Câmbio

G6-Eco: Taxa de Câmbio nominal e suas relações com comércio e fluxos de capitais

Atividade didática On-Line realizada pelos alunos da Turma de Economia Monetária

 

“A taxa de câmbio é comumente considerada uma das variáveis mais importantes no relacionamento entre uma economia aberta e seus parceiros comerciais. As políticas cambiais possuem efeitos sobre as transações comerciais e, com isso, possuem impacto no ciclo de negócios e no crescimento econômico como um todo.

A taxa de câmbio difere-se em termos nominais e reais. A taxa de câmbio nominal indica o preço do ativo financeiro, enquanto que a taxa de câmbio real indica o preço relativo entre duas moedas – o que permite medir a competitividade relativa entre os dois países em questão. Além disso, a taxa de câmbio nominal pode ser definida de duas formas: ela pode representar o preço da moeda doméstica (E´=US$/R$), ou o preço da moeda estrangeira (E=R$/US$).

Consequência das Flutuações Cambiais nas Contas Externas

Considere o “método” do preço da moeda estrangeira e suponha uma valorização cambial. Precisamos, agora, de menos reais para comprar a mesma quantidade de produtos estrangeiros, ou seja, as importações se tornam “mais baratas”. Assim, há um aumento na demanda de produtos importados, o que aumenta as importações. Ao mesmo tempo, as exportações ficam “mais caras”, pois há um aumento no preço dos produtos nacionais em termos de moeda estrangeira; com isso, pode ocorrer uma redução da demanda externa por produtos nacionais, o que leva a uma queda nas exportações –a elasticidade do produto influencia nessa circunstância. Portanto, a valorização cambial incentiva as importações e prejudica as exportações, enquanto que a desvalorização cambial tem uma consequência oposta.

Situação do Brasil

Muitas nações enfrentam problemas inflacionários e baseiam suas políticas cambiais no regime de câmbio fixo, caso do Brasil em meados da década de 1990. Neste regime, a taxa de câmbio não foi estabelecida no mercado de divisas e o governo impôs à sociedade a taxa de câmbio que, segundo os objetivos de sua política econômica, era a mais adequada para o país (paridade cambial de R$ 1,00 x US$ 1,00). Com isso, as exportações se reduziram fortemente e as importações cresceram de forma rápida, gerando um o acúmulo de déficits comerciais na Balança Comercial. 

Contudo, após a crise cambial de 1999, resultado entre outros fatores da elevada vulnerabilidade externa do país, o Brasil adotou um novo modelo de política econômica: regime de câmbio flutuante, sistema de metas de inflação e geração de constantes superávits primário. Nesse novo modelo, as taxas são estabelecidas em mercado e flutua em função da oferta e demanda de divisas; as taxas de juros são menores do que as observadas no período anterior, apesar de ainda continuarem altas; além disso, pode-se observar uma grande volatilidade na taxa de câmbio.

Figura 1: Contas do balanço de pagamentos (1999-2014) em milhões de dólares

 

A partir de 2000, mesmo com a forte desvalorização do real, nota-se que tanto as importações quanto as exportações aumentaram, resultado de uma maior abertura do Brasil.

Já em relação ao saldo líquido da conta financeira brasileira, vemos uma grande entrada de investimento estrangeiro, devido a fatores exógenos, que ajudou a valorizar o real. Essa valorização, entretanto, não afetou as exportações como “se esperava”. Percebe-se que a conta financeira compensou o saldo negativo das transações correntes.

Figura 2: Evolução da balança comercial e da taxa de câmbio nominal – 2000 a 2014 – Milhões de Dólares e R$/US$.

 

A forte valorização do real a partir de 2003 não teve um resultado determinante no saldo exportações. O que pode explicar essa situação, divergente da teoria, é o crescimento da renda dos outros países, especialmente da China que entrou na OMC em 2001 e era um grande demandante das commodities brasileiras. Além disso, houve um crescimento de empresas brasileiras exportadoras que tomaram proveito da situação e aumentaram a produção.”

Referências bibliográficas:

goo.gl/HBDYpm

goo.gl/CU1QuM

goo.gl/QfVkq3

goo.gl/P6Yp2d

goo.gl/DreBFB

goo.gl/TQif1t

goo.gl/TQif1t

Autores: Grupo H Turma de Economia

 

.

Câmbio, Mercados Financeiros, Política Monetária

H-ECO: Volatilidade nas taxas de câmbio no Brasil e na américa latina: teoria e prática

.

A teoria

Sabemos que a taxa de câmbio nominal no curto prazo responde à paridade de juros descoberta, sendo esta uma consequência da livre mobilidade de capitais no qual os agentes podem alocar seus recursos entre os diversos ativos internacionais e os ativos domésticos. Para alocar os recursos em algum ativo estrangeiro, é necessário fazer a conversão de moeda doméstica para a estrangeira em questão; esta demanda por moeda estrangeira vai ser satisfeita por uma oferta de moeda estrangeira, sendo formado neste mercado o preço da moeda externa em relação à interna. Ou seja, na alocação de recursos entre ativos domésticos e estrangeiros, os agentes alterarão suas demandas relativas por moedas interna e externa, e isso fatalmente alterará a taxa de câmbio vigente (sendo, portanto, um determinante para sua volatilidade), tudo isso em um regime de câmbio flexível, é claro.

A relação de paridade de juros abaixo foi retirada a partir do livro de Macroeconomia de Blanchard (2011); it é a taxa de juros doméstica; it* é a taxa de juros externa. A taxa de câmbio está definida em termos da moeda estrangeira.

h-eco-imagem1

A prática

No Brasil, em 1994, com a implementação do Plano Real foi preciso ter o câmbio como âncora nominal da nova moeda. Em teoria isso seria um regime de cambio fixo; na prática foi um crawling-peg com pequenas desvalorizações . O Banco Central brasileiro enfrentou expectativas de desvalorização nas crises do México (1994), da Ásia (1997), da Rússia (1998) e no Brasil (1999), sendo que um pouco após esta última mudou-se o regime para um câmbio flutuante. Os momentos de crise são bem flagrados no movimento ascendente do câmbio brasileiro observado no gráfico abaixo a partir de 1994.

A crise da Argentina tem uma forte relação com a inflação durante a década de 90, período em que o país passa a adotar o currency board como regime cambial na tentativa de conter a inflação. Isto explica a estabilidade da taxa de câmbio neste país até 2001, já que neste regime a oferta de moeda doméstica é determinada pela disponibilidade de moeda estrangeira, sendo ambas trocadas a uma taxa fixa.      

Cunha & Gala (2006) relatam que a partir da crise da Ásia em 1997 houve uma significativa queda na oferta de financiamento externo para  economias emergentes, afetando a economia chilena à medida que os países asiáticos respondiam por um terço das exportações e o preço do cobre sofreu forte queda. A grande saída de capitais para países desenvolvidos, que se iniciou em 1997, intensificou-se em 1998 e 1999 com a crise na Rússia e no Brasil. O efeito sobre o regime de bandas cambiais foi a depreciação da taxa nominal, conforme se observa no gráfico abaixo.

A crise do México ocorre em 1994 com uma desvalorização do peso mediante instabilidade política, afetando o câmbio em outros países na América Latina, entre eles o Brasil, no denominado ‘’efeito Tequila’’, tal como relatado por Mishkin. Percebe-se um movimento ascendente do câmbio mexicano a partir de 1994 no gráfico abaixo.

Assim, vê-se como a taxa de câmbio nominal nos países emergentes são muito suscetíveis a crises externas, sendo este um aspecto em comum nestes países. Um exemplo recente é a crise financeira de 2007/2008, no qual houve fuga de capitais no período mais acentuado da crise, refletindo em um aumento da taxa de câmbio (medido em termos da moeda doméstica) devido à queda da demanda por ativos domésticos. No gráfico abaixo vê-se claramente o aumento do câmbio em todos os países em 2008.

 

h-eco-imagem2

Referências

BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 5ª edição. São Paulo: Ed. Pearson, 2011

http://eesp.fgv.br/sites/eesp.fgv.br/files/310.pdf (Cunha & Gala, 2006)

MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.”

 

Câmbio, Mercados Financeiros, Política Monetária

H-Ecec: Volatilidade da taxa de câmbio nominal

.

“A alta volatilidade das taxas de câmbios surpreende muitas pessoas. Há cerca de 30 anos, os economistas geralmente acreditavam que as taxas de câmbio formadas pelo mercado não estariam sujeitas a altas flutuações nos seus valores. Todavia, experiências recentes provaram o contrário. É possível observar dados que comprovam que as taxas de câmbio durante a década de 90 do século passado e início desse século têm sido muito voláteis.”

A abordagem do mercado de ativos para a determinação da taxa de câmbio, esboçada no capítulo 17 do Mishkin, nos dá uma explicação da volatilidade das taxas de câmbio. Como a apreciação esperada da moeda doméstica afeta o retorno esperado dos ativos domésticos, as expectativas sobre o nível de preço, inflação, barreiras comerciais, produtividade, importação, exportação e a oferta de moeda desempenham funções importantes na determinação da taxa de câmbio.

Quando as expectativas sobre qualquer uma dessas variáveis mudam, e elas mudam com frequência, o modelo apresentado por Mishkin indica que o retorno esperado dos ativos domésticos e, por consequência, a taxa de câmbio, será imediatamente afetada.

h-ecec-imagem-1

A volatilidade da taxa de câmbio também se vincula com a volatilidade de outras variáveis. Um viés é atribuído em relação à instabilidade da taxa de juros de economias emergentes, uma vez que esses países incorrem em escolher se devem manter grande a variabilidade na taxa de câmbio ou na política monetária por meio da taxa de juros. Nesta perspectiva, embora se permita certo grau de variação em ambas, os governos preferem manter a taxa de câmbio mais estável, o que culmina na permissão da variabilidade da taxa de juros para que isso seja garantido (CALVO; REINHART, 2000).

No caso dos BRICS, embora seja possível delinear semelhanças nos países, inclusive enquadra-los como economias emergentes, os regimes cambiais adotados por eles são diferentes. A China administra o câmbio de forma a manter quase fixa sua moeda frente a uma cesta internacional de moedas. O Brasil, Rússia, Índia e África do Sul, por sua vez, são caracterizados por operarem regimes de câmbio flutuante.

A figura abaixo evidencia a evolução da taxa de câmbio nos BRICS à luz da recente crise financeira mundial, permitindo destacar sinais de diferentes graus de intervenção nas taxas de câmbio destes países.

 

h-ecec-imagem-2

Dos países que adotam o regime de câmbio flutuante, observa-se valorização da moeda doméstica em relação ao dólar até meados de 2008, quando um movimento de desvalorização tomou forma e manteve-se até o início de 2009. Posteriormente, as taxas de câmbio destes países voltaram a registrar valorização, ao passo que na China, onde o regime cambial é administrado, houve tendência de lenta valorização do câmbio até julho de 2008. Destaca-se no caso da moeda chinesa que houve pouca alteração significativa, o que pode ser justificado pela política de compra de dólares.

Após o final de 2008, percebe-se que as moedas de cada país do grupo sofreram desvalorização, enquanto a China sofre baixa valorização, destoando do padrão dos demais BRICS. A moeda brasileira registrou grande impacto da crise, considerando o movimento súbito mais intenso entre os BRICS, seguido pela África do Sul e a Rússia. Desta forma, destaca-se menor “turbulência” no caso da China e da Índia, em que se registram movimentos mais suaves na resposta da taxa de câmbio. Por um lado, a baixa volatilidade da taxa de câmbio da China não surpreende devido ao regime de câmbio administrado, mas, por outro lado, o fato da Índia conduzir uma taxa de câmbio flutuante e ainda registrar estabilidade similar ao da China, embora em sentido de valorização opostas, ganha destaque.

A administração da taxa de câmbio na China tem sido possível, portanto, tanto pelo enorme volume de reservas internacionais, quanto da existência de controles na entrada e saída na conta de capitais, sobretudo através de proibições e limites quantitativos (PAULA, 2005).

REFERÊNCIAS:

  1. MISHKIN, Frederic. The Economics of Money, Banking and Financial Markets – 10th edition. Boston: AddisonWesley, 2009.
  2. ESTUDO PÓS-KEYNESIANO DO COMPORTAMENTO RECENTE DA TAXA DE CÂMBIO NOS BRICS Leandro Vieira Lima Araújo Lívia Carolina Machado Melo Luana Naves Ferreira Silva.(https://s3.amazonaws.com/acadex.articles/Articles/56dc40a45c68c1e60f634dfe-fileIdentified.pdf)
  3. Calvo, Guillermo A. and Reinhart, Carmen M. Fear of Floating. NATIONAL BUREAU OF ECONOMIC RESEARCH, 2000. (http://www.nber.org/papers/w7993.pdf)”
Câmbio, Mercados Financeiros

G-Eco: Sobre a Paridade do Poder de Compra (PPC) e sua validade no Brasil

.

O conceito de Paridade do Poder de Compra (PPC) consiste em comparar efetivamente uma quantidade de produtos que possa ser comprada em diferentes moedas, sendo estas convertidas a uma (e em comparações internacionais esta costuma ser o dólar), chegando, assim, a elucidar de modo comparativo, o poder de compra de cada moeda. Parece um conceito distante de qualquer realidade, mas há um exame de comparação realizado anualmente pela revista The Economist chamado Índice Big Mac que nos auxilia a entender este conceito: tal índice compara as quantidades necessárias de moeda em diferentes países para a aquisição do lanche padrão no McDonalds.

            Através da análise internacional da PPC podemos chegar a uma aproximação maior do custo de vida dos diversos países. A crítica existente a este conceito ocorre por dois motivos: 1) as chamadas “cestas de produtos” não são uniformes entre os países e 2) as flutuações não ocorrem em níveis uniformes (ambos geram dificuldade em se realizar uma adequada comparação).

            A PPC não é um conceito direto e fechado – “é válida ou não” –, pois divide-se em duas vertentes: a versão absoluta afirma que um bem deve ter o mesmo preço em dois países caso os preços estejam sendo expressados em uma mesma moeda, enquanto a versão relativa sinaliza que a razão de preços existente para um mesmo bem em países diferentes deve ser constante ao longo do tempo (CASSEL, 1922).

            Uma vez que a PPC se relaciona à taxa de câmbio, é notável o efeito de valorização ou desvalorização cambial sobre nosso poder de compra: quando da valorização de nossa moeda, temos um aumento do poder de compra – e o contrário também é verdadeiro, ceteris paribus. Ilustrativamente: desde o início dos anos 2000, temos, então, uma redução no poder de compra quando da eleição de Lula em 2002 (quando o dólar chegou a ultrapassar R$4,00), um aumento considerável durante o segundo mandato de Lula (entre 2007 e 2010, com o dólar a menos de R$2,00) e, mais recentemente, uma queda do poder de compra entre o final de 2014 e o primeiro trimestre de 2016 (dólar de R$2,30 para R$ 4,15).

g-eco-grafico-1
 Cambio X Paridade entre Abr. 2000 e Out. 2014

             Seria válida a PPC no caso brasileiro? Alguns estudos discutem este caso através de métodos econométricos e chegam ao entendimento de que isso não possa ser confirmado (ao menos na forma absoluta de PPC):

             Freixo & Barbosa (2004) aplicam o modelo não linear auto regressivo com transição suavizada (STAR) à taxa de câmbio brasileira entre 1959 e 2004, logo após apresentarem um levantamento da literatura sobre PPC; a tese de que a PPC seria válida para o caso brasileiro é rejeitada justificando-se que a partir da análise realizada o que se encontra é que a taxa de câmbio brasileira apresenta comportamento “explosivo” quando próxima da paridade e “estacionário” quando o equilíbrio de longo prazo se encontra distante;

 Palaia & Holland (2010) também desenvolvem um levantamento de literatura e uma série de testes econométricos, chegando ao entendimento da não validade absoluta do conceito de PPC.

                                                     g-eco-grafico-2

 

                            Valor do dólar e taxas de juros, 1973-2008

Através do gráfico acima podemos acompanhar como a taxa de câmbio efetiva está muito mais alinhada com a taxa de juros reais do que com a taxa de juros nominais.  Assim, podemos verificar que nem sempre uma alteração na taxa de juros gera efeitos na taxa de câmbio, isso devido ao componente de expectativa de inflação embutido na taxa de juros nominal pela equação de Fisher.

Cabe ressaltar no gráfico que na crise financeira de 2007-2008 houve um descasamento entre as taxas de câmbio e a taxa de juros real, pois enquanto o FED reduzia a taxa de juros, os Bancos Centrais ao redor do mundo não pensaram ser necessária tal redução, cenário esse que se reverte depois, pois a crise começa a aprofundar seus efeitos no resto do mundo.

.

 

Referências:

https://economia.terra.com.br/operacoes-cambiais/pessoa-fisica/entenda-como-e-calculada-a-paridade-de-poder-de-compra,05b62ebe54082410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

http://www.economist.com/content/big-mac-index

“Cassel, Gustav. 1922. Money and foreign Exchange after 1914. New York, Macmillan”

http://www.infomoney.com.br/blogs/investimentos-bem-pensados/post/3818331/quanto-alta-dolar-afetou-nosso-poder-compra

http://www.anpec.org.br/revista/vol5/vol5n3p75_116.pdf

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-80502010000100001

MISHKIN, F. S. The Foreign Exchange Market, Cap. 17 In: The Economics of Money, Banking and Financial Markets. Cambridge: Pearson Publishing, 2010.

MISHKIN, F. S. The Foreign Exchange Market, Cap. 17 In: The Economics of Money, Banking and Financial Markets. Cambridge: Pearson Publishing, 2012.

 

.

 

Câmbio

F-Ecec: Paridade do Poder de Compra

.

Para se comparar duas economias, diversas são as abordagens adotadas, como a o PIB bruto de cada um deles, a inflação obtida em dado período de tempo ou então o nível de renda. Porém, quando se trata de comparar os produtos e seus preços entre economias diferentes o que usamos é a chamada Paridade de Poder de Compra (PPC no Brasil, PPP na sua sigla em inglês). A teoria da PPC foi formulada pelo economista sueco Cassel (1922) e fala que, basicamente, dois bens iguais devem ter o mesmo preço se comparados em uma mesma moeda (em geral o dólar).

Um bom exemplo dessa comparação pode ser feito com o Playstation 4, da Sony. Quando lançado, no começo do ano de 2014, seu valor no Japão (país sede da empresa) era de 40 mil Yens. À época, a relação cambial entre o Yen e o Real era de aproximadamente Y$46,00 Yens para cada R$1,00. Fazendo-se a conversão pura temos que o mesmo produto, ao preço praticado no Japão, deveria valer R$840,00. Contudo o que se via no Brasil no mesmo período era que o valor do console saia pela bagatela de R$4000,00. Ou seja, algo estava errado em relação a Paridade do Poder de Compra desse produto.

A partir dessas comparações de possíveis PPCs, alguns produtos, comercializados e difundidos por muitos países, podem ser usados como referência no cálculo desse índice. É o caso do Índice Big Mac e do Índice Iphone. Com 30 anos de existência e feito pela conhecida revista ‘The Economist’, o índice Big Mac mostra o preço de um Big Mac nos países pesquisados (em dólar) frente ao preço praticado nos EUA. Se o preço em determinado país estiver maior que nos EUA, mostra que a moeda está sobrevalorizada em relação ao dólar e o seu poder de compra é menor, e vice-versa.

f-ecec-grafico-ppc

Para o caso brasileiro temos um artigo (Palaia & Holland) que testa, por meio de procedimentos econométricos, a validade da paridade do poder de compra. Segundo os autores, o resultado é que não é válida a versão absoluta da paridade do poder de compra que diz, considerando a não existência de custos de transação e que os bens são homogêneos, que o valor da moeda de um país é completamente determinado pela razão entre o preço doméstico e o externo.

A não validade pode ser explicada pela existência de bens não transacionáveis (non tradables), que compõem os índices de preços, além dos próprios custos de transação, como por exemplo o custo de transporte ou então os diferentes impostos que percebemos em cada local. Os bens non tradables não são comercializados no mercado internacional, o que impede a arbitragem de se tornar o preço igual quando colocados na mesma moeda.

Portanto, apesar do fato de a paridade do poder de compra não ser válida em sua forma absoluta, quando pegamos os índices mainstream, como o Big Mac e o Iphone, percebemos uma certa relação com os índices de preços e a taxa de câmbio praticada no Brasil nos últimos anos, haja visto que em qualquer dessas abordagens o Brasil, ou mais especificamente o Real, se mostra em defasagem se comparado ao dólar.

https://economia.terra.com.br/operacoes-cambiais/pessoa-fisica/entenda-como-e-calculada-a-paridade-de-poder-de-compra,05b62ebe54082410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

http://blog.rico.com.vc/bid/76106/Poder-de-Compra-X-Taxa-de-C-mbio

http://observatorio-das-desigualdades.cies.iscte.pt/index.jsp?page=indicators&id=123

(Palaia & Holland) –http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-80502010000100001

http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/01/com-desvalorizacao-do-real-brasil-cai-para-14-posicao-no-indice-big-mac.html

http://www.infomoney.com.br/blogs/investimentos-bem-pensados/post/3818331/quanto-alta-dolar-afetou-nosso-poder-compra

.