Inflação, Nível de atividade, Política Monetária

Grupo A – Inflação e Taxa de Juros no Brasil (Plano real até 2002)

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“CONTEXTUALIZAÇÃO: O objetivo principal do Plano Real foi restabelecer a estabilidade monetária, ou seja, o controle do processo inflacionário (no governo FHC, assume-se basicamente que não existe política de crescimento sustentável com instabilidade monetária), o que é diferente do propósito de buscar a estabilidade econômica, embora a estabilidade monetária seja um componente necessário para se atingir a última. Para entendermos a inflação que o Plano Real combateu devemos pensar na persistência e a intensidade dos aumentos dos preços. O financiamento dos sucessivos déficits com emissão de moeda levou ao aculturamento inflacionário, ou seja, os agentes econômicos começaram a associar inflação passada com inflação futura e os preços começaram a se descolar dos custos de produção, sendo definidos e baseados em expectativas inflacionárias. Quando esse processo se consolida a inflação inercial a qual possui uma autoalimentação. Seguindo esse raciocínio, ela se autoalimenta e tende a inviabilizar a moeda na sua função de reserva de valor, perdendo credibilidade e fazendo com que os agentes econômicos procurem se desfazer da moeda rapidamente, pois sabem que de um dia para outro seu poder de compra se reduz significativamente. Também por isso o Plano Real veio acompanhado da implantação de uma nova moeda. Focando o objetivo de estabilidade monetária, o Plano Real se sustentou em três pilares:  a âncora cambial, abertura econômica e base monetária rígida (juros altos).

 INFLAÇÃO: De uma inflação anual elevada em 1994, todos os indicadores considerados apresentam uma tendência de baixa estável até 1998, ano em que se atingiram os menores índices de todo o período do Plano Real. Em 1999, com a necessidade de adoção de um regime cambial flutuante, a desvalorização cambial explica grande parte da aceleração da inflação, processo que volta à sua trajetória descendente e se estabiliza nos anos seguintes, mas ressurge em 2002, como reflexo da crise da Argentina, instabilidade internacional (atentado de 11 de setembro de 2001), incapacidade de cumprir com os compromissos internacionais e, especialmente por ser um ano eleitoral.  A constatação de que o plano real atingiu seu objetivo prioritário fica mais evidente se considerarmos as taxas médias de inflação do período de 1995 a 2002 e contrapô-las com o período anterior de 1990 a 1994. As taxas percentuais médias do primeiro período foram respectivamente de 12,48 do IGP-DI; 12,46 do IGP-M; 10,19 do IPC; 9,47 do INPC e 9,24 do IPCA, contra, respectivamente, 1.383,36; 1.429,32; 1.474,87; 1.325,67 e 1.321,27 no período anterior. São taxas baixas para os padrões brasileiros, especialmente se comparadas com aquelas alcançadas antes do período do Plano Real.  Para ajudar a visualização, colocamos ambos os gráficos abaixo: primeiro do período de 1994 a 2002 e depois de 1986 a 2013 referentes ao assunto:

A - Gráfico 1 Inflação

A - Gráfico 2 Inflação

TAXA DE JUROS: Embora se reconheça que há um componente inercial na inflação brasileira, e o inclua formalmente no seu modelo de meta de inflação, o Banco Central continua a usar a taxa de juros básica para controlá-la. A evolução da taxa de juros referencial da economia brasileira, a SELIC, no período de dezembro de 1994 a agosto de 2002, mostra que embora tenha havido uma grande oscilação no início da série, a taxa de juros decresce sucessivamente até agosto de 1997, ficando em 1,5859% ao mês. É seguido por uma fase de grandes oscilações, com a taxa alcançando um máximo de 3,3345% ao mês em março de 1999, vindo a retroceder e mudar seu ritmo em torno de outubro de 1999 com uma taxa de 1,3839% ao mês, quando a amplitude de variação da taxa de juros se reduz. Novo impulso ao aumento nas taxas de juros ocorre em agosto de 2001, com taxas de 1,6% ao mês, em elevação continuada em 2002, causada pelas eleições presidenciais em função de temor de possível calote da dívida pública.  Vide gráfico abaixo:

A - Gráfico Taxa de Juros

 

Referências:

http://20anosdoreal.epocanegocios.globo.com/

http://www.iea.sp.gov.br/out/LerTexto.php?codTexto=8984

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Ensinando Economia, Nível de atividade

Grupo D – Produto e Desemprego (Plano Real até 2002)

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“Contextualização: Até o Plano Real, adotado em 1994, a economia brasileira foi vítima das elevadas taxas de inflação. Em 1950, quando Juscelino Kubitschek foi eleito e propôs o Plano de Metas, com o famoso slogan dos “50 anos em 5” para impulsionar a industrialização brasileira, até então praticamente inexistente, e a construção de Brasília, empresas americanas e europeias começaram a entrar no Brasil e a estas foram concedidos vários benefícios, o que junto com a construção de Brasília acabou por endividar o Estado. Situação esta que fora controlada pela emissão monetária. Com a renúncia de Jânio Quadros e a posse de João Goulart a instabilidade política propiciou ainda mais o desequilíbrio macroeconômico que já estava em andamento com a inflação elevada e o problema das contas externas. Em 1964, quando os militares tomaram o poder a inflação fora de 90%, foi adotado PAEG (Programa de Ação Econômica do Governo) e a inflação começou a cair. Entre 1968 e 1973, período conhecido como “milagre econômico” quando o PIB do Brasil cresceu absurdamente junto a altas taxas de inflação. E em 1979, o choque do petróleo e o aumento das taxas de juros complicaram ainda mais a situação do país.

Em 1986, foi colocado em prática o Plano Cruzado, para tentar estabilizar os preços (congelamento de preços), após uma ano o governo pôs fim a esse congelamento, fazendo com que o câmbio se desvalorizasse e a inflação subisse novamente.

 Conjuntura: No fim de 1993, sob comando do até então Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, começa a tomar medidas para colocar em prática o Plano Real. O Plano Real consistiu na adoção de duas moedas por um determinado período de tempo. A moeda corrente doméstica (Cruzeiro Real), que continuaria sendo usada como meio de troca e uma moeda virtual (moeda indexada-Unidade Real de Valor=URV) usada como unidade de conta. Então os preços na moeda corrente continuariam a subir conforme a inflação, mas permaneceriam estáveis em relação a moeda indexada.

Em 1994, a URV mudaria seu nome para Real e o Cruzeiro Real deixaria de existir. Em quatro meses todos os preços que eram cotados em Cruzeiro Real encontraram seu valor de equilíbrio em URV, estando a economia liberta da inflação. Em 1999, com uma crise mundial houve uma forte desvalorização do Real e então o Brasil adota o regime de metas de inflação.

 D - Produto Interno Bruto (PIB)

D - PIB per capitaD - DesempregoD - Desemprego 2

Fontes:

http://databank.worldbank.org/data/views/reports/chart.aspx

 PAULANI, Leda Maria & BRAGA, Márcio Bobik. A Nova Contabilidade Social – uma introdução à Macroeconomia. São Paulo: Editora Saraiva, 4ª edição, 2012

 http://20anosdoreal.epocanegocios.globo.com/#anchor-u343″

 

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Câmbio, Inflação, Mercados Financeiros, Política Monetária

ECO F – Âncora Cambial e o Brasil pós Plano Real

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Como em outros países da América Latina em busca do combate a processos inflacionários crônicos, o Brasil também adentrou no chamado plano de estabilização baseado nas taxas de câmbio. Nesse tipo de plano, a taxa de câmbio se torna uma âncora nominal da economia, envolvendo a determinação e a manutenção de certo patamar para a taxa nominal de câmbio.

Com isso, o tamanho da base monetária passa a não mais depender das decisões isoladas dos bancos centrais desses países, mas da quantidade de reservas internacionais acumuladas e das leis e regras que relacionam o estoque de reservas com a criação de moeda.

A sustentação da âncora cambial foi viabilizada pela ampla captação de recursos externos de forte liquidez internacional. Ao conferir estabilidade ao valor da moeda pelo fato do Real estar lastreado abundantemente em dólares, o Plano Real garantiu a confiança dos investidores e fez com que os agentes econômicos passassem a demandar a moeda doméstica.

Enquanto o volume de dólares fosse maior do que o M1, toda e qualquer conversão de reais em dólares estava garantida, o que trazia tranquilidade aos investidores, que assim não precisavam se preocupar com desvalorizações cambiais repentinas para impedir o esgotamento das reservas internacionais.

Inicialmente, houve a adoção de política de câmbio de livre flutuação – que ficou em vigência no período de julho de 1994 a fevereiro de 1995 – e permitiu a entrada de recursos externos, provocando a apreciação da taxa de câmbio.

No momento da implantação do Plano Real, a paridade máxima entre o real e o dólar foi anunciada oficialmente como equivalente a R$1/US$, não sendo o limite inferior num primeiro momento oficialmente fixado (a institucionalização do regime de bandas com a determinação oficial de limites inferiores e superiores só ocorreu, de fato, a partir do final do primeiro trimestre de 1995).

Entre julho e setembro de 1994 não houve qualquer intervenção no mercado de câmbio e a taxa de câmbio “naturalmente” sofreu uma apreciação, passando para R$0,84/US$ como podemos observar no gráfico a seguir.

eco f 1

 Após a crise mexicana em 1994, o regime cambial brasileiro foi substituído pelo regime de bandas cambiais fixas, ficando vigente de março de 1995 a dezembro de 1998. O novo sistema cambial impedia novas apreciações da taxa de câmbio, mas não compensou de imediato a apreciação verificada anteriormente, mantendo-se o câmbio sobrevalorizado.

O gráfico a seguir mostra a variação das reservas internacionais e a variação do M1, de julho de 1994 a janeiro de 1999.

 eco f 2

Como podemos observar, tanto a crise mexicana quanto a asiática provocaram uma redução nos níveis de reservas, mas rapidamente o montante se recompôs, alcançando patamares superiores aos anteriores.  Não demorou, veio a crise russa e o Brasil não mais se recuperou. As reservas internacionais despencaram e, simultaneamente, o M1 cresceu de R$42 bilhões para R$49 bilhões.

No dia 13 de janeiro de 1999, o Plano Real original acabou. Dali em diante, foi adotado o famoso tripé macroeconômico que conhecemos: câmbio flutuante, metas de inflação e superávit primário, conceitos que não existiam no Plano Real.

Sugerimos como ponto de discussão o porquê das reservas internacionais terem despencado tão maciçamente após a crise na Rússia.

Bibliografia:

http://www.fearp.usp.br/pesquisa/images/Anexos/Publicacoes/Textos_discussao/REC/2001/wpe20.pdf

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1294

http://www.rep.org.br/pdf/87-1.pdf “

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Câmbio, Inflação, Mercados Financeiros, Política Monetária

ECEC C – Âncora cambial no Plano Real

“No inicio dos anos 90, o Brasil, passava por um periodo de alta inflação, e já havia passado por varias de tentativas de estaabilização, com planosanteriores, conseguindo esse objetivo com o plano Real. Para conseguir essa estabilidade economica, foram necessarias algumas medidas, como um ajuste fiscal, adoção das URV, e de um ancora combia.

Até a instalação do Plano, a política cambial brasileira era regida por constantes desvalorizações cambiais, que buscavam eliminar os efeitos da inflação sobre a taxa de câmbio real. Pretendia-se, dessa forma, manter, ou mesmo recompor, a competitividade dos setores produtivos nacionais. Essa política buscava a manutenção do equilíbrio do balanço de pagamentos. Por outro lado, ela se tornava uma fonte alimentadora da inflação. Com o Plano Real o objetivo da taxa de câmbio foi alterado. Foi estabelecida uma âncora nominal por meio de uma nova política cambial. Mas o plano teve dificuldades de implementação dado cenários de crise mundial que foram de certa maneira mais a regra do que a excessão nos anos 1990. Tivemos a crise do México em 95, da Ásia em 97, da Rússia 98 e a bolha ponto-com em 2000. Isso dificultou que medidas do plano real tivessem os efeitos esperados. Essas crises influenciaram no modelo de cambio no Brasil no periodo.

A adoção de um câmbio mais firme, com limite maximo, se deu pela necessidade de instituir uma ancora nominal, para combater o processo inflacionario.  Essa fixação atua de algumas formas para ajudar no controle da inflação, ela passa a afetar as expectativas dos agentes definidores de preços, feito ajudado pela melhora da credibilidade (conseguida com implantação de outras medidas anteriores para implantação do plano),  também vamos levar em conta a competiçao de produtos importados, que sofreram redução de preço graças a apreciação da moeda local, assim como insumos intermediarios, que reduziram o custo de produção de produtos nacionais.  A importância da âncora cambial no combate à inflação também se relaciona com a reversão das expectativas inflacionárias.

No inicio do plano, tivemos uma apreciação do real, levando a um valor maximo de 1 U$$, mas sem valor minimo, mas quando essa apreciação ficou muito elevada, foi estabelecido um cambio minimo informal pelo BC. Com a oficialização do sistemas de bandas, com limites inferiores e superiores em 95, esse sistema foi mantido, mas ao longo dos meses tivemos alterações nas bandas de valor do real. Contudo, em 98 a situação do Brasil, passou a ser de possivel alvo para ataques especulativos,  fatores como deficit de conta corrente, elevados juros endividamento externo do setor bancario, títulos publicos expressos em dolares e moeda sobrevalorizada,   levaram a adoção em 1999 do sitema de câmbio flutuante.

ecec c 1

ecec c 2