Câmbio

F-Ecec: Paridade do Poder de Compra

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Para se comparar duas economias, diversas são as abordagens adotadas, como a o PIB bruto de cada um deles, a inflação obtida em dado período de tempo ou então o nível de renda. Porém, quando se trata de comparar os produtos e seus preços entre economias diferentes o que usamos é a chamada Paridade de Poder de Compra (PPC no Brasil, PPP na sua sigla em inglês). A teoria da PPC foi formulada pelo economista sueco Cassel (1922) e fala que, basicamente, dois bens iguais devem ter o mesmo preço se comparados em uma mesma moeda (em geral o dólar).

Um bom exemplo dessa comparação pode ser feito com o Playstation 4, da Sony. Quando lançado, no começo do ano de 2014, seu valor no Japão (país sede da empresa) era de 40 mil Yens. À época, a relação cambial entre o Yen e o Real era de aproximadamente Y$46,00 Yens para cada R$1,00. Fazendo-se a conversão pura temos que o mesmo produto, ao preço praticado no Japão, deveria valer R$840,00. Contudo o que se via no Brasil no mesmo período era que o valor do console saia pela bagatela de R$4000,00. Ou seja, algo estava errado em relação a Paridade do Poder de Compra desse produto.

A partir dessas comparações de possíveis PPCs, alguns produtos, comercializados e difundidos por muitos países, podem ser usados como referência no cálculo desse índice. É o caso do Índice Big Mac e do Índice Iphone. Com 30 anos de existência e feito pela conhecida revista ‘The Economist’, o índice Big Mac mostra o preço de um Big Mac nos países pesquisados (em dólar) frente ao preço praticado nos EUA. Se o preço em determinado país estiver maior que nos EUA, mostra que a moeda está sobrevalorizada em relação ao dólar e o seu poder de compra é menor, e vice-versa.

f-ecec-grafico-ppc

Para o caso brasileiro temos um artigo (Palaia & Holland) que testa, por meio de procedimentos econométricos, a validade da paridade do poder de compra. Segundo os autores, o resultado é que não é válida a versão absoluta da paridade do poder de compra que diz, considerando a não existência de custos de transação e que os bens são homogêneos, que o valor da moeda de um país é completamente determinado pela razão entre o preço doméstico e o externo.

A não validade pode ser explicada pela existência de bens não transacionáveis (non tradables), que compõem os índices de preços, além dos próprios custos de transação, como por exemplo o custo de transporte ou então os diferentes impostos que percebemos em cada local. Os bens non tradables não são comercializados no mercado internacional, o que impede a arbitragem de se tornar o preço igual quando colocados na mesma moeda.

Portanto, apesar do fato de a paridade do poder de compra não ser válida em sua forma absoluta, quando pegamos os índices mainstream, como o Big Mac e o Iphone, percebemos uma certa relação com os índices de preços e a taxa de câmbio praticada no Brasil nos últimos anos, haja visto que em qualquer dessas abordagens o Brasil, ou mais especificamente o Real, se mostra em defasagem se comparado ao dólar.

https://economia.terra.com.br/operacoes-cambiais/pessoa-fisica/entenda-como-e-calculada-a-paridade-de-poder-de-compra,05b62ebe54082410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

http://blog.rico.com.vc/bid/76106/Poder-de-Compra-X-Taxa-de-C-mbio

http://observatorio-das-desigualdades.cies.iscte.pt/index.jsp?page=indicators&id=123

(Palaia & Holland) –http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-80502010000100001

http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/01/com-desvalorizacao-do-real-brasil-cai-para-14-posicao-no-indice-big-mac.html

http://www.infomoney.com.br/blogs/investimentos-bem-pensados/post/3818331/quanto-alta-dolar-afetou-nosso-poder-compra

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