já que as hipotecas eram maiores que os valores dos imóveis.

O evento considerado como “detonador” da crise ocorreu em 15 de Setembro de 2008, quando o Lehman Brothers entrou com pedido de falência, depois de sofrer perdas no mercado “subprime”. O FED recusou-se a socorrer a instituição, como nos diz Oreiro, e isso teve um impacto muito grande no estado de confiança dos mercados financeiros, já que quebrou a expectativa de que a autoridade monetária norte-americana ajudaria as instituições financeiras que sofreram com a bolha especulativa do mercado imobiliário. Ocorreu, então, um aumento da procura pela liquidez, que detonou um processo de venda de ativos financeiros em larga escala (“deflação de ativos”), além da contração do crédito bancário para transações comerciais e industriais. Isso reduziu a produção industrial e o comercio internacional em todo o mundo.

Os impactos da crise foram mais evidentes em 5 principais áreas: o mercado de residências dos Estados Unidos; demonstrativos financeiros das instituições financeiras; o sistema bancário “paralelo”; mercados financeiros globais; e grandes empresas. É considerada por muitos uma crise que poderia ter sido evitada.

Nota: no vídeo a seguir, podemos observar de maneira ilustrativa e mais didática como ocorreu a crise:

http://www.youtube.com/watch?v=PFGSW-8hKIQ

 

FONTES:

http://www.scielo.br/pdf/rep/v29n1/08.pdf

http://www.valor.com.br/opiniao/1005340/serie-especial-sobre-crise-economica

MISHKIN, Frederic S. The economics of Money, Banking, and Financial Markets.”

 

.

Mercados Financeiros

ECEC A – Crise Financeira de 2007-2008

 

“Apesar de ter se passado 6 anos desde a Crise Financeira de 2007-2008, a economia mundial ainda não se recuperou totalmente e não sabemos quanto tempo levará para tal. Especialistas afirmam que esta foi gerada pela constante desregulamentação do setor financeiro norte-americano, o que resultou na formulação, por diversas instituições financeiras dos EUA, de títulos que misturavam em si riscos dos mais variados e que, por não exigência de lei, esses títulos não precisavam de muito detalhamento para serem autorizados. Outro grande fator de justificativa foi o mercado imobiliário, que começou a dar sinais de fraqueza após a taxa de juros americana subir de 1% para 5,35% entre 2004 e 2006, fazendo com que o preço dos imóveis caísse e as taxas de inadimplência aumentassem, principalmente aquelas referentes aos empréstimos do subprime (hipotecas de alto risco). Durante 2007, a crise do subprime já era uma realidade, fazendo com que várias instituições financeiras nos EUA e Europa tivessem problemas de liquidez e pedissem ajuda dos bancos centrais.

A crise do subprime se desenvolveu a partir de três fatores principais originários nos EUA: o afrouxamento da regulamentação sobre as ações de instituições financeiras – o que permitiu um aumento sensível no grau de alavancagem dessas empresas -, o aumento no número de financiamentos de maior risco e a colatelarização (associação de títulos financeiros a ativos físicos) às hipotecas. E o modo pelo qual essa crise se espalhou no mundo foi justamente a colaterização: títulos que colocavam em si, de maneira unificada, compromissos de recebimento de hipotecários de diferentes ratings, desde os bons até os péssimos pagadores, eram vendidos mundialmente como oportunidades de investimento com alto retorno e baixo risco (chamados CDOs, collateralized debt obligations). Tais títulos não tinham exigência de lei de serem devidamente detalhados – o que deixava como informação relevante basicamente o fato de serem “altamente lucrativos e de baixo risco” – e eram vendidos a instituições financeiras mundialmente.

No início de 2008, o FED começa a temer os efeitos da crise do subprime sobre a economia, afetando o crédito ao consumidor e os empréstimos a empresas. O governo americano assume, em setembro, o controle das empresas de hipoteca Fannie Mae e Freddie Mac, as maiores do setor imobiliário norte-americano até então.

Três dias após o resgate das empresas de hipoteca, o Lehman Brothers, à época um dos maiores e mais confiáveis bancos norte-americanos, declara prejuízo de US$3,9bi no trimestre. Ao mesmo tempo, na Europa, há alertas de que as economias de Inglaterra, Alemanha e Espanha podem apresentar recessão já em 2008. Sem encontrar comprador, o Lehman pede concordata e torna-se o primeiro grande banco a entrar em colapso na crise.

A partir da falência do Lehman, segue-se um efeito cascata generalizado provocado pela grande incerteza da real situação do sistema financeiro americano. Após o congresso rejeitar um pacote de US$ 700 bilhões proposto por Bush para resgatar o sistema financeiro, a bolsa de Nova Iorque caiu quase 7% num único dia, causando a maior queda em número de pontos dos últimos 80 anos. No Brasil, a Bovespa chegou a cair mais de 10%, o que levou a Bolsa a interromper o pregão por 30 minutos com o objetivo de acalmar os ânimos do mercado.

O efeito dessa crise sobre a regulação culminou no Acordo de Basileia 3, ocorrido em 2008 e ainda não completamente colocado em aplicação. Outro efeito foi sobre a regulamentação das reservas do tesouro norte-americanas, que passaram a ser remuneradas, como forma de incentivar a manutenção de reservas nos bancos (diminuindo os empréstimos desses bancos e a consequente alavancagem).

Fontes:

http://www.dgabc.com.br/Noticia/1000984/basileia-3-e-resposta-a-crise-de-2008-diz-diretor-do-bc?referencia=minuto-a-minuto-topo

http://www.estadao.com.br/infograficos/os-efeitos-da-crise-do-setor-imobiliario-dos-eua,1546.htm

https://www.youtube.com/watch?v=PFGSW-8hKIQ

 

.