Ensinando Economia, Nível de atividade

G-K: Crescimento da produtividade e desemprego no curto prazo

Na teoria ecônomica, o modelo de Solow é um modelo do crescimento econômico no longo prazo que depende da força de trabalho (N), estoque de capital (K) e da produtividade do trabalho (A). Assim, temos o modelo de Solow como:

Y = f(K,NA)

Como o que nos interessa nessa discussão é o progresso da tecnologia (A) e não o estoque de capital (K), podemos simplificar o modelo para:

Y = NA

Assim, o produto é resultado apenas da força de trabalho (N) e cada trabalhador produz A unidades de produto. Aumentos em A representam progresso tecnológico.

Então, para analisar mudanças do progresso tecnológico na taxa de desemprego podemos reescrever o modelo de Solow como:

N=Y/A;  e sabemos que a taxa de desemprego (U) é igual a U = 1-N

Assim, observamos que há uma relação empírica positiva entre o progresso tecnológico, ou seja, um aumento da produtividade e a taxa de desemprego no curto prazo, pois quando há um aumento na produtividade (A) menos trabalhadores são necessários para produzir dado nível de produto. Com a queda no nível de emprego, seria razoável esperar uma queda no nível de demanda agregada e do nível de produto, mas na realidade não podemos fazer tal afirmação, já que o aumento na produtividade poderia vir investimentos massivos na economia, aumentando a demanda agregada ou pela implementação de novas tecnologias mais sofisticadas, diminuindo a demanda agregada.

O que a evidência empírica nos diz?

Analisando o gráfico acima  podemos perceber uma forte relação positiva entre a variação da produtividade no trabalho e o crescimento econômico. Além disso, os movimentos no crescimento econômico são maiores do que aumentos na produtividade.

A mudança na produtividade antecede a mudança no nível de emprego

Produtividade e Taxa Natural de Desemprego (Un)

De acordo com a teoria econômica, a taxa natural de desemprego é determinada pelo equilíbrio de duas relações: a de fixação de preços e a fixação de salários.

Para entender como a produtividade afeta o desemprego, e necessário portanto investigar o efeito de suas variações sobre essas relações.

Consideremos primero a fixação de preços:

Da equação Y=NA, depreende-se que cada trabalhador produz A unidades de produto. Se o salário nominal de produção for igual a W, o custo nominal de produção de uma unidade do produto será igual à (1/u) W = W/A. Considerando que as empresas fixam seus preços à uma determinada taxa ( 1+u), a equação de fixação de preços é dada por:

A fixação de salários por sua vez pode ser descrita como uma função do nível esperado de produtividade, do nível de preços esperado, do desemprego e de fatores institucionais.

Unindo as duas equações, chegamos ao salario real

W/P= A/(1+u)

Vê-se, por essa equação, que há uma relação diretamente proporcional entre produtividade e o salário real pago pelas empresas: quanto maior o nível de produtividade, menor o preço fixado pelas empresas dado o salário nominal e, portanto, maior o salário real.

Sob a condição que de que as expectativas estão corretas temos: Pe = P e Ae = A

De acordo com o gráfico, um aumento da produtividade desloca as curvas de fixação de salário e de fixação de preços na mesma proporção e, portanto, não exerce nenhum efeito sobre a taxa natural de desemprego.

É válido ressaltar que a evidência empírica mostra que muitas vezes esse equilíbrio se dá de uma maneira diferente. As empresas, por  terem mais informação sobre o processo produtivo do que os trabalhadores, compensam a economia do aumento da produtividade com um aumento da taxa de markup, para que seu lucro fique maior. Esse descompasso entre a percepção de um aumento de produtividade pelos dois agentes da economia resulta em um deslocamento da curva de fixação de preços pra cima, enquanto a curva de fixação de salários se mantém parada.

Referências:

https://ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/livros/livros/livro_produtividade_no_brasil

Macroeconomics – Oliver Blanchard

Grupo K – Macro 2019


Nível de atividade

Crescimento econômico x Flutuação macroeconômica

 

Autores: Grupo 13 – REC2201-Macroeconomia 2017

 

As flutuações econômicas são caracterizadas por variações de curto/médio prazo, onde há a comparação da economia com o ano ou período anterior. Já o crescimento econômico se dá em longo prazo, onde se observam as comparações em uma escala mais ampla. Segundo Blanchard(4°ediçao) :“Nossas percepções sobre o desempenho da economia frequentemente são dominados pelas flutuações anuais a atividade econômica . Uma recessão leva ao pessimismo, e uma expansão leva ao otimismo. Mas, quando olhamos para trás e examinamos a atividade economia em períodos mais longos, digamos, no decorrer de muitas décadas, o cenário muda. As flutuações desaparecem. O crescimento, o aumento continuo do produto agregado ao longo do tempo se torna o fator dominante”.

Sobre o crescimento do Brasil:

Um fator que cada vez mais vem se tornando importante na determinação do crescimento econômico, no Brasil, é a produtividade. Esta, quando utilizada como medida geral denomina-se produtividade total dos fatores ou PTF, a qual retrata o crescimento de um produto por efeito da melhoria de sua elaboração, ou seja, através de avanços na tecnologia e aperfeiçoamento de gestão ou insumos de melhor qualidade, entre outros fatores. Pela teoria da produtividade total dos fatores podemos dizer que o produto de um país é criado pela cooperação entre os estoques de capital físico e de capital humano. Considerando como capital físico as estruturas utilizadas na produção de bens e serviços como máquinas equipamentos edifícios, etc, e o capital humano a capacidade de produção da força de trabalho sobre o tempo de estudo. Se observarmos duas economias que têm a mesma quantidade de capital físico e de capital humano, se uma dessas economias possuir o PIB maior do que a outra, consideramos que essa foi mais eficiente no uso de seu estoque de capital, portanto é mais produtiva. Ser mais produtivo, portanto, significa fazer mais produtos a partir de uma dada disponibilidade de capital humano e físico disponível na economia.

Resumidamente podemos citar que o crescimento do produto se deve a 4 fatores: aumento do estoque de capital físico, aumento da força de trabalho disponível, aumento do número médio de anos de estudos dos trabalhadores e o aumento da produtividade.

Recentemente a economia brasileira passou por grandes mudanças na sua estrutura produtiva. A indústria começou a ser um setor mais dinâmico, e a exportação se diversificou. Entretanto, a trajetória de crescimento do Brasil está relativamente inferior a dos demais países da América Latina com estrutura produtiva semelhante e também inferior à taxa de crescimento mundial.

 

Entre 1981 e 1990, a produtividade por trabalhador caiu 2% em média por ano. De 1991 a 2000, subiu 1,6% anualmente na mesma medida. O dado continuou positivo entre 2001 e 2010, mas o ritmo caiu para 1,2% ao ano. Entre 2011 e 2016, voltou a cair, agora com taxa média de 1,1% por ano. Tudo isso em contraste com o período anterior, entre 1950 e 1980, quando a produtividade do trabalho cresceu a uma média anual de 3,5%.Naquelas décadas, foi esse o principal fator responsável pelo crescimento expressivo da renda per capitado país (3,9% por ano, em média)”. O baixo crescimento da produtividade do brasileiro se deve por alguns fatores como, por exemplo:

Educação

Mesmo com o combate ao analfabetismo e o avanço de escolaridade da população o Brasil não viu reflexo disso em seus índices de produtividade, podemos ligar a fatores como, por exemplo, a questão da qualidade da educação (em 2014 40% dos universitários eram considerados analfabetos funcionais).

Tecnologia

“Em geral, associa-se a ideia de aumento de produtividade com o progresso tecnológico no âmbito da produção industrial. De fato, a criação de máquinas mais eficientes permite que se gere mais produção industrial a partir de uma mesma dotação de capital. Os países mais atrasados tiram proveito dos avanços tecnológicos dos países mais desenvolvidos, adaptando as tecnologias criadas por esses países sem incorrer nos custos de pesquisa e desenvolvimento, o que gera uma tendência à convergência na produtividade dos menos desenvolvidos com os países da fronteira tecnológica” Mesmo assim muitas vezes é caro importar maquinas e equipamentos, e os níveis de investimento nessa área são relativamente baixos e ainda falta incentivo publico a estimulo de inovação

Burocracia

A complexa burocracia brasileira e as deficiências de infraestrutura também têm um efeito importante sobre a produtividade das empresas. “É só notarmos a quantidade de pessoas que as empresas precisam empregar para conseguir pagar (processar) seus impostos – chegam a centenas de funcionários em grandes companhias como a Petrobrás. São pessoas que não trabalham na atividade-fim da empresa e, portanto, não ajudam a aumentar a produção”. O excesso de burocracia também favorece a manutenção das taxas altas de informalidade da economia – que pressionam o PIB e os índices de produtividade do país no geral.”

 

http://exame.abril.com.br/economia/produtividade-brasileira-nao-cresce-desde-1980-diz-estudo/

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/05/140519_produtividade_porque_ru

http://www.brasil-economia-governo.org.br/2012/10/01/o-que-e-produtividade-e-como-conseguir-seu-incremento/

https://www.insper.edu.br/wp-content/uploads/2014/09/Evolucao-Produtividade-Brasil.pdf

http://brasilemsintese.ibge.gov.br/industria/produtividade.html

Blanchard 4° edição.

http://seriesestatisticas.ibge.gov.br/series.aspx?vcodigo=ECE370

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