Mercados Financeiros

ECO A – Eficiência nos mercados de capitais

 

Para começarmos uma discussão sobre a eficiência dos principais mercados de ações do mundo, é importante investigar, na teoria econômica, o que se entende sobre a eficiência no mercado de capitais.

O conceito de eficiência no mercado de Capitais e, portanto, no mercado de ações, está relacionado com a ideia de que todos os agentes tenham informações suficientes para a fundamentação da geração de preços, isto é, se as informações relevantes para a geração de preço forem completamente processadas pelo mecanismo de preço do mercado de Capitais, então este mercado é chamado eficiente. Este conceito é amplamente utilizado no mainstream econômico.

Eugene Fama, no seu trabalho da década de 1970, define três diferentes formas de eficiência de mercado: Forma Fraca, Forma Semiforte e Forma Forte. Na Forma Fraca, os retornos não podem ser previstos a partir de retornos do passado ou de nenhum indicador baseado no mercado. Na Forma Semiforte, os preços refletem toda informação pública disponível, incluindo dados do mercado como relatórios financeiros, previsões econômicas, anúncios das empresas. Já na Forma forte de eficiência, os preços refletem toda informação pública e privada, isto é, até os agentes que tem informação privilegiada não ganhariam retorno excessivos. 

A partir desta teoria, supondo eficiência semiforte, teremos que o preço esperado no futuro, condicional à informação pública disponível, deverá ser igual ao preço atual. Ou seja, mudanças de preço são causadas por fatores randômicos não correlacionados com as informações disponíveis. 

De fato, a maioria dos trabalhos empíricos da década de 70 demonstra que há possibilidade de existência de eficiência semiforte de mercado. Porém, a partir do final da década de 1970 e início de 1980 começaram a ser detectadas inconsistências a partir da observação da realidade econômica. Há, por exemplo, o efeito “small firm effect”, fenômeno em que as ações das pequenas firmas apresentam retornos acima da média, em determinado momento.

No ano passado, Eugene Fama dividiu o prêmio Nobel de economia com Robert Shiller. Economistas com abordagens diametralmente opostas uma da outra.  Shiller acredita que os investidores estão sujeitos a surtos de irracionalidade, então, a partir de uma perspectiva keynesiana, ele argumenta que os preços das ações são direcionados a partir da ação de especuladores e não por fundamentos do mercado. Shiller defende políticas econômicas de cunho altamente regulador.

De acordo com uma matéria do Daily China, os principais mercados de ações do mundo são, em primeiro lugar, o New York Stock Exchange com um volume de capitalização de 17,949.88 bi de dólares,  em seguidos pela NASDAQ OMX o Tokyo Stock Exchange e o Osaka Securities Exchange, que formam o Japan Exchange Group,  Como vemos na tabela a seguir:

 eco a 1

 Dado que os mercados de ações acima são os maiores do mundo, os custos destes em obter informações são os menores do mercado, logo são os mais eficientes.

A partir das duas abordagens mais famosas de eficiência de mercado, podemos analisar se os principais mercados de ações do mundo são eficientes. Ou seja, se apresentam as condições de mercado eficiente preconizadas por Fama ou se apresentam ou não regulações suficientes, a se entende em Shiller.

Links:

www.jstor.org/stable/pdfplus/3216841.pdf?acceptTC=true&jpdConfirm=true

http://www.bbc.com/news/magazine-24579616

http://www.econlib.org/library/Enc/EfficientCapitalMarkets.html

http://arxiv.org/pdf/1208.1298.pdf

www.chinadaily.com.cn/business/2014-04/29/content_17472002.htm

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1713