Inflação, Nível de atividade, Política Monetária

J-Ecec: inflação e choques na economia brasileira

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““A visão monetária da demanda agregada liga a quantidade de moeda M ao total de gastos nominais em bens e serviços P x Y (sendo P=nível de preços e y=produto real agregado). Para fazê-lo, usa-se o conceito de velocidade da moeda: o número médio de vezes por ano que um dólar é gasto em produtos finais e serviços”, sendo a fórmula:

          V= (P x Y) /M

Rearranjando a fórmula temos:j-ecec-imagem-1

Dado um exemplo em que o v=2 isso irá dizer que a oferta de moeda suporta um nível de transações 2 vezes maior que o próprio valor.

A partir dessa fórmula encontra-se a curva de demanda, considerando que o V e M constante, uma mudança em P fará com que o Y tenha que ser alterado para manter o M x V constante, notando-se que a curva de demanda é uma curva negativamente inclinada. Um exemplo é quando v=5, m=1 trilhão, e o gasto agregado (P x Y) = 5 trilhões, caso o preço passe de 1 para dois o y iria diminuir de 5 trilhões para 2,5 trilhões.

 

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A demanda agregada é afetada por seis fatores que são, a oferta de moeda, os gastos governamentais, as exportações liquidas, os impostos, o otimismo do consumidor e o otimismo das empresas. Os impostos são o único fator que quando elevado causa um deslocamento para esquerda na curva, pois este aumento gera uma diminuição da renda disponível, causando uma redução do consumo e assim da demanda agregada. Já um aumento dos outros fatores gera uma elevação da renda agregada, deslocando a curva para a direita.

Como a curva de demanda agregada descreve a relação entre a quantidade de produto agregado demandado e a taxa de inflação, é importante mencionar que um aumento da demanda agregada quando a economia se encontra em pleno emprego, isto é, quando a demanda por mão de obra se iguala a oferta, gera um aumento dos preços principalmente nos setores de insumos básicos, isso leva a crer que um aumento desta demanda leva a um aumento da inflação.

No caso brasileiro temos uma situação incomum. De acordo com a pesquisa “Choques, risco fiscal e crise política fazem a inflação subir apesar da recessão maior” publicada pelo valor econômico, a relação entre PIB e inflação não se dá como o esperado, a piora das projeções para a atividade econômica não foi seguida por uma queda da inflação. As razões que explicam esse descasamento são:

-A desvalorização do real frente as outras moedas aumentando o preço dos importados;

-Um aumento maior do que o esperado nos preços administrados, como gasolina e conta de luz;

-Aumento nos impostos;

Além desses fatores o que pode ter contribuído para o distanciamento das curvas de inflação e PIB se deu por uma crise na confiança já que na época havia um cenário de impeachment, essas variáveis afetam ainda mais a inflação.

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Como temos um governo comprometido com o nível de preços estável, segundo a pesquisa o banco central aumenta os juros ao invés de diminui-los, o que seria o normal a se fazer em tempos de recessão a fim de estimular a economia. Há então a dificuldade de estimular a economia e conter o avanço da inflação, uma vez que como no gráfico uma tentativa de aumento da taxa de juros para conter a inflação levaria a uma diminuição ainda maior da atividade econômica.

No entanto, segundo Megale a combinação de uma inflação mais alta e um PIB mais fraco não pode ser vista como consequência de uma política monetária menos eficiente. Ele argumenta que a política monetária atua para alinhar essas duas variáveis, e que sem ela, provavelmente os distanciamentos seriam ainda maiores.

 

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.

http://www.valor.com.br/especial/projecoes”

 

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