Cultura Econômica, Ensinando Economia, Nível de atividade, Política Fiscal, Política Monetária

Palestra DSGE na Semana MAN

 

Participei da 10a. Semana da Matemática aplicada a Negócios (MAN) na tarde de hoje, falando um pouquinho sobre os modelos dinâmicos estocásticos de equilíbrio geral (DSGE – Dynamic Stochastic General Equilibrium) para os estudantes do curso. A ideia foi mostrar um caminho de aplicações possíveis para os instrumentos que estudam ao longo do curso e motivá-los a estudar ainda mais matemática estatística!!

Segue a apresentação. Críticas e sugestões são bem-vindas!

 

 

Cultura Econômica, Ensinando Economia, Livros... Livros...

“Involve me and I learn” ;-)

 

Sempre repito para mim mesma essa frase perfeita de B. Franklin: “Tell and I forget, teach me and I remember, involve me and I learn”. Encontrei-a lendo o livro “The Heart of Teaching Economics: lessons from leading minds“, que traz uma coletânea de entrevistas com renomados pesquisadores, reconhecidos em suas áreas por seus pares (ou seja, lotados de “pontos qualis”) e que, pasmem, são excelentes professores!! Um outro ponto que salta aos olhos e contradiz boa parte dos colegas locais é o consenso sobre a NÃO independência entre ensino, também na graduação, e pesquisa, que sempre defendi.  De qualquer forma, considero leitura primordial para nós, acadêmicos da área.

O problema é que ensinar dá trabalho e requer dedicação e paciência e, nesse sentido, há também um trade-off de tempo e energia com a pesquisa, ninguém há de negar. Ainda assim, os benefícios superam os custos e os insights que ganhamos ao rever um material básico, há muito estudado por nós, e que precisa ser transmitido aos alunos de graduação de forma eficiente para o seu processo ensino-aprendizagem, permitem-nos uma compreensão mais profunda tanto do problema econômico em questão quanto da evolução científica da área de pesquisa, pois, com o passar do tempo e nosso amadurecimento intelectual, somos capazes de fazer muito mais conexões em nossa memória e conhecimento e, incrível, também melhoramos como pesquisadores (já nos mostra a neurociência)!! Além disso, há os (raros) feedbacks dos alunos em sala de aula, as perguntas, os questionamentos, que também podem trazer interessantes temas de pesquisa, basta que estejamos de ouvidos abertos e receptivos, e tratemos nossos alunos com respeito intelectual – são jovens adultos, com observação do mundo diferente da nossa.

Qualquer um de nós é capaz de realizar de forma eficiente ambas as atividades, ainda que o talento individual seja maior para ensino ou para a pesquisa, se se dedicar minimanente a elas – ou seja, horas-bunda (energia + tempo) precisam ser dedicadas às nossas atividades como profissionais, igualzinho esperamos e incentivamos que os nossos alunos, ou qualquer outro profissional, façam!! “Ah, eu sou excelente pesquisador, mas péssimo professor!”, é, para mim, desculpinha de quem se acha gênio e/ou quer fugir de suas responsabilidades profissionais – salvo raríssimas exceções. E ensinar envolvendo os alunos também é mostrar isso como exemplo e não como retórica: estabeleça e preze o contrato (conteúdo, bibliografia, normas de avaliação, atividades a serem desenvolvidas – o famoso programa da disciplina) proposto no início do semestre; prepare suas aulas (!!!), mesmo que sejam da sua área de pesquisa e vc conheça o conteúdo de trás para frente, e pense em como transmiti-lo aos alunos (técnicas didáticas…); reflita e atue no sentido de contribuir para que os estudantes estabeleçam as conexões entre seu conhecimento nas diversas áreas da sua formação acadêmica (teoria econômica, métodos quantitativos e história) e suas experiências concretas, isso é aprender!

 

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Mercados Financeiros

Desafio de avaliação de empresas

 

Acabamos de ter na FEA-RP uma palestra muito importante sobre o CFA Institute Research Challenge, gentilmente oferecida pela Sr. Sonia Villalobos – a primeira pessoa a receber a designação CFA na América Latina, em 1994, atualmente sócia-fundadora da Lanin Partners LLC e membro do CFA Society Brazil.

Sonia explicou à platéia o papel desempenhado pelo CFA Institute para o estabelecimento de padrões de excelência profissional na indústria de investimento, por meio, principalmente, do CFA Program em seus 50 anos de existência.

O objetivo de trazermos Sonia para a FEA-RP, além de aprender um pouco a partir de sua vasta experiência profissional, foi motivar os alunos a participarem do processo seletivo interno para a formação do grupo que participará no CFA Institute Research Challenge 2014, uma competição global de avaliação de empresas de capital aberto em que os estudantes têm uma excepcional oportunidade de aprendizagem, aproveitando o contato direto com um CFA Mentor designado para auxiliá-los com a parte prática da avaliação. Ano passado fui Adviser do time e novamente neste ano estarei no suporte acadêmico e espero que consigamos formar um time dedicado e competitivo! Para participar do processo seletivo, acompanhe as instruções do Clube de Mercados Financeiros, que sempre promove a participação da FEA-RP nesse evento e é responsável pelo processo seletivo.

Participem!!

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Rápido e Devagar – Atividade de Finanças Parte 3

 

“Muitas vezes deixamos de lados as dúvidas e enxergamos apenas o lado positivo das coisas, construindo assim histórias coerentes e ignorando nossa própria ignorância, concluiu Kahneman em seus estudos. A terceira parte de seu livro mostra o quão importantes são os vieses e convicções subjetivas na tomada de decisões.

A ocorrência de Wysiati (What You See Is All There Is) – ilusão de que compreendemos alguma coisa baseando-se em experiências passadas (sem evidências) – é comum no dia-a-dia. Conforme uma pessoa adquire mais conhecimento, desenvolve uma ilusão acentuada de sua habilidade e se torna irrealisticamente superconfiante. Essa superconfiança é responsável pelas ilusões de habilidade e validade e maus resultados futuros. Outro fato ligado ao Wysiati é o viés de resultado – quando culpamos os tomadores de decisões por boas escolhas que deram errado ou lhe damos pouco crédito por medidas bem sucedidas que parecem óbvias após terem ocorrido. Não podemos nos deixar levar por esses vieses, temos de saber que a decisão foi estúpida apesar de ter dado certo.

Embora percepção tardia e viés de resultado mostrem aversão ao risco, também trazem conseqüências injustas para pessoas irresponsáveis que correm riscos. Pessoas que correm risco demasiado podem ter sorte e nunca serem punidos, pelo contrario, podem ser vistos como alguém com talento e visão. Um bom exemplo são os investidores de grandes fundos de investimento. Um estudo realizado com traders de Wall Street mostra que na maioria das vezes a correlação entre o resultado das empresas e a habilidade dos gerentes é zero, mostrando que quando se trata de construir portfólio as empresas estão recompensando sorte como se fosse habilidade.
                A conclusão é que os erros de previsão são inevitáveis, pois o mundo é imprevisível, e não se deve confiar em convicções subjetivas, uma vez que não podemos gerar prognósticos válidos a partir de experiências passadas.

Em outro estudo Meehl concluiu que previsões estatísticas eram mais precisas que previsões clínicas, inclusive no dia-a-dia da sociedade onde algoritmos eram tão eficientes ou mais do que especialistas. Isso acontece porque estes julgam ter mais informações relevantes que a fórmula, o que é raro. Alem disso seres humanos são inconsistentes, diferem da própria opinião se perguntados sobre a mesma coisa depois de certo tempo e seus julgamentos não podem ser prognósticos válidos, por depender do momento (a fórmula não depende). Porém os preconceitos com os algoritmos se intensificam quando se tratam de decisões significativas (detectar uma doença intratável, por exemplo). Isso quer dizer que não podemos confiar no julgamento, nem desprezá-lo.

A pergunta é: quando podemos confiar em um especialista? O grau de perícia de um especialista é essencial para essa pergunta. Essa perícia não se aprende de uma hora para outra como as emoções, levam muito tempo e estudos. Algumas regularidades do meio ambiente são fáceis de descobrir, pois possuem feedback imediato e inequívoco, a perícia, portanto depende da qualidade e velocidade desse feedback. Contudo não podemos culpá-los por fracassar em prognósticos num mundo imprevisível, onde os limites não conhecidos traem a intuição. Conclui-se com isso que a confiança subjetiva é um indicador de má precisão de julgamento.

Em um terceiro estudo ele observou a importância da visão de fora x visão de dentro. A diferença entre elas é que na visão de dentro participantes do projeto dão suas opiniões, incluindo sentimentos otimistas e não consideram incógnitas desconhecidas enquanto na visão de fora se tem uma visão mais ampla e equilibrada que normalmente é ignorada coletivamente pelos que participam do projeto. A visão de dentro acaba gerando prognósticos excessivamente otimistas de resultados de projetos, esse otimismo exagerado é chamado de falácia de planejamento e acontecem com indivíduos, empresas e governos. Podemos descrevê-las como: projetos que estão irrealisticamente próximos de hipóteses superotimistas; projetos que podem ser melhorados com uma consulta às estatísticas de casos semelhantes.

Essas falácias de planejamento devem ser evitadas por tomadores de decisões, uma vez que permitem o comportamento oportunista de pessoas que agem de má fé e geram custos extras ao projeto. Se esses tomadores de decisão não reconhecem a necessidade de uma visão de fora estão cometendo uma falácia de planejamento.

O dinamarquês Flyvbjerg identifica os três passos para um prognóstico:
– Identificar a classe de referência;

– Obter estatísticas de tal classe para gerar uma previsão de linha de base e
– Ajustar as previsões da linha de base para o caso em particular.

Já os tomadores de decisão que fazem a diferença são aqueles considerados otimistas (inventores, empresários, líderes políticos). Esses costumam procurar desafios e assumir riscos, encorajar a persistência diante de obstáculos, além de contribuir de forma clara para o dinamismo da economia numa sociedade capitalista através da tomada de risco otimista. Porém um resultado negativo é o efeito “acima da média” (quando as pessoas se julgam melhores que as outras), o  que gera uma competição excessiva e prejuízo para os empresário uma vez que o mercado não está pronto para tantos novos entrantes.

Gary Klein propôs um método que ajuda a reduzir o prejuízo gerado por vieses e otimismo. Ele propõe dizer aos membros de uma equipe, separadamente, que o projeto fracassou no futuro e perguntar por que isso ocorreu, legitimando as dúvidas e permitindo aos participantes do projeto fazer criticas que antes não seriam possíveis.”

 

Grupo 3

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Belo compêndio das crises financeiras


Fui convidada a dar uma palestra para estudantes vestibulandos sobre crises financeiras e aproveitei a oportunidade para terminar a leitura de um livro bastante interessante, do qual pude aproveitar muitas informações e dados para a palestra. A obra referida intitula-se  “Oito séculos de delírios financeiros: desta vez é diferente” de Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, ambos pesquisadores de primeira linha e com experiência prática, publicado este ano pela Elsevier. Um belo compêndio das crises financeiras, muito bem documentado por dados históricos e com o rigor necessário para uma obra de divulgação científica. Não precisa ser economista para ler, basta gostar do assunto e de leitura de tabelas e gráficos, que muitas vezes são deixados a falarem por si sós, como os próprios autores alertam.

Dois trechos que reporto resumem bem o que os leitores encontrarão:

“Se há um tema comum na ampla gama de crises que consideramos nesse livro, é a realidade de que acumulação de dívidas excessivas, por governos, bancos, empresas ou consumidores, em geral impõe riscos sistêmicos mais sérios do que se pensa durante os ciclos de prosperidade”

“Já vimos tudo isso antes. Os instrumentos de ganhos e perdas financeiras têm variado ao longo dos séculos, assim como os tipos de instituições, que muito se expandiram, apenas para ampliar a magnitude dos fracassos. Porém, as crises financeiras, no transcurso das eras, seguem um ritmo de prosperidade e recessão. Países, instituições e instrumentos financeiros podem mudar com o passar do tempo, mas a natureza humana continua a mesma.”

A tônica do livro é esta: busca desmistificar a síndrome do “dessa vez é diferente” que acomete a quase todos a cada nova crise financeira. Para isso, mostram recorrências que antecedem as crises inflacionárias e cambiais; as de inadimplência de dívidas soberanas; e as crises bancárias, associadas em geral a bolhas nos mercados de ativos reais (como o imobiliário, que antecedeu a última grande crise bancária de 2007-2008, que os autores denominam de Segunda Grande Contração – a primeira, é a crise de 1929). Finalizam o livro com a proposta de um conjunto de indicadores que poderiam auxiliar na compreensão de movimentos potenciais geradores de crises financeiras.

Recomendo a leitura!


Cultura Econômica, Economia

Economista? Que bicho é esse?

13 de Agosto, neste ano, uma sexta feira – belo dia para ser nosso dia, não? Ainda bem que somos bastante racionais e não nos impressionamos com essas tolices de superstições… rs…

Em homenagem ao nosso dia, resolvi falar um pouco sobre a profissão de economista. Costumo fazer palestras sobre o assunto, em escolas de ensino médio e nos eventos da Instituição em que trabalho, que intitulo “Economista? que bicho é esse?”.

O Economista é um profissional que analisa e propõe soluções para problemas associados a escolhas de várias ordens: financeiras, produtivas, sobre alocação de recursos públicos, de tempo, sobre decisões de consumo, etc. Para identificar e analisar tais problemas, os Economistas têm um modo particular de pensar, um modo estruturado (para simplificar o todo complexo do mundo real), em que buscamos: caracterizar os fatores históricos, políticos e institucionais que afetam o problema; ressaltar as principais variáveis econômicas envolvidas;  hipotetizar relações entre elas a partir das teorias e modelos conhecidos; e obter observações reais (dados) para estas variáveis para que, se for o caso, possamos analisar o problema a partir de instrumentos estatísticos e fazer inferência sobre hipóteses de interesse.

Por que escolhas são fundamentais? Porque os recursos disponíveis são escassos e os desejos são ilimitados!

Com um forma estruturada de pensar, os economistas devem ser capazes de: IDENTIFICAR ALTERNATIVAS POSSÍVEIS; AVALIAR OS BENEFÍCIOS E CUSTOS DE CADA UMA DELAS; COMPARAR E CLASSIFICAR OS RESULTADOS; COMUNICAR E ARGUMENTAR DE FORMA CLARA E PRECISA SUA AVALIAÇÃO.

A formação de um economista envolve, então, conhecimentos de história, de métodos quantitativos e de teoria econômica, e a monografia de final de curso propicia a consolidação da formação:

Formação de Economista

Se gostou, procure mais informações, converse com economistas e conheça as muitas possibilidades de atividades em empresas públicas ou privadas, no setor de administração pública propriamente, além da Academia, que economistas podem desenvolver!

 

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Inaugurando

 

Finalmente decidi, com a firmeza de convicção necessária, iniciar um blog – uma decisão parecida com aquelas de início de ano… Uma decisão difícil, preciso dizer, para quem ter por hábito e por força de profissão o cuidado com a língua pátria segundo a norma culta, o burilar de um texto por semanas, às vezes meses…

Isto aqui exige rapidez, despojamento, desapego e, principalmente, coragem para expor erros de toda sorte, humildade para corrigi-los quando descobertos ou apontados pelos leitores, ou mesmo um certo desleixo em deixá-los lá onde estão ainda que sabidos. Grande desafio!

Não pretendo trazer para este espaço discussões extremamente técnicas e/ou complexas em minha área de atuação, a Economia – para isso faço uso de outros fóruns. Ao contrário, quero aqui aperfeiçoar minha capacidade de falar sobre economia numa linguagem simples e acessível, até mesmo informal, permitindo-me emitir avaliações normativas – o que procuro não fazer em sala de aula – sobre os diversos temas tratados.

No entanto, Economia não é minha única paixão – sou uma pessoa de múltiplos interesses; o que torna quase impossível circunscrever a temática deste blog… Por isso o título, mais que adequado: Random Walk (Passeio Aleatório) –  um Passeio Aleatório por assuntos, notícias, temas que considero merecerem algum comentário, às vezes técnico, racional, às vezes amador, subjetivo…

Você saberá lendo!

Bem-vindos!!